Entrevista com CEMGFA: Será Guiné-Bissau um Narcoestado?

  • António Indjai não se arrepende e continua intransigente quanto ao golpe que derrubou o governo anterior
António Indjai, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau

António Indjai, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau

Bissau (TIME | Tradução: GBissau.com) – General António Indjai, de 57 anos de idade, é o chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau que em 12 de Abril derrubou o governo anterior num golpe de Estado, citando como motivo a presença de militares angolanos.

Os cerca de 270 soldados de Angola tinham originalmente enviados para a Guiné-Bissau para ajudar na reforma das forças armadas guineenses. Os acontecimentos de 12 de Abril, dizem os militares guineenses, foram precipitados pelas acusações de que os angolanos estavam a conspirar para destruir as forças armadas da Guiné-Bissau. Umas forças armadas acusadas de envolvimento no comércio de cocaína e, no processo, cerca de 30 toneladas da substância ilegal acabam terminando anualmente na Europa.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime disse ter observado um aumento no tráfico de drogas desde o golpe.

Em resposta ao golpe, muitas organizações e países cortaram as suas ajudas para o governo interino. O bloco regional da África Ocidental, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), desde então tem implantada uma força estabilizadora dentro da Guiné-Bissau.

A Jornalista do TIME Jessica Hatcher encontrou-se em Bissau, no dia 2 de Outubro com o General António Indjai, para uma entrevista.

TIME: Qual é a relação entre os militares e o governo de transição? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: É uma relação positiva. Isso significa que, estamos de acordo em todos os factos, de A a Z. É positivo em todos os sentidos.

TIME: Alguns dizem que o poder está consigo, e não com o governo. O que você diz sobre isso? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Eu lhe pergunto, quem tem o poder real de qualquer maneira? Pergunto-lhe quem sobre o poder no mundo?

TIME: Tem-se falado sobre o envio de mais forças internacionais para reforçar as forças da CEDEAO actualmente implantadas na Guiné-Bissau. É possível que isto aconteça? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Para o mundo estar preocupado com um lugar como este, onde não há necessidade de forças estrangeiras e onde há paz, não faz sentido. Mandem as vossas tropas onde há uma necessidade, ao Mali e à Síria, por exemplo. Se a ONU não está preocupada com aqueles países, porque é que se preocupa com a Guiné-Bissau? Você vê alguém a ser morto na rua aqui? Não. Qual é o problema? Em vez da Guiné-Bissau, deixa-os ir para a Síria.

TIME: Se Carlos Gomes Júnior voltasse, seria o ex-primeiro Ministro seguro? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Nós não seriamos responsáveis pela segurança de Carlos Gomes Jr. Caso ele voltasse. Se ele voltar, ele seria o responsável pela sua própria segurança. Repito, se ele voltar, qualquer coisa que lhe acontecesse seria da sua própria responsabilidade ou responsabilidade da ONU.

TIME: Quando é que espera a nova ronda eleitoral? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Se a ONU continua a instigar problemas na Guiné-Bissau, as pessoas não têm o tempo suficiente para se preparar para as eleições. Com o período de transição de um ano, se os problemas continuarem, então como podemos preparar a tempo para as eleições? Eles devem acalmar-se para permitir organizar eleições livremente com o actual governo. O primeiro problema que se coloca é porquê dar voz ao [presidente deposto] Raimundo Pereira na ONU [Assembleia Geral], quando ele foi demitido por um golpe? Como ele pode falar em nome do povo? Quem é ele para falar ao mundo? Ele tem estado ausente do país por mais de 90 dias. Eu chamo tudo isso problemas.

TIME: Como você considera a política dos EUA em relação à Guiné-Bissau? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Muito, muito positiva.

