Opinião: Aliu Bari – Músico e Nacionalista Invicto

Por Norberto Tavares de Carvalho, Kôte

Aliu Bari: 1947 – 2013 (Músico e Nacionalista Invicto) [1]

 1.   Eu era um menino muito obediente

Por mais cargos públicos que tivesse desempenhado, Aliu Bari fará parte dos grandes músicos guineenses que escreveram com dedos hábeis e vozes de homens livres, a história musical do nosso país.

Autor, compositor insaciável e intérprete, com o José Carlos Schwarz e a mítica orquestra Cobiana Jazz, lançou os germes que permitiriam o brotar vivaço das músicas crioulas de protesto, nos anos setenta, na Guiné, hoje, Guiné-Bissau.

« Eu era um menino muito obediente e acostumado a levar recados e a executar pequenos mandados, assim convivia com os mais velhos e ouvia as suas conversas inteirando-me do que diziam. »[2]

Aliu Bari (1947-2013)

Aliu Bari (1947-2013)

Filho de Amadu Cunna Bari, comerciante e proprietário de talhos em Bissau e de Meta Djaló Bari, tintureira de panos de algodão, Aliu Djoqui Djaló Bari, nasceu em Bissau no dia 2 de Fevereiro de 1947. Fez os seus estudos primários e o Ciclo Preparatório do Ensino Secundário na mesma cidade.

Após o ciclo, frequentou o curso de admissão ao liceu, na escola do Sr. Gudifredo Vermão de Sousa, popularmente conhecido por Nhu Tata. Depois de ter terminado o curso de admissão ao liceu, o jovem Bari foi obrigado a implicar-se nos negócios do pai acabando finalmente por assumi-los totalmente com a morte súbita deste. Um casamento precoce obrigou-o a sedentarizar-se. E por razões evidentes ligadas à família, Aliu Bari não veio a concluir os seus estudos liceais.

“(…) eu não preciso do favor de ninguém, porque sei trabalhar. Aos 14 anos comecei a tomar conta da minha familia. Gosto de trabalhar.[3]

Ocupou-se da gerência do talho do pai e da venda de tecidos até à altura em que foi recrutado para o serviço militar que ele definiu numa das suas canções como a “Chamada para a tropa”.

Adepto do cantar crioulo, Aliu definiu o seu modelo musical desde madrugada. Não seriam as mornas e as coladeiras caboverdianas, nem as músicas angolanas, brazileiras ou norte americanas, mas sim um cantar de estilo próprio e não assimilado, o cantar crioulo que o caracterizaria.

Autodidata, influenciado pelas músicas africanas, Aliu começou a tocar só e sem nenhum reportório. A sua irmã cadete, Assanato Djaló Bari, ex-corista do Cobiana Jazz, lembra-se desse período em que o seu irmão furtava-se à escola, preferindo a companhia de um calebasso que ele cortara no meio e enfiara alguns elásticos que produziam sons monocórdios. Fora a sua primeira “viola”. Até que um vizinho o denunciou e foi confrontado com a voz roufenha do pai advertindo-o.

Não seria tãopouco com o Juca, o  caboverdiano que lhe mostrara os segredos da viola, nem com o Armindo Fonseca, outro caboverdiano com quem passara a ensaiar variedades musicais, que o Aliu realizaria a sua carreira de músico. Pois considerava que não era tocando e cantando músicas angolanas ou caboverdianas que iria concretizar o seu sonho.

Aliás, a sua teima em tocar e cantar de maneira exclusivamente crioula e guineense, levou-o a perder o afeto do seu amigo caboverdiano : “Mas o Armindo notava que eu não prestava muita atenção e até reclamava comigo quando começava a tocar  as minhas músicas em crioulo. Armindo aborrecia-se : Assim não podemos trabalhar!” [4]

E foi assim mesmo que, quando o Armindo, indigitado por um militar do exército português para formar um grupo musical, pôs simplesmente o Aliu de fora. “Fiquei muito aborrecido. Prometi que para o resto da minha vida nunca mais ía juntar-me com os meninos da praça.”[5]

A verdadeira revelação dar-se-ia quando ouviu pela primeira vez a música do senegalês Oussumane N’Baye, cantada em  crioulo de Casamança. Sorrateiramente, Aliu pegou na canção, virou-a a seu jeito e daí saiu o seu primeiro canto crioulo : “Badjuda di saia kurto”[6], choruda recompemsa, pois viria a ter larga aceitação no público.

