“Espancamento de Ministro de Estado Orlando Viegas teve razões partidárias” – José Ramos-Horta

 “…quando algum político directamente se envolva em actos de brutalidade e de violência física ou mesmo da violência verbal, deixa perguntas no ar, dúvidas no ar, em relação à sua idoneidade, à sua competência, à sua serenidade em governar o país”. 

Bissau (GBissau.com, 21 de Novembro de 2013) – O ministro de Estado do governo de transição guineense encontra-se internado num dos hospitais em Portugal, revelou o Representante Especial das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, numa entrevista exclusiva com a GBissau.com.

Orlando Mendes Viegas, o titular da pasta dos transportes e das telecomunicações, foi brutalmente espancado por um grupo de indivíduos não identificados, na noite do passado dia 5 de Novembro, na sua residência no Alto Bandim, em Bissau. Nas horas que se seguiram, Orlando Viegas viria a ser socorrido na clínica do PNUD, onde permanecera até à altura da sua evacuação.

Como em todos os recentes casos de violações dos direitos humanos após o período pós-golpe de 12 de Abril, as suspeitas iniciais apontavam para o possível envolvimento dos militares guineenses. Mas, esta semana, o Representante da ONU no país veio ao público desmentir esta tese. Pelo menos no caso de Orlando Viegas, a explicação é outra: as tensões partidárias de natureza interna:

“O espancamento do ministro dos transportes, que nós saibamos, não tem nada a ver com os militares e muitas vezes incidentes que acontecem neste país apontam o dedo aos militares. Na verdade é que há grupos armados dos partidos, grupos armados tipo “freelancers” e há uma situação que deixa muito a desejar em termos de fazer cumprir a lei e a ordem.”

Orlando Viegas é um dos cinco vice-presidentes do Partido de Renovação Social, um cargo assumido depois do IV Congresso do PRS que teve lugar em Dezembro de 2012. Durante esse fórum máximo da segunda formação política guineense, o PRS elegeu Alberto Nambeia, como o seu novo Presidente, depois da desistência do líder histórico daquele partido, Kumba Ialá.

Mas, de acordo com muitos observadores políticos guineenses, tem existido grandes tensões dentro do PRS, resultantes dos diferentes pontos de vistas entre os apoiantes do ex-presidente do partido, Kumba Ialá e os da nova liderança de Alberto Nambeia.

No pano de fundo deste conflito interno, adiantam os mesmos analistas políticos, a escolha do próximo candidato presidencial por parte do Partido da Renovação Social. Mas, o PRS continua a não confirmar ou desmentir esta tese. Todavia, dias depois do espancamento de Orlando Viegas, aliás uma figura que foi indigitada pelo PRS para fazer parte do actual governo de transição, esta formação política ameaçou abandonar o governo caso não hajam explicações credíveis sobre o caso.

Entretanto, foi no sentido de apaziguar a tensão dentro do PRS que José Ramos-Horta promoveu recentemente um encontro com Kumba Ialá. No ponto de vista do representante da ONU, o ex-presidente da Republica “tem um papel importante neste pais e dai encontrei-me mais uma vez com ele para lhe fazer um apelo para a sua contribuição para o apaziguamento da tensão entre a família guineense e ele afirmou solenemente que só lhe interessa a paz e tudo fará para assegurar a paz, a unidade entre os guineenses”.

Ramos-Horta disse esperar e acreditar no empenho de Kumba Ialá em prol do país e para “ao mesmo tempo resolver o problema interno no PRS que resultou no espancamento do ministro”.

Para o representante da ONU, o espancamento de Orlando Mendes Viegas é “uma situação totalmente inaceitável e que em nada credibiliza aqueles que estão por detrás daquele acto”. Ramos-Horta foi ainda mais longe: “quando algum político directamente se envolva em actos de brutalidade e de violência física ou mesmo da violência verbal, deixa perguntas no ar, dúvidas no ar, em relação à sua idoneidade, à sua competência, à sua serenidade em governar o país”.

Para Ramos-Horta, é de interesse de todos, os guineenses e a comunidade internacional, encontrar formas de resolver a crise política na Guiné-Bissau e devolver a credibilidade ao país.

Oiçam a parte da entrevista com José Ramos-Horta sobre o PAIGC, PRS, os militares guineenses e o espancamento de Orlando Mendes Veigas 

Oiçam a entrevista de Ramos-Horta na sua íntegra no próximo Domingo, na Rádio Gumbé, nas seguintes horas: 

12H00 – EUA (Zona Leste) 
17H00 – Bissau, Lisboa, Londres 
18H00 – Paris 

http://www.gumbe.com

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