TIME: Eu tenho lido muito sobre o golpe de 12 de Abril, mas gostaria que você me falasse desse golpe. Para quê um golpe de Estado? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Nós não organizámos um golpe de Estado. Organizámos sim um contragolpe. Você sabe sobre a origem deste golpe? Angola e Carlos Gomes Jr. Será que a América permitiria que um exército estrangeiro com armas mais pesadas entrar dentro dos Estados Unidos? Nós dissemos [a Angola], ou você dá-nos essas armas, ou tire-as de país e, de seguida, podemos continuar a cooperação entre os nossos dois países. Eles [Angola] disseram que não, para de seguida reforçarem o seu armamento. Eu lhe pergunto, face à uma tal situação, qual é a origem do golpe? Angola e Carlos Gomes Jr. Se não tivessemos organizado um golpe de Estado, antes deles, eles teriam reforçado as suas tropas aqui e acabariam por nos prender. A intenção de Carlos Gomes Jr. era ter forças internacionais para adicionar às tropas angolanas, o que significava que eles nos poderiam aniquilar a qualquer momento. Eu chamei atenção a [Carlos Gomes Jr.] mais de 20 vezes – Eu disse-lhe para não trazer as tropas angolanas aqui. É por isso que nós organizámos um golpe de Estado. Eu não pedi que ele retirasse as tropas angolanas do país; só lhe pedi para resolver o problema das armas.

TIME: Eu já ouvi pessoas na rua a afirmar que o golpe representa um fracasso da democracia. >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: É claro que eu concordo que o golpe constitua sempre uma falha da democracia. Um golpe não tem lugar numa democracia. Mas se você não tem outros meios de se defender, você tem que procurar uma solução. Por exemplo, se eu lhe levasse para uma sala por força das armas, como você reagiria? Claro que você gostaria de escapar, e para isso seria eventualmente necessário arrombar a porta. Acredito que você tomaria qualquer meio que lhe permitisse sair da situação. Como sabe, com o golpe de Estado, nós removemos apenas duas pessoas – o primeiro-ministro e o presidente interino. Já viu nalguma parte do mundo onde tenha havido um golpe de Estado sem que ninguém morresse? Nem uma única pessoa morreu. Como eles não queriam tomar em conta o nosso conselho, avisámos: saíam ou sejam demitidos.

TIME: O chefe do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, Yuri Fedotov, disse na semana passada que o tráfico de droga na Guiné-Bissau tem aumentado desde o golpe de Estado. Quais são as suas observações sobre isso? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Estamos solicitando que a ONU envie uma missão especial para investigar e evidenciar tais acusações, para ver por onde tem passado a desde Abril, ou se o tráfico realmente aumentou ou não. O representante da ONU aqui é um bandido – ele é cunhado de Cadogo. Toda esta informação foi preparada por [Joseph] Mutaboba [o Representante especial da ONU na Guiné-Bissau] – se eu fosse o governo, eu considerá-lo-ia uma “persona non grata”.

TIME: Alguns dizem que o chefe das forças armadas da Guiné-Bissau está envolvido no tráfico de drogas: Como você reage às acusações? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Mostre-me a prova. Eu digo-lhe uma coisa: todas as pessoas que estão fornecendo estas informações são desonestas e corruptas. Repare se eu não obedecesse a Carlos Gomes Jr., já me teriam expulso fora do país. Portanto, quero provas – que eles mostrem as provas.

TIME: Será que Carlos Gomes Jr. esteve ligado à morte de Nino Vieira? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Não sei. Estas são questões políticas.

TIME: Será que você esteve envolvido? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Para quê? Porquê é que havia de estar envolvido? Estão são apenas conversas de rua. Se não fazia parte do governo naquela altura, como posso saber da morte de alguém? Na altura, não era chefe do estado-maior. Eu era comandante lá fora. Perguntem ao Cadogo. Ele era o primeiro-ministro, ele era o primeiro-ministro.

TIME: Há uma história de conflito entre o poder militar e o poder civil na Guiné-Bissau. O que é que os militares querem? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Não há mal-entendido entre nós – o único problema era o armamento trazido pelos angolanos. Este foi o único mal-entendido que tivemos.

