Opinião: O Carácter Real e a sua Sombra

Filomeno Pina

A verdade mais uma vez flutua, teima em permanecer na superfície, levantando a velha questão, do porquê da existência de vícios espalhados nas elites do poder político Guineense! Mudamos o disco, mas no tema “honestidade” tem sido quase certo que teremos um disco velho e riscado.

Por Filomeno Pina | filompina@hotmail.com

Será que os políticos na Guiné-Bissau (da independência aos nossos dias), na sua maioria transportam sinais de cumplicidade criminosa, como marca do baptismo de fogo a que foram sujeitos num teste de garantia, de passagem à iniciação de liderança na elite do poder político e institucional?

Questiona-se hoje, se certos líderes repetentes terão “cadáveres no currículo”, meia culpa, ou se outrora participaram em serviços sujos, por isso mesmo, ainda pertencem ao sistema de corrupção típica montada no País há décadas. Falamos de uma realidade favorecida pela impunidade da Justiça, mas que, no entanto, ultimamente tem dado sinais de mudança pela positiva, por isso sublinho uma questão pertinente: será por esta via ou processo de recrutamento que ascenderam a maior parte das chefias do poder que nos governaram desde a independência até hoje, no País?

Parece que os suspeitos do costume (por desvio de património do Estado, corrupção, crimes de sangue, espionagem mentirosa, roubo, etc.) na Guiné-Bissau, vão parar ao poder como um “troféu”, e isto verifica-se até hoje, através de líderes que nos impingem.

Parecendo por isso que primeiro terá que ficar aprovada a sua competência criminal e obediência cega, para depois merecer “aceitação” da cúpula do poder, um foco mafioso que tem manipulado de forma subterrânea todo futuro do País. Se não perguntamo-nos, da razão de, mais uma vez, não se acertar num Guineense – LIMPO – sem sinais de corrupção ou outros crimes!?

Eis a grande questão que se coloca, dado a reincidência de políticos sob suspeitas graves ou com “cadastro”, uma perna por limpar na Justiça, e mantendo a sua imagem medíocre, mas, que não aquecem nem arrefecem o lugar que ocupam, visto que – NÃO – pedem a sua demissão do cargo que ocupam, como forma de libertar a imagem do Governo por um lado e por outro, libertar o próprio País da ideia de corrupção colectiva no plano internacional (parceiros económicos), o que é muito grave, nesta nova fase de mudanças profundas que todos desejamos.

Não há regra sem excepção, há políticos sérios, ou melhor, houve sempre até à presente conjuntura, Guineenses honestos no poder político, mas  há corruptos em boa quantidade, não sendo então coincidência, o facto do termómetro ter disparado novamente no País, registando níveis de desonestidade e corrupção, implicando alguns líderes recentemente nomeados para cargos de chefia no Governo actual e não só!

Resta sublinhar que os casos trazidos à superfície nos últimos meses (de potenciais corruptos ou inocentes, até transitarem em julgado), hoje trazem a justiça à perna, mas, – NÃO se fizeram num Ano de Governação como corruptos – provavelmente há muitos anos que transportam este vicio, vindos de ensinamento de pais para filhos, da escola antiga da promiscuidade, corrupção e impunidade da Justiça, penso que facilitou a formação de mau carácter nos líderes, na maneira como mexem na coisa pública, é gravíssimo, penso.

O património do Estado é sagrado, deve ser controlado pelos seus melhores filhos, e não tem acontecido por influência de forças ocultas, teimam em minar mais uma vez este processo de desenvolvimento sustentado no Pais,

BASTA, BASTA, BASTA!

Este Governo não podia ter adivinhado meticulosamente o que vai na alma dos Líderes nomeados para o exercício do mandato, é aqui que está o busílis da questão, podendo ter sido a falha grave cometida na constituição deste Governo depois das eleições, por não se ter feito avaliação prévia e individual, submetendo os nomes escolhidos ao estudo de perfil pessoal/social, propondo até aos Serviços de Investigação Judicial um parecer em relação a cada um dos lideres, avaliados antes da nomeação para os cargos de liderança. Sem ofensa, quem quer ocupar um cargo público tem que estar sujeito a certas regras de convivência Democrática e, julgo que hoje, teríamos evitado um grande erro, que tem vindo a fustigar/manchar o elenco do Governo no seu todo e, injustamente, metendo todos no mesmo saco, quando sabemos que nem todos são oriundos da mesma farinha, pense nisto, pois há indivíduos no Governo, que para além de honestos e com provas dadas de competência, boa liderança, ainda têm feito um bom trabalho.

