Opinião: Com raiva, há quem pensa no incrível

Por: Dr. Samba Bari*

Samba Bari, Licenciado em Relações Internacionais - Lisboa

Samba Bari, Licenciado em Relações Internacionais - Lisboa

A fervura interna que aquece a alma da gente tranquila explodiu em estilhaços que acabou de atingir até aos que não podiam acreditar. O dissabor devido história da injustiça que muitos ouviam pelos gritos de quem sofre, hoje deve estar com raiva e a pensar no incrível. Não devemos estranhar que cada acção tem o seu porquê, e cada reacção também vem com o seu porquê… Sobretudo neste mundo em que os relacionamentos políticos e estatais são de interesses permanentes.
Pelo carácter afamado da nossa república e perante tanta política de hostilidade, é necessário o controlo das emoções repentinas de sentimento, que nos possa levar na perda de consciência, e de acreditar na realidade irreversível…
É verdade que a nossa situação política está muito complicada, mas acreditem que somos os únicos responsáveis para inspirar na nossa livre vontade de superar o momento que estamos a viver com êxito e eficácia. E cientes de que, cada um país interveniente nesse processo não passa de um estranho no meio de uma família, com sua estratégia e a servir de nós como trampolim dos seus desejos. Se não vejamos:

O Senegal vive sempre ressentido da questão Casamança e aspecto da rivalidade de vizinhança para jogar a cartada de pouco interesse da nossa vida em tranquilidade.

O Burkina Faso vai ponderando os seus momentos de consistência na região, para sobreviver com as vantagens de confiança que está a ser dado.

A Gâmbia pode ser um país que ofereceu a vontade para ser ouvida, mas com interlocutora stressada, ou sem dom de mediação. De formas que aproveita dessa crise para limar as suas amizades.

A Angola, preocupada com alguns milhões já investidos e ainda motivada de grandes esperança e de alguns ganhos, vive da inquietude em ver o desmoronar dos seus alicerces de consistência, sem ter ainda assegurado nenhum retorno. Dai os motivos de tanto stresse… Sem mãos a medir, nem consequência dos meios para atingir uma resolução a seu favor, seja como for. E ainda no projecto para implementar a sua hegemonia regional, e de assegurar permanência da MISSANG para não sair humilhada, a Angola fez desta crise da sua vida e morte.

A Costa do Marfim, o presidente Alassane Ouattara (actual presidente em exercício da CEDEAO) ainda não se esqueceu do apoio inequívoco do presidente Eduardo dos Santos ao Laurent Gbagbo, até na última hora, contra a sua legítima escolha para exercício da presidência da república… Ganhou oportunidade nesta crise uma forquilha diplomática para manifestar o seu desagrado e jogar contra a vontade Angolana.

A Nigéria nunca ia desprezar essa oportunidade de se mover contra qualquer pretensão da diplomacia Angolana, para neutralizar a sua vontade de se erguer numa potência regional.

Enquanto o Cabo Verde está como quem observa calado, para depois reagir só com o que vai ao encontro da comunidade internacional.

Olha que é tão dolorosa essa nossa falta de cuidado, que muitos se aproveitam para fazer de piada as nossas preocupações. Para depois dar a cara de hipocrisia ao fingir uma certa preocupação com um sorriso interno e anseios do seu interesse em frente…

O método de solução CEDEAO que deu por finda o estado da desgovernação do país, foi um método imposto e anticonstitucional tendo em conta ao poder deposto. Há quem o diga e eu também partilho a mesma opinião. Contudo E uma via do mal menor para sair num estado de anarquia e de desgovernação, sem mais perca de tempo em discussões e divergência. Aliás já fomos dados oportunidade pela mesma organização para nós mesmos escolhermos os novos dirigentes porque já era perecível que nesse preciso momento histórico em que estamos, é mesmo impossível voltarmos na nossa conjuntura política imediata que vivíamos até dia 11 de Abril de 2012, duma forma passiva e tranquila, a não ser por via transitória.

