CPLP aguarda “termos de referência” da missão conjunta

Murade Murargy, Secretário Executivo da CPLP

Murade Murargy, Secretário Executivo da CPLP

Lisboa (AngolaPress, 13 de Novembro de 2012) – A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) continua a “aguardar os termos de referência” da missão conjunta à Guiné-Bissau, aprovada na última Assembleia-Geral das Nações Unidas.

Em declarações aos jornalistas, à saída de uma audiência com o Presidente da República, Cavaco Silva, realizada hoje (terça-feira), o secretário-executivo da CPLP, Murade Murargy, disse que a União Africana (UA) “ainda não enviou” aqueles “termos de referência”, que determinarão “os objectivos da missão conjunta”.

Na ausência disso, a CPLP “ainda não decidiu” sobre a sua participação na missão, acrescentou.

Em Setembro, as Nações Unidas decidiram enviar à Guiné-Bissau uma missão composta pela CPLP, pela UA, pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e pela própria ONU, para avaliar a situação e recomendar medidas para a estabilização do país, gerido por um Governo de transição desde o golpe de Estado, em Abril passado.

O restabelecimento urgente da ordem constitucional guineense é uma das principais apostas da presidência moçambicana da CPLP para a Guiné-Bissau.

Sobre as relações tensas com a CEDEAO, que já reconheceu o Governo de transição e tem estacionada, desde o golpe, uma força militar na Guiné-Bissau, Murade Murargy insistiu que a CPLP está “coordenada com a UA e a ONU”.

Segundo anunciou o primeiro-ministro deposto guineense, as autoridades de transição e o governo derrubado deverão encontrar-se ainda este mês, na capital da Etiópia, para retomar o diálogo.

Esta tentativa de diálogo foi iniciada à margem da última Assembleia-Geral da ONU e decorrerá sob a égide da UA, adiantou Carlos Gomes Júnior.

Porém, o Governo de transição da Guiné-Bissau disse desconhecer qualquer reunião com as autoridades depostas no golpe de Estado de 12 de Abril.

Questionado sobre o papel da CPLP nessa eventual reunião, Murade Murargy frisou que “não é dialogar nem negociar directamente com ninguém” e adiantou que “a ideia é dar as condições que os guineenses entenderem necessárias para o diálogo”.

Para além da situação na Guiné-Bissau, a promoção da língua portuguesa e a visibilidade da CPLP foram outros dos temas abordados na audiência de hoje (terça-feira) com Cavaco Silva, referiu o secretário-executivo. “É preciso repensar um pouco a CPLP”, resumiu.

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