Lembranças: As Memórias de Samba Uró

Em memória e honra dos que tombaram na “canseira”

Por Umaro Djau, Editor, GBissau.com

A poeira foi-se aumentando, mas ela vinha de um lado só, a oeste da aldeia. Foi um pouco antes do início da noite. Na escuridão, a aldeia da Amedalai ficou mais curiosa. Eu também.
Poeira e mais poeira. Curiosidades e mais curiosidades.
-O que estaria a acontecer? Interroguei-me!

Crianças de tenra idade foram-se juntando aos mais idosos. Assim tem sido nos momentos de incertezas, nos momentos de dor e nos momentos de alegria. “Kawu” Serifo tinha uma mestria para acalmar os ânimos exaltados. Ou a apreensão. Ou o medo. Mas, desta vez, a explicação tinha que esperar.

Aladje Serifo Baldé

Aladje Serifo Baldé

O funil de pó parece ter passado. Evaporou-se no ar e pela vegetação adjacente. Amedalai já pode respirar de novo o seu ar puro. A brisa da noite é sempre bem-vinda. Qualquer explicação seria também bem-vinda.

-Afinal donde tinha vindo aquela poeira?
Continuo a querer saber. O tio Serifo tinha a resposta.
-“I-nor-doh” (sobrinho), a poeira que acabaste de ver era do Curral de Vacas dos teus pais — informou.

Saliu Djau e Fatumata Baldé são os meus pais. Depois da sua passagem pela tropa colonial portuguesa, Saliu decidiu fixar-se na tabanca de Funtufuntula, nos anos que se seguiram à independência da Guiné-Bissau. Em Funtufuntula ficaram os meus pais até aos finais de 1978.

Meu Pai, Aladje Saliu Djau

Meu Pai, Aladje Saliu Djau

Mas antes, durante a época colonial, os meus pais percorreram o inteiro território da Guiné colonial portuguesa. Saliu Djau guardava boas memórias de Pelundo e de Cacheu, contava-me a minha mãe. Aliás, foi em Cacheu que nasceu o meu irmão mais novo, Mamadú, um pouco antes da independência nacional. E dessa localidade adquiriu a alcunha “Mamadú Cacheu”. Assim passou a ser conhecido até à data da sua morte em Funtufuntula, por volta de uns dez anos de idade.

Se bem que financeiramente eram estáveis, Funtufuntula foi devastante para os meus pais. Estáveis comparativamente ao nível de vida dos outros camponeses. Tinham vacas e outros animais domésticos. Tinham de comer. Tinham o mínimo, fruto da agricultura e da prática do comércio ambulante. Mas, em Funtufuntula foram testemunhando a pior agonia da vida.

Primeiro, foi a morte da minha irmã, Umo, antes de três anos de idade. Umo foi certamente uma das crianças mais lindas que jamais vi. Ainda me lembro dela.

Nos tempos da chuva, Umo ficava comigo, enquanto a minha mãe atendia o cultivo do arroz, nas bolanhas que as mulheres de Funtufuntula, de Bajocunda, e de Olocunda compartilhavam. O cultivo do arroz nas bolanhas era um trabalho reservado às mulheres, porque era considerado menos físico. Ou pelo menos assim pensavam. E, pelo menos, era assim nos tempos de antigamente. Na tradição Fula. No regulado de Patchana Handem.

Minha Mãe, Fatumata Baldé (lado esquerdo da foto)

Minha Mãe, Fatumata Baldé (lado esquerdo da foto)

Apesar da abundância do arroz, do milho e dos gados bovinos, Funtufuntula não deixava de ser uma trágica realidade para os meus pais. Ano após ano, foram sepultando as suas crianças. E no secretismo da tradição e das crenças, essas mortes eram de estranhar. Dolorosas. E inexplicáveis do ponto de vista sociocultural. E na ausência da razão, era, pois, o tempo de dizer adeus à Funtufuntula, rumo ao Norte de Patchana Handem, longe de todas as suspeitas de maldição e longe das forças subjectivas.

Só anos mais tarde fiquei a saber a razão por que a aldeia de Amedalai era o lugar onde passava a maior parte da minha infância. Na companhia dos meus tios e da minha avó, Jabuel, a protecção psicológica era quase certa. As protecções da minha avó e do meu tio Serifo. Afinal de contas, a sociedade tradicional Fula dessa altura estava repleta de misticismo, de suspeição e de tantas outras incógnitas. E numa sociedade de curandeiros tradicionais, existe também a ideia omnipresente dos chamados “buwabehs” (feiticeiros).

