“Guiné-Bissau deixou de ser um ponto de trânsito importante na rota de tráfico de droga” – José Ramos-Horta

Bissau (GBissau.com, 23 de Novembro de 2013) – Nos últimos doze (12) meses, a Guiné-Bissau deixou de ser um dos pontos importantes de trânsito de droga de América Latina para a Europa. As afirmações são do Representante Especial das Nações Unidas na Guiné-Bissau, numa entrevista exclusiva à GBissau.com.

Também de acordo com José Ramos-Horta, o movimento de traficantes de droga dentro da Guiné-Bissau baixou muito significativamente nos últimos nove (9) meses. “Todas as nossas informações apontam para a redução drástica no tráfico de droga na Guiné-Bissau. O ponto de trânsito mudou para outros países da sub-região”, revelou o chefe da missão da ONU na Guiné-Bissau.

Carreguem no link para ouvir a parte da entrevista com José Ramos-Horta sobre o tráfico de droga, o caso de almirante Bubo Na Tchuto, e do General António Indjai.
Para Ramos-Horta, tem havido várias razões para a redução do envolvimento da Guiné-Bissau no tráfico de droga. As causas mais prováveis talvez sejam “a publicidade do problema na Guiné-Biissau e devido à acção americana” que resultou na prisão do ex-chefe da marinha guineense, Bubo Na Tchuto.

De facto, para além do grande pânico nacional que a prisão de Bubo Na Tchuto causou, a mesma acção terá tido um grande efeito psicológico e dissuasivo não só no território nacional guineense, mas em toda a sub-região africana.

Mesmo assim, na observação de Ramos-Horta, “o problema continua a existir” em menor escala. Mas o mesmo não implica apenas a elite militar guineense, mas também outros intermediários tantos militares, como civis, mas muito abaixo “da escala de que se tem falado, ao ponto de se dizer que a Guiné-Bissau é um narcoestado. Isto acho absurdo. Absurdo porque a definição do narcoestado pressupõe que este Estado é financiado pelo dinheiro droga”.

Para repudiar a tese do “narcoestado” — embora reconheça a existência do “negócio ilícito e ilegal da droga” — Ramos-Horta oferece uma explicação simples: “não há nenhum militar ou civil que corre os riscos de ser um traficante para depois entregar a sua receita ao Estado. Isto não faz o mais pequeno sentido. Portanto a definição de narcoestado é totalmente fora do lugar”.

Por outro lado, o Representante da ONU na Guiné-Bissau reconheceu os esforços das autoridades nacionais na luta contra o tráfico de droga. “Desde que cheguei tem havido confiscação, intercepção, prisão de elementos ligados à droga, vindos de Brasil, trânsito pela Lisboa, trazem a droga no seu estômago, nos seus intestinos e chegam ao aeroporto de Bissau e são detectados pelos agentes e são detidos. São vários os que estão aqui presos,” informou Ramos-Horta.

Mas, apesar destes esforços das autoridades nacionais, tem havido “falta de meios necessários e adequados para detectar as embarcações que passam pelo Atlântico,” alertou Ramos-Horta.

Terá sido com o objectivo de persuadir as autoridades europeias e americanas que Ramos-Horta tem mantido vários contactos diplomáticos com estas instâncias internacionais no sentido de apoiar a Guiné-Bissau na luta contra o tráfico de droga. Para Ramos-Horta, países como os EUA, o Reino Unido, e a Franca “devem apoiar as autoridades nacionais no processo de capacitação de detectar e interditar o trafico de droga vindo de América Latina, tanto por via aérea, como por via marítima”.

No ponto de vista de Ramos-Horta, “não é suficiente criticar a Guiné-Bissau, coloca-la na lista negra, exigir que façam intercepções e a luta contra a droga, ao mesmo tempo impõem-se sanções e não se dão meios. Aconselhei que sejamos pragmáticos, coerentes e que haja uma presença internacional junto à Policia Judiciaria e à Policia Marítima para que eles possam estar capacitados e cumprir com a sua obrigação”.

Por último, José Ramos-Horta falou do caso do antigo chefe da marinha guineense que aguarda o seu julgamento num tribunal federal norte-americano. Ramos-Horta acredita que Bubo Na Tchuto “será julgado com a total justeza” pelas autoridades americanas.

Enquanto o país inteiro aguarda pelo desfecho final do caso de Almirante Bubo Na Tchuto, Ramos-Horta disse à GBissau.com que “como alguém que veio de um país pequeno, pobre, Timor Leste, e conhecendo todo o historial da Guiné-Bissau, todo o PAIGC, fico triste como se fosse um guineense, quando um combatente da libertação acaba numa prisão americana”.

O caso de Almirante Bubo Na Tchuto encontra-se numa fase preliminar, mas Ramos-Horta não deixou de exprimir alguma esperança e alguma simpatia em relação ao antigo militar guineense: “eu espero que algum dia ele possa voltar ao seu país e retomar uma vida normal, junto da sua família e da sua etnia, da sua tabanca, enfim do país.”

Carreguem no link para ouvir a parte da entrevista com José Ramos-Horta sobre o tráfico de droga, o caso de almirante Bubo Na Tchuto, e do General António Indjai.

Carreguem no link para ouvir a parte da entrevista com José Ramos-Horta sobre o espancamento do Ministro de Estado do Governo de Transição, Orlando Mendes Viegas.

Oiçam a entrevista de Ramos-Horta na sua íntegra no próximo Domingo, na Rádio Gumbé, nas seguintes horas:
12H00 – EUA (Zona Leste)
17H00 – Bissau, Lisboa, Londres
18H00 – Paris

 

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