Opinião: A Festa das Eleições, o Sonho e a Esperança do guineense

Na minha opinião, quem confia no voto popular e na democracia, não procura o aval e a estima do homem em uniforme. O que se deve procurar é o aval e a estima de todo um povo. O que se deve procurar é o respeito mútuo e a separação de poderes. Mas, esta “intenção” tem que vir do homem de fato e da gravata. Compete-lhe assumir o papel da liderança e “combater” a tentação da dependência ao poder militar. Aliás, quem muito depende da “estima” militar para conquistar o poder político, muito dependerá dessa mesma estima para continuar no “trono”.

Este sábado, 22 de Março de 2014, é a data da abertura oficial da campanha eleitoral na Guiné-Bissau. Nas próximas semanas, haverá apenas um único território nacional. Todos os cidadãos guineenses estarão em pé de igualdade – uma alma, um voto. Pelo menos assim será para os eleitores registados, do Cabo Roxo à aldeia de Cacine e de Canquelifa à Ilha de Orango. Sem excepções. 

Nas próximas semanas, iremos celebrar a nossa cidadania, a nossa “guinendadi” e o nosso “carnaval” eleitoral com slogans, cânticos, danças, músicas, apertos de mão e, sobretudo, muitas promessas políticas!

Nas próximas semanas, iremos aos irans, djambakus, murus, ímanes, pastores, bispos, régulos e aos tantos outros poderes tradicionais e deuses ocultos, para implorar apoios e rezar pelas vitórias.

Mas, antes que a euforia da festa consuma a essência da campanha eleitoral, queria sublinhar as minhas genuínas preocupações sobre a forma como a cultura política guineense tem-se desviado dos princípios verdadeiramente democráticos de “caça” ao voto.

Campanha Eleitoral 2014 - Guiné-Bissau

Campanha Eleitoral 2014 – Guiné-Bissau

Para começar, deixem-me reconhecer que qualquer candidatura precisa de fazer chegar a sua mensagem aos eleitores, quer através dos tempos de antena, das entrevistas, dos debates radiofónicos e televisivos, mas sobretudo, através dos comícios e dos contactos mais próximos e mais humanos. Falo mais precisamente de “grassroots politics” (política de base), conforme a gíria política Americana.

E, para colorir o ambiente de festa política, as campanhas e os candidatos irão exibir materiais de campanha, nomeadamente camisolas, dísticos, bandeiras, faixas, autocolantes, folhetos, panfletos, chapéus, etc., etc.
Mas, como é fácil perder-se neste ambiente de festa, os políticos e os partidos esquecem-se das coisas mais simples – um olhar, um aperto de mão, um alto-falante e uma simples mensagem!

E na simplicidade das suas mensagens, sinto-me obrigado a desafiar todos os candidatos e partidos políticos para nos brindarem com planos e programas concretos de governação. Que estes bons cidadãos da Guiné-Bissau nos falem sobre a educação, a saúde, o desenvolvimento rural, regional e nacional, o desenvolvimento económico e social, o saneamento básico, a habitação, o turismo, o desporto, a cultura, a música, a arte, etc., etc.

Guiné-Bissau: Mulheres e Crianças

Guiné-Bissau: Mulheres e Crianças

E à luz daquilo que tem sido a nossa história político-militar, gostaria ainda de desafiar os actores politicos guineenses para se comprometerem com os princípios da paz, da segurança nacional, da estabilidade política e governativa do país.

E desta vez – contrariamente às experiencias anteriores — peço aos candidatos e aos partidos que nos ofereçam coisas simples, tais como ideais capazes de inspirar o povo e planos de governação capazes de fazer arrancar o país.

Para começar, seria extremamente importante que os políticos guineenses respeitassem a idoneidade dos órgãos eleitorais e judiciais, que valorizassem a independência de jornalistas e outros técnicos da administração pública guineense e que deixassem os “quartéis” em paz.

Guiné-Bissau: Militares

Guiné-Bissau: Militares

Na minha opinião, quem confia no voto popular e na democracia, não procura o aval e a estima do homem em uniforme. O que se deve procurar é o aval e a estima de todo um povo. O que se deve procurar é o respeito mútuo e a separação de poderes. Mas, esta “intenção” tem que vir do homem de fato e da gravata. Compete-lhe assumir o papel da liderança e “combater” a tentação da dependência ao poder militar. Aliás, quem muito depende da “estima” militar para conquistar o poder político, muito dependerá dessa mesma estima para continuar no “trono”.

É comum nesta altura do “Campeonato” ouvir expressões tais como “eles estão connosco”! Desta vez, espero que “eles” sejam para além do que homens (e mulheres) em uniforme.

E para esses políticos guineenses, o melhor será explorar os centros urbanos e as tabancas longínquas da Guiné-Bissau para melhor compreenderem os desafios que lhes esperam, num país onde uma gota de água, um grama de sal ou uma aspirina continuam a ser as necessidades básicas da sociedade civil.

Compreendo que num país com uma dura realidade económica e social é fácil recorrer-se ao aliciamento dos eleitores. Mas, em vez do dinheiro, de toneladas de arroz, de milhares de bicicletas, de centenas de motorizadas e geradores, levem convosco para todos os cantos da Guiné-Bissau uma visão, um plano para a construção de escolas, dos hospitais, das estradas, e o fornecimento de energia e água potável.

E em vez de calúnia, difamação ou injúria contra os vossos adversários políticos, digam ao povo qual é a vossa visão e o vosso programa que irão reacender a chama da esperança da nação inteira.

E em vez de dividir o mesmo povo, mostrem-lhe como cada candidatura individual ou de cada partido irá unificar a grande família guineense em prol da paz, da estabilidade e de desenvolvimento.

