Editorial: Ébola – todo o cuidado é pouco

(GBissau, 6 de Agosto de 2014) – Devido às preocupações relacionadas com o vírus ébola, o Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos da América (em inglês: Centers for Disease Control and Prevention – CDC) elevou hoje, quarta-feira, o seu alerta para o mais alto nível desde 2009, aquando da pandemia de gripe (inicialmente designada como gripe suína e em Abril de 2009 como gripe A).

Para além de sérias medidas de prevenção no território americano, esta agência do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA vai enviar mais de 50 técnicos e especialistas de saúde para a África Ocidental.

O surto de ébola coincide com a primeira Cimeira entre os Estados Unidos da América e a África, um evento que tem servido para renovar os apelos dos líderes africanos sobre a necessidade de ajudar os países afectados.

Vírus ébola

Vírus ébola

A decisão de CDC vai, em parte, ao encontro das necessidades africanas. Adicionalmente, os EUA já solicitaram a colaboração dos países europeus — em coordenação com a OMS — para mobilizar recursos materiais e humanos necessários para assistir os países afectados, como anunciou o Presidente norte-americano, Barack Obama, durante uma conferência de imprensa esta tarde, em Washington.

Isto, numa altura em que os dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam para pelo menos 932 mortos, entre mais de 1.711 casos (suspeitos, prováveis e confirmados) da infecção viral ébola, reportados em vários países da África Ocidental.

Desde que o surto começou em Março deste ano, os países mais atingidos são a vizinha Guiné-Conacri (363 mortos), a Serra Leoa (286 mortos), a Libéria (282 mortos) e a Nigéria. Quanto a este último país, a OMS confirma uma morte – mas as autoridades de saúde daquele país dizem que uma segunda pessoa, uma enfermeira, também morreu com o vírus.

Devido à proximidade dos países afectados, as autoridades da Guiné-Bissau devem tomar todas as medidas necessárias para alertar a população guineense e ajudar a prevenir a entrada do vírus ébola no país.

Como muitos já devem saber, ainda não há cura para ébola e há poucas companhias farmacêuticas a trabalhar neste domínio. Mapp Biopharmaceutical Inc. é uma delas, mas, de acordo com a imprensa americana, ela produziu apenas três doses de “Zmapp” (o nome do medicamento).

O processo clínico para testar a eficiência desta droga levará certamente muito tempo (pelo menos alguns meses) e, como admitiu Barack Obama, “ainda faltam dados científicos” antes que esta e outras companhias possam produzir grandes quantidades destas drogas.

Doravante, o pouco que nos resta é seguir à risca os conselhos dos especialistas americanos na área de doenças infecciosas, tais como Jorge Rodriguez e Arthur Caplan.

“Não há necessidade para o pânico. Use o bom senso quando alguém está doente. Não toque o seu catarro, a sua diarreia, e se você tem um filho ou marido ou esposa que está doente, use luvas. Use o álcool como desinfectante ou mesmo 10% de lixívia. E, por último, fique longe de fluidos corporais”. — Dr. Jorge Rodriguez, Especialista de HIV/SIDA

“Envie especialistas para ensinar as pessoas a não tocar nos corpos dos doentes, use o isolamento e não deixe que as pessoas viajem. No curto prazo, um país poderá obter melhores resultados, continuando os esforços de prevenção, em vez de apostar no acesso às drogas “.  Arthur L. Caplan, Divisão Médica do Centro Hospitalar da Universidade de Nova Iorque, EUA.

Apesar da minha preocupação inicial, através da comunicação social guineense e, também, de outros amigos, fiquei a saber que o Governo guineense tomou medidas preventivas para evitar a expansão do vírus. O Governo de Domingos Simões Pereira decidiu enviar para a vizinha Guiné-Conacri, técnicos de saúde guineenses, para aprenderem como lidar com as pessoas infectadas.

Internamente, o Governo proibiu o consumo da carne de caça e de frutas que os morcegos consomem.

Mesmo assim, devido à fácil e incontrolável entrada dos cidadãos da vizinha República da Guiné-Conacri (o ponto fulcral do vírus ébola), as autoridades nacionais de saúde precisam de criar uma confiança com as populações e educá-las sobre aspectos essenciais de saneamento básico público.

Devido à natureza “estranha” e pouco conhecida deste vírus – cujos sintomas podem confundir-se com febre aguda e paludismo –, o mais importante para os agentes de saúde da Guiné-Bissau é saber identificar o vírus e saber isolar os casos, logo que sejam verificados.

E isto requer educação, sensibilização e prontidão.

 

 

 

 

 

 

2 Responses to Editorial: Ébola – todo o cuidado é pouco

  1. ture diz:

    e bm tomar a medidas importantes e ceveros para a prevensao a comunicaXAO DEVERIA ser a coisa primordial da luta…

  2. ornelho diz:

    Um patriota muito longe, mas guiné no coração que Deus lhe abençoá ao lado dos teus percursos dia dia(paz,sucesso,muito trabalhos)

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