E nesta tentativa curiosa de recriar o ambiente mítico dos tempos da outrora, leva-me a perceber as razões do brilhar dos olhos desconfiados e combativos da avó Jabuel. Mas, claro, a aldeia de Amedalai era mais do que isso. O carinho do outro meu tio Sambael era um constante. As boas companhias das outras crianças da mesma idade eram também reconfortantes. São os casos de Manga, Seco Mussá, Madali, Sadjo Kabá, Toni Djabú Ladé, etc., etc.

Mas, no final daquela tarde do ano ’78, a conversa e a incógnita eram à volta da poeira causada por uma centena de cabeças de gado bovino. Eram as vacas dos meus pais em direcção a um destino desconhecido.

Já tinham passado alguns dias desde que os gados fizeram a sua longa jornada. Agora encontram-se nas vicinidades. Livres e bem alimentados e sempre a mastigarem sem parar, nas sombras das árvores. Mas, havia também as galinhas e chegara a vez de desamarrá-las, improvisar as capoeiras, e também desatar as cabras e os carneiros. Na sinfonia dos ruídos dos animais, foram aparecendo rostos novos.
-Esta é a tua prima Mariam.
-Este é o teu primo Nhôbum, o marido da tua prima.
-Estes são os teus sobrinhos, filhos de Nhôbum e da Mariam.

Apresentações e mais apresentações. E em cada apresentação, mais sinais de grandes afinidades familiares. Era o “badico” Subum. Era o “bassam” Bubu. Era o “badem” Saliu. Eram todos irmãos, filhos da mesma mãe. Era o reencontro. Subum e Bubu vieram de Bajocunda. Saliu veio de Funtufuntula. Nhôbum veio de Pan-nagar (uma aldeia fronteiriça da região de Casamansa, Senegal). Outras famílias vieram doutras imediações de Patchana Handem.
-Bem-vindos à tabanca de Samba Uró, teria dito alguém, alguns dias antes. Mas, hoje é o dia de encarar a árdua realidade de uma nova tabanca.

Samba Uró situa-se há uns dez quilómetros de Amedalai. Até nos finais de ’78, essa aldeia não era mais do que um “tumbum” (uma tabanca extinta). Ocasionalmente, ela servia de lugar de pasto para os criadores do gado que vinham das tabancas do Regulado de Propona. Mas, Samba Uró pertencia ao Regulado de Patchana Handem e era um lugar ideal para as práticas agrícolas e pastoril. O seu isolamento, o verde das suas florestas tropicais, a riqueza do seu solo, a curta distância das bolanhas e a sua localização à berma da estrada que liga a localidade de Bajocunda à tabanca de Copá, faziam de Samba Uró um lugar perfeito para começar uma nova vida.

A minha prima Mariam tem um ar de quem nunca se cansa. Desdobra-se aqui e acolá. A minha mãe Fatumata prepara o almoço no calor do sol ardente do dia. Era o quotidiano. Era o dia-a-dia.

Subum, Bubu, o meu Pai Saliu, o meu primo Nhôbum ainda nem sabem por onde começar. Têm que dar de beber às vacas, têm que construir casas de palha, têm que preparar os campos para o cultivo de milho, etc., etc. Tem sido uma corrida contra o tempo, antes do início da época das chuvas. Tudo tem que ser preparado, tudo tem que estar pronto. Não pode haver falhas. A subsistência não pode falhar. Ela não pode esperar.

Esse espírito de subsistência norteava a próxima época seca. Seria também assim na próxima época das chuvas. E seria assim nas próximas décadas: Samba Uró, a terra do cultivo e da pastagem. A terra da subsistência.

E era para lá que ia passar as minhas férias. Férias após férias. No final de cada ano escolar, Samba Uró nos aguardava com toda a pompa e circunstância. Nos momentos perigosos das travessias dos rios, nas longas e insólitas caminhadas, sempre encontrávamos razões para ficarmos ansiosos. Isto porque, nos momentos das chegadas, éramos sempre recebidos como príncipes. Era sempre o Adulai e eu. Fomos os primeiros da família a ter acesso à escola, ao ensino.

Nos tempos das férias, tínhamos sempre muitas histórias para contar ao nosso primo irmão mais velho, o Aliu. Este era um tipo muito interessante. Era ele quem sabia quem se dava bem com quem, quem fez o quê durante a nossa ausência e tudo e mais alguma coisa. Aliu era um verdadeiro dicionário social, apesar de nunca ter tido acesso à escola.

