Opinião: O Dia de não falar mal da Guiné-Bissau

Por Kharan Dabo

“Vamos fazer o extraordinário, vamos falar bem da Guiné-Bissau por um dia que calhe. Digamos ao tuga, inglês, chinês, americano, ao mundo que o nosso país é lindo. Tem rios e mar de fartura, verde de esperança, o sorriso das suas crianças, a bravura dos seus homens e a beleza estonteante das suas mulheres. O nosso caldo de tchebem é maravilhoso, o nosso kriol é poético, o nosso n’gumbe é hipnotizante”.

Escrever sobre a crise na nossa Guiné-Bissau seria redundante e aborrecido. Ao longo destes meses, pós golpe do 12 de Abril, muito se debateu, argumentou, opinou, com ou sem fundamento, quanto a tragédia nacional.


Naturalmente, sou um guineo-optimista,um cidadão que acredita sempre na Guiné-Bissau e nos seus filhos. Sou da corrente que crê sempre haver uma solução para todos os problemas, por mais complicados que sejam.

A minha geração nasceu independente. Não lutamos nas matas contra o jugo colonial português. Nascemos livres. Sonhamos com uma Guiné-Bissau desenvolvida, em Paz e onde todos sejamos felizes.

Os males são fruto da nossa teimosia em temer ser felizes. Em acordar, olhar ao espelho e dizer que não gosto do que vejo e não dos que vejo.

Um povo, com uma história de resistência e vitórias como a nossa, não pode deixar que a sua auto-estima seja chutada e maltratada por todos.

Nós somos um povo heróico, somos uma nação de filhos brilhantes. Ofende, dói, quando lançamos a primeira pedra contra a PÁTRIA.

Porque que não podemos gostar do que somos?
Eu procuro manter-me o mais informado sobre o país. Leio todos os blogues, jornais e oiço todas as rádios. O denominador comum de alguns, lamentavelmente, ainda é o pessimismo.

Contribuímos para que a mensagem nos caracterize como golpistas, traficantes de droga, incompetentes, corruptos e analfabetos. Permitimos que o desrespeito pela nossa história aconteça diariamente.

Até quando?

Não sou hipócrita nem ingénuo. A realidade me aflige, o presente não é uma fotografia bonita. Sofro como todos os meus conterrâneos, pelos erros que a nossa jovem Guiné-Bissau vai cometendo.

Quem sou eu para defender o actual estado de coisas. Coisas que aliás são bem nossas, como diria o saudoso poeta Jorge Ampa.

Não há mal que perdure…

Vamos fazer o extraordinário, vamos falar bem da Guiné-Bissau por um dia que calhe. Digamos ao tuga, inglês, chinês, americano, ao mundo que o nosso país é lindo. Tem rios e mar de fartura, verde de esperança, o sorriso das suas crianças, a bravura dos seus homens e a beleza estonteante das suas mulheres. O nosso caldo de tchebem é maravilhoso, o nosso kriol é poético, o nosso n’gumbe é hipnotizante.

O país de Amílcar Cabral é um orgulho de África. Ajudamos a libertar Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe.

Contribuímos para o derrube da Ditadura em Portugal. Apesar de tudo isso, não subestimamos nem odiamos ninguém.

O povo Guineense é digno.

 

**Nota do Editor: as opiniões aqui expressas são da inteira responsabilidade de cada autor e não reflectem necessariamente a linha editorial da GBissau.com

 

8 Responses to Opinião: O Dia de não falar mal da Guiné-Bissau

  1. veronio correia diz:

    Ola Sr Kharan Dabo eu sou Veronio correia Guineense assim com você e outros milhares que consulta essa, pagina diariamente para saber as noticias do nosso pais lendo seu artigo expressando sua livre opinião, digo que em parte concordo com você e em outro não concordo quando o senhor diz que o nosso pais `e lindo O nosso caldo de tchebem é maravilhoso, o nosso kriol é poético, o nosso n’gumbe é hipnotizaste.e não concordo em relação falar bem porque agente só deve falar bem quando há realmente algo de bem para falar e isso não `e caso e por isso mesmo que devemos falar, mais falar `a verdade do que passa na quele pais o senhor me desculpa mas não tem nada de bom para fala para os inglês, chinês, americano, ao mundo ou vamos falar para o mundo que na pediatria do nosso pais as crianças doentes todos deitai no chão vamos falar para os os Chinês para os americanos que a cólera `e rotineira falar pra eles que as crianças só comem uma vez por dia que na escola não há cadeiras para sentarem ou professores para os ensinarem ou talvez dizer ao mundo que energia `e privilegio dos poucos,vamos falar para o mundo que vela para iluminar a tão escura cidade de guine também são para poucos Sr Kharan Dabo ciente que você sabe de tudo isso por isso te peço vamos falar bem quando der para falr

    • Guinéense diz:

      …E o qe ganhamos em mostrar para o mundo as coisas ruins que você acabou de mencionar?
      Acredito que o Sr Kharan está dizendo é saber falar do bém que existe mesmo em meio a desgraça…
      Na guiné temos coisas lindas sim…natureza exuberante, comida boa e natural, peixes de ótima qualidade, povo simpático, simples e sem maldade e muito mais….
      Saber enxergar diamante mesmo ainda em sua forma bruta é qualidade de poucos…e nós guinéenses precisamos dessa qualidade para o futuro melhor da nossa pátria.

