Discurso: Despedida do Presidente Koumba Yalá no IV Congresso Ordinário do PRS

Kumba Ialá, Líder do PRS

Alto Bandim/Paiã, 14 de Dezembro de 2012

Caros Vice-Presidentes do Partido da Renovação Social, amigos e companheiros de sempre;

Caros membros da Comissão de Honra e da Mesa do Congresso:

Cumprimento os membros da nova Comissão Nacional do Partido da Renovação Social. A vossa eleição demonstra a unidade e a força do Partido.

Dirijo agora palavras de reconhecimento e incentivo à nossa estrutura da Juventude e às mulheres renovadoras, a quem dirijo as minhas sinceras desculpas pelo incumprimento do cumprimento de boas-vindas. Agradeço a todos porque certamente contribuem para a vitalidade, a força e a modernidade do PRS, um partido que se dirige a todos os Guineenses, de todas as condições.

Saúdo igualmente todos os militantes pelo trabalho demonstrado ao longo destes anos, e que pode e deve ser conjugado com rigor e responsabilidade, com solidariedade nacional e com democracia adulta.

Saúdo em especial os delegados a este Congresso que tiveram a coragem de se deslocar dos mais longínquos cantos da nossa terra, e também cumprimento de uma forma especial os delegados que, vindos de todas as partes do mundo, representam o PRS na diáspora guineense. Quero expressar-lhes, em meu nome próprio e em nome do PRS, partido, com o qual contarão sempre no apoio necessário, nos combates que se avizinham.

O PRS lidera a partir de hoje a construção de uma alternativa de rigor, transparência, convivência democrática e desenvolvimento para a Guiné-Bissau. E terá, nesta sua tarefa histórica, a solidariedade e o apoio de todos os renovadores.

Em meu nome e no nome de todos vós, dou também as boas-vindas aos nossos convidados.

Saúdo Sua Excelência o Senhor Primeiro-ministro.

Saúdo os senhores Embaixadores e elementos do Corpo Diplomático.

Cumprimento ainda, com respeito e consideração democrática, os partidos políticos guineenses aqui representados. Registamos esta boa tradição da nossa democracia, que o nosso Partido cultiva com prazer e dignidade. É uma honra ter-vos connosco, num momento, que apesar de difícil, evidencia bem o nosso empenho na afirmação da democracia pluralista e pluripartidária. Saúdo e agradeço, portanto, a presença das delegações do PAIGC, do PRID, da RGB, da UPG e da Nova Democracia.

Cumprimento igualmente os representantes dos parceiros sociais. Sabem, por experiência própria, que o PRS é um partido empenhado na concertação social. Pois é assim que o PRS vai continuar: defensor e praticante do diálogo social, a bem dos trabalhadores e das empresas.

Cumprimento, em suma, todas as convidadas e todos os convidados. E deixem-me dirigir uma palavra final de reconhecimento aos que trabalharam na preparação deste Congresso.

Aceita, caro Eng.º Orlando Viegas, como Presidente da Comissão Organizadora, e em nome de todos, uma palavra de felicitações e agradecimento.

Caras e caros Companheiros: 

Este IV Congresso foi uma lição para muita gente!

O Povo guineense viu neste IV Congresso do nosso Partido, um PRS unido, mobilizado e determinado.

Os Guineenses viram aqui, em primeiro lugar, um Partido unido. Sim, um Partido unido. Porque este Congresso foi uma grande lição de unidade. A unidade de todo o Partido na afirmação dos seus princípios e dos seus valores; a unidade de todo o Partido na defesa do seu trabalho ao serviço do País e na defesa do seu projeto para o futuro da Guiné-Bissau.

Mas este Congresso mostrou também um Partido mobilizado. Mobilizado, com toda a sua força, para defender a Guiné-Bissau e para lutar pela vitória nas próximas eleições.

Neste Congresso o PRS deu também, uma grande lição de força e determinação. A determinação de quem não desiste. A determinação de quem não se conforma. A determinação de quem tem ambições para enfrentar e para superar as dificuldades, ao lado dos Guineenses, ao lado dos trabalhadores e das suas famílias, ao lado das empresas, em defesa do interesse nacional e de um futuro melhor para todos.

Mas este Congresso mostrou também aos Guineenses que o PRS é um partido com ideias claras. A nossa agenda não é feita de ideias vagas e de palavras vazias.

E por isso os Guineenses sabem onde nos podem encontrar. O nosso posicionamento político situa-se ao centro, e na esquerda democrática e moderna.

Defendemos a consolidação das instituições do Estado e defendemos a promoção do investimento económico, de modo a gerar mais emprego e riqueza nacional.

Defendemos a proteção social do Estado, com serviços públicos, eficientes, acessíveis a todos e a todos garantindo igualdade de oportunidades.

Defendemos a modernização da nossa sociedade, com mais qualificação e mais tecnologia, mas com menos burocracia para os cidadãos e menos burocracia para as empresas.

Defendemos uma visão universalista para o nosso País, o nosso empenhamento ativo nas Nações Unidas como forma de aumentar o prestígio da Guiné-Bissau, a nossa plena participação no plano da integração regional, a defesa sem complexos de uma lusofonia sem patrões, e a ligação estreita com as comunidades da nossa diáspora.

