Reportagem: PRT Manuel Serifo Nhamajo discursa na Assembleia Geral da ONU

Nova Iorque (GBissau.com, 26 de Setembro de 2013) – “Eu venho de um pequeno país, situado no extremo-ocidental da costa de África, um país pobre, mas que não perdeu a esperança de construir, na paz, o progresso a que tem direito.”

E este país é a Guiné-Bissau. E o seu Presidente de Transição subiu esta tarde o palco das Nações Unidas para discursar perante os delegados da 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU.

Para Manuel Serifo Nhamajo, a Guiné-Bissau continua a acreditar nas Nações Unidas. Aliás, foi aqui o lugar onde o líder histórico do PAIGC, Amílcar Lopes Cabral, solicitou ineditamente ao concerto das nações, o reconhecimento incondicional das independências da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.

Hoje, passados 40 anos desde a independência da Guiné-Bissau, o actual Presidente interino, Manuel Serifo Nhamajo, serviu-se da ocasião para lembrar aos presentes sobre o papel da “solidariedade internacional” nos tempos de outrora, mas sobretudo pedir a reconstrução das mesmas “fundações de solidariedade que no passado ligaram” os povos do mundo.

 

Mas, reconhecendo os problemas crónicos da Guiné-Bissau, Serifo Nhamajo lançou um apelo:
“A pessoa que Vos fala neste preciso momento, subiu a esta tribuna para pedir a vossa paciência, solicitar a vossa compreensão”.

E esta aparente “falta de paciência” tem a ver com o golpe militar de 12 de Abril e Serifo Nhamajo estava ciente sobre as preocupações da sua audiência. E em jeito de resposta fez um esclarecimento mundial: “…passe a imodéstia, eu sou um democrata por convicção amadurecida, que nunca foi golpista, nem mandante de acções golpistas”.

Mesmo assim, Nhamajo sentiu-se obrigado a explicar o acontecido de uma forma detalhada para depois perguntar “que fazer”? Entre várias opções possíveis, no ponto de vista das autoridades de transição, o PRT disse ter apostado no “restabelecimento progressivo da ordem constitucional”.

E com isto, nas suas palavras “foi possível prevenir derrapagens políticas que, caso tivessem tomado corpo e consistência”, a Guiné-Bissau “teria entrado numa aventura político-militar de consequências imprevisíveis”.

Serifo Nhamajo destacou, nesta ordem de ideias, as contribuições dos organismos internacionais, nomeadamente a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) que “assumiu todas as suas responsabilidades na gestão do acordado Período de Transição”.

Um período que já “entrou no bom caminho”, sublinhou Manuel Serifo Nhamajo, para depois alertar de que “o que resta ainda por fazer não é pouco” porque falta ainda “garantir o financiamento de um processo eleitoral que se quer eficaz e transparente, cujo pressuposto base é, como se sabe, o estabelecimento de cadernos eleitorais fiáveis, algo que só se consegue por via de um bom recenseamento ou registo eleitoral.”

Lá para além do ponto de situação da Transição política na Guiné-Bissau, o PRT falou dos Objectivos do Desenvolvimento do Milénio, tendo sublinhado “progressos moderados” na Educação, na Saúde, nas políticas de igualdade de Género, na luta contra a Pobreza, nas políticas de Ambiente viradas para o Desenvolvimento Sustentável, entre outros, mas “ficaram bastante aquém dos níveis satisfatórios”.

Serifo Nhamajo afirmou que o país irá fazer tudo para diminuir substancialmente a pobreza, que ele apelida de uma “armadilha”. Mas aquela que parece ter capturado mais a atenção dos participantes é a outra “armadilha” — a da instabilidade política.

No âmbito global, — e porque o povo guineense “nunca foi alheio à evolução da conjuntura política internacional”, — o Presidente da República de Transição falou, entre outros, das próximas eleições na vizinha República da Guiné, do Mali, do Egipto, da Síria, Médio Oriente, da causa Palestiniana e dos ataques terroristas na Nigéria e no Quénia, “animados por um radicalismo que tem provocado tantas vítimas em nome da intolerância religiosa”.

E no quadro das outras solidariedades, Manuel Serifo Nhamajo destacou o papel dos países como a China, a França, a Espanha, cujas presenças no país têm sido muito importantes para os “esforços de normalização política” na Guiné-Bissau.

Mais o maior apreço foi para o Timor Leste, isto por ser um dos países membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. “As autoridades de Timor perceberam uma coisa muito simples, e que é esta: apoiar um processo institucional de normalização política não é a mesma coisa que apoiar um golpe militar, antes pelo contrário”.

E por isso mesmo, Serifo Nhamajo disse querer que o comportamento timorense fosse um modelo de cooperação entre a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa. O PRT aproveitou para manifestar o seu desejo de “ver restabelecida a plena normalidade das nossas relações que é do interesse dos nossos povos e do nosso Estados soberanos”.

Por fim, o Presidente da República de Transição felicitou o apoio da Nações Unidas, na pessoa do seu Representante Especial na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta.

 

 

6 Responses to Reportagem: PRT Manuel Serifo Nhamajo discursa na Assembleia Geral da ONU

  1. Gibril cande diz:

    Parabens a guine bissau e parabens a PRT M.S.Nhamajn um homem da Paz bem haja

  2. SOMOS DEMOGRÁTICOS? NÓS RECORREMOS A POLÍTICA COMO UM DOS MEIOS PARA NOS SERVIR A NÓS MESMO(EU). ENQUANTO QUE O POVO DESSANRASCA! É PRECISO QUE HAJA UMA MUDANÇA DE MENTALIDADE NOS ELITES POLÍTICOS SOBRE SER “POLÍTICO” E SER “DEMOGRÁTICO”. O POSICIONAMENTO DA COMUNIDADE INTERNACIONAL EM RELAÇÃO AOS ULTIMOS ACONTECIMENTO É DE EXTREMA IMPORTÂNCIA PARA A ESTABILIZAÇÃO POLÍTICA E MILITAR DA GUINÉ-BISSAU. «A CRIANÇA QUE NÃO FOI BEM EDUCADO EM CASA A SOCIEDADE O EDUCA» «A VERDADE VOS LIBERTARÁ»

  3. diogo gomes diz:

    Sr PRT nunca ninguem pode esconder a perda de sangue do seu corpo tapando-o com um pano branco !!! Seria uma autentica ignorância.

  4. MB diz:

    E em que dia discursa nhô Cadogo, o vilão que vai à Assembleia Geral da ONU com visto de negócios?!

  5. O Patriota Novo Combatente diz:

    Um bom dircurso do PRT.
    Guineenses devemos respeitar o nosso Estado (mesmo erros) e as instituições da república e isso passa necessariamente pelo respeito às pessoas que ocupam as altas funções de Estado independentemente de quem são elas… Só assim podemos dignificar o nosso país… Cada um de nós deve ser um embaixador/diplomata do país tanto dentro de país como fora dele

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