Opinião: Desmistificar a Mesa Redonda

“…caro guineense, chega de mitificação, vai para Bruxelas sem complexos, de cabeça erguida e leva contigo a “felicidade”, a simplicidade e a imagem real do nosso país. Se quiseres até, leva contigo o ballet “Esta é a Nossa Pátria Amada” e até o “Nturudu” mais feio do nosso último Carnaval e, também, não esquecer a consagrada “Rainha di Bandé”.

Editor, GBissau

Por mais que gostemos de “mitificar” todas as coisas, a mesa redonda com os potenciais doadores e credores da Guiné-Bissau é apenas um encontro técnico e financeiro, durante o qual as nossas autoridades apresentarão a sua visão estratégica de desenvolvimento para os próximos 10 anos.

A primeira fase “Terra Ranka” estende-se entre 2015-2020 e a segunda fase “Sol na Iardi” corresponde ao período de 2021-2025.

Os governantes guineenses,  na sequência de várias reuniões técnicas,   fizeram chegar as suas propostas aos países e parceiros privados para os auscultar nesse encontro que se augura de importância relevante.

Ora, façamos de conta que o próximo dia 25 de Março é o dia da nossa “defesa de tese” perante os nossos parceiros que farão representar nessa nobre instituição europeia.

Logotipo Mesa Redonda Guiné-Bissau Parceiros

Logotipo Mesa Redonda Guiné-Bissau Parceiros

A mesa redonda não é um “culto secreto”, mas é essencialmente um fórum de carácter “político, diplomático e público” para alertar ao mundo que existe um país chamado Guiné-Bissau que precisa de atenção, porque também temos “peixe” para vender, caju para transformar, hipopótamo para admirar, as palmeiras, as praias, o sol, e uma excelente localização geográfica e estratégica, etc., etc.

Vista de uma forma ainda mais simplista, uma mesa redonda é um encontro de “relações públicas” por excelência, onde “formalmente” se assinala o início de uma “intenção” de recorrer ao empréstimo internacional para uma determinada agenda política, económica e de desenvolvimento. No caso do Governo guineense, a designação do documento recai sobre “Visão e Plano Estratégico e Operacional 2015-2025”. Até aqui, tudo bem!

No entanto, o mais difícil será a fase posterior às negociações dos acordos e das contrapartidas financeiras, para não falar da aplicabilidade dos projectos a desenvolver e/ou implementar.

Portanto, caro guineense, chega de mitificação, vai para Bruxelas sem complexos, de cabeça erguida e leva contigo a “felicidade”, a simplicidade e a imagem real do nosso país. Se quiseres até, leva contigo o ballet “Esta é a Nossa Pátria Amada” e até o “Nturudu” mais feio do nosso último Carnaval e, também, não esquecer a consagrada “Rainha di Bandé”.

Mas, no meio de toda uma campanha pública, não te esqueças que a maior garantia da Guiné-Bissau será a sua promessa de “seriedade” governativa e “estabilidade” político-social e militar.

Defenda convictamente a tua visão, discuta abertamente os teus pontos de vista, mas também divirta-te e mostre ao mundo quanto vale o espírito na nossa “guineendadi”. Que os 60 elementos sejam representativos de uma Guiné-Bissau esperançada e pronta para os desafios do futuro!

3 Responses to Opinião: Desmistificar a Mesa Redonda

  1. Bem pensado e escrito.Obrigadi irmao.Estamos juntos!

    Viva Guine!

    Sirajo Jalo

  2. MB diz:

    Surpreende-me muito a propaganda sobre a mesa redonda? O povo até fica de espírito atormentado…

  3. alcene sidibé diz:

    a mesa redonda por si só nao resolvetudo, o mais importante é a boa governaçao no que refere a aplicabilidade devida dos fundos…

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.