Reunião de Abidjan entre a CEDEAO e a CPLP foi “Inconclusiva”

…as duas organizações querem promover reuniões “técnicas” para debater as diferenças

Domingos Simões Pereira, secretário executivo da CPLP

Domingos Simões Pereira, secretário executivo da CPLP

Daniel Kablan Duncan, ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa do Marfim

Daniel Kablan Duncan, ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa do Marfim

(GBissau.com) Abidjan – O Conselho de Segurança das Nações Unidas poderá convocar uma reunião de alto nível para voltar a analisar o desenrolar da crise político-militar na Guiné-Bissau. Esta terá sido a maior decisão saída do encontro de Abidjan que decorreu na quinta-feira, na capital da Costa do Marfim.

A reunião – ainda numa data a determinar, mas que será provavelmente no final deste mês ou no início do próximo mês de Julho — agrupará, mais uma vez os “parceiros internacionais” da Guiné-Bissau, nomeadamente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), a Comunidade do Países da Expressão Portuguesa (CPLP), a União Africana (UA), as Nações Unidas (ONU) e a União Europeia (UE).

Instado pela agência portuguesa de notícias a se pronunciar sobre a reunião de Abidjan, o secretário executivo da CPLP admitiu a falta de resultados concretos. “Infelizmente não houve muita coisa concreta. Ficou evidente que continuamos a ter muita coisa a dividir-nos na avaliação da situação da Guiné-Bissau”, disse o diplomata guineense, Domingos Simões Pereira.

Este terá sido o segundo encontro “inconclusivo” dos parceiros multilaterais da Guiné-Bissau. Uma outra reunião de carácter multilateral teve anteriormente lugar em Bissau, sob à coordenação do gabinete das Nações Unidas no país.

Face à esta falta de entendimento entre as partes envolvidas, fala-se agora de uma reunião de técnicos das referidas organizações para preparar um encontro de alto nível dentro do sistema das Nações Unidas. Estas discussões “técnicas” terão lugar na semana de 18 a 21 de Junho, adiantou Domingos Simões Pereira.

Todavia, o secretário executivo da CPLP mostrou-se optimista sobre um eventual próximo encontro para uma “saída concertada” entre as organizações multilaterais para a crise na Guiné-Bissau. “Nós temos a obrigação de continuar a acreditar que agora, cientes das dificuldades e das diferenças em relação ao processo, temos de mobilizar outros recursos, outros apoios para tentarmos lá chegar. Penso que estas dificuldades são espelho da própria complexidade do processo”, acrescentou.

E no ponto de vista do ministro dos Negócios Estrangeiros da Costa do Marfim, Daniel Kablan Duncan, esta próxima reunião visa superar o “desentendimento” entre os dois blocos sob os auspícios da União Africana e da ONU.

A CEDEAO fala ainda de uma reunião a ser realizada “provavelmente no final deste mês de Junho ou início de Julho”.

Nela, a CEDEAO diz pretender “fazer um balanço de divergências e convergências de pontos de vistas baseados em soluções realistas no terreno”, afirmou Daniel Kablan Duncan.

Mas, até lá existem problemas de fundo a ultrapassar. Por exemplo, em relação às reuniões “técnicas”, o responsável da CPLP afirmou não ter sido possível estabelecer “um compromisso escrito e assinado por todas as partes, porque o conjunto de propostas que uma ou outra parte fizeram não permitiu chegar a um consenso”. É disso depende as negociações futuras que a CPLP pretende prosseguir em base da resolução 2048 da ONU, adoptada a 18 de Maio deste ano.

Os países lusófonos continuam firmes na sua decisão de se oporem ao golpe de Estado de 12 de Abril e questionam profundamente as medidas encontradas pela CEDEAO na resolução da crise político-militar guineense.

Durante a reunião de Abidjan estiveram também presentes vários países, como Brasil, Portugal e Cabo Verde, para além dos já conhecidos membros do grupo internacional de contacto para a Guiné-Bissau, a CEDEAO, a CPLP, a UA, a UE e a própria ONU.

 

Fontes: GBissau.com com a Agência LUSA

 

 

 

2 Responses to Reunião de Abidjan entre a CEDEAO e a CPLP foi “Inconclusiva”

  1. Fidju Matcho diz:

    Caros compatriotas, Abidjan não tem condições de estabilidade republicana para mediar, nem tão pouco estabilizar os outros países da Africa, senão vejamos [no dia 6 de Junho, seis (6) capacetes azuis das nações unidas foram mortos dentro do território da Costa do Marfim], Nigéria o gigante com pé de barro [ ontem, um atentado à bomba reveindicado pelo grupo fundamentalista islâmico Boko Harams, mata 5 pessoas na sede da policia na regição de Maiduguri].
    Pergunto, são essas nações tão instáveis é que vão estabilizar a Guiné-Bissau? Não me causa nenhuma surpresa o porquê de impôr um presidente made in CEDEAO à Guiné-Bissau!

  2. FATy diz:

    E VERDADE MEU IRMÂO, O PROBLEMA DESTES PAISES E QUE NÂO QUEREM O DESENVOLVIMENTO DA GUINE BISSA, PORQUE SABEM QUE O POVO DA GUINE E UM POVO PACIFICO SEM QUESTOES DE TRIBALISMO, COM O SENHOR bURRO
    YALA QUIS IMPOR AO POVO MAS ISSO NÂO FUNCIONOU, SOU DE OPINIÂO PARA ACABAR COM MILITARES NA GUINE, MODELO TIMOR LESTE, SO POLICIAS, ONDE JA SE VIU QUE OS MILITARES TEM MAIS PODER QUER OS POLICIAS, SO NA GUINE. TRISTE. DESTA E DE VEZ OU PASSA OU RACHA. MAS NÂO VAI PASSAR SE RACHAR O POVO ESTA LA PARA POR TUDO EM ORDEM. BASTA DE FILHOS BASTARDOS A COMANDAR NA GUINE BISSAU. VIVA O POVO DA GUINE JUNTOS VENCEREMOS.

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