Governo de transição considera de “bom” seus cem dias de ação à frente dos destinos do país

…a possibilidade da suspensão da Guiné-Bissau da CPLP revela “nitidamente que a comunidade lusófona é contra o povo guineense” — Faustino Fudut Imbali 


Encontro entre Faustino Fudut Imbali, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Transição da Guiné-Bissau e o Presidente de Cotê D'Ivoire, Alassane Outtara

Encontro entre Faustino Fudut Imbali, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Transição da Guiné-Bissau e o Presidente de Cotê D’Ivoire, Alassane Outtara

Bissau (Rádio Difusão Nacional. RDN, 20 de Setembro de 2012) – O governo de transição considerou quinta-feira de “bom” os seus cem dias de ação à frente dos destinos do país.

Esta avaliação resulta do balanço feito pelo ministro dos NEC, Faustino Fudut Imbali, destacou duas ações bem sucedidas, nomeadamente, o restabelecimento da imagem do país após o golpe de 12 de abril e o seu reconhecimento externo. Este facto, pensou, legitimou a participação das autoridades de transição na próxima reunião de assembleia-geral das Nações Unidas, em Nova Iorque.

“A Guiné Bissau é membro das Nações Unidas. A primeira coisa, portanto, a Guiné Bissau será representada por este governo que, há quatro meses tem tido o controle do país, por este governo que paga salários, que paga as nossas representações no exterior. É este governo que mantém a acalmia que todos os guineenses assistem neste momento, é este governo que negocia, é este governo que representa a Guiné Bissau em todas as conferências e cimeiras internacionais. Portanto, este governo estará na assembleia-geral das Nações Unidas. Aliás, [hoje], sexta-feira, eu parto para Nova Iorque onde já aguarda uma (nossa) equipa”, afirmou.

“Eu bem disse que houve três partes nessa história de conflito na Guiné Bissau – uma parte fez o golpe de estado, uma parte coordenou o golpe de estado e uma parte assumiu a situação depois do golpe de estado. E esta parte que assumiu a situação do pôs-golpe de estado é este governo de transição”, avançou Imbali.

“Imaginem o que seria este país durante quatro meses sem um governo… a questão é tão pragmática”, sustentou ele.

Quanto a eventual suspensão do país da CPLP, Faustino Fudut Imbali alega que a intenção revela nitidamente que a comunidade lusófona é contra o povo guineense.

“O que é a CPLP hoje teve a sua origem histórica é extremamente importante. E essa origem histórica, a Guiné Bissau foi uma das pedras da guerra de libertação nacional deste ex-país da colónia, através de Amílcar Cabral. Nós somos membros da CPLP, membros fundadores e vamos continuar na CPLP”, estimou.

“Se por ventura, a CPLP, por razões do golpe de estado de 12 de abril, o que significa que a CPLP, se essa decisão vier a ser conduzida pela CPLP, a nossa conclusão é – a CPLP não se interessa do povo da Guiné Bissau, a CPLP se interessou do crime de sangue que aconteceu na Guiné Bissau, a CPLP não se interessa dos crimes económicos que aconteceu durante os últimos anos na Guiné Bissau, e a CPLP se interessa de uma só pessoa – e essa pessoa chama-se Carlos Gomes Jr. Essa seria a nossa conclusão. A CPLP nunca meteu os pés aqui na Guiné Bissau desde que houve o 12 de abril. É impossível”, argumentou.

Faustino Fudut Imbali destacou por outro lado importantes acordos rubricados no decurso dos cem dias de governação na transição.

 

Guiné-Bissau vai manter-se na CPLP, garante MNE de transição

Faustino Fudut Imbali, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Transição da Guiné-Bissau

Faustino Fudut Imbali, Ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de Transição da Guiné-Bissau

Bissau (LUSA/RTP, 21 de Setembro de 2012) – O ministro dos Negócios Estrangeiros do Governo de transição da Guiné-Bissau, Faustino Imbali, lembrou hoje que o país é membro fundador da CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa) e disse que o país “vai continuar” na organização.

Faustimo Imbali, que falava em conferência de imprensa em Bissau, respondia assim às declarações do embaixador de Moçambique junto das Nações Unidas, António Gumende, que na quarta-feira disse à Rádio ONU que a Guiné-Bissau pode ser suspensa da CPLP devido ao golpe de Estado de 12 de abril passado.

Moçambique assumiu desde julho a presidência rotativa da CPLP. “Está-se a trabalhar no sentido de se estabelecer as medidas sancionatórias mas prevejo que medidas de suspensão poderão ser acomodadas,comoacontece noutras organizações”, disse o responsável.

Questionado hoje pelos jornalistas, Faustino Imbali disse que, caso a CPLP tome a decisão de suspender a Guiné-Bissau devido ao golpe de Estado de 12 de abril, o governo vai tirar como conclusão que “a CPLP não se interessa pelo povo da Guiné-Bissau, não se interessa pelos crimes de sangue que aconteceram nos últimos anos na Guiné-Bissau, nem se interessa pelos crimes económicos que aconteceram na Guiné-Bissau. A CPLP só se interessa por uma só pessoa e essa pessoa chama-se Carlos Gomes Júnior [primeiro-ministro deposto]”.