 2.   A família do Zé Carlos não me via com bons olhos …

Em 1968, aos vinte e um anos de idade, os seus passos cruzaram-se com as de um outro jovem, brioso, em busca das mesmas emoções : José Carlos Schwarz. Os dois, com a participação decisiva de Ernesto Dabó, lançaram-se na tarefa ingente de fundar um grupo musical e apregoar, nas suas canções, o viver social e a causa da luta de libertação nacional.

Aparentemente, nada predestinava ao encontro dos dois jovens que tudo opunha : “ A sua família não via com bons olhos (…)  o filho com alguém da tabanca.(…) Mas depois a mãe dele acabou aceitando e  por gostar de mim, ela até ía visitar a minha mãe na nossa casa.”[7]

A cumplicidade dos dois jovens foi forjada pelo grande empenho que tiveram em definir um projeto musical próprio à sociedade e à cultura do país,  bem como próximo da massa popular em geral e da juventude em particular. Mas entre os dois e segundo o próprio Aliu Bari, houve momentos em que foi necessário esbater as arestas : (…) conhecemo-nos em 1968 (…) Ele manifestou que gostava também de cantar crioulo mas não tinha nenhum conhecimento em cantar crioulo. Tive que retirar-lhe todos os discos que ele tinha … (…) porque ele só tinha músicas de James Brown, Aretha Franklin, música de negros americanos. Eu disse-lhe : Olha, enquanto estás a ouvir essas músicas, nunca poderás interpretar outras obras.”[8]

Aliu confessa que o conceito não era novo, que houve músicos tradicionais, conhecidos por “Djidius”, que antes já tinham tido a inspiração crioula. Malam Camaleão (autor da célebre frase Bolta di mundo y rabo di pumba), M’Baramssam (di Djolakunda), Saco Djana, Serifo Danso e outros, já tinham demonstrado esses rasgos de inspiração.

Outras influências, não menos significativas, vieram de músicos da sub-região oeste-africana, do Congo e da cultura sul-africana. Aliu Bari disse ter-se banhado nas músicas de Kanté Manfila, de Bembeya Jazz, de Myriam Makeba, de Franklin Boukaka e de Rochereau, que constituíram o seu embrião.

Depos de definido o projeto musical, o duo, Aliu-Zé, deitou mãos à obra para criar canções que representariam as mais profundas aspirações das massas populares. Essa posição levou-os a concentrarem-se afoitamente nas atividades políticas e revolucionárias de Amílcar Cabral e do seu partido PAIGC.

Uma vez prontas as canções em crioulo, havia que partilhá-las com o público. As noites engravidavam-se de melodias e de letras e o parto era algo de esperado, iminente e sobranceiro.