Este é o Partido da Renovação Social, o grande partido da democracia guineense, que sempre soube, e saberá sempre nos momentos mais difíceis, reconhecer e defender o interesse nacional. O partido da liberdade, da transparência e da justiça, mas também o partido da igualdade, da modernidade e da solidariedade social.

Neste momento particular da nossa História, posso assegurar-vos de que estou muito satisfeito, porque o PRS é, hoje um partido, unido e mobilizado, com sentido de responsabilidade e com ideias claras para o País. Estamos conscientes de o nosso querido País necessita de muitas coisas, mas se há coisa de mais necessita hoje, é de responsabilidade, maturidade política e ideias claras.

Viva o Partido da Renovação Social!

Viva a Guiné-Bissau!

Agora, gostaria de dirigir-me a todos os Guineenses que connosco partilham estes momentos de alegria da família Renovadora.

O Livro de Eclesiastes, no Velho testamento, cita palavras do rei Salomão, que passo a citar:

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todos os propósitos debaixo do Céu;

Há tempo para nascer e tempo para morrer; tempo para plantar e tempo para arrancar o que se plantou; Tempo para chorar e tempo para rir; (…)

Tempo de espalhar pedras e tempo para juntar pedras; (…)

Tempo para amar e tempo para odiar; Tempo de guerra e tempo de paz.”

Eu, Koumba Yalá, aproveito esta ocasião soberana que se me oferece para vos declarar que me despeço, não da política, mas das disputas de mandatos e de cargos políticos partidários, porque em meu entender, o cumprimento dos deveres de cidadania não se esgota na militância partidária.

E também aproveito para vos lembrar que Aristóteles já advertia, na Grécia Antiga, que o homem é um animal político, querendo destacar o pressuposto da vida gregária dos homens, porque o homem sozinho é uma abstração.

Esta grande Casa onde habitei por quase duas décadas é feita à imagem e semelhança do povo guineense, e, por isso mesmo, tem as virtudes e os deméritos que decorrem da própria natureza humana.

Aqui, vivi momentos de alegrias e vitórias, mas também de ostracismo e desapontamento. Mas não poderia ser diferente; assim é a política, assim é a vida.

A minha decisão de não disputar mais uma Presidência do PRS decorre do reconhecimento de que o tempo, os novos costumes políticos e as circunstâncias me indicavam esse caminho.

Parto com a consciência tranquila de que sempre procurei dar o melhor dos meus esforços na Presidência do Partido da Renovação Social.

As iniciativas, de que participei no plano nacional, conhecendo as possibilidades do País, reforçaram em mim a certeza de que a Guiné-Bissau é maior do que os seus problemas. Também parto com o imenso sentimento de dever cumprido, porque ajudei a construir uma formação política, que apesar de todas as vicissitudes tem-se mantido, e navegar acima de diferenças partidárias, sancionado pelo entendimento de que o País para o qual trabalha tem saída. E esta deve-se situar na sensatez política e não no sectarismo ideológico dos seus políticos.

Vivemos a era da comunicação. Os circuitos comunicacionais, agilizados na internet, consolidaram os termos tecnológicos do mundo globalizado. Estamos condenados à tecnologia, nos seus benefícios e nos seus usos indevidos.

Mas, esse incontornável processo de mudanças, que altera paradigmas sociais, conviverá sempre com os valores imortais da ética e da liberdade.

Esses valores são a base de toda a sociedade sustentável. Pois é no parâmetro ético que os governos viabilizam a justiça. E é no espaço de liberdade que as pessoas afirmam a sua cidadania.

Daqui, sigo certo de que fui participante de momentos em que, à minha vista, se despoletaram horas de grandeza e de drama, mas com a confiança de que a grande instituição, que é o PRS, prosseguirá no papel que sempre teve, de testemunha da nossa dimensão histórica e da nossa dimensão nacional.

E com igual sentimento de valorização deste Partido, como instituição fiadora da democracia, que acredito em mecanismos que continuem o seu aperfeiçoamento, para cada vez mais situá-lo como instância representativa dos mais legítimos interesses da sociedade guineense.

Neste Partido, fiz amigos, como também os tive em diferentes partidos, preservarei, contudo, a amizade, estando a todos abertas as portas da minha casa, como estará sempre aberto o meu coração quando puder estreitá-los num abraço.

Não vou esquecê-los.

Muito obrigado.

Koumba Yalá

4 Responses to Discurso: Despedida do Presidente Koumba Yalá no IV Congresso Ordinário do PRS

  1. e sinal que a politica guineense ja esta a ficar amadurecida,parabens a todos.

  2. N'tori Palan diz:

    Son pa no yeri-yeri sinsa na porta pa es mufunado camaleao ca riba mas pa cunfundi bidas di djintis…! Camarada Kumba Camaleao Yala, n’na disdjau bom bentu, ka bu riba mas… no fartau dja!

  3. alsaine Djalo diz:

    É sinal de um partido com bases capazes e assegurar e desdenvolver os destinos da nossas terra.

    É confiança no que ele próprio construiu.

  4. mamadu sirajo jalo diz:

    A despedida do Kumba Yala e um sinal de grande maturidade e coragem politica,porque ele se sentiu que este e o momento de deixar para que tambem outros dessem a suas contribuicoes na edificacao da democracia.

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