 

6 Responses to Entrevista com CEMGFA: Será Guiné-Bissau um Narcoestado?

  1. Ernesto Correia Seabra diz:

    TODA ESTA CONVERSA DO ANTÓNIO INJAI,É TRADUÇÃO É RECADO É ENCOMENDA!!! DE KUMBA YALA E DABANA NA WALNA.PARA QUEM ACOMPANHOU AS SENAS NO INICIO PERCEBE-SE LOGO QUE TODAS AS CONVERSAS QUE SAI AGORA NA BOCA DO ANTÓNIO INDJAI,SOBRE ANGOLANOS E ARMAS JÁ FOI DITO PELA PRIMEIRA VEZ NOS PRIMEIROS DIAS DAS JUSTIFICAÇÕES QUE DABANA NA WALNA DEU NAS RÁDIOS.SÓ QUERO DEIXAR UMA PERGUNTA NESTE COMENTÁRIO!!! PORQUÊ QUE O ANTÓNIO INJAI FOI PRESO NA SEQUÊNCIA DE GOLPE DE ESTADO DE 12/4/2012??? TORNOU-SE PUBLICO ESTA INFORMAÇÃO ATRAVÉS DO PORTA VOZ DE COMANDO MILITAR DABANA NA WALNA.

  2. Ndji Assanam Costa diz:

    Alguém tem dúvidas de quem tem o poder na Guiné-Bissau?
    Quem realmente manda, senão Antonio Injai, este rudimento de ser humano!?…
    E ainda assim, pseudo intelectuais de meia tigela, antigos LUMPENS, Ex-prisioneiros, ladrões desviadores do dinheiro da companhia de navegação da Guiné, hoje assessores de golpistas, jornalistas falhados queriam legitimar na ONU, este tipo de palhaçada.
    Chamar de bandido a um representante do Secretário Geral das Nações Unidas é um desrepeito à própria Nações Unidas, aquele orgão que esses sim, bandidos, queriam que legitimasse os seus atos de usurpação do poder e BLUFUNDADI.

  3. Anonino diz:

    E DAÍ???? HÁ ALGO NOS ESTATUTOS DA VOSSA TÃO QUERIDA CPLP QUE PROIBE QUE 1000 OU ATÉ MESMO 10000000 DE PESSOAS DIAGAM A MESMA COISA SE ACREDITAM, NELA? ALIAS MUITOS DISSERAM O MESMO E 1 ANO ANTES DO GOLPE,OS ANGOLANOS TERIAM QUE SAIR, PORQUE NÃO FORAM AJUDAR EM NADA….

  4. Anonimo diz:

    Eu queria só fazer uma pergunta sei que o António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau não vai poder ver estas minha s perguntas, do que ele esta a pedir provas se esta envolvido no trafico de drogas ou não até tem ousadia de chamar O Joseph Mutaboba [o Representante especial da ONU na Guiné-Bissau] é um bandido alguém que nem se compare a com ele em qualquer personalidade, a minha pergunta é seguinte, António Indjai onde tiras os 5 milhões que deu para trazer as crinças de volta à Bissau que foram fazer texte em codé voir se o seu salario nem chega ou seja quanto António Indjai ganha por mês como CEMGFA da Guiné-Bissau.
    Isso tudo é dinheiro de trafico que CEMGFA da Guiné-Bissau usa pra compra de caros organizar festas na região onde nasceu, ter varias mulher espalhadas nos bairros de bissau, nos conta com consegue todo este dinheiro se vo^ce só esta a pouco tem como CEMGFA da Guiné-Bissau .???

  5. alerio diz:

    porq q a gente n pense como os seres humanos a comunidad internacional acreditd no pais tdos sao bandidos os portg sao pobres e queren ganhar cm gb isso n vais tirar lhes na crise na europa. os mentirosos o actual governo do portg sao bandidos tdos com cdgo jn

  6. juan diz:

    Boa tarde, realmente aqui no brasil não sabemos o que acontece na Guine Bissau, más concordo com o general Antonio Indjai ma questão de outro exercito estar no país, com armas e material bélico. Para e por que tudo isso quem defende a segurança de um país é o seu próprio exercito com ajuda dos politicos e o povo.
    Acho que a Angola deve estar interessada em alguma cisa na Guine que não sabemos, mas tudo isso precisa ser resolvido logo pois os maiores prejudicados são o povo.

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