É “prematuro afirmar que vai haver uma alteração da data” de eleições – Representante da União Africana

Bissau (GBissau.com, 4 de Outubro de 2013) – O Representante Especial da União Africana na Guiné-Bissau disse hoje, numa entrevista à GBissau.com, não ter indicações precisas por parte das autoridades de transição, sobre o possível adiamento das eleições legislativas e presidenciais.

Para Ovídeo Pequeno, é “prematuro afirmar que vai haver uma alteração da data” inicialmente marcada para 24 de Novembro do ano em curso, enquanto não tiveram lugar “consultas internas que envolvam tanto o Presidente da Republica de Transição, como a própria CEDEAO”.

De acordo com as autoridades de transição da Guiné-Bissau – embora a data de eleições ainda se mantém inalterada — já existem sinais claros que o escrutínio será adiado por falta de verbas. Mas, para o Representante da União Africana, “a comunidade internacional só pode financiar uma operação com o conhecimento de causa justificada sobre o valor que ela própria acredita ser possível para realizar eleições num determinado país”.

A preocupação de Ovídeo Pequeno vai ao encontro com a crescente desconfiança em relação ao montante projectado pela Comissão Nacional de Eleições para a organização do escrutínio, que ronda uns 20 milhões de dólares.

Embora evite o uso do termo “exagerado”, Ovídeo Pequeno disse “não bastar apenas abrir o cofre e entregar o dinheiro” para abrir o caminho para o processo eleitoral. Para o diplomata da União Africana, qualquer financiamento exterior terá que ser “na base de um programa e de um orçamento consensual a nível nacional” e que seja também “credível, fiável e transparente”.

Para o antigo Representante Permanente de São Tome e Príncipe nas Nações Unidas, é preciso “reduzir tanto quanto mais possível” o orçamento da CNE “para dar credibilidade ao processo de procura de fundos junto da comunidade internacional”.

Ovídeo Pequeno anunciou, no entanto, as intenções da União Europeia, das Nações Unidas e da CEDEAO para financiarem o processo eleitoral.

Para muitos analistas e políticos guineenses, qualquer atraso na organização das eleições poderá obrigar o prolongamento do período de transição, cujo fim está previsto para 31 de Dezembro de 2013, uma meta estabelecida pela CEDEAO. Nesta matéria, Ovídeo Pequeno disse que esta decisão caberá aos guineenses porque “a comunidade internacional está na Guiné-Bissau para ajudar, não para ditar ou impor”.

Ainda durante esta entrevista, o Representante da União Africana abordou as questões da estabilidade nacional e da CPLP. “Há uma certa acalmia comparativamente aos tempos anteriores”, observou Ovídeo Pequeno, embora reconheça “alguns sobressaltos” que terão causado num passado não muito distante, “momentos de grande agitação e preocupação por parte da comunidade internacional”.

Quanto à Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, Ovídeo Pequeno disse existir neste momento “um grande esforço no sentido de acompanhar mais de perto o processo politico de transição” no país.

Instado a pronunciar sobre o seu ponto de vista sobre os problemas que têm assolado a Guiné-Bissau nos últimos 40 anos, Ovídeo Pequeno interroga-se: “Se na luta de libertação Nacional a Guiné-Bissau era respeitada, então não se compreende porque criando-se um Estado, a Guiné-Bissau não é respeitada”.

Para ele, a reposta cabe aos guineenses e não à comunidade internacional. Ovídeo Pequeno reconhece ter existido uma “grande desconfiança entre os políticos guineenses”, mas “é preciso que os guineenses se reencontrem, que se dialoguem, que se reconciliem” rumo ao desenvolvimento.

Mas antes, na sua opinião, é preciso ter a estabilidade e uma visão clara sobre “a dimensão daquilo que é o Estado,” concluiu Ovídeo Pequeno.

 

Nota do Editor: A entrevista será emitida na sua íntegra na Rádio Gumbé, no dia 6 de Outubro e será depois publicada aqui na GBissau.com

 

One Response to É “prematuro afirmar que vai haver uma alteração da data” de eleições – Representante da União Africana

  1. upelu kituk diz:

    A verdade è que os diplomaticos tem reservas na suas linguagens ou declaraçoes. Mas é bem claro que nem por arte de magia vai ser possivel a realizaçao do escurtinio transparente e credivel na GB nessa data marcada pelo prt.
    KILIS KU SINTA NA PODER É KA MISTI LARGAL, PA BIA KUMA È KANA BALI SÈ KABEÇA DIA QUE SAI LA.
    Problema da GB nao è so por culpa dos militares mas sim da nossa classe politica Corrupta e inepta.

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