Vamos “apurar as responsabilidades e tirar as consequências” – MNE da Guiné-Bissau, Fernando Delfim da Silva

Bissau (GBissau.com, 13 de Dezembro de 2013) – O ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades da Guiné-Bissau, Fernando Delfim da Silva, lamentou ontem, quinta-feira, o caso dos 74 sírios que viajaram de Bissau para Lisboa, num voo da transportadora portuguesa, a TAP.

As declarações de Fernando Delfim da Silva foram feitas logo depois do seu encontro com o Encarregado de Negócios da Embaixada de Portugal para analisar a questão. “Do ponto de vista do Estado, temos que lamentar o sucedido, apurar as responsabilidades e tirar as consequências”, declarou Delfim da Silva.

Delfim da Silva transmitiu a Félix Fazendeiro a intenção do Governo de Transição guineense em ver ultrapassada este grave “incidente” que certamente terá as suas implicações diplomáticas no já “débil” relacionamento entre Bissau e Lisboa.

Delfim da Silva esclareceu aos jornalistas de que o grupo tinha passaportes da Turquia, assim como vistos de transito concedidos pelas autoridades guineenses “tanto lá fora”, como “cá dentro”.

Embora as investigações estejam numa fase preliminar, o chefe da diplomacia guineense admitiu tratar-se de um grave problema de segurança que também não é alheio aos países mais avançados.

Para o ministro Fernando Delfim da Silva, este incidente não beneficia a Guiné-Bissau, os seus cidadãos, assim como os cidadãos portugueses que vivem no país. “Isso não serve a ninguém. Não ajuda a Guiné-Bissau, não ajuda as relações com Portugal e não ajuda os nossos compatriotas que estão em Portugal”, afirmou Delfim da Silva. Assim sendo, o chefe da diplomacia guineense disse que o governo está interessado em apurar as responsabilidades e tirar ilações.

Também ontem, Fernando Delfim da Silva participou na reunião de emergência do Conselho de Ministros, onde terá participado o titular da pasta do Interior, António Suca N’Tchamá. O executivo guineense anunciou, através do MNE, o inicio das investigações sobre o caso. As autoridades guineenses prometem submeter os resultados destas investigações o mais breve possível.

A reunião do Conselho de Ministros conduzida pelo Presidente de transição durou menos de meia hora e terá contado com a participação do Encarregado de Negócios da Embaixada de Portugal, Félix Fazendeiro que, entretanto, não fez nenhuma declaração à imprensa.

E no ambito doutros desdobramentos, O Ministro do Interior António Suca N’Tchamá deveria reunir-se também ontem com o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, António Indjai. A questão da segurança das fronteiras guineenses seria o focus desse encontro com Indjai.

Num outro comunicado emitido em Bissau, o Governo de Transição afirma que em “nenhum momento as autoridades aeroportuárias nacionais permitiram o embarque de passageiros para Portugal sem os devidos vistos de entrada”. Fernando Delfim da Silva, entretanto, não abordou a questão se este grupo de 74 sírios tinha ou não os seus devidos vistos de entrada a Portugal.

 

7 Responses to Vamos “apurar as responsabilidades e tirar as consequências” – MNE da Guiné-Bissau, Fernando Delfim da Silva

  1. Carlos Dju diz:

    So ministro deixa de brincar com as pessoas, sera que o sr. nao sabe quem esta por detras destas negociatas? Mais uma vergonha nacional.

  2. Filomeno Pina. diz:

    Não se disse ainda o central deste imbróglio todo…, o MNE, só disse que isto não ajuda a Guiné-Bissau e Portugal no âmbito diplomático e não só. Então ajudou “interesses” encapuçados? Por enquanto não sabemos, mas, os “Sírios” estão a ser interrogados pelo SEF, neste momento e, não duvido que estejam já na posse de “nomes” e das quantias pagas para obter esta “cobertura” no aeroporto de Bissau… Independentemente da “porca” política no meio disto, estes homens, mulheres e crianças, merecem tecto sem chama provocados por bombas, é gente que foge em busca de um lugar ao sol. Mas legalmente e com transparência nos mecanismos de “protecção” dos refugiados… Só uma polícia séria saberá analisar a origem e estado de cada identificação (passaporte), para evitar infiltrações de terroristas e outros tipos de criminosos, só. Vamos aguardar! Djarama. Filomeno Pina.