E de Samba Uró aguardo as melhores recordações da minha infância. Lembro-me dos campos. Lembro-me do cultivo. Lembro-me das bolanhas. Lembro-me das horas infinitas do pasto. Lembro-me das árvores à volta da tabanca. Lembro-me dos pequenos caminhos que nos conduziam às outras tabancas. Lembro-me da vegetação. Lembro-me das grutas.

Lembro-me dos riachos. Lembro-me de tudo. E, claro, lembro-me dos momentos em que aprendia o jogo de “Woree” debaixo da grande árvore, ou seja, “Banta”, logo à entrada da tabanca que o meu pai orgulhosamente apelidava de “Bissau Novo”. Apesar de todas as limitações geográficas, o meu Pai Saliu tinha destas: era um entusiasta de modernismo e um grande amante da civilização.

A tabanca de Samba Uró continua lá para além do esplendor dos pontos geográficos da Guiné-Bissau. Solitária, mas alegre. Pequena, mas potente. Pobre, mas nobre. Distante, mas perto do meu coração. E na profundeza das minhas recordações, perfilam os nomes das outras famílias que fizeram de Samba Uró os encantos da minha caminhada e a lenda dos meus contos: Ieró, o alfaiate; Talata, o mecânico; Samba “Kobé”, o humilde; Djayé, o teimoso; Califo, o solitário; Niman, o confiante; Handem, o bem-disposto; Alabaru, o atencioso; Mussá, o viajante, etc.

Mas, por detrás de proezas de cada família, havia as mulheres incansáveis e elegantes de Samba Uro. Elas despertavam as manhãs com os sons de “pilon”; juntavam as famílias com as refeições do dia e animavam as noites com os contos dos tempos que já lá vão … à volta da fogueira. Dormíamos nos seus colos, confiantes de que, com a benção de Deus, na manhã seguinte inauguraríamos o dia com “cossam” (leite adormecido) da vaca, fruto das suas paixões e dos seus suores.

Samba Uró, perdão “Bissau Novo” ainda lá continua com a sua pureza, com o seu encanto nas épocas da chuva, com a sua solidão nas épocas da seca, com a sua abundância, com a sua escassez e com os seus rostos ditados pelas horas, pelas épocas, pelas palavras, pelos gestos… e pelas coisas simples.

É esta a tabanca que também encena os meus sonhos, nas noites profundas do sono, no lado oposto do oceano Atlântico.

Ainda assim, a minha linda Samba Uró, perdão “Bissau Novo”, continua afavelmente escondida por dentro dos ínfimos pontinhos dos mapas do Google. Mas, mais do que um pontinho no mapa mundial, essa remota tabanca guineense continua a ser uma estrela gigante gravada na minha memória e, inquestionavelmente, um dos guias espirituais do meu destino.

Samba Uró!

 

Em honra e memória: Aladje Serifo, Subum, Djayé, Califo, Ieró, Samba “Kobé”, Aladje Saliu Djau, Mussá e Niman … uma paz eterna!

Nota do Editor: este artigo de opinião não reflecte, necessariamente, a linha editorial da GBissau.com

 

19 Responses to Lembranças: As Memórias de Samba Uró

  1. GENABU BALDÉ diz:

    ADOREI O ARTIGO ESCRITO SOBRE ESSAS TABANKAS, MEUS PAIS SÃO DESSAS REDONDEZAS, MINHA MÃE É DE AMEDALAI E MEU PAI SE NÃO ME ENGANO É DE BADJOCUNDA …EU NASCI EM GABÚ, MAS DESDE PEQUENA SEMPRE ME INTERESSEI, EM VISITAR AS ALDEIAS ONDE ELES NASCERAM, E A CADA FÉRIAS VISITAVA MEUS FAMILIARES,..APESAR DE NASCER NA CIDADE, COMO DIZEM,ADORO A VIDA DE ALDEIA, SÓ LÁ PODEMOS RESPIRAR AR PURO, VIVER A VIDA COMO ELA É MESMO, SEM FANTASIAS E DEMAIS COISAS QUE SÓ EXISTEM NAS CIDADES GRANDES…A VIDA NA ALDEIA É MUITO INTERESSANTE, POR ESSES POUCOS DIAS QUE EU PASSAVA LÁ DURANTE AS FÉRIAS,APRENDI MUITAS COISAS, E DENTRE ESSAS COISAS, APRENDI QUE A FELICIDADE NÃO VEM,DA RIQUEZA, FAMA, OU PODER , MAS SIM DA SIMPLICIDADE E HUMILDADE DO SER HUMANO…TENHO ORGULHO DE SER FILHA DE PAIS DE PATCHANA HADEM….