Assim sendo, o momento transitório que hoje é uma realidade, exige de todos nós, uma serenidade de assegurarmos esse momento política que temos de atravessar, de formas a que possamos acompanha-lo sem mais dramas e complicação. Sob pena de vermos a necessidade de dilatar esse tempo de 12 meses, devido ao insuficiente preparo possível, resultante da nossa falta de conformismo e de aceitar a realidade desse grande presente que somos obrigados a enfrentar.

Pelo que, vamos diminuir as reclamações e de perder mais tempos em tentar o impossível. Ou de estagnar a nossa caminhada na contraposição entre elogios e acusações. Ou seja, entre os que defendem o Cadogo de um carácter de gestor, modesto em coisa pública, trabalhador incansável para o bem do povo e aponta os seus exemplos… e outros que olham no Cadogo de um ditador, de um perseguidor, de um divisionista, de um carrasco de vida humana e também aponta os seus exemplos…

Agora, da maneira como as coisas estão, e com o governo já em função, não resta dúvidas que o antigo regime já era… O melhor que temos a fazer, é mentalizar que neste mundo nunca existiu e nem existirá nenhum homem insubstituível… E pegar neste imenso presente que temos, com árduo esforço para reorganizar o país e entregar o tempo e o futuro, a justiça dos factos consumados.

A FRENAGOLPE que hoje existe em Bissau e que apareceu para fazer face ao golpe de estado e de reclamar a ordem constitucional. Sem dúvidas é uma frente que tem uma expressão muito significativa em defesa de afrontar a reversão de ordem constitucional do país. Só que, também não era menos importante que ela fosse antecipada pela FRENAMORTE (Frente Nacional de luta contra as matanças arbitrarias) e extensiva a FRENAJUSTICA (Frente Nacional de luta para instauração de justiça). Assim, será mais fácil conter a exaltação dos espíritos e neutralizar as ideias nefastas.

Agora uma frente que surge para defender um levantamento em especial no meio de tantos que já ouve, sem ideias de prevenir aos que eventualmente poderão der e vier, e que ainda se trata de mobilizar multidão para alimentar um desentendimento nacional… É muito absurdo… Pois uma guerra, nunca deve ser solucionada com outra guerra… Porque na base de quem somos perante a conjuntura internacional, quem sofrera com tudo isso, é a República da Guiné-Bissau e o seu povo…

Na minha opinião, acho muito errado o incentivo a desobediência civil ou a recusa de acatar com as orientações hierárquicas na nossa função pública. Já que a subsequência das nossas crises, resulta das impunidades e na má gestão dos problemas anteriores. Não de apostar em armas, na invasão militar ou no incentivo do povo vaiar as instituições da república seja quais forem.

Meus irmãos e caros compatriotas:

Devemos dar a luta sempre ao lado do povo e orgulhosos de sermos Guineenses… Dar a luta de afinco para uma justiça coerente e uma finalidade para estabilidade consistente… Optar pelo respeito e serenidade de fazer uma história rápida e urgente desse momento transitória, e chegar as novas instituições legais para dignar a república… Nunca aceitemos fazer parte de quem deseja complicar o que já é complicado, nem de gozar com a nossa querida república da Guiné-Bissau… Já que é graças a ela, é que temos uma identidade.

*Licenciado em Relações Internacionais pela Universidade Lusíada de Lisboa

 

 

 

 

3 Responses to Opinião: Com raiva, há quem pensa no incrível

  1. Djemberem diz:

    Dr. Samba, subscrevo a sua opinião em partes, assim também descordo contigo,
    Gosto muito, do último parágrafo da sua opinião, porque vem coincidir com objectivos de frenagolpe. Este é grupo das organizações que formaram uma frente para lutar a fim de devolver o povo e o país, os seus pertenço, a soberania e o dever da participação na tomada da decisão do país.
    Ciente de que não era preciso, entrar no primeiro ano das relações internacionais, para saber que melhor regime para conseguir o desenvolvimento é a democracia, lamento muito por estar conformado com o golpe que a ameaça de que maneira a democracia.
    Como licenciado em RI, espero que tem conhecimento de que o país neste momento não tem nem soberania nem democracia, portanto o frenagolpe esta a lutar e vai continuar a lutar para que o poder seja devolvido a povo, em vez do regime em que o presidente da república, é nomeado pelo ministro de três países de sub-região, e pelo retorno da nossa soberania que custou vida de muito guineenses