O nascimento do ato musical deveu-se a um  largo concurso de circunstâncias. Nele constam : primeiro, o casamento de Aristides Barbosa, recentemente libertado da prisão do Tarrafal em Cabo-Verde, casamento festejado em casa do Momo Turé, outro ex-prisioneiro da PIDE [9]. “Foi um grande banquete… Os antigos presos do Tarrafal tinham um grupo cultural … Depois do almoço resolveram cantar as canções feitas naquela época e por fim deu-nos a oportunidade de cantarmos também. (…) Todos ficaram emocionados … Propuseram-nos criar um conjunto musical para fazer face ao projeto de Spínola com a sua “Guiné-Melhor”. [10]; segundo, a simpatia de Óscar Barbosa “Cancan”, jornalista, que ao escutar as cançôes do Aliu e do Zé, ofereceu-se espontâneamente para fazê-las passar nas antenas da rádio em que era locutor. “Fizemos a gravação na casa do Zé Carlos. (…) Usámos então uma maleta velha (…) como instumento de percussão. (…) O Dabó tocava percussão e o Zé Carlos e eu tocávamos viola e cantávamos.[11]; terceiro, as prestações do próprio Ernesto Dabó,  vocalista do grupo militar “Os Náuticos”, que lhe valeu um convite de Soares Duarte, responsável do programa radiofónico, “De manhã começa o dia”, para atuar com o seu conjunto na UDIB, convite que o Dabó, astuto e malicioso, apresentou inteligentemene aos seus colegas do futuro Cobiana Jazz. Era o sinal tanto esperado.

E foi assim que, em Dezembro de 1971/Janeiro de 1972, o Cobiana Jazz [12] dava o seu primeiro show na UDIB. Um sucesso fulgurante nunca visto na Guiné, hoje, Guiné-Bissau. Tanto mais que a atuação do grupo foi perturbada por cortes de luz deliberadamente provocadas pelas autoridades. O ato fundador tinha sido posto e no final do espetáculo um arreigado sentimento de orgulho apoderara-se do palco, contagiando todo o público.

A partir desse dia, a sociedade juvenil guineense convenceu-se decisivamente da sua verdadeira referência musical, que já vinha da ação dispersa de “Djidius” tradicionais, talentuosos e não menos aguerridos.

De sucesso em  sucesso, Cobiana Jazz, com o Aliu Bari e o José Carlos Schwarz como líderes, rodeados de músicos bem calibrados como o Duco e o Zeca Castro Fernandes, Rui Perdigão, Mamadu Bá, Rui Davyes e Samaké,  foi galvanizando a massa, evoluindo com a juventude, embebidos na cultura popular, vestimentária tradicional, estilo musical em perfeita simbiose e comunhão com o povo, mensagens aliciantes, consciência política, novo orgulho da sociedade nativa.

 3.   Não deixar a tropa colonial descansar nem um minuto

“Até que começámos a receber as bombas”.[13]

Cobiana Jazz adveio mais do que um conjunto musical. O simples verbo crioulo, só, já não respondia às aspirações dos seus dois percursores, o Aliu e o José Carlos.

“Tínhamos ouvido um discurso do Amílcar Cabral em que ele preconizava que não se devia deixar a tropa colonial descancar nem um minuto, que tudo deveria ser pretexto para perturbá-la.[14]

Então, sobretudo os dois, mais o Duco Castro Fernandes, resolveram dotar-se de germes que os transformariam  numa autêntica máquina subversiva e de guerrilha urbana. Bombas-relógio foram colocadas em lugares chaves como a Casa Gouvêa, a SOCOMI, o restaurante Ronda, etc., em Bissau.

A resposta das autoridades coloniais não se fez esperar, Cobiana Jazz foi milimetricamente infiltrada por agentes da PIDE/DGS.

Foi nesse período que o Aliu Bari deu mostras da sua generosidade lendária : sob proposta de Rafael Barbosa, Presidente do PAIGC na clandestinidade, Aliu aceitou compor uma canção para o general Spínola, Governador e Comandante-Chefe da Guiné, hoje, Guiné-Bissau “(…) para conquistar a sua boa vontade, ter uma certa proteção … Levei a gravação diretamente ao inspetor da PIDE … mas apesar de tudo, não adiantou.Fomos todos parar à prisão.[15]

Presos e condenados ao desterro na Ilha das Galinhas, Aliu e José Carlos desampararam o Cobiana Jazz que passou a navegar a contra-jeito, sem fio e sem rumo.

O Cobiana Jazz sofreu um golpe violento com a prisão dos seus principais protagonistas.

