Modelos para resolução da crise “não são efetivamente aplicáveis e funcionais”, diz diplomata

João Bernardo Honwana, director da Divisão África II do departamento dos assuntos políticos da ONU

João Bernardo Honwana, director da Divisão África II do departamento dos assuntos políticos da ONU

Bissau (Lusa, 6 de Setembro de 2012) – O ex-representante da ONU na Guiné-Bissau João Bernardo Honwana considera que os modelos adotados pela comunidade internacional para resolver a crise guineense “não são efetivamente aplicáveis e funcionais” para a situação que se vive naquele país africano.

O moçambicano João Bernardo Honwana, atual diretor da segunda Divisão de África do Departamento dos Assuntos Políticos da ONU, integra uma missão conjunta das Nações Unidas e da União Africana, que hoje apelou ao Presidente moçambicano, Armando Guebuza, para encontrar uma saída para a situação sócio-política na Guiné-Bissau.

Falando na quarta-feira numa palestra no Instituto Internacional de Relações Internacionais de Moçambique, João Bernardo Honwana assinalou que “a comunidade internacional ainda não foi capaz, até aqui, de fazer aceitar à massa pensante guineense os valores da paz e da democracia, diferentemente do caso moçambicano, por exemplo”, após o acordo geral de paz em 1992.

“Não há soluções fáceis para um problema como a Guiné-Bissau”, disse o diretor da segunda Divisão de África do Departamento dos Assuntos Políticos da ONU, citado pelo jornal Notícias de Maputo.

Hoje, a missão conjunta da ONU e da União Africana, liderada pelo atual representante das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Joseph Mutaboba, reuniu-se com Armando Guebuza, presidente em exercício da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Falando na qualidade de porta-voz, João Bernardo Honwana disse que Moçambique foi uma das etapas das consultas que a missão está a realizar na CPLP, que continua a reconhecer o Governo deposto no golpe de Estado de abril, e na Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), que defende o Governo de transição na Guiné-Bissau.

“O ponto de situação atual neste momento é que o país está praticamente paralisado. Existe um Governo de transição cuja capacidade operacional é bastante reduzida”, disse.

O diplomata assinalou que o Presidente moçambicano deu “vários pontos de vista de vários aspetos da crise na Guiné-Bissau” e encorajou a missão a continuar a trabalhar para a busca de consenso.

“A solução do problema da Guiné-Bissau terá que vir dos próprios guineenses e a comunidade internacional tem um papel importante de apoio, de aconselhamento de procurar utilizar experiências adquiridas noutros contextos para que se encontre uma solução durável e viável, uma solução que permite o país avançar”, afirmou, no entanto, Honwana.

2 Responses to Modelos para resolução da crise “não são efetivamente aplicáveis e funcionais”, diz diplomata

  1. Okante Ndy diz:

    Sr. Honwana pode hoje fazer estes comentários sobre a Guiné Bissau, problemas que nos reconhecemos e que nós os guineenses temos que resolver. Comparando com Moçambique o Sr. Honwana esqueceu-se que antes de chegar a esta paz que vive tem hoje e que nós esperamos para sempre Moçambique passou por uma guerra terrivel e sangrenta que a Guiné Bissau nunca conheceu. Por isso se o Sr Honwana tiver opinião positiva que os ajude a resolver os nossos problemas aceitamos mas não temos lições a receber.

    A Guiné Bissau tem homens capazes e vamos resolver os nossos problemas nós mesmos.

  2. Okante Ndy diz:

    Por favor informem ao Sr. Honwana a maioria dos guineenses não são traficantes de droga, há traficantes de droga na guiné Bissau como em qualquer outro país do mundo inclindo Moçambique. A esmagadora maioria dos guineenses não está envolvida na droga Sr. Honwana

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