Carnaval 2013: Um Apontamento… Feito de Qualidade e Quantidade

Fernando Teixeira

Por Fernando Teixeira

Há uns anos a esta parte notou-se na nossa sociedade em geral, nos meios esclarecidos ainda mais, uma clara rejeição do Carnaval; diria que quase que uma aversão ao Carnaval. Facto estranho num país de gente alegre e que gosta de se divertir e que tem poucos sítios de diversão e com muita pouca variedade.Devo confessar que gosto muito do Carnaval desde a tenra infância no Tchon de Papel, um Bairro onde esta festa era reverenciada especialmente. Quando terminei a minha formação universitária e voltei para a Guiné, ansiava pelo carnaval; havia sete longos anos que não sabia o que era Carnaval de verdade como o nosso. Quando chegou, passei três dias sem dormir. Saía directamente da festa, da discoteca, dos bares, para apenas tomar um banho e ir trabalhar. Mas mesmo assim era maravilhoso. E cada dia foi uma festa para mim. E dentro desse espirito que escrevo este texto também.

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

Por isso não compreendia quando na altura do carnaval as pessoas se preparavam para ir passar Carnaval em Varela, Bubaque, ilha do Maio, do Rei, etc. achava deveras estranho, pois la não havia Carnaval algum… carnaval é uma festa essencialmente urbana. Anos depois vivendo longamente no estrangeiro, acabei entendendo que diferentemente de alguns (onde me incluo) para quem o Carnaval é “sagrado” e queria a todo o custo estar em Bissau nessa altura (vinham de Portugal e outras paragens, para vir passar Carnaval) os que ca viviam, queriam fugir de Bissau (do Carnaval).

O problema era mais complexo que se imagina: O Carnaval em si como uma festa interessante e de bom gosto, a que habituamos desde criança, já para não falar da alegria e folia associada a esta quadra que fazia a todos esquecer as preocupações e tristezas da vida, de ano para ano foi minguando até quase desaparecer das nossas vidas, substituído por algo incoerente, ruidoso, remendado, hibrido, em que não se percebia nada do que se tratava.

Antigamente havia as brincadeiras de Carnaval (partidas que se pregavam uns aos outros, por exemplo pedia-se dinheiro emprestado e entregava-se depois um papel a dizer que era brincadeira de Carnaval e ninguém podia cobrar esse dinheiro de volta, etc., etc.,), vendiam-se os brinquedos de Carnaval (pistolas de agua, bombas de mau cheiro, bombinhas para rebentar no ouvido das pessoas assotando-as, etc. , vendiam-se as mascaras de Carnaval, as roupas de carnaval, ou alugavam-se trajes de carnaval só para dois dias ou só para um baile. havia claro as festas (bailes) de Carnaval que todos os grupos organizavam, as que como na UDIB, SPORTING e BENFICA eram abrilhantados por conjuntos musicais como Mama Djombo, Nkassa Cobra, Cobiana Djass etc. Nos Bairros como o Pilum, Santa Luzia ou no Bairro de Ajuda (Club de Bairro), etc., sempre havia o Baile de Carnaval. A cidade inteira estava em Festa no carnaval. Pois Carnaval é essencialmente uma festa urbana, das cidades e vilas e não do campo.

O Carnaval na verdade é uma festa global que não se resume ao desfile; desfile é apenas uma das manifestações da mesma, mas ultimamente o Carnaval transformou-se apenas no Desfile. Um desfile que politizou-se, que passou a ser “organizada” pelo Estado, com regras e regulamentos rígidos que mataram logo toda a criatividade. Os grandes conjuntos musicais que abrilhantavam os carnavais desapareceram, agora só há artistas individuais que embora possuidores de talento, as vezes é necessário um grande grupo, feito de dezenas de talentos no mesmo palco para “arrebentar” num Carnaval.

