Grande Entrevista: Petróleo – Guiné-Bissau prepara abrir novos furos no próximo ano

Bissau (Jornal Nô Pintcha, Maio de 2014) – O director-geral da Companhia Petrolífera da Guiné-Bissau, PETROGUIN, disse, em entrevista ao Nô Pintcha, dia 5 do mês em curso, que o país irá abrir novos furos para a prospecção petrolífera nas zonas que apresentam indícios da existência de hidrocarbonetos. Nesta perspectiva, António Serifo Embaló avisa aos guineenses para que não façam desta perfuração a máxima esperança e que nem a assumam como o maior desespero, em caso do fiasco. Este responsável explicou que nem todos os estudos técnicos são revelados, devido à estratégia das empresas, pelo que a Petroguin, na qualidade do responsável da área, tem que manter no mesmo nível do segredo. Acrescentou que de forma geral a Guiné-Bissau chegou de descobrir o petróleo, só que, em suas palavras, a quantidade descoberta não é comerciável.

Por Seco Baldé Vieira, em Bissau

Jornal Nô Pintcha – (JNP) – Sr. director-geral da Petroguin, depois de um ano à frente desta instituição petrolífera nacional, que esperança pode dar aos guineenses?

António Serifo Embaló – (ASE) – A esperança é a última coisa que morre, por isso é que quero deixar aos guineenses a esperança de uma boa perspectiva no desenvolvimento das actividades petrolíferas na Guiné-Bissau, embora seja uma área muito complexa que requere grandes investimentos para se chegar ao objectivo. Nos últimos anos e com a minha presença, enquanto responsável máximo procuramos, em equipa, dinamizar o maior possível de actividades junto às empresas contratadas para prosseguir a pesquisa. Como sabem que há normas que balizam a assinatura dos contratos e que duram 5 anos e mais dois anos de extensão. Só que tem que estar acima das empresas para que possam acelerar com as fases dos trabalhos na perspectiva de chegar na perfuração, porque só com a abertura de furos é que se pode descobrir ou não o petróleo. Às vezes os estudos apontam para uma boa perspectiva, mas no fim acaba por não encontrar o petróleo, às vezes porque secou e ou porque a quantidade existente não é comerciável. Mas, pensamos que com os trabalhos técnicos feitos até aqui, podemos continuar a sonhar, porque a partir do próximo ano vamos fazer mais furos nas localidades que apontaram os indícios da existência de petróleo. A perfuração do próximo ano não deve significar a maior esperança, caso da existência, mas também não deve representar o desespero, porque os trabalhos vão continuar, aliás há países que fizeram mais de duzentos furos, enquanto nós ainda não chegamos nem se quer a 14 furos. Em termos gerais os estudos apontam para uma boa perspectiva, só que, às vezes, a quantidade que se regista é muito inferior ao custo da sua exploração.

JNP – Não acha que o processo da procura do petróleo está lento?

ASE – Não. É a exigência do sector petrolífero, porque para chegar aos furos tem que se fazer vários estudos e para fazer furos tem que se ter dinheiro. Todo isso é um processo, embora pensem que é lento, mas não.

JNP – Essas pesquisas estão apenas limitadas no offshore (no mar)?

ASE – Exactamente. Aliás, no onshore, autorizamos uma empresa romena interessada e já iniciou os estudos preliminares e deverá abranger todo o território nacional. Pensamos que muito em breve vamos ter informações indicativas das zonas que apresentam os indícios da existência ou não dos hidrocarbonetos ou jazigos doutros minérios. Caso o mesmo apresente bons indicadores, vamos de imediato dividir as áreas em blocos e licenciar às empresas interessadas para fazerem os estudos mais aprofundados.

Petróleo: Mapa das zonas de prospecção

Petróleo: Mapa das zonas de prospecção

JNP – Quantas empresas é que estão a fazer a prospecção no terreno?

ASE – Neste momento no onshore apenas temos uma empresa e no offshore temos 11 blocos licenciados e repartidos a diferentes empresas e todas as empresas estão engajadas nos trabalhos e poderão iniciar a perfuração a partir do próximo ano. Por outro lado, temos três blocos não licenciados ainda. Licenciamento – significa que a referida empresa vai pesquisar e em caso da descoberta do petróleo, o Estado deve negociar com essa empresa sobre as modalidades de amortização das suas despesas despendidas para poder rentabilizar a empresa. Portanto, o Estado da Guiné-Bissau não vende em nenhum momento e circunstância os blocos de petróleo.

JNP – O que é que o Petroguin sabe do projecto da exploração conjunta – Guiné-Bissau/Senegal?

ASE – O Petroguin não faz parte do referido projecto. Aliás, foi criada uma agência para se responsabilizar da gestão do projecto e responde directamente aos dois Estados.

António Serifo Embaló, director-geral da Petroguin

António Serifo Embaló, director-geral da Petroguin

JNP – Em termos legislativos, tudo está conforme?

