Mari Alkatiri justifica apoio de Timor-Leste à Guiné-Bissau contra vontade da CPLP

Bissau (Lusa, 27 de Maio de 2014) – O antigo primeiro-ministro timorense Mari Alkatiri, defendeu ontem o apoio de Timor-Leste à Guiné-Bissau, após o golpe de Estado de 2012, decidido contra a vontade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

“Começo por uma questão polémica. O ano passado quando Timor-Leste decidiu apoiar a Guiné-Bissau fê-lo contra vontade da CPLP e as pessoas não entendiam porque Timor-Leste decidiu apoiar um povo irmão”, afirmou Mari Alkatiri.

O secretário-geral da Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) falava na conferência “África/Timor-Leste: passado, presente e futuro”, que decorreu no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Díli, no âmbito da celebração do Dia de África, assinalado no domingo.

“Fizemo-lo conscientes das relações históricas e culturais que unem num passado longínquo e recente. Fizemo-lo porque tivemos a perceção de que era a nossa vez de mostrar a solidariedade”, afirmou Mari Alkatiri, lembrando que a Guiné-Bissau foi o primeiro país a reconhecer a independência de Timor-Leste.

“Um dirigente de outro país disse que não devíamos ter feito isso porque o governo era ilegítimo. Respondi que a comunidade era de países e não de governos”, acrescentou.

Timor-Leste apoiou o processo eleitoral na Guiné-Bissau, que conduziu à realização das eleições legislativas e presidenciais, com mais de quatro milhões de euros.

Na sua intervenção, Mari Alkatiri recordou também o apoio dado pelos Países Africanos de Língua Portuguesa à frente diplomática durante a ocupação indonésia de Timor-Leste afirmando: “Partilharam a sua própria pobreza para nos ajudarem a fazer o nosso trabalho”.

Em declarações à Lusa no final da sua intervenção, Mari Alkatiri defendeu também uma CPLP mais ativa nas relações económicas internacionais para deixar de ficar limitada a uma organização para “matar saudades”.

“Não nos limitemos só a fazer da CPLP uma organização para matar saudades, falar do passado, é preciso que seja uma CPLP que possa intervir nas relações internacionais de forma sistemática e coerente e fundamentalmente nas relações económicas internacionais”, afirmou Mari Alkatiri.

Timor-Leste assume pela primeira vez durante a cimeira de chefes de Estado e de Governo da CPLP, marcada para 23 de julho em Díli, a presidência da organização.

4 Responses to Mari Alkatiri justifica apoio de Timor-Leste à Guiné-Bissau contra vontade da CPLP

  1. O Libertador diz:

    pura verdade senhor Mari Alkatiri voces retibuiran um favor que deus voces abencoe o povo da Guine-Bissau esta grato com voces obrigado por todo que fezeran

  2. Hombedjo diz:

    Geralmente temos sempre presente que na política, o que mais interessa é o momento, é o “realpolitik” e “falta di oredja”. Ora neste caso, pelo menos para nós os guineenses, o povo e as autoridades timorenses em geral e o SR MARI ALKATIRI em particular já deram mostras praticas e evidentes de que na política ainda há nobreza de carater quando as pessoas são nobres. Como guineense agradeço do fundo do coração o povo maubere irmão.

  3. taharqa diz:

    1 bilião vezes a Timor Leste e Mario Alkaitiri porque acreditaram no povo guineense e deram-nos toda a ajuda e conselhos e hoje estamos a avançar Também a CEDEA e Nigeria,muito obrigado do fundo meu coração!

  4. Nenné diz:

    Temos que condenar tudo o que é mau e nos traz a desgraça mas, também devemos intervir para ajudar a eliminar esse mal e não ficar só em condições. Foi o que Timor Leste fez. Deu exemplo de como se deve posicionar e agir politicamente e de forma independente, não a reboque como acontece com alguns países da C.P.L.P. Graças a Timor conseguimos fazer recenseamento eleitoral, inclusive na diáspora, e realizar eleições credíveis e muito participadas.
    Obrigado ao povo timorense e aos seus lideres, pessoas de carácter!

Responder a taharqa Cancelar resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.