  2. Samba Bari diz:

    Meu carro colega!
    Gostei do artigo… O conto me deixou emocionado mas o conteúdo deixa a razão de orgulho
    Não existe nada que marca a nossa pura existência como respeitar, amar e estimar a nossa verdadeira origem… O que faz de cada pessoa igual a si mesmo.
    Eu sou fã admirador e respeitador de quem se orgulha consigo mesmo, salvaguardando todas as fases da sua vida, partindo da verdadeira origem, etnia, cultural e religiosa ao em vez de camuflar.
    Porque afinal, origem étnica, cultural, religiosa tradição até nome de uma pessoa, não influencia em nada na sua inteligência ou nível civilizacional. Pela simples razão de que a inteligência é adquirida com o empenho e na capacidade individual, enquanto que a civilização é fruto da nossa educação projetada em feitios que caracterizam a singularidade de cada um.
    O artigo parece longo mas curto pelo gosto da história e o prazer de saborear percursos de uma vida que ainda continua em subidas com maravilhas mas sobretudo com orgulho.
    Um forte abraço
    Samba Bari

  3. SUCA diz:

    PARABÉNS ÚMARO,
    ESTA CRONICA É SEM DUVIDA LINDA, AINDA MAIS PARA QUEM CONHECE A GUINE-BISSAU, CONHECE A CULTURA GUINEENSE E AINDA PERCEBE A LINGUA FULA. TEMOS QUE ESCREVER A NOSSA HISTÓRIA PORQUE NINGUEM O VAI FAZER PARA NÓS.
    MANTENHAS

  4. mario imbana diz:

    Muito obrigado, Umaro Djau, por este grande report. Por mim, o sr foi é e será um dos grande jornalistas que temos na nossa praça. lembro me muito bem de tal discurso “açucarado” de nino vieira.
    Agora no presente estamos a ser alvos de tal discurso.
    “Povo da Guiné Bissau, vou- vos devolver a Felicidades e tirar o país da situação em que estamos”( José mario vaz.) Peço desculpe o meu amigo Ùmaro Djau, não devia pôr essa frase aqui mas isto é, para mostrar e lembrar a sua coragem da altura o nino vieira, era temìvel.
    Muito obrigado!

  5. Que bonito historia.De Funtufuntula a a Olocunda e a Sama Uro.

    Continua escrevendo,porque servira para uma fonte de conhecimeto para os que procuram conhecimento.

    Obrigado.

    Sirajo Jalo

  6. maimuna embalo diz:

    a historia e linda de mais contei muito me fez lembrar da tranquilidade que si vive nas aldeias dos nosso pais sobre tudo no leste do pais eu tb sou de propana nos meus pais são de la e amo muito aquele lugar onde não si preocupa em ir ao mercado compra coisas para comer ou fruta tudo esta ai não tem dono.

  7. Alma-beafada diz:

    Um trabalho de extrema imprtância para um africano; para os nossos filhos e em particular à estes que nasceram cá na europa sem noção da nossa capacidade de sofrimento, enfim, têm direito de conhecer as suas raízes. E quem melhor de que nós para os ensinar?

  8. Bonita, emocionante, articulada e bem escrita história. É um retrato fiel do tempo, mas bem apresentada e presente nos nossos dias.

    Obrigada pela forma sabia que a contaste.

  9. J.David diz:

    Gostei desse seu conto por uma razao muito simples. A simplicidade do local e da gente que ali vivem imprimiu em si maior sinal do que os predios e a modernidade dos locais em que hoje se encontra. Com esse conto, vem mostrar que o simples tem algo de sagrado e de la vive-se na paz. Muito obrigado por ter compartilhado connosco as suas dores, experiencias e alegrias, no chao que nos viu todos nascer. Que Deus lhe esteja perto e quando chegar a hora de voltar para o seu (e nosso) chao que volte sem pensar duas vezes. Aqui sente-se bem e em casa e nao ha muito mais coisas para aprender para quem viveu os dois extremos: o natural de Samba Uro e o moderno da CNN. Bem haja!

  10. Mamadu Balde diz:

    ALLAH UURRME IAAFO ALADJI SERIFO BALDE “Kawu” Serifo ,EH LEIDII AMEDALAI.