Carnaval 2013 na Guiné-Bissau

Carnaval 2013 na Guiné-Bissau

Mas tudo desapareceu na desorganização do País. Assim como os grandes conjuntos musicais surgidos na década de setenta (mais de quarenta. Uma vez num festival de musica Guineense no estádio Lino Correia participaram 37 conjuntos musicais e de fora ficaram dezenas de outros que já existiam e vários artistas individuais que não poderem concorrer)) morreram todos porque uns foram estatizados, com vencimentos no fim do més (?) (como Cobiana Djass) e outros porque as regras e regulamentos começaram a apertar e a economia afundando e depois o povo já nem dinheiro tinha para os ir ver.

A titulo de exemplo, nós tínhamos um pequeno conjunto de meninos chamado Lacarães onde pontuavam nomes como Ciro José/Nênê (viola solo) que veio a ser um dos maiores jogadores Guineenses, Cordeiro/Mununo (ritmo e contra solo), hoje Engenheiro do I.B.A.P., José Augusto Tavares (viola ritmo e chefe de orquestra), há muito emigrado em Portugal, Patalino (solista), hoje artista renomado na Escandinávia, Carmelita Pires (vocalista), que veio a ser Ministra de Justiça, Eugénio Andrade (vocalista) hoje arquitecto da Camara Municipal de Lisboa, Mário Lima (vocalista, cantor da famosa musica “é mata Cabral ba é pudi bindino”, Funy/Nênê, Geraldo, hoje falecido, Kido Barbosa (bongós e timbales), Orlando Martins/Aston Barrett/Djamba (baixista) actualmente emigrado na Inglaterra, Amanhã (tumbista emérito), emigrado há muito em Cabo Verde, Abel Mendonça, hoje embaixador em Cuba e outros) que todas as semanas eramos solicitados a dar espectáculos em salas cada vez mais cheias. Íamos tocar a Bolama, Bafatá, Pulundo, Sonaco, Cantchungo, etc. etc., cobrindo todo o território nacional em tornes ousados e lucrativos.

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

Uma vez tentamos internacionalizar-nos e eu (espécie de empresário e organizador) fui a Dacar com quinze ou desaseis anos, na minha primeira viagem ao exterior, tentar estabelecer contactos com empresários e músicos de renome para futuros concertos. Só por isto vejam o tamanho dos nossos sonhos na altura. Bem, o país também era outro… e a nossa geração também era outra…

Um dia, eventualmente com ajuda de Adriano Ferreira e outros ilustres sobreviventes, pode ser que vos conte a história destes agrupamentos musicais hoje desaparecidos… Todos e tudo, a cultura urbana e a criação, foram varridos por um vento de maldição e destruição que ainda teima em soprar e por mais que nos cubramos com as nossas rotas mantas, ela entra pelas frinchas das janelas da nossa mente e como cunfentu dói e dói. Esse vento soprado pela falta de visão dos que estavam a frente do Estado e da Cultura que apenas se preocupavam com os losungs, regulamentos, estatização e enquadramentos, fez o seu estrago na economia e na cultura como um todo e o Carnaval teve o mesmo tratamento “rigoroso” e deu no que deu como tudo o resto.

II

Estes dias, antes do último carnaval, a Televisão Guineense, numa tentativa de suscitar uma reflexão sobre esta festa e o porquê do seu desvirtuamento e queda no conceito dos cidadãos, convidou este vosso humilde criado e o actual Director Geral da Cultura N. Taborda para um debate sobre o sujeito “Carnaval”.

Debate profícuo, diga-se de passagem, não por ter sido um dos intervenientes, mas pela troca de ideias, que acabou saindo do estrito sujeito Carnaval, para se falar da Cultura em geral, como força motivadora do progresso e da coesão nacional. Devo louvar a Televisão Nacional na pessoa do jornalista e moderador do debate, o respeitado Hipólito José Mendes, pela maneira proficiente que realizou o debate pois permitiu comparar o passado e presente e perspectivar o futuro. O jovem Director Geral (novo também no posto), antigo promotor de eventos, também merece um apontamento, por algumas ideias inovadoras sobre a realização de desfile deste ano e muitos projectos futuros que se vierem a ser implementados mudarão um pouco o nosso pobre e cinzento panorama cultural. Por isso devo falar agora especialmente do Carnaval deste ano 2013.

