Opinião – Inimigos de nós próprios, será?

Filomeno Pina

Torna-se cada vez mais necessário construir uma percepção realista, transparente, em matéria de consciência colectiva do perfil político, cultural e de carreira profissional dos nossos líderes. É urgente uma reflexão desta natureza, merecedora de debate amplo e alargado sobre –  quem nos deve governar – para percebermos obviamente este perfil cultural, assente nas características da personalidade ajustada ao individuo, no que toca ao seu desempenho, competência ao longo da sua carreira política e profissional na sociedade Guineense.

por Filomeno Pina | filompina@hotmail.com

Queremos saber em que “pensamos” quando escolhemos, o que sabemos acerca de candidatos, – mas desta vez, tudo em cima da mesa – sem máscara e, às claras.

Basta de pessoas com mau carácter e comportamento desviante, mas que nos são impostas para mandar, “aceites” no meio social como sendo pessoas de bem, quando isso é falso, sustentando a visibilidade manchada ou sob disfarce, impostor com modos negativos, agir tendencioso, protegendo o interesse pessoal, de grupos corruptos, estando sob influências ocultas dos lobby, a governar sob pressão, manipulado, pressionado e orientado para o uso deliberado da descriminação, exploração do património do Povo, agindo por influência do impulso invejoso, crenças irracionais, mau carácter e usando máscaras, para parecer pessoa idónea, quando não passa de uma representação teatral do individuo, que passa uma falsa imagem, com o objectivo de condicionar suas vítimas, nesta tentativa de passar por aquilo que não é na realidade, tendo afinal de verdadeiro, o facto de ser/serem falso/s político/s e sem carácter!

Os que fazem o Povo pagar caro pecados alheios, cometidos por incompetência e mau carácter de certos lideres, com fraco perfil para governar, os que fazem o que não devem, para alimentar fantasmas alheios, fantasmas dos insaciáveis companheiros de assalto “legal” ao Estado, centrados no umbigo, megalómanos, gente fria, arrogante, complexada, amantes do quero, posso e mando enquanto lideres Guineenses, ditando as regras de cima para baixo, contornando as elites do poder político e social de um pequeno grupo favorecido, em vez de servirem o Povo, servem-se!

Este Povo só quer ser bem-mandado e por gente que evita os erros do passado, por gente com competência, que saiba fazer uma gestão empreendedora neste processo de desenvolvimento sustentado, gente com cabeça tronco e membros a favor do Povo, que saiba servir o Povo na justeza das necessidades, que as condições do País permitam neste momento, e com honestidade.

Para Ser e parecer – revolucionário – na presente conjuntura do nosso País – Basta Ser Honesto – no desempenho das funções à frente dos destinos do Povo, acredite Camarada.

Interrogo-me: em que medida somos nós próprios o “inimigo número um” da nossa realização pessoal e colectiva!?

Somando fracassos e frustrações em matéria de política de desenvolvimento do País, sublinho o facto de juntos (Guineenses) gerarmos quase sempre um ambiente de desconfiança entre nós. Movidos por suposições sem fundamento, dando aso ao uso da intriga, por receio de carácter invejoso e tendência para o uso da mentira com requintes de malvadez, estamos bloqueados pelo medo de sucesso do “vizinho” (se for Guineense) e, sobretudo, na elite do poder que nos tem governado ao longo de décadas. Estes foram sempre sensíveis à criação e uso a posteriori de boatos! Somente para tirar partido da reacção das suas vítimas, seguidamente, levando à desgraça pessoas e bens materiais, conseguida a partir da insegurança provocada sobre o individuo, os que previamente são seleccionados para “abater” na sociedade Guineenses e não só! Não vamos permitir mais tamanha loucura e comportamento criminoso, a continuarem impunes, gerando medo e o alastramento deste mal na sociedade Guineense.

Mais ainda, sublinhamos a necessidade de provocar uma estimulação do inconsciente colectivo, em certas questões pertinentes, por ex: percebermos porque valorizamos mais o que não temos ou pelo contrário, só valorizamos o que é nosso quando deixa de o ser! Passando a pertencer a outras mãos, só aí, infelizmente percebemos sem equívoco – o real valor – do que se perdeu a favor do rival e, já tarde demais. Frustrados, passamos a lamentar a oportunidade perdida de usufruirmos do que é nosso enquanto tal…

Na realidade em vez de produzirmos o – “Pão” – tendencialmente preferimos “importar” ou, ficar com as migalhas, i. é, daquilo que era nosso por natureza, mas que enquanto matéria prima, optamos por descuidar, preferimos fingir não saber, não-ver, para não confeccionar o – “Pão” – de fabrico nacional, feito por um Guineenses! É revoltante, é caso para parar e pensarmos – que inveja arcaica é esta – absolutamente infiltrada nas elites do poder, contagiando os menos atentos a este fenómeno, que instala a cultura de desconfiança ou criação de grupinhos, movidos pelo espírito de “não ser capaz”, sem sermos mandados, ou manipulados de fora para dentro, sem o uso efectivo da liberdade, matando à nascença o espírito Guineense de empreendedorismo realista, a partir das verdadeiras necessidades do Povo.