    AMINE

  11. Gostei, gostei muito do artigo. É assim que se escreve. Tu (desculpe a minha impertinencia ao designa-lo com tanta intimidade, Umaro) inspira-nos, nós que abraçamos e vivemos graças a esta profissão de escrever. Tu és o nosso orgulho, não pela posição que hoje ocupas a nível da maior cadeia televisiva do mundo, mas por teres sabido trilhar com empenho e abnegação os difíceis caminhos, para que hoje estejas aonde estas, meu irmão. Se chega de alguma coisa, receba os abraços deste teu irmão aqui, a “penar” em “casa”(Guiné-Bissau). Voltarei…

  12. Este tipo de descrição da vida de uma família ou até de uma geração faz lembrar de várias e belas histórias perdidas por alguns, senão mesmo pela maioria de nós. Eu sou natural da Região de Tombalí, Sector de Cacíne, Povoação (tabanca) de Canifaque. O que sei, é que os avós são originários do extremo setentrional da Guiné-Bissau, da Rigião de Óio, mas os pormenores do percurso, das razões e das décadas em que isto ocorreu estão ainda por saber, pelomenos da minha parte. E lamento bastante esta realidade, acridando que ainda existem possibilidades par eu o fazer. Obrigado e bravo Sr Úmaro Djau, já que despertou a minha atenção em parte quanto a isto.

  13. Temos que narar a nossa historia, com conhecimento de causa ate da um bom prazer para o leitor, gostei da naracao que ilustra o passado duma familia humilde e fraterna, da para perceber a sua humildade e respeito por outros porque tudo o que somos na vida muita das vezes vem da familia, embora o empenho pessoal ajuda muito a progredirmo-nos.
    djarama.

  14. Binta Balde diz:

    …”e o resto da familia ficou em Bajocunda:Aladje Madja Balde, Samba Djau e suas familias”…Esta poderia ser a continuacao desta narracao que me fez reviver momentos que para mim eram confusos e incompreensiveis, devido a idade que tinha na altura. Nao entendia o poque de “Kau” Bubuel nos deixar em Bajocunda e ir viver numa outra tabanka bem distante de nos.
    Estas vivencias sao parte do nosso maior tesouro, a nossa memoria, e sao elas que fazem de nos os Homens e Mulheres que somos.
    Sem duvida os filhos de Patchana tem muito que se lhes diga.
    Continua o bom trabalho, nos orgulhamos muito de ti.

  15. Abdul Carimo Seidi diz:

    Puro jornalismo. Nada que me surpreenda nao fosse o melhor jornalista guineense de sempre! Forca irmao.

  16. éste i muito bom historia puro jornalismo.continua o bom trabalho,a djarama koto.

  17. Umaro Manga diz:

    Pura e simplesmente genial. Devo dizer que, tenho lido inumeros brilhantes artigos teus mas, este de facto, sem duvida ee o que me preenche em absoluto a alma, quer pelo conteudo, quer pela forma e capacidade de naracao nele presente. Pois,Conforme lia, parecia que estava a ver todos os cenarios.
    Bem Haja.
    Nome

  18. Idrissa Embaló diz:

    Texto corrigido pelo autor:

    Djarama Djauô!
    Yáre dinim uóde djaube kendébê.
    Parabéns primo. Tem valor.Os episódios das nossas famílias fulbé são muito parecidos. Tcha-é mendé (as nossas aldeias) muito comuns. As vacas, nosso ouro inseparável.Tuas lembrancas fizeram-me voltar para as raízes – o fulado – .
    Nô Allah iurmê iáfó ke´be em iessó bê.
    Uassalámu
    Idirissa Mbaaló, lámidó djaubé piiu.

  19. Quero deixar aqui uma palavra de agradecimento por tantas recordações e tão boas recordações que este teu artigo,prezado amigo Umaru Djau me trouxe. Chefe de Posto de Pirada em 1966/67, tempo de guerra,mesmo assim não deixei de ter contactos com essas populações da Regedoria de Patchana, nessa altura sob a batuta de Handem Baldé que tinha um dos filhos exercendo o professorado primário que cheguei a encontrar em Lisboa. Levaria muito tempo a comentar o teu bem elaborado artigo, mas por agora e por falta de tempo, apenas quero congratular-me por haver um filho de Pachana, mais propriamente de Samba Urô cujo amor e apego ao seu local de origem é um exemplo da maior dignidade para mim.
    TAVARES MOREIRA

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