Opinião: Guiné-Bissau deixa ONU de ‘saia justa’

Por Mussá Baldé, Jornalista

Mussá Baldé, Jornalista

Mussá Baldé, Jornalista

…convenhamos, a Guiné-Bissau é um país useiro e vezeiro em divisões e esquisitices

Se fosse nas Olimpíadas a Guiné-Bissau levava para casa a medalha de Ouro pela proeza que alcançou na arena internacional. Então não é que o nosso bendito e querido país, depois de dividir gregos e troianos, CPLP e CEDEAO, União Europeia e União Africana, Lua e Marte agora fez chegar a disputa à ONU. É mesmo obra de mestre de divisão!

Tem sido um autêntico regabofe lá na sede da ONU em Nova Iorque por estes dias saber qual das duas autoridades é que vai falar em nome da pequeníssima Guiné-Bissau naaugusta Assembleia Geral das Nações Unidas.

Como os brasileiros dizem a ONU ‘está com a saia justa’ e tem que
despi-la desta vez depois de ter passado este tempo todo, desde o
golpe de Estado, a assobiar para o lado em relação ao problema da
Guiné-Bissau. Pois perante um imbróglio deste não basta que o senhor
Ban Ki-Moon ande a dizer sempre que os guineenses devem chegar ao
entendimento. Que a CPLP e a CEDEAO devem harmonizar posições.
A ONU parece aturdida. Não sabe se dá a palavra aos governantes
depostos pelo enésimo golpe de Estado ocorrido no país em Abril
passado ou se entrega o microfone aos senhores que governam o país de facto desde o golpe.

Em Nova Iorque já se encontram elementos das duas delegações. À porta da sala da reunião, as duas delegações aguardam pela autorização da Comissão de Acreditação da ONU para tomar o lugar e afinar o discurso. Uns e outros acreditam piamente que serão eles os que vão usar da palavra para dizer da sua justiça.

É uma proeza extraordinária, talvez nunca vista mesmo quando vários
países deste mundo eram divididos com muros ou arame farpado por causa da ideologia. Creio que nunca se viu tamanho espetáculo mesmo quando ainda existiam duas Alemanhas, dois Iemens, dois Vietnames e afins. Mas, convenhamos, a Guiné-Bissau é um país useiro e vezeiro em divisões e esquisitices.

Não há concordância em nada e para nada no próprio país. No futebol,
nas associações, nas ONG, nos sindicatos, nos partidos políticos e até
nas confissões religiosas. Quem não se lembra do espetáculo recente
que foi a reza do final do Ide Al Fitr (reza do fim do Ramadão) em que
os fiéis muçulmanos festejaram em dias diferentes?

Bom, se há divisão sobre questões do foro religioso, baseada na
interpretação astrofísica em que uns diziam terem visto a lua e outros
a jurarem de pés juntos que aquilo não era lua então é aceitável que
se divide na sede da ONU em nome do país.

Pelo menos mantemos a coerência.

Ainda que sejamos tudo isto eu gosto do meu país!

 

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