Entrevista: “Mutaboba é um bandido” – António Indjai

General António Indjai, chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau

General António Indjai, chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas da Guiné-Bissau

Bissau (Gbissau.com, 14 de Outubro de 2012) – O General António Indjai, Chefe das Forças Armadas da Guiné-Bissau concedeu esta semana uma entrevistas aos órgãos de comunicação social norte-americanos e franceses onde tece várias considerações sobre os últimos acontecimentos na Guiné-Bissau.

Nessa entrevista o CEMGFA discutiu as perspectivas sobre as próximas eleições legislativas e presidenciais na Guiné-Bissau que devem ter lugar dentro de um ano, como recomenda o memorando de entendimento conhecido pelo “Pacto de Transição” assinado após o golpe de 12 de Abril.

Eis os aspectos fundamentais da mesma entrevista:

Jornalistas: Como encara o processo da organização de eleições na Guiné-Bissau? Haverá eleição dentro de um ano? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Se as Nações Unidas continuam a criar problemas na Guiné-Bissau, não haverá eleições, muito embora a transição seja para durar um ano. Se querem fazer voltar as autoridades depostas, quando é que se vai organizar as eleições?

Jornalistas: Como vê o regresso ao país do primeiro-ministro deposto Carlos Gomes Júnior? Há condições de segurança ou não? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Não nos responsabilizamos pela segurança de Carlos Gomes. Qualquer coisa que lhe aconteça, ele e as Nações Unidas serão os responsáveis. O representante das Nações Unidas que está aqui é um bandido. Como é que lhe chamam?

Jornalistas: Mutaboba. >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Mutaboba é um bandido. Ele é cunhado de Cadogo. É por isso que ele tenta criar falsas informações. O que se fala sobre o aumento de tráfico de drogas é obra de Mutaboba. Se eu fosse o governo, ia declará-lo “persona non grata”. Em 24 horas, ia sair daqui.

Jornalistas: Será que Cadogo está ligado à morte de Nino Vieira? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Não sei. Estas são questões políticas.

Jornalistas: Alguns dizem que você mesmo tem responsabilidade na morte de Nino Vieira… >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Porquê eu? São conversas de rua. Se não sou governo, como posso saber da morte de alguém? Na altura, não era chefe do estado-maior. Eu era comandante lá fora. Perguntem ao Cadogo. Ele era o primeiro-ministro, ele era primeiro-ministro.

Jornalistas: Como justifica o golpe de estado de 12 de Abril que liderou? >>António Indjai, CEMGFA da Guiné-Bissau: Não fizemos o golpe de estado, não, mas sim um contragolpe. Sabe o que originou o golpe de estado na Guiné-Bissau?Angola e Carlos Gomes. Quando trouxeram armas, perguntámos se eram para nós. Entreguem-nas ou devolvam-nas à procedência para continuarmos a cooperação. A resposta dele foi ‘não nos dar as armas’ e resolveram reforçar as forças. Foi por isso que nos revoltámos. Portanto, quem fez o golpe? Foi Angola e Carlos Gomes. Foi uma antecipação.

 ONU esperançada na resolução da crise guineense

Joseph Mutaboba, Representante do Secretário Geral da ONU na Guiné-Bissau

Joseph Mutaboba, Representante do Secretário Geral da ONU na Guiné-Bissau

(RFI) – Entretanto, o representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau sublinhou na semana passada em conferência de imprensa os avanços registados quanto à resolução da crise desencadeada com o golpe de Estado de 12 de Abril.

Durante o encontro com os jornalistas, Joseph Mutaboba reagiu às críticas de que foi alvo por António Indjai, chefe de Estado maior general das forças armadas guineenses, nomeadamente devido ao facto de se equacionar o regresso a Bissau das autoridades depostas. Mutaboba esquivou-se a entrar em polemicas, dizendo que “é normal criticar as Nações Unidas e que não está em Guiné-Bissau para servir uma pessoas, mas sim o povo” na sua totalidade.

Quanto às afirmacoes de António Indjai de não se responsabilizar pelas consequencias de um possivel regresso de Carlos Gomes à Guiné-Bissau, o representante do secretario geral da ONU na Guiné-Bissau disse que “este assunto é da inteira responsabilidade das autoridades nacionais” guineenses.

O representante de Ban Ki Moon fez questão em lembrar que uma missão internacional deve chegar ao terreno para se inteirar da transição guineense onde o presidente interino, Raimundo Pereira, e o primeiro-ministro, Carlos Gomes Júnior, foram derrubados a 12 de Abril impedindo a realização da segunda volta das eleições presidenciais.

5 Responses to Entrevista: “Mutaboba é um bandido” – António Indjai

  1. Nada diz:

    António Indjai obo bu burrrru suma porta

  2. BABADJIDA diz:

    È um PSICOPATA doente mental juntamento com Kumba Iala..

  3. veronio diz:

    A Porta `e muito mais inteligente que António Indjai! e a sua cúpula;……portanto resta-nos lamentar pelo que estes gentalias ainda existe no nosso pais pena…!

  4. Djemberem diz:

    Nada, as portas agora ja não são burros, porque alguns ja não é preciso empura-las para se abrir, mas este nosso CEMGFA, hummmmmmmmmmmmmmmmm.

  5. Epolo Ié diz:

    Meus irmãos guineenses, peçam aos nossos jornalistas para que saquem uma entrevista com algumas autoridades do Senegal, da Nigéria ou outro país da CEDEAO, sobre qual seria a reacção do Estado (PR Gov) desses países se um CEMGFA decidisse por sí, convocar uma conferência de imprensa e chamasse de bandido à um diplomata como Mutaboba.
    No sítio onde vivemos, niguém tem autoridade e nem ousa querer reparar essa barbaridade.
    Mesmo assim, há gente que bate palmas, sem entenderem que estamos à deriva sem piloto, num mar turbulento….
    Perdoai-lhes Senhor, não sabem o que fazem!
    Até.

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