O próprio Amílcar Cabral denunciou nos palcos nacionais e internacionais, as prisões de Aliu Bari, de Duco Castro Fernandes e de José Carlos Schwarz e exigiu ao governo colonial português a sua libertação imediata.

Compositor prolífero de abastada inspiração, na Ilha das Galinhas, Aliu Bari continuou a produzir versos, na tenra melodia que lhe é conhecida. Sempre subindo no alto das vagas daquela ilha dos Bijagós, continuou a interrogar e a acusar as autoridades coloniais : “Nundé Sara? Nundé Saido? Nundé Idrissa?  Nundé Johnny? Nundé Djom Farim?” Onde se encontram estes jovens combatentes, guerrilheiros e clandestinos, presos e deportados na Ilha das Galinhas, por terem ousado fazer face ao colonialismo português? Podia-se interpretar a sua canção intitulada, “Na Kolónia”. Pergunta grave e profunda a martelar a consciência colonial nas suas últimas muralhas.

 4.   Nós dissemos às mulheres que limparíamos as suas lágrimas com o nosso sangue

25 de Abril de 1974 os “Tugas lembra durba sê governo…”[16]

Quando, no teatro das operações militares nas colónias, e sobretudo na Guiné, tudo  descambava para a derrota política e militar, oficiais do exército português, todos curtidos pelos temporais da Guiné, hoje, Guiné-Bissau, resolveram dar o golpe de estado que pôs termo à guerra colonial nos territórios administrados por Portugal.

Heróis incontestáveis, Aliu e Zé retomaram as suas atividades musicais, após a libertação. O Cobiana Jazz foi eleito au rang de Orquestra Nacional da nova nação ermergente, a República da Guiné-Bissau.

Na capital da nova república proliferaram músicos e grupos musicais. Bissau transformou-se num painel de canções.

Aliu Bari, gabava-se de se ter implicado pessoalmente na formação e no lançamento, nos palcos nacionais e no estrangeiro, de músicos da nova geração… por dever de ofício, acrescente-se. O maestro era feito de luz e de vontade.

Independentemente do facto de que os pioneiros da música guineense de protesto e de luta contra a injustiça social, acabariam por se separar, apesar das suas estadas  em Cuba onde estudaram a música já numa base mais convencional, Aliu Bari continuou a ser a verdadeira alma do Cobiana Jazz. Até que, em desacordo com o rumo que o país acabou por tomar, em 1980, o místico viola-ritmo do Cobiana, resolveu mudar de instrumento. Da viola passou ao amanho da terra e foi construir o seu rancho nos arredores de Buba.

“(…)…  cantámos “Mindjeres di pano preto”… e dissemos às mulheres que limparíamos as suas lágrimas com o nosso sangue … Isso agora é uma vergonha. Continuam a chorar ainda hoje. Estão a chorar mais do que ontem. (…). Por isso tenho esta ferida, esta dor no coração… “[17]

Que as novas gerações possam ouvi-lo e erguerem ainda mais alto este nobre desafio.

 ALGUNS TÍTULOS DO COBIANA JAZZ

por Aliu Bari

Badjuda di Saia Kurto

Chuduko

Nhu Rato

Pintcha Kamion

Virgilio N’Dalé

N’Dulé

Chamada pa tropa

Nô sinta na sukuro

Na Kolónia

Sol

Siti ku liti

Suzuki

Faromparia

Amigos ka bali

Zé Carlos na bim

N’dado noiba

Nha Mamé

Nô na bai si n’terro

etc., etc.

DISCOGRAFIA :

– José Carlos Schwarz et Le Cobiana Jazz, vol. 1.

– José Carlos Schwarz et Le Cobiana Jazz, vol. 2.

– Aliu Bari, Tributo ao Cobiana Djazz Nacional, Editora “Sons d’Africa”, Lisboa 1988.

