Opinião: UM PASSO DE CADA VEZ: Uma nova visão estratégica do governo, “Terra Ranka”

“…Estou convicto que estas estratégias foram elaboradas dentro da abordagem da matriz swot onde estuda risco, oportunidade, forças e fraquezas. As evidências mostram que a Guiné-Bissau e seu governo conseguiram identificar claramente seus riscos e fraquezas, mas as oportunidades e forças iniciou-se um design delineado em perspectivas inovadoras”. (…) “…Como profissional do mercado e analista econômico e financeiro, mesmo sem ter oportunidade de analisar materialmente o documento remetido aos parceiros, tenho a convicção positiva e real das intenções de quem o elaborou ou ajudaram a elaborar”.

Por Prof. Mestre Patrício Baionco Mindelo Biaguê | baionco@gmail.com

No dia 25 de março Bruxelas recebeu no seu humilde espaço geográfico mais 1,5 milhões de habitantes da Guiné-Bissau representado por uma delegação que vestiu a camisa, ilustrando as principais necessidades do povo e da nação juntos aos parceiros bilaterais e multilaterais.

A emoção, a comoção e a motivação invadiu a estrutura física e mental dos guineenses provocando um novo pulsar de esperança, e o saltitar da retina as novas realidades e perspectiva do país para os próximos anos.

A proposta apresentado assenta em dois eixos principais:

1) Terra Ranka1 e;

2) Sol na Iarde2

Os dois eixos abrangem três fases:

  • Construção de estabilidade institucional, início de uma nova era;
  • Fase de plano, implementação e consumo de recursos;
  • Proteção da biodiversidade e exploração consciente dos recursos naturais.

Segundo a declaração do Secretário de Estado do Plano e Integração Regional Dr. Degol Mendes na sua entrevista a “gbissau” este projeto é participativo e inclusivo, uma atitude ousada, diferente e responsável com vista ao atendimento da nossa necessidade social econômico e cultura. Este representante do governo mostrou com propriedade técnica a viabilidade e possível sucesso do projeto.

Com esta visão a Guiné Bissau percebe que todo o seu povo são partes significativos da sua historia independente da sua crença religiosa, da situação financeira e social ou titulação acadêmica. Este novo sentimento de “juntos e misturados” é um diferencial competitivo para o país.

No meu último artigo de opinião publicado no “gbissau” intitulado Guiné-Bissau Perspectiva do Crescimento Econômico Versus Desconhecimento Econômico e Político” abordei as questões ligadas ao primeiro eixo “Terra Ranka”.

Mesa Redonda da Guiné-Bissau com os doadores em Bruxelas

Mesa Redonda da Guiné-Bissau com os doadores em Bruxelas

É natural que a sociedade vive neste momento excesso de entusiasmo, que tudo acontecerá após a mesa redonda, mas na realidade é o começo de um trabalho árduo que exige qualificação, comprometimento, controle e resultados, baseado no plano estratégico delineado nos eixos mencionado anteriormente.

As evidências mostram que para a “Terra Rankar” (iniciar o desenvolvimento) de verdade é preciso criação de estabilidade política e institucional, imperativo essencial para atrair os investidores institucionais organizados e empreendedores individuais a confiarem seus recursos a serviço do desenvolvimento do país.

Diante do exposto, nos remete à análise do papel do estado na sociedade. Que tem como função principal criação de condições constitucionais para o crescimento econômico, bem estar social em contrapartida receber impostos e taxas para investimentos nas infraestruturas sociais e econômicas. É um ciclo ou relação entre os agentes superavitários e agentes deficitários.

Há quem diga que pagar imposto não é bom, mas é importante lembrar que, com os recursos de tributos as grandes nações do mundo livre conseguiram edificar suas economias e humildemente partilham os excedentes nos projetos de investimentos com outros países, caso concreto, Guiné-Bissau com seu ambicioso projeto “Terra Ranka”.

Estes sentimentos de povos anônimos representados pelos seus governos e instituições devem ser merecedor de um destino digno de recursos acompanhado de uma estratégia bem delineada com suporte e visão dos agentes competentes.

Estou convicto que estas estratégias foram elaboradas dentro da abordagem da matriz swot onde estuda risco, oportunidade, forças e fraquezas. As evidências mostram que a Guiné-Bissau e seu governo conseguiram identificar claramente seus riscos e fraquezas, mas as oportunidades e forças iniciou-se um design delineado em perspectivas inovadoras.

Esta motivação deve incentivar a criação de novas entidades ou órgãos reguladores independentes com autonomia própria de regular ou fiscalizar atividade de uma determinada entidade, seguindo exemplo de países desenvolvidos. Estes órgãos possuem autonomia própria para produzir leis, normas e procedimentos com imparcialidade a serviço do povo e da nação.

A denominação “Terra Ranka” é o motor de tudo e de todas as ações do governo com vista às realizações futuras. No papel, o planejamento apresenta cabeça, tronco e membros. Na prática tem que mostrar a mesma lealdade na estrutura com cumplicidade de todos.