Dizer que este ano tudo o que foi feito nesta área vale por dois. Pois a situação política e económica, em virtude das sanções e não só, é muito delicada e complicada e é necessário encontrar saídas airosas para várias coisas num mar de dificuldades. Dizer que foi melhor que do ano passado qualitativamente e quantitativamente:

– Quantitativamente pelo número dos participantes e qualitativamente quanto ao civismo e a maneira ordeira que decorreu.
– Quantitativamente quanto ao número das mascaras e qualitativamente quanto a sua beleza, arte e criatividade.
– Quantitativamente quanto ao número dos Bairros de Bissau participantes e qualitativamente quanto a própria participação de cada um sem excepção, onde vimos uma competição real mas saudável, onde vimos um bairrismo forte aliado aos símbolos identificadores antigos e a novos valores que se perfilaram.
– Quantitativamente quanto ao número de dançarinos, dos motivos e qualitativamente no próprio desempenho dos tambores, dançarinos, das rainhas, das canções e da coreografia.

Portanto um carnaval onde a quantidade e a qualidade estiveram lado a lado numa simbiose que se quer e se deseja para que a quantidade, cada vez mais, se transforme na qualidade.

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

É necessário dizer, para que conste, que a Direcção Geral de Cultura na pessoa do seu Director Geral esta duplamente de parabéns. Pela inovação trazida e por terem quebrado o ciclo repetitivo e o período de estagnação que o Carnaval estava confinado nos últimos anos. É um começo por mais modesto que seja. Quanto aos Bairros, não sendo Juiz, no calor do desfile, tomei notas apressadas durante a passagem dos grupos, e em poucas palavras, são estas:

  • Bairro de Bande : incontestável
  • Bairro de Sintra : um grande carnaval 
  • Bairro de Empantcha com uma “teatralização louvável ” e uma alegria imensa
  • Grupo cultural Caliquir merece uma atenção especial, pois sendo os últimos ao cair da noite, na escuridão, mesmo assim impressionaram
  • Bairro de Cupelão (Pilum) com boas mascaras podia ter feito melhor pois pelo bairro que é ( e sempre foi) tem todas as características para ganhar um Carnaval. Mas a sua presença dignificou o este Carnaval
  • Bor com imensos valores individuais e colectivos mas falta uma organização forte que valoriza-se o conjunto. Mesmo assim merece louvor
  • Plubá um grande esforço, alguma carência na organização. Tentativa de dar mais do que podiam. Merece ser louvado
  • Chão de Papel (Tchon de Papel): mais do que imaginava, mais do que esperava, não estamos a altura dos nossos mais velhos, mas dignificamos a bandeira. Espero que a forca da tradição vença a tradição da forca, e que Deus nos ajude…
Carnaval 2013 na Guiné-Bissau

Carnaval 2013 na Guiné-Bissau

III

Não falei aqui das Regiões por não ter podido, como é óbvio, ir a cada Região ver o Carnaval e o respectivo desfile. Mas no desfile nacional a que assisti constatei com agradável surpresa coisas muito interessantes. No mesmo nível que no ano anterior ou um pouco menos preparados, gostei de ver os orgulhosos Herdeiros de Quinara (mas eu sou suspeito pois tudo que é de Quinara gosto sempre a dobrar) que das margens do Rio Grande chegaram, montados nos seus atabaques e mesmo afastados trezentos quilómetros da sua terra dançaram como se fosse em Buba Tumbo.

São Domingos (Cacheu?) como o ano passado impressionou pela diversidade da sua população cultura e danças. Região de Oio totalmente no diapasão de “festival de Cultura” deixou patente a sua cultura profunda que vai buscar as raízes ancestrais.