Embora na Guiné-Bissau o negativismo muitas vezes se confunde com o realismo, não podia deixar de pedir aos políticos para que nos ofereçam atitudes e propostas optimistas – mesmo que verbais! Aliás, é disso que se espera de quem quer inspirar, governar e liderar uma nação à volta de um desígnio nacional.

Como tinha escrito alguma vez nas redes sociais, “se do realismo sociopolítico e militar guineense não há lugar para o optimismo, então faltar-nos-ão razões para ter esperanças. E um país sem esperança, é um país condenado ao falhanço”.

E com esta campanha eleitoral, a Guiné-Bissau vê-se obrigada a sonhar mais uma vez. E como este “sonho” vem a “esperança”. Assim sendo, aos políticos guineenses diria o seguinte: as melhores prendas que nos podem oferecer nesta campanha eleitoral não são as toneladas do arroz, as milhares de bicicletas, as centenas de motorizadas e geradores, mas sim a esperança de continuarmos a sonhar com os melhores dias!

É a tal esperança de que amanhã teremos escolas para as nossas crianças, hospitais para as nossas populações, a paz, a estabilidade, o desenvolvimento e a dignidade para o nosso povo em geral.

Portanto, neste carnaval eleitoral de 2014, caro candidato político e/ou partido guineense, concede-nos “Esperanças” para continuarmos a acreditar numa Nação forte e firme, nós dar-lhe-emos a confiança e o nosso voto.

 **Nota do Editor: as opiniões aqui expressas são da inteira responsabilidade de cada autor e não reflectem necessariamente a linha editorial da GBissau.com.

10 Responses to Opinião: A Festa das Eleições, o Sonho e a Esperança do guineense

  1. está na hora de guardar as armas porque já choramos muitos
    basta violencias tortura miseria descrimições … viva a paz na Guiné

  2. bacar demba balde diz:

    está na hora de guardar as armas porque já choramos muitosbasta violencias tortura miseria descrimições … viva a paz na Guiné

  3. Gloria diz:

    NHA ERMONS, PAZ I SO KU DR. PAULO GOMES. KUMANDA I BOM PA TUDU GUINEENSIS VOTA NEL. VIVA PAULO GOMES NA PRESIDENCIA I VIVA DESENVOLVIMENTO

  4. Alma-beafada diz:

    Na nossa Guiné, sempre os nossos políticos nos brindaram com a falta de transparência e de boa fé. Não querem debates porque não têm projectos para apresentar. Um candidato as presidênciais, faz campanha com discursos de tipo que concorre as legislativas, com tantas promessas falsas e… só mentiras.

  5. Respeito a opiniao do Umaru Djau,editor deste blog,mas no meu ponto de vista ele pecou claramente quando afirma,e so um homem com Fato e Gravata pode assumir a postura de lideranca de um pais,para mim isso nao e verdade,Maky Sal,Alassana Ouattara,Good-Luck Jonathan,Ibrahima Abubacar Keita,Alfa Konde, Iaia Diame e entre outros presidentes usam fatos e gravatas ,mais tambem,Kaftanes(gran-bubus)e fundinhos.

    Nao quero entrar em muitos detalhes,porque tenho grande respeito e con sideracao pata com Umaro.

    Obrigado

    Sirajo Jalo

    • Marieta Ribeiro diz:

      Eu acho que quando o Umaru fala de homem de fato e gravata esta a referir ao cidadão comum ao homem que não usa farda e não está aqui a tentar diminuir o o fundinho, o gran-bubu ou outra indumentária qualquer.

  6. Tio Kapadur diz:

    só preciso de quem se compromete com duas coisas durante uma governação:
    Habitação social e infra-estruturas escolares (universidades) na segunda ronda de governação resolver problemas de desenvolvimento sanitário.
    Quem promete mais de duas coisas ao mesmo tempo está simplesmente a gozar com o povo ou não tem noção do que está a falar porque na Guiné para resolver um problemas, é preciso resolver mais de 10 problemas para poder ter acesso ao pretendido.

  7. Mamadu Balde (Alfa) diz:

    Obrigado pela forma serena, concisa, responsavel e sobretudo pelo profundo analise na apresentacao desse artigo sobre o imbate eleitoral que se avizinha. Espero que os candidatos presidenciais (independentes ou apoiados pelos respetivos partidos) e aos partidos que se desfilam para a chefia do governo e aos candidatos para representarem o povo no parlamento, usem uma linguagem moderada durante os 21 dias de campanha e como disse muito bem o Umaro Djau, apresentem projetos concretos em vez de comprarem a consciencia do pobre eleitor com carros, motos, bcicletas ou arroz e sobretudo aos jovens… exijam a verdade, saiam dos quarteis e aos militares sejam nacionalistas! Djarama Umaro!!!

  8. Kister Tchuda diz:

    No ano 1963 á 1973 há um grupo de Guineenses que sustentava Guerra da libertação nacional, que até hoje não tem quadro formado para se tornar feliz em si, como cidadão nacional.
    Mas como é possível acontecer com este grupo, como minoria grupos étnicos Guineenses?
    No seculo 21 possível que Deus dará poder a esta minoria grupo a Mem.

  9. para minha opiniao o camdidato mais edial neste momento e o senhor Abel Incada por que os outro ja tem mao chuza nos outro situaçao que nao podemos todo tempo de ter um lider que esta no Narco Trafico e muito feio .
    e nem fasso a minha escolhe pelo partido fasso atravez do perfil da pessoa ,por que Guine-Bissau ja e demais que o mundo estao a falar ,agente ja deve mudar da ideia .nao so pensar no dinheiro mais saber preservar a Nacao ,nao quero sitar os nomes .mais todos nos sabemos e conhecemos .
    muito obrigado para atençao e respeito

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