  2. Kharminha diz:

    Caro Sr. Dabo,
    Após ler a sua opinião, escrevo para concordar não consigo, mas com o Sr. Correia (autor do 1º comentário).

    Também nasci na Guiné-Bisau, e não na Guiné-Portuguesa. Sou da opinião de que a guerra colonial foi precipitada, pois assim como a independência chegou pacíficamente a muitos países africanos, a seu tempo, também chegaria para nós. Mesmo assim, valorizo o esforço dos que lutaram e deram a vida por uma idéia nobre, por uma visão ambiciosa, pela construção de uma verdadeira Nação Guineense.

    Todos nascemos livres, mas não confundamos liberdade com independência. Poucos são verdadeiramente independentes neste mundo (no verdadeiro sentido da palavra) e nós, Guineenses, vivemos num país desnecessaria e extremamente depenentes de ajuda externa, até mesmo da ajuda daqueles que expulsamos!

    Continuamos a sonhar com “uma Guiné-Bissau desenvolvida, em Paz e onde todos sejamos felizes”, mas o que é que fazemos para realizar esse sonho? Sonhar é fácil – fazemo-lo sem esforço todas as noites – mas no realizar os projetos é que está a dificuldade que não temos conseguido ultrapassar. O que é que nos falta?

    “Um povo, com uma história de resistência e vitórias como a nossa, não pode deixar que a sua auto-estima seja chutada e maltratada por todos. Nós somos um povo heróico, somos uma nação de filhos brilhantes. Ofende, dói, quando lançamos a primeira pedra contra a PÁTRIA.
    Porque que não podemos gostar do que somos?” – essas palavras são suas e eu respondo:

    – Que história é essa que o povo mal conhece, que mal é ensinada nas péssimas escolas que temos?
    Somos nós que maltratamos a nossa Pátria. Somos nós que temos nos recusado e falhado, colectivamente, em nos tormar uma Nação.

    – Onde está o fruto do trabalho dos filhos brilhantes da Guiné-Bissau? No estrangeiro!
    Os que insistem e persistem a trabalhar no país passam por dificuldades que só eles podem devidamente relatar. Na actual ausência total de Liderança e quase total do Estado, são criados obstáculos para o desenvolvimento em todas as áreas. Nem médicos, nem professores, nem carpinteiros, engenheiros ou agricultores podem properar.

    – Penso que o Guineense gosta do que é, não gosta é de como tem estado.
    Falar bem do nosso país hoje é elogiar o nosso sofrimento, e isso é perda de tempo.
    Temos muito que fazer e estamos muito atrasados.

    O que o verdadeiro Guineense quer é prosperar. E sem estabilidade isso não é possível.
    Queremos ter orgulho do nosso país, e isso hoje não é possível, pelo menos não para mim. O nosso país (não é, mas) está uma vergonha!

    Por isso, aqui fica a minha sugestão: ao invés de perdermos tempo a elogiar o que nos aflige, conversemos sobre as possíveis soluções para os nossos problemas. E resolvamo-los de uma vez por todas.

    Pa dianti ki caminhu, si no sinta ni kau nô kana bai.

  3. Devia ser assim todos os dias, de ir a pesquiça do melhor da Guinea Bissau, porque là que fica as forzas para sair do negativo, là que reside as capacidades de vincer o mal. E sem nenhuma vergonha expor isso ao mundo enteiro, porque o mundo nao é melhor so que nao fala tanto mal de si.

    Dra Nadine Dominicus van den Bussche,
    nadinedominicus@hotmail.com

  4. Domingas Mendes diz:

    Parabéns pelo otimismo. Sim, é isso que precisamos dizer a todos e principalmente, nós mesmos assumir a nossa pátria e ser-lhe connstrutores
    de uma nova sociedade e política.

  5. Npoleao diz:

    Antes de mais nada olaa a todos. Apenas queria dizer que somos todos Guineenses e o que vejo aqui e muito positivo, so o facto de estarem a falar da nossa Patria isso faz me sentir feliz e todas as opinioes sao bem vindas para mim, cada um da a sua opiniao mas todos querem a mesma coisa que e Paz, Estabilidade e Desenvolvimento. Nao e facil mas os que estao na Guine “lutam” a cada dia que passa a procura do melhor e nunca dessistiram e vao continuar a “lutar” e Guine so vai para frente com os proprios Guineenses, porque se todos os Guineenses se unirem e deixarem questons tribais, governantes que nao sejam ladroes, tropas pararem com trafico e controlarem o pais tenho certeza de que nao precisamos de ninguem mas sim de nos mesmo para andar para frente porque Guine tem de tudo para ser um pais de sonho, Americo Gomes disse: “Bo tira fianca na Europeus no tem cu pega cu no mon…no lanta no sibi que qui tem…“ e acrescento nem Governo Portugues, nem ONU, nem CPLP, nem Senegaleses, nem tropas Angolanos que la estava nenhum deles quer o bem da nossa Guine mas sim o proprio Guineense e que ama o seu pais e so os Guineenses podem fazer Guine andar para frente. E bom ouvir opiniao das pessoas e respeita-las assim como respeito opiniao de todos… Abraco ha todos

  6. mata.canha diz:

    A franqueza do povo da Guiné a sua boa vontade, ilustrado num sorriso, valem muito.
    A propósito, apresemte-me um país perfeito.

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