Homenagem à “Djidiu Garandi di Povu”, Aliu Barri – “Bon fidjus kata diskisidu”

Por Nataniel Sanhá (nataniel005@hotmail.com)

Homenagem à “Djidiu Garandi di Povu”, Aliu Barri

“Bon fidjus kata diskisidu”

No passado dia 19 do corrente, o todo soberano e dono da vida, recoperou a vida que tinha emprestado aquele que foi um um grande revolucionário, combatente de liberdade da pátria, músico (djidiu garandi), um dos pioneiro da música moderna guineense e político, a quem respondia pelo nome do Aliu Barri.

Não tinha conhecido por muito tempo, assim de perto Senhor Aliu Barri. Primeiramente o conhecí pelas suas lindas canções, poêticas e de intervenção sobre o contexto socio-político da Guiné-Bissau, através das rádios do país. Depois o conhecí como um combatente de liberdade da pátria, pelos seus trabalhos de clandestinidade, de mobilizações e de acções de sabotagem, que fizeram em Bissau. Por consequência disso sofreu prisão no Ilheu de Galinha (Djiu di Galinha). Por fim, o conhecí como homem da política, principalmente pelo cargo político que ocupou há pouco tempo.

Entretanto, tivi a oportunidade de o conhecer pealmente, e de trocar impressões com ele algumas vezes, ao encontrarmos nas atividades culturais e outras relacionadas a luta de libertação nacional, no Centro Cultural Brasil Guiné-Bissau (CCBGB) e no Centro Cultural Português em Bissau.

E eu, sempre depois dos tempos dessas atividades, no momento para cocktail, nem o dava tempo para tomar nada, pegava ele com conversas, ouvindo os seus conselhos, os lamentos e manifestando as suas decepções que tem com alguns camaradas da revolução para libertação do país, donde participou, arriscando a sua vida e mocidade com os outros camaradas seu.

Cerimónia de premiação do Concurso Literário José Carlos Schwarz no dia 16 de Dezembro de 2010, no CCBGB

Cerimónia de premiação do Concurso Literário José Carlos Schwarz no dia 16 de Dezembro de 2010, no CCBGB

Lembrei que, uma vez, no dia 16 de Dezembro de 2010, no CCBGB, na cerimónia de premiação do Concurso Literário José Carlos Schwarz, da edição do mesmo ano, foi quando tiramos a foto em cima. Nesse evento, logo após a cerimónia, o abordei matando as minhas curiosidades e exclarecendo algumas dúvidas, e quando foi pegar água para tomar, não tem mais água fresca, daí tinha que tomá-lo assim. Mas, ele sempre mostrava disponibilidade para conversar com a juventude, por isso, sempre que o abordava, tanto eu sozinho, assim como com os amigos, ele atendia a vontade e infatigavelmente. Pode não gostar do seu geito franco e frotal de abordar ou interpretar as coisas, até das suas convicções políticas ou filosóficas, mas, o que percebí dele, é que não sabe ser fingido e simulado em manifestar os seus sentimentos e as suas convicções políticas e filosóficas a que tem credo.

Aliu Bari, como muitos outros combatentes, outros jà falecidos, outros ainda de vida, tentaram para não trair os sagrados princípios que os mobilizaram para envolver na luta, que é para ver o seu povo livre e independente do jugo colonial. Essa liberdade que não só limitava que o seu povo tenha um território próprio e autônomo formalmente reconhecido pelo mundo, mas, é também a liberdade e independência económica e garantir o bem estar social do seu povo, como o Amilcar Lopes Cabral os bem ensinou.

Portanto, podemos considerá-lo um bom combatente discípulo, pois assimilou bem os conceitos que assumiram como a causa da luta de libertaçao colonial, também, um bom combatente profissional, pois sempre foi leal aos princípios que os levou a luta.

Prova disso, é que absteu-se dos escandalos que os nossos ditos combatentes desgraçados, infelizes e interesseiros vieram a envolver nele na praça (Bissau) depois de sairam do mato.

“Nbe! Ma Aliu nan i po di bardadi, nin na iagu i ka bida lagartu ku fadin nan tubaron pa kumenu pis.”

Combatente, Djidiu di povo, Aliu Barri combateu muito bem o seu combate, e chegou a sua vez, na chamada do todo poderoso, e foi ao descansar eterno junto dos outros bons camaradas e combatentes. A sua coragem, vontade e didicação para ver e fazer bem ao seu país e à seu povo, será um indelével exemplo para todos os verdadeiros filhos da nossa querida mamãe, Guiné-Bissau. Pelo que também, nunca será esquecido na nossa história.

Nesses momentos de dor e tristeza, endereço minhas sentidas condolências à familia em lutada, e que “Alá” proporcione um bom repouso à sua alma.

̎Bon fidjus kata diskisidu. ̎

 

Aliu, kombatenti di povu.

Ndule ndule tcha ku mama.

Nudadi oh!

Koitadi i gustu di djoto,

Kadjirba di belen cupa,

Nfala sinta bu pera.

 

Kuma estin bai!

Sin un kaneka di iagu pa frianta pitu,

Sin siti ku liti ku kubamba pa sara noiba,

Nin ika mati dia di Paulo Nanque,

Ku lundjusi inda sin.

 

Pa ke nhu ratus ku sinhoris djintons ingratus,

Misti padjiganu moransa.

Son fama ku intchi elis kabesa,

Toku e pui nan dus mon pa kume,

Saias bonitu, dinheru mangadel, kasas noku ku karus finu, tudu i diselis,

Son na nomi di mudansa, ki nin no pubis ka kunsi.

 

Ali ena puntanu si no pensa nan aos kana bin tchiga?

Ma nona ruspundi elis:

Si nos e pensa nan kuma aos kana pasa.

 

Nes se mandjuandadi di kibini kibini,

No kana mati la,

Nin na se mandjuandadi di kume kume,

No kana kunsidu la, pa ke anos i ka di la.

 

Ku boka kaladu,

Nona bata pintcha,

Suma pé di bisilon,

Asin ku NHOR DEUS na firmantanu lua.

Ninku fugu ka ten, no arus na kusidu.

 

Djidiu garandi di povu,

Diskansa djuntu ku utrus kamaradas,

Suma ku bo dita sin di kosta,

Bobata bisianu,

Anos ku sinta inda na kolonia.

 

Matchu, bu paga bu kinhon.

Asin ki luta!

Florianópolis, Brasil, 20/07/2013

  Autor: Nataniel Sanhá (Velho)

 

Viva Guiné-Bissau!

Viva unidade nacional!

 

Un dia no kabas na sabi.

Nataniel Sanhá

 

**Nota do Editor: as opiniões aqui expressas são da inteira responsabilidade de cada autor e não reflectem necessariamente a linha editorial da GBissau.com.

One Response to Homenagem à “Djidiu Garandi di Povu”, Aliu Barri – “Bon fidjus kata diskisidu”

  1. Jair Costa diz:

    Lindo texto, gostei.

    Muito bom reconhecermos os bons exemplos dos filhos da nossa querida mamãe Guiné.

    Para mim Aliu é mais do que um simples musico de intervenção, é mais do que um simples combatente da liberdade da pátria. Mas sim, é um grande patriota e um bom filho da Guiné-Bissau.

    Portanto, que a sua alma tenha um bom repouso.

    Jair Gomes

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