Viola

Viola

  1. Cabeça, mão ou paleta.
  2. Pestana
  3. Cravelhas ou Tarraxas
  4. Trastes
  5. Tirante ou Tensor
  6. Marcação
  7. Braço
  8. Tróculo (Junta do braço)
  9. Corpo.
  10. Captadores
  11. Potenciômetros
  12. Cavalete (ou ponte)
  13. Protetor de tampo (ou escudo)

[1] Para mais informações, ler as entrevistas de Duco e Zeca Castro Fernandes, Óscar Barbosa, Rui Davyes e Aliu Bari, na obra de Moema Parente Augel, referenciada no presente e a “Biografia artístico-literária de Ernesto Dabó”(www.gumbe.com).

[2] Moema Parente Augel, Ora di kanta tchiga – José Carlos Schwarz e o Cobiana Djazz, Coleção Kebur.

[3] Entrevista a Aliu Bari de Christoph Kohl M.A., Ntama, Journal of African Music and Popular Culture.

[4] Moema Parente Augel, op.cit

[5] Idem.

[6] Entrevista a Aliu Bari de Christoph Kohl M.A, op. cit.

[7] Moema Parente Augel, op.cit.

[8] Entrevista a Aliu Bari de Christoph Kohl M.A, op. cit.

[9] Polícia Internacional e de Defesa do Estado, a Secreta portuguesa da altura.

[10] Moema Parente Augel, op.cit.

[11] Idem.

[12] Para batizar o grupo, muitos nomes foram propostos. Aliu Bari avançou com o de “Cobiana”, uma localidade situada no norte da Guiné, onde segundo dizeres, existe um ser divino, denominado Irão, temível pelos poderes que lhe foram atribuídos. Pelo seu significado mítico, o nome acabou por ser adotado pelos restantes  membros do grupo.

[13] Moema Parente Augel, op.cit..

[14] Idem.

[15] Moema Parente Augel, op.cit…

[16]  « Os portugueses decidiram derrubar o seu governo.”

[17] Entrevista a Aliu Bari de Christoph Kohl M.A, op. cit.

 

**Nota do Editor: as opiniões aqui expressas são da inteira responsabilidade de cada autor e não reflectem necessariamente a linha editorial da GBissau.com.

12 Responses to Opinião: Aliu Bari – Músico e Nacionalista Invicto

  1. Filomeno Pina. diz:

    Excelente artigo de Norberto Tavares de Carvalho (Kôte), esta memória escrita/afectiva, trazida até nós por este irmão (Kote), num olhar atento e com sensibilidade narrativa, sublinha a grandiosidade do talento persistente e espírito revolucionário, patentes no Camarada ALIU BARI. A sua cultura pessoal e convicção politica de sempre, que não deixa dúvida, no seu carácter, na personalidade e espírito de liderança, concentrados no nosso – ALIU BARI – músico compositor, letrista, interprete e fundador do lendário Cobiana Djaz, Orquestra Nacional da Guiné-Bissau Anos/70, uma realidade que o Povo Guineense é testemunha, Ele deixou uma vida e obra, dedicada a amar e a proteger a nossa Guinendade, até ao último dia da sua vida…, que Deus lhe dê eterno descanso e Glória, paz a sua alma, e até amanhã Camarada.
    Djarama Kote, por esta partilha… Abraços. Filomeno Pina.

  2. NHOMBA diz:

    Um obrigado ao Kôte, por esta mais que merecida “memória despertante” ao Aliu Bari – um mito da nossa história sócio-cultural. Só quem o conheceu de perto sabe a estrondosa falta que este bastião faz à dinâmica da nossa sociedade.
    O comentário oportuno, curto mas não menos profundo do nosso Filomeno Pina, veio não só condimentar um pouco mais esta honorável memória, como também expressar a tristeza que neste momento nos invade. Descansa em paz, Aliu, em nós e nas nossas músicas estarás sempre presente.
    À família enlutada um forte e solidário abraço. NHOMBA

  3. Nhu Kôte!
    Como sempre, estahs em faze com a tua natureza que sempre foi de aprender com os outros, e reconhecer o valor de cada um, no interesse colectivo. Fizeste um trabalho de recolha de dados muito impressionante, bravo.
    Obrigado pela diligência e empenho, e que a noite faça rapidamente lugar ao dia, tanto no paîs, como no seio da nossa comunidade espalhada pelo mundo fora.
    Estamos juntos para que a Cultura através do seu vector musical, continue sendo nossa estrela polar.
    Vosso sempre, Sidô

  4. Eugène TAVARES diz:

    Visto os comentarios, penso que O Maestro Aliu Bari merece mais do que comentarios e artigos, uma iniciativa qualquer de homenagem. Vamos refletir.

