Opinião: A Mesa Redonda e o Simbolismo de uma Nova Aliança Interna 

“…qualquer resultado que vier a ser anunciado no final do dia 25 em Bruxelas, a vida continua para os guineenses. E, certamente, a Guiné-Bissau continuará a depender (e deve) daquilo que tem: da sua capacidade interna, dos seus recursos naturais, dos minerais a descobrir e dos seus recursos humanos!”.

Por Amadila Baldé | ambalde@gmail.com

Amanhã, quarta-feira, realiza-se em Bruxelas (capital da Bélgica) a propalada mesa-redonda do governo da Guiné-Bissau com os parceiros internacionais de desenvolvimento.

Para a ocasião, o Presidente da República, José Mário Vaz, e o líder do executivo Domingos Simões Pereira, poliram todas as artilharias à procura da”galinha dos ovos de ouro”, na capital comunitária da Europa.

É mais um gesto de cumplicidade entre os máximos dirigentes do país que até parece indicar que a “chama da discórdia” entre o Chefe do Estado e do governo que vinha ganhando contornos preocupantes na esfera pública guineense já é um negócio do passado. Mas, será que esta “aliança” não é apenas uma “cortina de fumo” que vai servir como a “máscara de sedução” aos parceiros na Bélgica?

Seja qual for o objectivo desta aliança, os mandatários estão cientes de que o país não quer ver abalado, mais uma vez, a sua frágil democracia, e consequentemente pôr em causa o encontro de Bruxelas, e qualquer outro programa de desenvolvimento. Talvez tenha sido essa a razão do apaziguamento do desentendimento quanto ao preenchimento da vaga deixada pelo demissionário ministro, Botche Candé, na Administração Interna. José Mário Vaz e Domingos Simões Pereira chegaram finalmente ao consenso para a nomeação de Octávio Alves, como o novo ministro da Administração Interna.

Entretanto, o primeiro-ministro e toda a “expedição” que o acompanha já estão na capital comunitária convencidos de ter feito o trabalho da casa, enquanto atrás, o guineense menos atento aplaude, alimentando-se de esperança (como sempre) de que a comitiva governamental vai ser coroada de muitos êxitos e com muitas medalhas!

Mas, a julgar pelos antecedentes, compreende-se que há pouca coisa que a Europa pode dar e quando dá, faz em troca de tudo, hipotecando países e até sociedades inteiras, empobrecendo tudo o que depende dela. Neste momento importa-se pouco os resultados que possam vir de Bruxelas, mas sim, o facto de os preparativos terem favorecido a normalização das relações entre as instituições do Estado.

Portanto, qualquer resultado que vier a ser anunciado no final do dia 25 em Bruxelas, a vida continua para os guineenses. E, certamente, a Guiné-Bissau continuará a depender (e deve) daquilo que tem: da sua capacidade interna, dos seus recursos naturais, dos minerais a descobrir e dos seus recursos humanos!

Enquanto os guineenses esperam que a nova “aliança” e o novo entendimento ora forjados durante a preparação do encontro de Bruxelas não sejam uma simples “cortina de fumo” para seduzir a quem quer que seja.

Os guineenses rezam que essa nova “aliança” e esse novo entendimento sejam factores duradouros para que, finalmente, consigamos semear e acolher os frutos da paz e da estabilidade governativa.

Afinal de contas, o nosso entendimento interno poderá ser o nosso maior trunfo nas nossas batalhas futuras rumo à consolidação democrática e ao desenvolvimento.

3 Responses to Opinião: A Mesa Redonda e o Simbolismo de uma Nova Aliança Interna 

  1. UMARO BALDÉ diz:

    Uma boa e coerente analise, irmão Amadila. Espero que tal como eu, todos os Guineenses e particularmente os nossos dirigentes, alinhem com o ultimo paragrafo do teu artigo, cito “Afinal de contas, o nosso entendimento interno poderá ser o nosso maior trunfo nas nossas batalhas futuras rumo à consolidação democrática e ao desenvolvimento”.
    Quanto a sintonia (por convivência!?) entre o Presidente e o Primeiro Ministro, espero e rezo que dure para sempre, ou pelo menos, enquanto estiverem os dois no nobre comando do destino da nação Guineense. Espero que tomem consciência, de que o povo Guineense, o mundo e a historia está de olhos posto neles e qualquer falhanço que não resulte de fatores alheios a vontade deles, será simplesmente imperdoável.

  2. UMARO BALDÉ diz:

    Onde se lê (convivência!?) no comentário anterior, devia ler-se: (convinência!?), peço desculpas pelo lapso ortográfico, obrigado.

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