As dançarinas e dançarinos de Gabú e Bafatá – Bafatá muito bem preparado mas com poucas pessoas (aliás o limite de participantes imposto as regiões, 50 pessoas, não ajudou o seu desempenho). Com aquela mestria com que os seus “Tocadores de Tambor” conseguem interagir com os dançarinos num compasso perfeito, os do Leste são exímios nas suas representações. Os ginastas a fazerem vibrar o público… a teatralização sobre a excisão feminina, embora longa merece uma citação pela tentativa de aproveitar esta grandiosa manifestação para trazer ao grande público um problema enormíssimo, maior que o próprio Carnaval, com que são confrontados. Com pena tomei conhecimento nesse dia de que há movimentações nessa cidade de Gabú (dos naturais da Guiné Conacri que lá vivem agora) no sentido de proibir o carnaval por não ser festa muçulmana… sem eles o carnaval seria muito mais pobre. A Região Leste foi das surpresas mais agradáveis deste Carnaval.

E por fim Bubaque, com as peles curtidas pelos ventos e ondas do mar, no andar gingado dos ilhéus, vieram nos encantar pela enésima vez com a sua arte de pescar, subir palmeiras, dançar e outras manifestações do seu cotidiano numa profusão de cores e cantos, vestidos de maneira mais natural, pois é assim que se vestem, mas pareciam vestidos especialmente para esse dia. Uma rainha simples e digna, falando do passado e presente, levando as nossas almas no dorso das suas aias… e todos os restantes Regiões também trouxeram colorido e pujança a festa e sem eles ela poderia ser realizado “mas não seria o mesmo”… como diz a publicidade. E assim foi o nosso Carnaval da Diversidade do ano de graça de 2013.

IV

Hoje depois de tudo já ter passado, dos Juízes terem feito o seu trabalho e dos prémios distribuídos é necessário dizer que a questão da não participação de Sintra – em protesto por ter ficado em terceiro – no segundo dia, no segundo desfile (nacional) merece uma atenção cuidada, pois é um precedente mau. Mas primeiro de tudo devo dizer que Sintra me impressionou bastante. Na minhas apresadas notas tomadas ainda no calor do desfile, para não esquecer algo, deles escrevi (como já disse) sobre eles o seguinte: Sintra – um grande Carnaval.

Nas vitórias sempre deve haver alguma humildade e muito respeito pelos outros concorrentes. Mas nas derrotas deve sempre haver contenção e usa-las para preparar o futuro e tirar lições proveitosas, mesmo que essas derrotas sejam injustas. Eu tenho orgulho no segundo lugar conquistado pelo Chão de Papel (participei na organização, embora não tenha feito grande coisa, tentei ajudar no que achei possível, com ideias, conselhos e falando com pessoas para apoiar e falando do bairro no debate televisivo), mas se fosse o terceiro o orgulho seria igual e se perdêssemos seria com humildade para analisar os erros e melhorar para o próximo ano. Ao não participarem, os dirigentes de Sintra, na minha humilde opinião, não procederam convenientemente por várias razoes. Penso que a inscrição no Carnaval pressupunha uma obrigatoriedade de participar em dois desfiles.

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

Carnaval 2013, Guiné-Bissau

Portanto a D. G. de Cultura poderia, no limite, desqualificar o bairro e conceder o prémio ao quarto classificado. Mas o mais negativo foi que com essa decisão proibiram esses jovens (muitos dos quais pela sua pouca idade, este é o primeiro carnaval em que participam), de mais uma vez desfilarem as cores do seu bairro orgulhosamente pelas ruas de Bissau. E se preciso for provarem assim, com garbo, que de facto mereciam uma classificação melhor. Mesmo que fosse apenas naquela figura de estilo tão Guineense que é dar “bofatada sin mon”. E usar por fim essa indignação como arma de combate, como bandeira de indignação, para no próximo galvanizar os Sintrenses a ganhar o Carnaval.

