Eleições na Guiné-Bissau este ano e sem interferências ou ameaças, defende Ramos-Horta

José Ramos-Horta, novo representante da ONU na Guiné-Bissau

Bissau (Lusa,25 de Março de 2013) –  O representante do secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, defendeu que as eleições no país têm de ser este ano e sem interferências nem ameaças, que serão inaceitáveis para a comunidade internacional.

Em declarações aos jornalistas durante o fim de semana em Cacheu (norte), que hoje foram divulgadas, José Ramos-Horta disse ser muito importante que cada político e militar guineense ganhe a consciência de que “não poderá haver mais deferimento do prazo das eleições” e de que as mesmas “terão de ser muito transparentes, sem interferências dos militares e sem ameaças”.

“Porque nenhum de nós, os atores internacionais, vai aceitar que a comunidade internacional invista aqui, que queira ajudar, e que no entanto seja testemunha de possíveis ameaças, de violência, antes ou depois das eleições”, justificou.

José Ramos-Horta disse ainda que os guineenses têm de entender que para convencer a União Europeia a levantar algumas sanções tem de haver na Guiné-Bissau “um respeito escrupuloso pelos princípios da democracia, dos direitos humanos e da justiça”.

“Porque estamos no século XXI e África também está no século XXI. Já não estamos na década de 60, quando se faziam golpes e se matava com impunidade”, salientou.

O responsável pelo Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) considerou que o país vive talvez a única e última “janela de oportunidade” para que as elites política e militar se entendam, “depois de décadas de problemas, conflitos, ódios e desconfianças, que arruinaram o país”.

A comunidade internacional, disse, apoiará a Guiné-Bissau se houver uma vontade política séria de que haja eleições este ano e que seja constituído um governo credível e legítimo, seguindo-se depois uma também séria reorganização das Forças Armadas e de todo o Estado guineense.

O momento atual é “a grande oportunidade. Se essa oportunidade se perder as elites guineenses é que saberão explicar ao mundo e terão de tentar convencer para mais uma oportunidade, e mais outra. Mas do que eu sei da comunidade internacional esta é a última janela de oportunidade”, acentuou Ramos-Horta.

O responsável admitiu que tem sido difícil defender a Guiné-Bissau junto da comunidade internacional, de Abuja (Nigéria) a Bruxelas, de Lisboa a Nova Iorque, porque há “uma enorme falta de crença em relação à Guiné-Bissau”, embora alguns concordem que é necessário “dar outra oportunidade” ao país.

“Estou convencido de que vão dar, mas depende do que vai acontecer nos próximos meses”, disse.

6 Responses to Eleições na Guiné-Bissau este ano e sem interferências ou ameaças, defende Ramos-Horta

  1. Wrassa diz:

    Sr Ramos Horta com todo respeito,o sr devia preocupa em pressionar, os Governos a lutar contra Analfabetismo, melhor Saúde, e Descentralizar poder descongestionando os parasitas Políticos da cidade de Bissau, através da realização das Autarquias, ISTO SIM seria ajuda para Guineenses.Não Insultar as Tropas de um Pais Soberano, estes Analfabetos que querem mandar embora com manobras de Reformas, sempre foram aqueles desde tempo de luta, Sucessivos Governos de Políticos nunca pensaram em Exigir recrutas, porque ninguém queria seus filhos nos quartéis degradado, em condições desumana……Agora a Tuga faliu, se como o Governo anterior expor as nossas riquezas naturais na montra, aos abutres de Comunidade internacional, então aí Vamos ter Eleição a força e todo custo. Porque dentro dos Candidatos, a líder do Partido Ganhador, há um ou dois que tem contratos para ganhar eleição, os boletins pré-fabricados, que constituem primeira oferta da Antiga colónia, já tem o nome de vencedor, quer que não ganhe, assim quando a comunidade Internacional declarar as eleições livres, o prato fica feito.Tenha Paciência e respeitem a dignidade um Povo e afastem as jogadas sujas das coisas serias e deixem almas dos nossos avós reconciliarem os Guineenses. Obg

    • a guine bissau precisa de apoio da comunidade internacional quer financeira quer para envio de militares sob controle das nações unidas para repor a ordem no país, pois a guine não tem uma força militar republicana, mas sim uma milícia para semear o medo, intrigas e a morte. só a democracia nos salvará dos políticos corruptos.A VERDADE VOS LIBERTARÁ.

  2. N'tori Palan diz:

    (O responsável pelo Gabinete Integrado das Nações Unidas para a Consolidação da Paz na Guiné-Bissau (UNIOGBIS) considerou que o país vive talvez a única e última “janela de oportunidade” para que as elites política e militar se entendam, “depois de décadas de problemas, conflitos, ódios e desconfianças, que arruinaram o país”).

    Nao tenho a certeza se esta mensagegem sera perceptivel a todos guineenses, mas, a constatacao a que chego, e’ que, por enquanto as ONU nao se disponibilizarem a assumer a gestao adminitrativa efectiva do pais, as mensagens como estas serao apenas para entretenimento.

    O que foi feito de conjunto de sancoes impostas aos militares golpistas? O Antonio N’djai, por exemplo, e outros continuam a viajar por esta Africa fora, em claro desrespeito (com ajuda da CEDEAO) as restricoes que lhe foram impostas!

  3. Sr Ramos Horta,congratula- me com sua declaração a favor do povo guineense,acontrario dos outros que têm muita confusões emuitos ignorantes que nunca fizeram nada do bem para guiné e ainda estão pensando nas Autarquias. as eleições no país têm de ser este ano e sem interferências nem ameaças, que serão inaceitáveis, Porque estamos no século XXI e África também está no século XXI. Já não estamos na década de 60, quando se faziam golpes e se matava com impunidade”,e Guiné- Bissau nâo é Quintal de Sr ” Kumba Yala” seu palhaça, para continuar fazer filho de guinéBissau passar vergonha no Mundo fora ou nas cuminidades nos exteriores.

  4. nico diz:

    Os dirigentes guineenses na companhia dos militares têm pouca memória. Muitos dirigentes, ministros e secretários de estado que foram estudantes na Europa e até os graduados e licenciados do quadro militar sabem do que se passa nos países onde foram estudantes. O nome do pâís de origem neste caso “Guiné-Bissau” são mal vistos e os entraves são enormes quando é guineense.E como disse o Dr. Ramos Horta ”
    Se essa oportunidade se perder as elites guineenses é que saberão explicar ao mundo e terão de tentar convencer para mais uma oportunidade, e mais outra. Mas do que eu sei da comunidade internacional esta é a última janela de oportunidade”.
    Não se estranha quando este ano, por exemplo, todas as associações guineenses em Portugal, viram os seus pedidos de apoio financeiro ao ACIDI foram indeferidos e agora pergunta-se: O nome do país de origem influenciou pela negativa às associações de imigrantes e muitos deles com provas dadas de sucesso e crescimento do norte a Sul de Portugal.
    Precisamos virar a página e as mentalidades de todos os guineenses. Existem analfabetismo na Guiné mas nem todos são analfabetos, a verdade, é essa.
    Somos punidos pela má governação e pela corrupção que reina na Guiné-Bissau.

  5. rui manuel da costa diz:

    com respeito e admiração. GB é menbro da comunidade internacional, são os guineenses que deverão decidir sobre o seu destino e não outras pessoas e muito menos um simples representante do Secretario geral da UN.
    UNIOGBIS, tem problemas serios que o Sr. Ramos Horta deve resolver.

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