Portugal não deve submeter-se a interesses económicos de Angola»

Luanda ( PNN, 6 de Junho de 2014) _ Uma delegação da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) chegou a Lisboa na passada quarta-feira, 4 de Junho, numa deslocação que se estende ainda à vizinha Espanha, este sábado.

Na agenda da delegação, chefiada por Raul Danda (Presidente do grupo parlamentar do partido), está o aprofundamento da democracia angolana e ainda o reforço das relações com deputados portugueses que têm laços de amizade com aquele que é o maior partido da oposição angolana.

Para além de, mais uma vez, ter abordado o tema dos atropelos aos direitos humanos por parte do regime liderado por Eduardo dos Santos, Raul Danda defende que Portugal, na defesa da democratização de Angola, não deve submeter-se aos interesses económicos angolanos.

Em declarações, após um encontro com a Fundação de Direitos Humanos «Pro Dignitate», presidida por Maria Barroso, Danda confessou sentir que, de algum modo, a dependência económico-financeira tem consequências um pouco prejudiciais.

«Acho que Portugal tem que continuar a ser aquela ´nação valente´ que nós ouvimos no hino de Portugal e, para isso, tem que portar-se de forma um bocadinho diferente. A questão é que julgamos que, o que complica muito, é aquilo que alguns sectores de Portugal fazem – assim como a comunidade internacional – ao elogiarem os democratas em Angola que não são democratas», afirmou o Presidente do grupo parlamentar da UNITA.

«Nós temos grandes desafios em relação à democratização de Angola e muitas vezes os interesses económicos funcionam e falam mais alto do que as relações humanas, e isso é grave. Nós gostaríamos de ver Portugal ser mais interventivo em relação àquilo que se passa em Angola, porque não se ajuda alguém quando não se tem coragem de se apontar os pontos negativos que este tem», sustentou o deputado.

Esta foi, aliás, uma das mensagens que o principal partido da oposição em Angola deixou aquando dos encontros com o embaixador Rui Macieira, com o Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação, Luís Campos Ferreira, e com os grupos parlamentares do CDS-PP e do PSD.

Ainda a propósito da mesma questão, o Presidente do grupo parlamentar da UNITA fez questão de deixar um alerta: «Portugal pode, actualmente, precisar de Angola, mas não precisa do Governo de Angola, nem do seu regime. Portugal não precisa do MPLA que está no poder, precisa sim de Angola e dos angolanos, e Angola e os angolanos são muito mais do que o Presidente José Eduardo dos Santos e muito mais do que o MPLA».

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