Sei que é difícil, sei que dói perder, depois de tanta preparação e tanto sacrifício. Eu que apoiei na medida das minhas capacidades o meu bairro, e sei que não é fácil. As vezes as reuniões vão até meia-noite. As vezes quando parece que uma coisa esta resolvida, vem a notícia que falhou na última hora; as vezes é muito complicado arregimentar meninos e adultos, jovens, meninas e rapazes, num só corpo para um só objectivo. Portanto todos os grupos tiveram um grande trabalho e uma grande esperança por isso cada um deles esta de parabéns pelo bom trabalho apresentado.

Crianças descalças a aguentar o calor do asfalto, o alcatrão queimando nos ´delicados pés, durante horas para representar condignamente o seu bairro ou região, é de louvar e tornar a louvar. Mas Alguém tinha que ganhar, e espero – como creio -, que tenha ganho o melhor, pois só isso, daria um sentido a todo este imenso sacrifício de tanta gente.

Como simples cidadão louvar a Empresa de ORANGE por tudo o que fizeram; pelo financiamento dos prémios, do próprio evento, pelo colorido que deram ao Carnaval participando com o seu “trem eléctrico” cheio de jovens a dançarem, com muita alegria e animação. Pois, sem hipocrisias, uma coisa é o retorno de investimento que sempre se espera, outra é o acto de participação em si que foi muito bonito e deu um colorido novo a festa, com muita música e animação pelas principais artérias da cidade.

Termino como terminei no debate: só peço a Deus que não matem a única festa alegre deste país, pois precisamos tanto de alguma alegria nas nossas vidas. Todas as nossas festas e feriados nacionais são tristes:

  • O 3 de Agosto é triste pela sua natureza, o massacre de nossos compatriotas;
  • O 20 de Janeiro é triste, a morte de Amílcar Cabral e dos nossos heróis nacionais;
  • O 14 de Novembro, que agora ninguém liga, é triste pois não trouxe alegria para ninguém, nem mesmo para aqueles que o fizeram;
  • O 24 de Setembro que devia ser a festa mais bonita e alegre do nosso povo, é triste também, porque é com lagrimas nos olhos, que constatamos que a cada ano que passa, depois de quarenta anos de independência, estamos cada vez piores.

E não digo isto com nenhuma alegria, mas como uma tristeza infinita que ninguém pode entender. Por isso deixem que a única festa onde ainda cantamos e dançamos, gritamos, saltamos e abraçamos uns aos outros, sem nenhuma lembrança triste, associada a data e assim continue sempre um marco de alegria.

ANEXO

Durante o debate televisivo a que fiz referência aventei algumas propostas avulsas para melhorar o nosso Carnaval que deixo aqui em anexo, contribuindo assim para um debate sobre o mesmo que venha a ter lugar como se pretende:

DESFILES: OS DESFILES NÃO DEVEM SER RÍGIDOS E NEM REGULAMENTADO DE MANEIRA A QUE ACABE POR MATAR TODA A CRIATIVIDADE, FAZENDO CADA GRUPO EXACTAMENTE IGUAL AO OUTRO, COM AS MESMAS ROUPAS, AS MESMAS DANÇAS, AS MESMAS CANÇÕES TUDO MUITO REPETITIVO QUE BASTA VOCÊ VER DOIS GRUPOS NEM PRECISA VER MAIS GRUPOS POIS SABE QUE COM UMA LIGEIRA VARIAÇÃO É QUASE IGUAL.

