Entrevista: “Será preciso a refundação do Estado guineense” – José Ramos-Horta

“…Eu não vejo que seja necessária uma força de paz. Uma intervenção militar não é necessária. A situação na Guine-Bissau não exige. O Conselho de Segurança não faria isso, mas é possível uma força policial maior para apoiar a força policial nacional. Pode ser que seja possível uma ECOMIB maior para ajudar na estabilização.”

Bissau (GBissau.com, 26 de Novembro) – Numa entrevista recente com a GBissau.com, o Representante Especial das Nações Unidas na Guiné-Bissau defendeu aquilo que considera de refundação do Estado guineense. Eis as palavras de José Ramos-Horta, transcritas da entrevista com a GBissau.com e com a Rádio Gumbe.com:

Esta missão é ainda só política e os bureaus regionais e os escritores regionais são meramente políticos e através da missão aqui e dos escritores regionais, vamos monitorando melhor a situação no país. Podemos ajudar em mediação dos conflitos regionais, conflitos locais e, ao mesmo tempo, tentar mobilizar recursos para apoiar as zonas rurais.

Ao médio prazo, nos próximos meses, as discussões terão lugar na sede das Nações Unidas entre os países da CEDEAO e o Conselho de Segurança para ver que novas medidas podem ser adotadas para ajudar a consolidar a estabilidade, a paz na Guiné-Bissau.

Não esquecendo de que a ONU, o Conselho de Segurança não vai impor uma missão de paz ou uma missão política mais alargada, sem ser acordado com o governo eleito da Guiné-Bissau. Primeiro, vamos ver se é possível aumentar a força da ECOMIB para apenas ajudar a Polícia Nacional durante o período eleitoral.

Com o novo Governo que vier, que for eleito, talvez seja possível negociações entre o novo governo e a ONU para um mandato maior da comunidade internacional, uma maior intervenção em termos de ajudar a re-organizar, a re-constituir todo o Estado guineense. Não é suficiente realizarmos eleições.  As eleições terão lugar, um novo governo eleito, mas se não houver intervenção maior do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, da UEMOA, da União Europeia, em colocar peritos em diferentes ministérios e, com o novo governo, reformar e re-organizar toda a administração pública, assim como re-organizar e modernizar as Forças Armadas, a defesa e a segurança, não será possível antecipar-se e prevermos a estabilização e a melhoria na Guiné-Bissau. As eleições são importantes, mas não um fim em si.

Pergunto se os governantes da Guiné-Bissau terão um suficiente sentido das suas responsabilidades, humildade e coragem para dizer que nós precisamos do FMI, do Banco Mundial, precisamos da União Africana, da CPLP para colocarem aqui peritos técnicos e conosco ajudar a reformular este Estado. Esta é a questão que se impõe porque ninguém vai impor à Guine-Bissau se os governantes que foram eleitos em Março [de 2014] disserem que não, e que querem governar sozinhos, que querem continuar como tem sido até agora, provavelmente assim é que será e não sei se a Guiné-Bissau sairá desta situação da crise económica financeira em que o país se encontra.

O que eu proponho é apenas “common sense”, senso comum. Não vejo outra opção. Eu não vejo que seja necessária uma força de paz. Uma intervenção militar não é necessária. A situação na Guiné-Bissau não exige. O Conselho de Segurança não faria isso, mas é possível uma força policial maior para apoiar a força policial nacional. Pode ser que seja possível uma ECOMIB maior para ajudar na estabilização, mas, o mais importante é a reforma de Estado, a modernização de Estado. E isto é só possível com a colocação do chamado “secondement” de peritos internacionais altamente qualificados e até podem ser guineenses que vivem no exílio, que têm trabalhado na diáspora – e que há muitos – podem ser eles, os tais técnicos, para lado a lado com o novo ministro que for colocado, possam em cada Ministério, em cada agência de Estado, re-organizar, modernizar este Estado. Tratar-se-á de um apoio administrativo de grande escala. Poderíamos até usar a palavra refundação de Estado guineense.

7 Responses to Entrevista: “Será preciso a refundação do Estado guineense” – José Ramos-Horta

  1. FIVE diz:

    Muito obrigado…sr.doctor Ramos Horta,toda ajuda que esta prestando ao meu paìs.

    O MEU OBRIGADO INFINITO…

  2. caba diz:

    o meu ponto de vista sobre este assunto e seguinte
    primeiramente devemos pensar em peritos especialistas de varias áreas científicos com conhecimentos profundos nas matérias que Guine Bissau precisas

    segundo onde a Guine Bissau deve começar

    terceiro modelos para vencer a corruptor em todas as áreas e locais a nível nacional ; institucional e privada

    quarta como utilizar os recurso Humanos que Guine Bissau tem neste momento internamente porque no momento temos grandes quadro internamente mas que o sistema sempre os bloqueou

    quinto os recursos naturais que a Guine bissau tem como utilizar estes recursos

    a terra da guine Bissau como aproveitar a engenharia agrária

    todo isso monstra que temos muita coisa a fazer monstra fácil no dialogo mas e uma tarefa difícil
    estamos numa zona de integração monetária perdemos a nossa soberania monetária e uma parte de nossa política fiscal será que as políticas Econômicas a traçar serão autônomo ou de consensos

    vou continuar na próxima intervenção

  3. Markhus António diz:

    A solução da crise da G.Bissau, passa pela a dispardidarização do Estado e da desmilitarização da política, os políticos e militares devem sentar e pensar o que é melhor para país.

  4. Markhus António diz:

    A solução da instabilidade politico-militar na G.Bissau, passa pela dispartidarização do Estado e a dismilitarização da política, os militares e políticos devem sentar e refletir o que e melhor para o país.

  5. Dauda André Embaló diz:

    Tudo que o representante especial de secretário geral disse é bem verdade aquilo que ele considera a refundação do estado Guineense com tecnicos altamente qualificados até os Guineenses no exilio podem desempenhar um papel preponderante na modernização de um possível novo estado Guineense.Obrigado Horta parece que quer fazer da Guiné-Bissau um País aquilo que eu considero de tesouro-hortifruto criar mais receitas para que de facto podemos acolher.

  6. pansau diz:

    so os que presisamos e forca intrvencao de uma vez,O ECOMIB NAO PODE ERSOLVER O NOSSO PROBOLEMAS o ONU DEVES INTERVIR COM FORCA DE UMA VEZ.

  7. Mauricio Amin diz:

    Sr: Jose Ramos Horta, antes muito obrigado por grande trabalho que vem praticando na Guine-Bissau, a minha duvida é, como duvida das maiorias dos Guineenses, nas Eleição próxima se o candidato na poder foi derrotado sera que entregaria o governo na paz? Lembrando que os Governantes Africanos nas maiorias das vezes praticam furtos fraudulosos nas Eleição, este furtos é conhecido como boca da Urna, se no caso acalho que aconteceu o mesmo caso na Guine- Bissau qual seria reação da (ONU)? de já que senhor acha que não vale a pena trazer força Militares para ajudar manter a segurança.

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