  5. Foi o próprio meu amigo Norberto, Kote, que me enviou este seu artigo. Gostei de conhecer este aspecto, para mim desconhecido, da luta de libertação do povo da Guiné.
    Obrigado, Norberto

  6. COSY diz:

    Gostei muito da forma da narração deste brilhante artigo e que me deixou quase com lagrimas nos olhos em constatar que um dos sonhos destes grandes homens que é de “cantámos “Mindjeres di pano preto”… e dissemos às mulheres que limparíamos as suas lágrimas com o nosso sangue … Isso agora é uma vergonha. Continuam a chorar ainda hoje. Estão a chorar mais do que ontem”. Este é um grande apelo para todos nos e sobre tudo os nossos governantes para limpar as lagrimas de uma vez por toda das nossas mulheres que continuam até agora a chorar. Que Deus abençõe a Guiné-Bissau!!

  7. nico diz:

    Por incrível que pareça, o Sr. Kôte como era conhecido em tempos, era da PIDE/DGS. Será que esse Sr. nunca esteve infiltrado no seio so Alui Bari e José Carlos para informar aos Tugas o que dois faziam? Constava que sim e entre os jovens na altura ouvia-se frequentemente esse relato.
    No entanto, as informações aqui expostas revela o caminho traçados por esses dois músicos em prol da cultura guineense no âmbito da música Ngumbé da Guiné-Bissau.

  8. nico diz:

    Por incrível que pareça, o Sr. Kôte como era conhecido em tempos, era da PIDE/DGS. Será que esse Sr. nunca esteve infiltrado no seio so Alui Bari e José Carlos para informar aos Tugas o que dois faziam? Constava que sim e entre os jovens na altura ouvia-se frequentemente esse relato.
    No entanto, as informações aqui expostas revela o caminho traçados por esses dois músicos em prol da cultura guineense no âmbito da música Ngumbé da Guiné-Bissau.
    Agradeço a quem conhece esse Sr. kôte que confirma ou desmente o que eu disse dele, o que fazia e o que fez na juventude.

  9. Eugène TAVARES diz:

    Sr Nico, a vida é feita de mito e de realidade. Dizer que o Sr Kôte pertencia à PIDE/DGS, para mim, é um mito. A realidade é que o Sr Kôte foi um resistente desde a sua juventude. Pelo menos é o que eu sei. Deixemos o debate aos historiadores.
    Não acredite sempre e sem discernamento aos rumores, é muito perigoso.

  10. Mamadu Lamarana Bari diz:

    Koti

    Como sempre, um grande cronista e biógrafo nato, para quem não conhecia ou sabia sobre Aliu Bari e Cobiana Djazz a sua crônica sobre o nascimento de um músico genuíno guineense e do conjunto que ajudou fundar não só fez viajar no tempo, mas também deixou bastante emocionado, sobretudo eu, parente e menino de mandado e de todos os colegas da geração dele no Pilum de baixo, que acompanhou em tempos o caminhar dele no bairro em que residíamos. Glória Eterna ao Aliu Bari, José Carlos, Zeca Castro Fernandes, e tantos outros que com eles construíram e trilharam o caminho da liberdade através de músicas de protesto em crioulo. O despertar revolucionário de muitos jovens da nossa geração adveio destes bravos lutadores. Felizmente ainda nos resta Bah Dabó e você Koti para nos contar histórias sobre a Guiné dos anos 60 e 70. Eu me criei no caldeirão da revolução (Pilum de baixo e de Cima), sobretudo no de baixo.Acompanhei a passagem de muito políticos e nacionalistas da época em casa do Momo Turé (João Rosa, Rafael Barbosa, Ladislau Justado, Carlos SAMBÚ,Aristides Barbosa, Chico Dias, etc.). Escutava conversa de garandis na calada da noite sobre as reuniões na casa de Momo Turé e de reuniões na Granja de Pessubé, inclusive a última que fizeram com Amilcar Cabral. Pois é Koti, temos muito que te contar para deixar registrado. Na minha próxima passagem pela Suíça, não voltarei sem falarmos. Um abraço