ASE – Em termos legais tudo está bem. Considerando que havia necessidade de fazer a lei e foi o caso, restando agora o cumprimento dos seus trâmites normais que é a promulgação pelo Presidente da República e consequentemente publicação no Boletim Oficial. A lei está em conformidade com as exigências do sector do petróleo e é atraente aos investidores que querem vir investir no sector. Sabe que o sector do petróleo é uma área muito conexa, quase é igual a nível mundial, só que cada país cria a sua lei de acordo com a sua realidade.

JNP – O que acha do convite que as Autoridades Petrolíferas Timorenses fazem a Guiné-Bissau para participar, tal como outros países da CPLP, na exploração do petróleo em Timor-Leste?

ASE – Ao nosso ver a proposta das Autoridades Timorenses de Petróleo é muito boa. Só que cabe-nos fazer o nosso trabalho e apresentar ao Governo o relatório para o efeito da decisão. O Estado da Guiné-Bissau é soberano, só que, da nossa parte é uma mais-valia para a Guiné-Bissau. Tal como a Guiné, as autoridades do Petróleo de Timor já mantiveram contactos com Angola, Brasil, Cabo Verde, Portugal e São Tomé neste sentido.

JNP – Qual é o nível de reconhecimento internacional das empresas que operam no país e no sector do petróleo?

ASE – Normalmente as empresas tem que reunir as seguintes condições: ter capacidade técnica de fazer estudos sísmicos da área concedida e capacidade financeira para sustentar essas actividades até à perfuração. Caso contrário, não se atribui nenhuma licença. Para concluir, as empresas que estão a operar neste momento deu-nos uma garantia de qualidade técnica e capacidade operacional.

JNP – Estas empresas têm tomado em conta a questão ambiental?

ASE – A questão ambiental é muito fundamental neste processo. É obrigação da Petroguin alertar e exigir as empresas petrolíferas interessadas a prosperar no país para convidarem as empresas ambientalistas para darem orientação ambiental, porque hoje, no mundo, a questão do ambiente é um tema de actualidade.

JNP – Com certeza está na posse de várias informações técnicas sobre o sector petrolífero no país. Há ou não petróleo na Guiné-Bissau?

ASE – Bom. Nem todos os estudos técnicos são revelados, devido à estratégia das empresas, pelo que a Petroguin, na qualidade do responsável da área, tem que manter exactamente os mesmos níveis de segredo. Mas, o certo é que foi ao público a informação de que em vários furos e foi encontrado petróleo em quantidade não comerciável. De forma geral ninguém pode afirmar que não houve descoberta na Guiné-Bissau, mas continuam-se a fazer estudos até quando descobrir a quantidade que pode fazer os guineenses sorrirem.

JNP – A Petroguin está em bom nível técnico para lidar com petróleo, caso for descoberto na próxima perfuração?

ASE – Temos um programa anual de actualização dos técnicos. Porque se um dia a Guiné-Bissau descobrir o petróleo com certeza o quadro nacional não é suficiente para gerir o sistema. Mas, qualquer das formas está a fazer os esforços possíveis a nível das formações. O certo é que a Petroguin não está em condição de financiar bolsas de estudos na área do petróleo, mas a nível do Governo pode existir, só que a maioria dos jovens que concorrem às bolsas de estudo não está interessada ao sector petrolífero. Eles preferem mais os cursos de curta duração e com a maior dinâmica no mercado.

JNP – Quais são as perspectivas?

ASE – A nossa perspectiva é continuar com os estudos de prospecção.

 

2 Responses to Grande Entrevista: Petróleo – Guiné-Bissau prepara abrir novos furos no próximo ano

  1. Dauda André Embaló diz:

    Bom,não sei se posso estar certo mas o que o senhor disse é bem verdade as pessoas não gostam de formar naquilo que ainda não existe mas se eu pudesse ter essa chance sim senhor formaria na área do petróleo.Sim haverá mais pessoas interessadas.Mas peço Deus que evidenciem e incentivem as pessoas para formarem nessas áreas pertinentes para se podere emergir o País.

  2. AMADU BARI diz:

    EU ACHO QUE NOS DEVEM SER CAPAZES DE CONTINUAR A UM GRANDE BUSCA DESTE CAMINHO DE PETROLEO.PORQUE HOJE EM DIA SE NO CASO E VERDADE GUINE TEM ESTE MINEIRO ACHO QUE E MUITO BOM PRA TDS NOS ATEE MUITO BOM PRA OS INVESTIDORES TAMBEM.PORQUE JA MUITOS ANOS OUVIU A HISTORIA DO PETROLEO NAS AGUAS TERRITORIAIS DA GUINE BISSAU.AGORA ANOSSA GERAÇAO QUEREM VER ESTA HISTORIA SE NO CASO E REAL OU NAO.MUITO OBRIGADO E PARABENS PARA TDS OS GUINENSES E OS INVESTIDORES.

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