PORTANTO PODEM PARTICIPAR, POR EXEMPLO, APENAS TRÊS BAIRROS QUE TENHAM ORGANIZAÇÃO SUFICIENTE PARA ISSO E DEPOIS OUTRAS COLECTIVIDADES. POIS QUANDO SE QUER PARTICIPARA A TODO O CUSTO MESMO QUANDO NÃO TÊM POSSIBILIDADES ECONÓMICAS E ORGANIZAÇÃO SUFICIENTE. O DESFILE TORNA-SE POBRE E DESINTERESSANTE. (por isso já muita gente nem liga ao carnaval. Vais sim as barracas sentar e beber e nem olha o desfile. Posso dizer que 60% das pessoas aproveitam o feriado de carnaval apenas para ir as barracas comer e beber. Nem querem saber do desfile. Ano passado o grosso das pessoas ficou nas barracas do bairro de ajuda e o desfile ficou no Bairro Internacional. E a maioria eram crianças a ver, mas tudo gente daquela zona. Mas isto passa-se por que as pessoas apriori já subentendem que:

a) Aquilo não tem interesse nenhum.

b) É só estupidez e falta de educação e civilização.

c) Perdeu todo o seu antigo glamour, alegria e espontaneidade

O ENREDO DE CADA BAIRRO PELO CONTRÁRIO DEVIA SER DIFERENTE E NÃO IGUAL SE NÃO É MONÓTONO E SEM GRAÇA. TALVEZ A ÚNICA VIRTUDE QUE TEM É FACILITAR O TRABALHO DO JÚRI, MAS ISSO NÃO É O OBJECTIVO DESSA FESTA, FACILITAR O TRABALHO DO JÚRI,

Chão de Papel podia ter como motivo: igualdade de mulher e homem. Bandé podia ter por exemplo: meninos de rua e sua protecção. Santa Luzia podia ter “a emigração estrangeira para o nosso país” e evocar estes nigerianos, senegaleses e outros que para aqui emigram. Os seus maneirismos e a sua cultura, etc. Pilum podia ter como motivo “a campanha agrícola de caju”.

Bairro de ajuda podia ter como sujeito as campainhas de telemóveis por exemplo que é uma coisa que fez mudar os hábitos nestes pais. Outro Bairro que apresente a história deste país desde a chegada do colono ate a Independência

Um outro bairro que faça máscaras de todos os heróis nacionais e conte a história de cada um com uma menina (rainha) que explicaria isso. Etc. etc. ou nenhum Bairro fazer nada disto que digo como exemplo, mas outras coisas mais interessantes, pois isto são exemplos que dou aleatoriamente, pensadas neste momento, só para entenderem a ideia.

  • NÃO PODE HAVER UM “REGULAMENTO COREOGRÁFICO” QUE OBRIGUE A TER EM CADA DESFILE DE GRUPOS MESMOS MOTIVOS. ISSO MATA A CRIAÇÃO E TORNA TUDO AMORFO E IGUAL.
  • DEVIA SER DEIXADO AO CRITÉRIO DE CADA GRUPO OU COLECTIVIDADE ESCOLHER OS SEUS MOTIVOS. ASSIM HAVERIA MOTIVOS FORTES, SUJEITOS QUE CADA BAIRRO PODERIAM TER. ASSIM UM ENREDO DIFERENTE PARA CADA BAIRRO SERIA MAIS INTERESSANTE. (agora é uma festa formatizada, estatizada, sem espaço para criação, sem espaço para inovação ou qualquer espontaneidade. (todos os grupos devem apresentar uma mesma coisa. um mesmo sujeito, as mesmas danças, as mesmas caracterizações e coreografia.)
  • AS DANÇAS NACIONAIS POR EXEMPLO: CADA GRUPO DEVIA TER UMA DANÇA APENAS. SE FOR DANÇA MANJACA, DANÇA PAPEL OU DANÇA FULA, ELES O DEVERIAM ESTUDÁ-LO APERFEIÇOÁ-LO E REALIZA-LO O MELHOR POSSÍVEL. (Pois como é que um júri -feito da varias sensibilidades, conhecimentos e experiencias – afirmar sem risco de errar que a dança kussunde de Chão de Papel é melhor do que a dança kussunde de Bandé ou Missirá?)
  • O CARNAVAL NÃO DEVE SER LIMITADO ÀS 8 REGIÕES APENAS, OU COMO ESTE ANO, AOS BAIRROS DE BISSAU. TAMBÉM DEVEM TER O DIREITO DE PARTICIPAR COLECTIVIDADES,MANDJUANDADES, ESCOLAS, LICEUS, EMPRESAS, ETC. TODOS QUE PODEM ORGANIZAR UM GRUPO FORTE, REPRESENTATIVO, COM UM SUJEITO BEM DEFINIDO E CLARO CAPACIDADE ECONÓMICA PARA O MESMO.