No entanto, trabalhamos que nos fartamos (Guineenses) para enchermos os bolsos a “novos” proprietários daquilo que já foi ou ainda é nosso, absolutamente nacional, mais, implantado no território nacional, porquê assim?

Será falta de cultura de vitórias na nossa sociedade perante o mundo, ou será pela ausência de uma cultura de liderança capaz, sem psicose sentimental de décadas de subdesenvolvimento da sociedade Guineense, empurrando-nos a acreditar, que não somos capazes, i. é, se nos revirmos no perfil dos que nos governaram este tempo todo, conjugado com o impacto da ausência de sucesso e desenvolvimento do território nacional, não obstante a nova vaga de esperança que começa a desenhar-se no horizonte político, sem contudo deixar de fazer justiça ao que foi bem feito e separar as águas.

Concluímos, sem erro de interpretação, que o Guineense é capaz, com provas dadas em vários cantos deste planeta, mas um tributo pouco visível em CASA DA MÃE por desavenças e intrigas recriadas pelos próprios, que é preciso destruir, mudar de rumo, de mentalidade e, resgatando melhores ideias políticas de desenvolvimento sustentado, encaixadas num sistema emergente, actualizado, rumo ao progresso do País global. Um percurso possível, se escolhermos os líderes por Meritocracia, perfil de liderança positiva, saber escolher os bons amigos da Guiné-Bissau (os que querem ver o nosso País como a sua segunda Casa e não o lugar onde há-de ficar podre de rico, vasando logo de seguida) que queiram ajudar verdadeiramente o nosso Povo, nesta fase difícil em que o País está mergulhado, só.

Pensar que o Guineense não é capaz, é reconhecer uma enorme ignorância em relação à verdadeira força deste Povo! Toda a confusão política que provocou o “para arranca” de outrora, já é passado, atingiu o seu limite máximo, mas hoje resta somente o virar da página e seguir em frente.

O contrário disto só prejudicou o ritmo de desenvolvimento, que em certa medida, teve seu ajustamento pela inércia e estagnação do País, embora constatando sinais de vitalidade e com boas promessas. A Guiné-Bissau acordou de um desmaio prolongado, comparado a um estado de coma induzido, para um novo estado de alma/alerta, em que acredita na motivação renovada, com criactividade e força do Guineense, para demonstrar que é capaz de implementar novo ritmo na presente conjuntura de desenvolvimento do País, sem dúvida!

Querendo mudar os erros do passado, com certeza que conseguimos mudar o que está mal, evitando o “fundamentalismo” de opinião em relação aos projectos em curso, há que admitir novas ideias, admitir a tolerância e a partilha de opiniões na reflexão continuada, orientada para servir o Povo e não o contrário, servir-se do Povo mais uma vez para resolver os “apetites” corruptos de uma minoria!

Trabalho de Equipa é trabalho individual feito em grupo! Logo, admite a proximidade, intercâmbio de experiências e aprendizagem constante, não há lugar para o fechamento ou rejeição, permite uma interacção transparente entre todos, beneficiando todos no enriquecimento do conhecimento, tal como, permite o isolamento atempado do “erro”, de modo a poder ser corregido atempadamente, antes mesmo de produzir o efeito malévolo com deficiências tardiamente detectadas.

O trabalho em grupo permite cedo descobrir, os menos preparados no desempenho esperado em conjunto/equipa, como também, todo o comportamento de crime que possa existir, fica mais a descoberto, logo usufruímos da possibilidade de se poder avisar o “mau” da fita a ter de se endireitar, antes que seja tarde, e ser preso ou denunciado!

“Se quem te avisa, teu amigo é”- o ladrão, corrupto ou inimigo, não pode levar a mal, este aviso. Viva a Guiné-Bissau, haja coragem e determinação, porque “Terra-Ramka” mesmo e o caminho faz-se, caminhando!

Djarama. Filomeno Pina.