  11. APaulo diz:

    Caro Kôte!

    Valeu a pena descobrir, nesta coluna, embora só agora, o que acabo de ler sobre o nosso saudoso Aliu Bari.Soube, pela comunicação social, do seu falecimento que me deixou muito entristecido. Como autor destas humildes linhas, queria, apenas, assinalar estes dois momentos: (1)A última vez vez que estive contigo, foi em tua/vossa casa em Geneve, nos idos anos da década de 90, à margem de uma das Assembleias Mundiais da Saúde da Organização Mundial da Saúde (OMS) em que eu fazia parte da delegação da saúde. Veio-me à memória o nosso trajecto em direcção à tua/vossa residência, ouvindo uma boa música guineense graças à sonoridade que a qualidade do leitor da tua viatura nos propiciava. Espero que estejas bem e sempre ao lado dos teus;

    (2)Tive a grande sorte de estar, pela primeira vez, com o Aliu Bari em Buba, durante o Carnaval de 2010. Após os cumprimentos de praxe, convidou-me para visitar o seu exíguo gabinete de Administrador, com computador e impressora, tudo muito bem arrumado. Depois do almoço, sentámo-nos de costas viradas para o prédio de Administração à espera do desfile dos carnavalescos, mas que não chegou a realizar-se, tendo o próprio Aliu Bari explicado as subjacentes razões: na edição anterior, ocorreu um acidente com a viatura que transportava os jovens e muitos ficaram feridos, alguns com alguma gravidade, mas sem o devido apoio por parte de quem de direito. Por isso, na edição de 2010, os pais entenderam, por unanimidade, proibir a participação dos seus filhos. Sem desfile, tive todo o tempo e prazer de conversar com o Aliu Bari. Confesso que não senti o cair de “fusca-fusca” tal era o mergulho nas profundezas do mundo guineense em que Aliu me levou. Como é que ele leva tudo isso para o Além? Não dá para ser contado neste espaço. O que o Kôte tentou trazer, e fê-lo bem, demonstra o quanto a nossa geração, sobretudo nós da antiga Escola Técnica, Kôte incluído, sem excluir os nossos queridos irmãos e vizinhos do “outro lado”, os do Liceu Honório Barreto, tem referências. Precisamos apenas de invocá-las, mais vezes em circunstâncias e formatos à altura delas.

    Obrigado Kôte por tê-lo feito. Temos que valorizar a nossa memória colectiva, boa e má. O Aliu Bari não morreu, pois as suas obras existem e para sempre!!!

    Um grande abraço
    Augusto Paulo
    Petrópolis
    Rio de Janeiro
    BRASIL
    E-mail: augustopaulo2@yahoo.com.br

  12. Francisco Rene Moreira diz:

    Bom dia! Sou brasileiro, estudante de mestrado da Univ. do Estado do Amazonas em Literatura da Guine-Bissau. No momento estou investigando sobre a poética de J. C. Schwarz e A. Bari. Preciso das músicas desses que falam sobre a mulher como também o papel da mulher na guerra e na construção da Guiné-Bissau como nação. Se vocês tiverem alguma coisa este é meu e-mail; marefo777@yahoo.com.br. Muito obrigado. Renê Moreira, 25/10/2016

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