Ouédraogo: Não há Antagonismos entre a CEDEAO e a Angola

Kadré Désiré Ouédraogo, Presidente da Comissão da CEDEAO

Kadré Désiré Ouédraogo, Presidente da Comissão da CEDEAO

(GBissau.com) Abuja – Kadré Désiré Ouédraogo, numa entrevista ao Serviço de Francês da Voz de América, disse que “não há antagonismos entre as forças da CEDEAO e as de Angola,” até porque, nas palavras do comissário da CEDEAO, as tropas vão ajudar em parte “a evacuação das tropas angolanas da Guiné-Bissau”.

A resposta de Kadré Désiré Ouédraogo quando o jornalista sugeriu a resistência angolana e dos países lusófonos quanto à retirada das tropas estacionadas no país no âmbito da MISSANG. Para Ouédraogo, “Angola teria mesmo sugerido a retirada das suas tropas da Guiné-Bissau, mesmo antes do golpe. Aliás foi a CEDEAO que pediu à Angola no sentido de esperar pela chegada das nossas forças, antes da sua retirada”.

Mas, devido à gravidade da situação depois do golpe, “a CEDEAO reavaliou a situação e ficou a saber da extrema tensão existente entre as tropas da Guiné-Bissau e as forças angolanas presentes no seu território, e o Presidente da Costa de Marfim Alassane Ouattara pediu ao seu homólogo angolano para acelerar a partida das suas tropas,” acrescentou Ouédraogo.

E para que isto aconteça, será necessário esperar pelas tropas da CEDEAO que irão, de acordo com Ouédraogo “garantir a segurança às tropas angolanas durante a sua retirada e evitar uma tensão inútil no país. Portanto, as duas operações vão ocorrer de uma forma coordenada”. E nisso, “não há quaisquer antagonismos,” concluiu.

Quando o jornalista lhe perguntou sobre a chegada iminente das tropas nigerianas na Guiné-Bissau, Kadré Désiré Ouédraogo retorquiu, dizendo “não devemos falar das tropas nigerianas. Esta é uma força da intervenção da CEDEAO. Claro, os soldados virão da Nigéria, mas virão também doutros países como o Burkina Faso, como o Senegal, entre outros países. Portanto, para nós, ela é a força da CEDEAO que será enviada para a Guiné-Bissau” de acordo com as resolucões das cimeiras de Abidjan e de Dacar.

Todavia, a Nigéria é o país com maior peso na África Ocidental, não só em termos militares, mas também em termos económicos e financeiros. E coincidentemente, Nigéria está a liderar o grupo ministerial destes países, cujos trabalhos vão contribuir para para o retorno à normalidade “de acordo com a constituição da Guiné-Bissau e de acordo com a vontade do povo guineense”, segundo Ouédraogo.

O diplomata de Burkina Faso e antigo primeiro-ministro daquele país disse também que todos os acordos até aqui alcançados no quadro da transição na Guiné-Bissau foram apoiados pelo “Grupo de Contacto” da CEDEAO composto por sete países da sub-região.

As declarações de Kadré Désiré Ouédraogo surgem numa altura em que a CEDEAO anuncia mais um encontro para debater a questão da crise política guineense. Carregue no link para ouvir a entrevista de Kadré Désiré Ouédraogo, Presidente da Comissão da CEDEAO, em françês.

Uma sessão extra-ordinária dos ministros e da Comissão da Mediação e Conselho de Segurança da CEDEAO (MSC) terá lugar no sábado, 19 de Maio, na cidade de Abidjan para analisar a situação da segurança na Guiné-Bissau e no Mali.

Na reunião o Presidente da Comissão da CEDEAO, Kadré Désiré Ouédraogo, irá actualizar – através da apresentação de um relatório — os ministros das relações exteriores e da defesa sobre a situação política e de segurança na Guiné-Bissau e no Mali.

Nigéria foi nomeada para chefiar o “Grupo de Contacto” regional de acompanhamento da resposta da região à crise guineense, após a cimeira extraordinária de 26 de Abril que juntou os líderes da CEDEAO em Abidjan.

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