  2. Nji Assanam Costa diz:

    Sr. Samba Bari
    Com todo o respeito a sua opinião, permita-me discordar de alguns ponto:
    1 – A não existência de uma anterior FRENAMORTE ou FRENAJUSTIÇA não é justificativa para não existir a actual FRENAGOLPE. Antes pelo contrário, nunca é tarde criar uma frente de luta em defesa do povo e da democracia. Considero que não é tarde iniciar uma FRENAMORTES ou FRENAJUSTIÇA. O Sr. mesmo pode encabeçar tais movimentos, já que foi muito bem lembrado pelo Sr.
    2 – A questão em debate não é defender ou não indivíduos, mas sim, defender as instituições democráticas e condenação o uso da força das armas para impor soluções políticas. O status quo não deve ser visto de forma passiva, sob pena de darmos razão aos militares e de incentivarmos novos golpes.
    3 – A via transitória que exclui o partido maioritário, detentor do mandato do povo, e coloca no poder figuras que não passaram pelo crivo popular, é um outro golpe, desta vez mais sério, porquanto desferido por uma organização regional com interesses próprios e alheios ao do povo.
    4 – Estranha-se a ausência no seu texto de referências sobre o Comando Militar, autor do golpe, portando, percurssor de toda esta situação de violência, estagnação, subtração de liberdades fundamentais, perseguições e sofrimentos a que o povo está exposto neste momento.

    Pedir ao povo que aceite simplesmente a transição impsta, sem reagir, é pedir demais!…

  3. Dartanha diz:

    Concordo inteiramente com o Sr Nji Assanam Costa!
    E digo mais: este golpe representa um perigo eminente de explucao e colapso total para a nossa sociedade; porquanto os veradeiros motivos dele ainda estejam por se revelar ate as proximas eleicoes em que tudo se clarificara’ com a presumivel eleicao do Kumba Yala e do seu PRS o que, quanto a mim, e’ o que esta’ na base deste golpe a par da fuga a reforma na forca armada.

    O que me espanta, e’ assistir pessoas que ainda nao perceberam a gravidade e o perigo deste golpe para a sociedade guineense congregada em varias etnias nativas e o presedente que se abreu com a intromissao dos militares (maioritariamente balantas) nos assuntos meramentes politicos, a ponto de se anular a eleicao presidencial! Isto, apos um candidato (da etnia balanta) se recusar a concorrer a 2a volta, alegando fraudes e proferir ameassas a quem se atrevesse a realiza-la.

    O problema das matancas, que sempre houveram na Guine-Bissau, e’ um problema do forum juridico e nao politico e compete, apenas e so, ao ministerio publico que e’ um orgao “independente” da soberania da republica, isto e’, se fosse comprovado que o responsavel pelas matansas na Guine fosse o Sr Cadogo, ele deveria ser exonerado das suas funcoes, quaisquer que fossem elas, para se apresentar a justica, dentro das normas estipulada apriori. Nunca com recurso a um golpe militar num regime democratico.

    Devemos banir de vez, que sempre que os ditos politicos nao sejam capazes de argumentos para convencer eleitorado, se recorram aos militares para dar golpe. Os golpes militares na Guine-Bissau teem dado cabo dos nossos valores como povo e teem aniquilado sobremaneira, a nossa soberania. Pois nao percebo bem a presenca das tropas da CEDEAO e muito menos dos Senegaleses na nossa terra! O Senegal ja conseguiu que a sua moeda CFA circulasse na nossa terra com simbologia deles nao nossa, conseguiu extender o mercado deles a nossa terra com produtos de qualidades duvidosa, assambarcando os nossos empresarios, e agora tenta a todo custo ocupar-nos militarmente, aproveitando-se das nossas disavencas e permanentes golpes dos estupidos militares e politicos guineenses.

    Uma outra verdade, e’ que apartir de um golpe abre-se bexas a um outro golpe no futuro e se assim continuarmos, teremos inevitavelmente um pais extinto no concerto das nassoes.

    E’ preciso sim fazer frente a este golpe, passar a mensagem clara aos irresponsaveis golpistas tanto militares como politicos de que, nao havera mais teleorancia ao golpe.

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