Faustino Imbali frisou que a CPLP “nunca meteu os pés” na Guiné-Bissau desde o golpe de 12 de abril e voltou a pedir a presença da organização.

“Nós assegurámos o país depois do golpe de Estado, não vejo porque diriam `não vou falar com aquela gente que são golpistas`. Não é uma posição responsável. Gostaríamos que viessem, que falássemos, talvez, se querem o interesse do povo, encontrássemos uma melhor solução para esse povo. Agora se estão interessados em pessoas e não num povo, a decisão de suspender a Guiné-Bissau compreende-se neste quadro, e só neste quadro”, afirmou.

O ministro salientou que da parte da Guiné-Bissau não há dificuldades de relacionamento com a CPLP e que o governo está aberto ao diálogo, e disse que telefonou ao até agora secretário-executivo da organização, o guineense Domingos Simões Pereira, e que este lhe disse que iria a Bissau para falarem após a cimeira de Maputo (em julho passado), o que não aconteceu.

O Governo de transição, assegurou, também está a “fazer o máximo” para incentivar o diálogo entre a CPLP e a CEDEAO (Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental), e disse que as duas entidades se vão reunir em Nova Iorque, à margem da Assembleia Geral da ONU, que está a decorrer.

Sempre salientando que o governo de transição nada tem a ver com o golpe de Estado ocorrido a 12 de abril o ministro concluiu: “A posição extrema de certos responsáveis da CPLP não ajuda à situação. Porque se ficamos aqui a dizer que temos de voltar a 11 de abril, meus caros, não vale a pena, obrigado”.

 

Governo e Presidente de transição representam país nas Nações Unidas – MNE

 

Bissau (Angola Press, 21 de Setembro de 2012) – O ministro dos Negócios Estrangeiros do governo de transição da Guiné-Bissau, Faustino Imbali, garante que é o governo do qual faz parte que estará na Assembleia-geral das Nações Unidas e o Presidente interino quem discursará perante as outras nações, disse a LUSA.

“A Guiné-Bissau é membro das Nações Unidas, será representada por este governo, que há quatro meses tem tido o controlo do país, que paga salários, que mantém a tranquilidade, que negoceia, que representa a Guiné-Bissau em todas as conferências e cimeiras internacionais”, disse hoje Faustino Imbali em conferência de imprensa, adiantando que na sexta-feira parte para Nova Iorque.

Em Nova Iorque, acrescentou, está já uma equipa do governo, também já está um novo embaixador (Manecas dosSantos) junto das Nações Unidas há três semanas, e Serifo Nhamadjo, Presidente interino, irá falar nas Nações Unidas.

O ministro disse nem sabercomocaracterizar que não fosse o governo de transição a representar o país e questionou, “que outro governo seria legítimo para representar a Guiné-Bissau?”.

“Há quem diga que Carlos Gomes Júnior iria falar na Assembleia Geral das Nações Unidas, mas Carlos Gomes Júnior é um antigo primeiro-ministro,comoFaustino Imbali é um antigo primeiro-ministro,comoFrancisco Fadul é um antigo primeiro-ministro. Carlos Gomes Júnior é o presidente do PAIGC e ponto final. Com que qualidade é que ele vai às Nações Unidas?”, perguntou também.

Faustino Imbali tem dito, e voltou hoje a repetir, que no recente conflito na Guiné-Bissau houve três partes, uma que fez o golpe (de Estado de 12 de Abril), uma que foi vítima do golpe e outra que assumiu a situação depois do golpe.

“Somos um governo que não tem nada a ver com o que se passou. É difícil entrar na cabeça das pessoas, mas vamos repetir até que entre”, disse Faustino Imbali, para quem “não ia ajudar a Guiné” o regresso a 11 de Abril e aos dirigentes depostos (Raimundo Pereira e Carlos Gomes Júnior)”.

Faustino Imbali disse ainda que “o governo de Carlos Gomes Júnior pagava salários, mas o governo de transição encontrou oito meses de salários em atraso nas representações diplomáticas no estrangeiro, tendo já liquidado dois vencimentos e prepara-se para pagar outros dois”.

E ainda sobre os salários Faustimo Imbali disse que o governo deAngoladeclarou que pagava salários na Guiné-Bissau, pelo que não se sabe “o que é feito da receita interna” do país. “Neste momento estamos a pagar da receita interna. Houve um apoio da Nigéria de 100 milhões de dólares, e aCôte d’Ivoireofereceu 1,2 milhões para a alimentação dos militares. E mais nada”, referiu.

One Response to Governo de transição considera de “bom” seus cem dias de ação à frente dos destinos do país

  1. Anonino diz:

    Discordo redondamente, não são nem contra, nem afavor, ESTÃO SE BORRRIIFANDO COMPLETAMENTE pelo povo da Guiné-Bissau o que interessa são os seus amiginhos a quem deram guarida!!!

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