Efectivos da polícia guineense retidos em Luanda com data de regresso a Bissau

Luanda (GBissau.com; Rádio Sol Mansi-RSM  & Novo Jornal de Angola (Nisa Mendes) , 11 de Outubro de 2012) – Os cerca de 350 agentes policiais que fizeram a sua formação em Angola podem regressar à Guiné-Bissau até este Domingo. Esta garantia foi dada pelas autoridades angolanas qu, aliás, disponibiizaram dois vóos para o efeito.

O regresso deste contingente de cerca de 350 agentes policiais ao país ficou bloqueado há mais de três meses.

Esta quinta-feira, o governo, através do ministro da presidência do conselho de ministros e porta-voz do governo, Fernando Vaz confirmou a notícia, não tendo, todavia, avançado com a data de regresso desse contingente.

Mas antes, foi necessária uma greve de fome levada a cabo desde 1 de Outubro, por parte dos policiais guineenses,comoforma de pressionar as autoridades angolanas e guineenses.

Segundo um dos elementos do grupo que falou ao Novo Jornal sob anonimato, a iniciativa parece ter resultado, já que na quarta-feira foi-lhes garantido que o seu regresso deverá acontecer até domingo.

“Ontem estiveram cá as autoridades e disseram-nos que o Governo dispo- nibilizou dois aviões para regressar- mos ao nosso país”, referiu.

Os agentes policiais guineenses vie- ram aAngolapara uma formação de seis meses em diferentes áreas de es- pecialidade da polícia, no âmbito de um acordo de cooperação entreAngolae o Governo deposto em Abril deste ano.

Classificando como “insuportável a situação” a nossa fonte mostrou-se confiante quanto ao seu regresso para breve, porque informações que têm recebido de familiares dão conta que as autoridades guineen- ses também estão a preparar a sua recepção.

“Já não aguentamos mais, por isso resolvemos realizar esta greve de fome para ver se resolvem a nossa situação. Não vamos fazer mais nada até que nos enviem para o nosso país”, disse.

Na sequência dessa greve, na quinta- feira, 4, alguns elementos do grupo foram recebidos pelo Comandante- geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, que lhes terá garantido uma solução para breve.

“Disse-nos que o assunto já chegou ao conhecimento do Presidente da República de Angola e ao ministro das Relações Exteriores, por isso de- vemos ter calma que a nossa situação será resolvida”, salientou.

Das autoridades do seu país, a nossa fonte referiu que o silêncio é total. Em Dezembro de 2011, chegaram a Luanda os 350 efectivos – um dos elementos morreu por doença – ao abrigo do apoio que Luanda vinha prestando à Guiné-Bissau no qua- dro do processo de modernização e reforma do sector da defesa e de se- gurança, entretanto interrompido com o golpe militar de 12 de Abril último.

Recorde-se que, no quadro dos acordos de cooperação militar, ce- lebrados entre Luanda e Bissau, cerca de 600 guineenses receberam nos últimos oito anos formação em distintas instituições policiais an- golanas.

Os acordos de cooperação técnico- militar suspensos na sequência do golpe de Estado, que pôs fim à pre- sença militar angolana na Guiné-Bissaupreviam ainda a construção de um centro de formação para po- lícias guineenses.

 

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