TEMPO DE PREPARAÇÃO: O CARNAVAL NÃO SE PODE PREPARAR EM DUAS OU TRÊS SEMANAS. DEPOIS DE SAIR O REGULAMENTO (ESTE ANO AINDA SÓ HAVIA O PROVISÓRIO QUANDO JÁ FALTAVA MUITO POUCO TEMPO) DA DIRECÇÃO GERAL DA CULTURA. ISSO É IMPOSSÍVEL. GERALMENTE OS CARNAVAIS DEVEM SER PREPARADOS POUCO A APOUCO DURANTE TRÊS OU QUATRO MESES. E OS REGULAMENTOS DEVIAM ESTAR PRONTOS MUITO ANTES.

(Logo depois deste carnaval, em abril já devia haver um regulamento pra o próximo ano. e os regulamentos não devem variar de ano para ano ao bel-prazer de novos titulares dos órgãos de decisão. deve ser algo de permanente, só assim a tradição pode vincar e permitir um desenvolvimento do carnaval de ano para ano.)

QUEM DEVE ORGANIZAR O CARNAVAL? TANTO POR “DIREITO” OU POR BOM SENSO? ENTENDO QUE EM ULTIMO CASO O CARNAVAL DEVIA SER ORGANIZADO PELAS CAMARAS MUNICIPAIS. A CAMARA MUNICIPAL DE BISSAU É QUE DEVIA ORGANIZAR O CARNAVAL EM BISSAU POR EXEMPLO E NÃO UMA DIRECÇÃO GERAL QUALQUER QUE SEJA ELA. MAS ORGANIZAR NÃO É OCUPAR SE DELA COMO PATRIMÓNIO. MAS TRABALHAR COM UMA COMISSÃO NACIONAL ORGANIZADORA QUE ESTARÁ EM ESTREITA COLABORAÇÃO COM A C.M.B. E AS DIRECÇÕES GERAIS DE CULTURA. DO AMBIENTE E DO TURISMO.

FINANCIAMENTO DOS GRUPOS E BAIRROS: CADA BAIRRO PODERIA TER LIGAÇÃO COM UMA EMPRESA QUE PROMOVERIA DURANTE O DESFILE E AS EMPRESAS DESSA MANEIRA CONTRIBUIRIAM PARA A CULTURA. A CULTURA É SEMPRE UM BOM INVESTIMENTO E COMO O DESPORTO SEMPRE ACABA PROVOCANDO O RETORNO. (Os bairros deviam ter centros culturais (colectividades), mas isso só é possível se houver um responsável em cada bairro, se houver espécies de junta de freguesia. Se não é possível uma escola de carnaval, onde isso poderia ir ser implementado pouco a pouco)

O.N.G.s PODERIAM USAR ESTA FESTA PARA PASSAR A SUA MENSAGEM DAQUILO QUE FAZEM. É UMA FORMA ÚNICA, DIFERENTE, INTERESSANTE, UMA VEZ POR ANO APENAS DE INTRODUZIR NA SOCIEDADE IDEIAS NOVAS E BOAS.

 

Fernando Teixeira

Bissau, 18 de Fevereiro de 2013

**Nota do Editor: as opiniões aqui expressas são da inteira responsabilidade de cada autor e não reflectem necessariamente a linha editorial da GBissau.com

One Response to Carnaval 2013: Um Apontamento… Feito de Qualidade e Quantidade

  1. Emilia Mendes diz:

    na verdade não existi mais carnaval na guiné Bissau.
    não daria mais o prazer nem de sair de casa até o conhecido chapa de bissau

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