Os menos bons, há que ajudá-los a mudar de comportamento e não tem de ser nos lugares de chefia, também faz parte da Democracia o sentido de mudança, de substituição e, sempre que se justificar, uma melhoria de condições de trabalho ou de sistema/modelo de intervenção no terreno, só.

Este tema merece reflexão especial, uma ginástica mental sem complexos ideológicos, culturais ou interpessoais, sendo que o único objectivo aqui é pensar os nossos próprios pensamentos, na Guyneendady, com toda a sinceridade, testarmos a hipótese levantada de haver ou não “cadáveres no currículo” (cumplicidade criminosa) para então passar a camarada de confiança do grupo secreto…

Pergunto, será tudo isto possível ou sou eu com a minha imaginação fértil? O objectivo da análise é vasculhar o fundo desta questão, sabendo que o poder tem facilmente corrompido os líderes Guineenses ao longo do tempo, desde a independência aos dias de hoje, queixamo-nos constantemente dos nossos líderes políticos da praça, pense camarada, terá algo de verdade estas tintas ou trata-se de ansiedade colectiva a pensar Guiné-Bissau com humildade, pense nisto!

A confirmar esta hipótese levantada como sendo a verdadeira, embora nunca tratada com a liberdade de expressão contida na sociedade, compreenderemos a existência de um grau implícito de chantagem induzida, manipulação, cobranças difíceis, o medo, a paranoia, a que está sujeito qualquer líder nestas condições psicológicas.

Perseguidos por fantasmas que afinal coabitam junto a nós, através do poder exercido sobre os líderes, esta força oculta em tudo semelhante à – ilusão do amputado – lembra pontualmente que o “membro amputado” pode coçar ou doer na mesma, parecendo continuar vivo no sítio através da memória, a manipulação é activada de fora para dentro, daí que a liberdade de alguns políticos feitos reféns desta maldição acaba por provocar crises profundas no sistema, no entanto, sentimos que alguns resistem como heróis e, garças a estes resistentes, até hoje, temos esperanças de um dia cantarmos vitória do Povo legítimo, sobre os maus e os seus fantasmas!

A presença de fantasmas é devida ao efeito pós traumático de situações vividas num passado conspirador e de má política, com culpas no cartório, pecados por omissão (boca calada), com uma mão no cravo e outra na ferradura, com ressentimentos, inquietudes, sentimentos de culpa pelo rabo preso, telhados de vidro e não só, histórias inoportunas e congeladas, tudo isto pode ser uma ameaça, para quem está no poder mas com o rabo preso, quem não é livre para funcionar no meio desta vaga de movimento de mudança no País.

É mau para quem tem de obedecer à chantagem e ao mesmo tempo ser Líder! Podendo nunca mais se livrar desta pressão, por mais inteligente que seja, será incapaz de reconquistar a liberdade pessoal, e passa a obediente dum culto invisível, porque também deve favores, como testemunha, actor ou então figurante num processo mau, por isso será controlado por fantasmas que respiram como nós, mas, será por isso, que vemos sombras sem figura real em certos políticos da actualidade?

As sombras parecem ter mais peso do que a figura real em certos momentos da vida do País. Este peso de sombra perturba o percurso do desenvolvimento do País, muitas vezes é responsável por boatos, intrigas, ameaças, conflitos e guerras pessoais sem precedente, onde tudo se desenrola em segredo como se líderes fossem “robots” no poder, comandados por figuras-sombra, à distância, interessados no País.

Será que quem sabe de histórias ocultas do País, calou fundo o que tem dentro ou prefere encarnar na voz do diabo no corpo e sacudir as ordens vindas do exterior? Acredito na independência de acção e pensamento a favor do Povo.

Há monstros atrás do cortinado, também comem, bebem e respiram como nós, eis a questão mais séria, porque não estando, estão através de alguns presentes e sem voz própria!

O poder-sombra desafia constantemente o poder- real na Guiné-Bissau, é uma verdade nua e crua a termos em conta, que afecta as escolhas do País, por isso, nada melhor do que usar o método de transparência para tudo que seja decisão de destinos programados para o País.

Há que aprender com os nossos parceiros económicos, com os países em vias de desenvolvimento e, entre os Guineenses, medirmos as consequências dentro de casa dos prós e contras das grandes decisões de peso para o País, tudo sempre com transparência total, logo que oportuno, a aplicação duma medida pelo interesse global do País no território nacional.

Que Deus abençoe a Guiné-Bissau, eternamente…

Djarama. Filomeno Pina.