Angola Continua Acreditar na Hipótese de uma Segunda Volta na Guiné-Bissau

A libertação do presidente interino e do primeiro-ministro da Guiné-Bissau é um “sinal positivo”, mas torna-se “imperativa” a realização da segunda volta das eleições presidenciais guineenses, afirmou na passada segunda-feira, o secretário de Estado das Relações Exteriores angolano.

Rui Mangueira, o secretário de Estado das Relações Exteriores angolano

Rui Mangueira, o secretário de Estado das Relações Exteriores angolano

Rui Mangueira, que falava aos jornalistas na Cidade da Praia, após um encontro com o presidente de Cabo Verde, Jorge Carlos Fonseca, sublinhou que a situação político-militar guineense na sequência do golpe de Estado de 12 de abril é “muito delicada” e que quer Angola quer a Comunidade dos Países de Lingua Portuguesa (CPLP, presidida por Luanda) têm tido um papel “muito ativo” nas negociações.

Salientando que a reunião com Jorge Carlos Fonseca nada teve a ver com a situação na Guiné-Bissau, mas sim com a questão da eleição do novo presidente da Comissão da União Africana (UA), Rui Mangueira indicou que falta ao Comando Militar que realizou o golpe de Estado aceitar outras duas exigências.

“A primeira situação já está resolvida, que era a libertação dos detidos (Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior). A segunda está a ser resolvida e tem a ver com o facto de o Comando Militar ter de aceitar os princípios do retorno à constitucionalidade”, afirmou, reafirmando que esse retorno deve incluir o presidente interino e o primeiro-ministro.

“O nosso princípio mantém-se: o PAIGC (o partido no poder na altura do golpe militar) deverá ser uma força considerada em todo esse processo e devermos então pensar que a realização da segunda volta das eleições é um imperativo para a resolução da crise”, frisou Rui Mangueira.

Sobre as acusações do Comando Militar à missão de conselheiros militares (Missang) que Angola vai retirar de Bissau, o governante angolano desdramatizou-as, sublinhando que, com 270 elementos, entre militares, médicos e polícias, “jamais poderia ameaçar as estruturas militares” guineenses.

“A Missang tem apenas 270 homens na Guiné-Bissau. É uma força meramente administrativa que esteve a formar e capacitar pessoas para se criar um sistema de segurança no país. Com 270 homens, a Missang jamais poderia ameaçar as estruturas militares dentro da Guiné-Bissau”, respondeu.

Questionado pela Lusa sobre quais são, de facto, as razões do golpe de Estado ou se elas também passam pela questão do tráfico de droga associado à Guiné-Bissau, Rui Mangueira declinou responder.

“A essa questão não lhe posso responder. Os golpistas apresentaram as suas razões, mas nós pensamos que a Guiné-Bissau tem de entrar na ordem constitucional. Daí as exigências da comunidade internacional”, respondeu, adiantando, por outro lado, que a retirada da Missang está prevista “para os próximos dias”.

“Uma vez que não existem condições, a Missang vai sair e será substituída por uma missão da CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), o que vai acontecer nos próximos dias”, assinalou Rui Mangueira.

Fonte: Lusa

 

2 Responses to Angola Continua Acreditar na Hipótese de uma Segunda Volta na Guiné-Bissau

  1. Nilton Arlete da Costa diz:

    Porquê que a Angola continua a opinar, e sugerir o que deve ser feito no nosso país? Justino Delgado disse ” abre os olhos camarada” e eu digo “no iabiri no udju Guineenses” fazemos tudo para perder o respeito, que foi conquistado com suor e muito SANGI. Respeito é coisa que nunca deixamos perder. Vamos todos juntos acabar com problemas que só atrasa a nossa Guiné. Guintis misti fassi cuscus na na nó naris.
    Angola é um exemplo da democracia, vamos atrás deles…
    Portugal o Paulo portas Já mostrou que é um exemplo grande amador com protagonismo barato.
    Força dianti ki caminhu.

  2. Antonio Tavares ( ODJA ) diz:

    A todos os guineense. Irmãos, acho que esta na hora de deixamos de fazer leituras ou dar opinião sobre essa situação vergonhosa e não só, sem ter em conta as consequências desastrosas que essa situação coloca o povo martirizado da guine. Por isso considero que e importante quando estamos opinar que tenhamos em consideração que o mundo hoje e globalizado. Ja basta de leituras levianas e sem fundamentos baseados nas reais situações do nosso pais que e a usurpação do poder do povo pelos militares.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.