  3. Olho de Hórus diz:

    Sr. Delfim da Silva, podes poupar-nos com as tuas explicações esfarrapados. Muitos guineenses já enveredaram para via da corrupção e os principais autores e fomentadores são senhores que se dizem governantes. Uma vez conversando com um amigo disse-lhe: o guineense já perdeu personalidade e caracter; vendo dinheiro, até a mãe pode vender! Penso que tenho razão; a Guiné-Bissau é a nossa mão Pátria, mas os senhores estão a vende-la pouco as pouco. O que aconteceu no aeroporto de Bissalanca é inadmissível; senhores já ultrapassaram dos limites. Sabem quantos milhares de guineenses honestos que vós envergonhais todos os dias pelo mundo fora? VERGONHA, VERGONHA…

  4. Ude diz:

    Infelizmente as noticias, portuguesas ou guineenses, não permitem às pessoas tirarem conclusões lógicas.
    Se o embarque desses “refugiados sírios” foi realmente forçada pelas autoridades guineenses é questão de se preocupar e sobretudo os membros da tripulação da TAP. Contudo, não sei de nenhuma noticia que falou de como é que estes compraram bilhetes na TAP. Porque pelo menos, na compra de bilhete de viagem apresenta-se o Passaporte devidamente carimbado com visto de país de destino.
    Se estes têm vistos de entrada para POrtugal (que só a entidade Portuguesa pode emitir), têm visto de trânsito para GB, são detentores de passaporte turco porque é que têm que ficar na GB.
    Ademais, em que companhia aérea viajaram para Guiné-Bissau?
    Apurar a responsabilidade é bom, mas a quem?

  5. Olho de Hórus diz:

    Em qualquer sociedade de seres vivos, visto, não estou a falar só dos animais homens, os que têm olhos é que guiam os que não têm olhos; mas, infelizmente, na Guiné-Bissau somos guiados pelos cegos. Nós escolhemos o silêncio, será que as gerações vindouras não nos acusarão de cumplicidade. Valha a pena analisarmos; porque a tamanha cobardia é inadmissível no pleno Século 21…

  6. Alexandre Soares Forbs diz:

    O senhor ministro do negócios estrangeiros da Guiné Bissau poupa-nos com as suas explicação esfarrapadas de ter vergonha na cara de pedir demissão a excelência o Senhor presidente da republica o senhor Manuel Serifo Nhamadjo de não aceitar esse pedido da demissão do ministro Fernando Delfim Da Silva até averiguação do facto e da verdade concreta.porque ministro está a fugir da responsabilidade do sector que faz parte do MNE, e ele que munia os Embaixadores, 1ºsecretario,cônsul e encarregado do negocio da embaixada onde essas pessoas receberão os visto de transito para entrada no nosso pais, e que governantes parar de prejudicar, maltrata e envergonhar o povo guineense perante o mundo.

  7. Nandassi Mendes diz:

    Aprecio o facto de o ministro ter pedido demissão. Assim devia ser sempre que nos sentimos impotentes. Contudo fiquei decepcionada pelos argumentos apresentados e a forma como ela foi apresentada, deixa-me entender que não mostrou minimamente postura de um homem de Estado, mas sim, de alguém que só pensou em salvar a sua face em detrimento da face de um país, sem se acautelar da linguagem esquecendo, que quando se vendia armas a Casamança era ministro dos Negócios Estrangeiros; que a Guiné-Bissau não possui plantação de cocaína e nem tão pouco tem dinheiro para comprar sírios. Simplesmente podia ter dito não estar em condições de lavar a face do país perante a tamanha desonra.

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