EUA: “Narcotráfico na África Ocidental atingiu proporções epidémicas”

Por Nelson Herbert, GBissau.com

Johnnie Carson, assistente do secretário de estado para os assuntos africanos

Johnnie Carson, assistente do secretário de estado para os assuntos africanos

Washington – As autoridades norte-americanas admitiram a possibilidade dos políticos da Guiné-Bissau, na sua esmagadora maioria, estarem envolvidos no negócio da droga.

Quem o afirma é Johnnie Carson, assistente do secretário de estado para os assuntos africanos para quem “raros são os membros da elite política guineense, que não estejam implicados no narcotráfico”. E nalguns países da África Ocidental e em particular na Guiné-Bissau o narcotráfico “atinge proporções epidémicas”.

É neste quadro sombrio que a Comissão do Senado americano para o Controlo Internacional do Narcotráfico debateu ontem, quinta-feira, em Washington, a problemática do tráfico de droga na África Ocidental, que ameaça desestabilizar alguns estados aliados de Washington, na região.

Na sua deposição perante àquela comissão do senado, Johnnie Carson alertou por outro lado, para os elevados “números” do tráfico de droga na na África Ocidental.

De acordo com o governante americano, estima-se que só em 2007 tenham transitado pela África Ocidental, 40 toneladas métricas de cocaína, calculadas em cerca de 1.8 biliões de dólares – o equivalente a 27 por cento do consumo europeu dos estupefacientes.

Isto contra um panorama de uma região onde 50 por cento da população sobrevive com menos de 2 dólares por dia.

O assistente do secretário de estado para os assuntos africanos vincou ainda na sua intervenção, a necessidade de um maior empenho de Washington na cooperação com a África Ocidental no combate ao tráfico de narcóticos. Este fenómeno, no ponto de vista do governo Americano, está a colocar em risco a já frágil estabilidade política e social de toda uma região, com indiciadas ramificações a nível do financiamento de processos eleitorais em alguns países da região.

Para além de Carson, a iniciativa contou com as deposições de outros influentes responsáveis governamentais americanos, nomeadamente de Thomas Harrigan, vice administrador do Departamento de Combate à Droga (DEA), William Brownfiend, assistente do secretário para o Combate ao Trafico Internacional de Narcóticos, e ainda de William Wechsler, vice assistente do secretário de defesa para o Combate ao Narcotráfico e à Ameaça Global.

Durante as audiências ficou igualmente sublinhada a apreensão de Washington para com o fenómeno, cujo combate, a senadora democrata pelo estado da Califórnia, e co-presidente da Comissão do Senado para o Combate ao Trafico Internacional de Narcóticos, Dianne Feinstein considerou de “interesse da segurança nacional americana”.

William Brownfield, assistente do secretário para o Combate ao Trafico Internacional de Narcóticos

William Brownfield, assistente do secretário para o Combate ao Trafico Internacional de Narcóticos

William Brownfield, assistente do secretário para o Combate ao Trafico Internacional de Narcóticos apontou o crime organizado e o narcotráfico em particular, como uma das principais ameaças que a África Ocidental faz face.

Neste particular, Brownfield recordou o facto de a região ser cenário de um impressionante movimento de estupefacientes, armas, petróleo, cigarros e medicamentos falsificados, para além de lixo tóxico, num negócio que de acordo com estimativas dos Escritórios das Nações Unidas para o Combate à Droga e Crimes (UNODC), gera receitas na ordem dos 3.34 biliões de dólares por ano.

Para Brownfield, o cenário é preocupante e urge um maior empenho dos Estados Unidos no combate ao narcotráfico, no quadro da Iniciativa Americana de Cooperação no domínio da segurança, com a África Ocidental, conhecida pela sigla WACSI, programa quinquenal de assistência americana à região. Este programa envolve um pacote financeiro calculado em cerca de 60 milhões de dólares americanos.

Detenção de Jesus Eduardo Valencia-Arbelaez | Foto de Arquivo

Detenção de Jesus Eduardo Valencia-Arbelaez | Foto de Arquivo

Recorde-se que entre os primeiros resultados visíveis desta parceria Washington e África Ocidental, o tribunal federal em Manhattan, Nova Iorque condenou em Julho de 2010, Jesus Eduardo Valencia-Arbelaez à pena de 17 anos de prisão pelo seu papel na liderança de uma sofisticada organização internacional de tráfico da cocaína, com raízes na Colômbia e na Venezuela e uma rede de operacionalidade que se estende à Europa e aos Estados Unidos da América.

A detenção de Valencia-Arbelaez foi possível graças à cooperação de forças de segurança e do combate ao crime organizado, de países tais como os Estados Unidos da América, da Roménia e da Libéria.

Valencia-Arbelaez era o líder de uma sofisticada rede de tráfico internacional de cocaína (a “Organização”), com base na Colômbia e Venezuela que operava em todo o mundo, inclusive na Bolívia, Espanha, Holanda, Serra Leoa, Guiné Conacri, Mauritânia, Mali, Chipre e os Estados Unidos.

Os Estados Unidos e a UNODC estimam que 13 por cento do tráfico global da cocaína tenha por plataforma giratória, a costa ocidental do continente africano.

 

Reportagem Exclusiva da GBissau.com

 

 

2 Responses to EUA: “Narcotráfico na África Ocidental atingiu proporções epidémicas”

  1. Cilindrado diz:

    Falta apontar os nomes dos políticos envolvidos para dissecar as dúvidas, pois mesmo que 99% deles estiverem envolvidos, os 1% merecem dignidade! aliás, foi feito em relação ao Almirante Bubo Na Tchuto e Braima Papa Camará, os quais foram até designados de Barões da droga.
    A guiné precisa de apoios da comunidade internacional para resolver os problemas da justiça, porque crimes de todo o tipo foram e estão sendo cometidos no neste país com, “talvés” o envolvimento de alguns membros do poder judicial.

  2. D.C. diz:

    I believe your still slepping ón this case because your suporting the military in my country of guine- Bissau by letning Them goo a whay so easylly with the coup like Cedeao did

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