Os valores da sociedade guineense sofreram alterações significativas nos últimos 40 anos da sua vida. É interessante analisar diferentes valores produzidos pela sociedade.

  • Nascemos como um povo cordial e receptivo, isso é inegável e conseguimos perdurar com esse valor até os dias atuais. Negativamente passamos de um povo honesto para um povo “Matcho” esta inversão de valor que remete a roubo de bens público como sinônimo de “matchundade” deve ser levado em conta no eixo “Terra Ranka”.

Para analisar este desvio de conduta é preciso voltar ao assunto estabilidade institucional onde as leis que normatiza, controla e fiscaliza devem proteger os contratos firmados e julgar o mérito da questão com imparcialidade dos possíveis infratores ou sabotadores do projeto que reuni a voz e a visão estratégica de todo país.

Terra Ranka, Uma nova visão estratégica do governo

Terra Ranka, Uma nova visão estratégica do governo

O primeiro Eixo “Terra Ranka” é a fase de planejamento e consumo de recurso nos projetos essências que exige um nível elevado de controle e a qualidade ética e processual dos profissionais envolvidos.

Como profissional do mercado e analista econômico e financeiro, mesmo sem ter oportunidade de analisar materialmente o documento remetido aos parceiros, tenho a convicção positiva e real das intenções de quem o elaborou ou ajudaram a elaborar. Esta justificativa fica patente com endosso da entrevista esclarecedora do secretário do Plano e Integração Regional.

A pergunta que se faz ouvir em todos os cantos da Guiné-Bissau é o seguinte:

  • Terra Ranka Djá? Ou seja, já iniciou o desenvolvimento do país?

Resposta: ainda não, foram criadas condições para apreciação da proposta do país, as promessas foram feitas, mas tudo depende do empenho e esforço de todos para que a promessa se transforme em realidade.

  • E agora, tanto propaganda nada?

Resposta: Fica calmo, propaganda é alma de negócio, mas, existem promessas concretas, o governo precisa definir prioridades e planejamento junto dos parceiros para depois disponibilizar recursos.

  • Pensamento dos corruptos: Com entrada de recurso de “Terra Ranka” vou aproveitar terminar a minha casa?

Resposta: Neste quesito entra o controle/fiscalização, e o poder punitivo do estado, fiquem de olhos bem abertos.

 

O segundo eixo “Sol na Iarde” é a fase de recolha de bônus e louros, onde os procedimentos das instituições públicas se solidificam, os recursos consumidos e produtos gerados.

Encetando alinhamentos aos interesses dos usuários e geração de emprego e renda necessária, provocando consumo e melhoria de qualidade de vida.

Esta fase é crucial, porque o país passa a experimentar novo “boom” de crescimento econômico e tecnológico, e se torna vulnerável aos ataques cibernéticos e crescimentos de charlatões e outras práticas não aceitáveis socialmente.

Por outro lado, incentiva a reestruturação da segurança pública e privada para novas demandas do crime organizado. O aumento do nível de segurança é uma questão estratégica que requer estudo, análise e entendimento das motivações de quem pratica a ilicitude.

Neste contexto, voltamos a reforçar a necessidade do judiciário no julgamento do mérito da questão e sua punição.

É incipiente prever o que pode acontecer no futuro, mas com as experiências das nações em crescimento o estado guineense deve levar em consideração esta preocupação.

O projeto “Terra Ranka” mostrou aos parceiros sua eficiência nos processos apresentados, mas a sociedade e os parceiros cobrarão sua eficácia baseado no resultado.

A Guiné-Bissau precisa mudar o seu “status quo” de coitadinho, pedinte de esmola para pagamento de salários, para um povo enérgico que transforma e gera riqueza para sociedade.

Precisamos trabalhar fortemente na educação de base e continuada.

Faça parte da mudança, não se conforme em assistir a mudança na plateia seja ator no palco.

 

Seja diferente.

Cordialmente

Prof. Mestre Patrício Baionco Mindelo Biaguê

Auditor Financeiro e pesquisador.

Gestor de Planejamento Estratégico – SS Brasil

Coordenador do Curso de Ciências Contábeis: Faculdade Católica Salesiana de ES

Contato para:

Palestras, Workshop e Consultoria Governamental Administrativa e Econômica.

Tel. (55) 27 981680724

baionco@hotmail.com

 

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Terra Ranka1 – refere ao início de uma etapa, o contexto atual refere ao início de um planejamento.

Sol na Iarde2 – Consolidação do planejado e início das realizações consumo de recursos, crescimento e geração de emprego.

One Response to Opinião: UM PASSO DE CADA VEZ: Uma nova visão estratégica do governo, “Terra Ranka”

  1. Patrício Baionco diz:

    Espero contribuir para uma reflexão crítica dos guineenses.
    Obrigado a gbissau pela publicação.

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