Opinião: A Tribuna Política – “Grito do Povo”

  • Análise e Reflexão sobre a Constituição da República da Guiné-Bissau 

I – CONTEXTO POLÍTICO

Há alguns meses, nos principais canais de comunicação, tais como as médias, a esfera política e Judiciária, nas Casernas, nos Liceus e Universidades, nas Sombreiras, nas redes sociais… Os temas de discussão não faltam nos grandes palcos Guineenses: da constituição, dos regimes políticos, da colaboração bicéfala entre os dois chefes do executivo, o pedido do aumento salarial dos Deputados, o clientelismo e o corporativismo, as críticas recorrentes destrutivas contra o Presidente da Republica, o Primeiro-Ministro e o Presidente da Assembleia, a dívida pública à acumulação das Pastas, a corrupção a queda ou não do governo, a moção de confiança, a demissão do Ministro Baciro Dja e o Secretário Nacional do PAIGC Sr. Abel da Silva, as viagens e deslocações do Chefe do Parlamento ao estrangeiro, o Estado do direito, a governação, a soberania territorial face a entrada massiva das novas populações, eleitoralismo permanente…

Por Caetano José Baticã Ferreira (Flávio), membro activo da Diáspora Guineense em França | flavitovaiferreira2hotmail.fr

Forçado de constatar que debaixo das sombreiras, as “línguas se cruzam”, as liberdades de expressões e de pensamentos se fortalecem, os véus da ignorância e do medo se rompem para fazer nascer à verdade, a única via de passagem para à liberdade individual e colectiva dos cidadãos. Melhor ainda! As estratégias elaboradas debaixo das sombreiras passam testemunhas às redes sociais, armas modernas de guerras mais redutáveis do que a maior potência militar do mundo, mais tentaculares que a CIA dos Estados Unidos da América e mais destrutíveis do que a DGSE Francesa e KGB da Ex União Soviética.

Paradoxalmente, tudo começou no momento em que o Primeiro-Ministro e seu Governo se mobilizavam todas as Forças Vivas da Nação para fazer da Mesa Redonda do dia 25 e 26 de Março de 2015, em Bruxelas, um verdadeiro sucesso político, económico e social, pode parecer surpreendente de focalizar a sua atenção nas discussões livres ou nos interesses escondidos de uns e dos outros.
Será que perdemos a razão de lançar nas praças Públicas os debates que alguns se qualificam de “irracional, insensato, irresponsável”, “fratricidas” por outros ainda facilmente propensos à violência?

Por que perder tempo em debates estéril que são factores de agravação da situação política ao mais Alto Nível do Estado?
Enquanto temos tanto à fazer para reorganizar o país, ruinado durante anos de conflitos e instabilidade política. Será que perdemos a Cabeça para nos lançarmos nestes tipos de debates?

Evidentemente que não! Esta é uma boa notícia para o povo, que procura desesperadamente uma via de Salvação Nacional, da Renovação, da Paz, da Justiça e de um Estado do Direito. As nossas expectativas não nos privam do dever de vigilância perante certas iniciativas ao mais alto nível do Estado. Sabemos todos que uma Boa Constituição não garante a Boa Governação dos constituintes, a má constituição é um sinal do desastre político anunciado que o povo jamais precisa na Guiné-Bissau. “ É urgente uma terapia Constitucional e Colectiva na Guiné-Bissau” para evitar de se afundar novamente num vazio constitucional que irá resultar na incerteza política e socioeconómico.

Em França, por exemplo, quando o general de Gaulle voltou ao poder em 1958 para resolver o problema Argelino na quarta República em decadência, ele imediatamente propôs uma mudança da Constituição como forma de desbloquear a situação política extrema. De igual modo, quando Nicolas Sarkozy tornou-se Presidente da República, em 2007, uma das suas primeiras medidas, foi a criação de uma comissão de Renovação da Constituição, como ele havia anunciado de forma muito clara para os franceses durante a sua campanha eleitoral. Esta comissão posta democraticamente agrupando os intelectuais, os políticos de toda à Esfera, dos membros da sociedade civil francesa, dos estudantes… nenhum especialista estrangeiro participou, já que havia competências nacionais reconhecidas no país. É de se dizer, quanto as preocupações actuais dos Guineenses são legítimas, uma vez que elas traduzem as novas aspirações aos direitos fundamentais, nomeadamente aos direitos de informação e de consulta aos cidadãos para com os políticos. Com o efeito, a forma do regime não deve absolutamente ser mais importante que os direitos fundamentais dos cidadãos. Um regime político não é um fim em si, é apenas um meio que tem como finalidade de garantir os direitos humanos, que podem também ser preservados numa democracia como também numa monarquia. A questão essencial é saber se o povo foi consultado ou não? Será que o povo Guineense conhece as Forças e as Fraquezas da nossa actual Constituição? Será que o povo Guineense está preparado para mudar da Constituição? Será que o povo Guineense quer um Poder Executivo Separado? Será que o povo Guineense quer um Poder Total nas mãos de um só Homem?

Como os Países da África Ocidental ainda abalados por crises endémicas cuja origem não é nada mais nada menos que a má governação dos seus dirigentes, a Guiné-Bissau não fica por de trás com o espectáculo que às vezes aflijam e que se desenrolam diante dos nossos olhos. Se não é um golpe militar ou golpe clássico, caso da Mauritânia, da Guiné Conacry, Níger, Guiné-Bissau, etc.

São as manipulações de ordem constitucional como (Senegal, Costa do Marfim, Níger e outros que se preparam discretamente em outros lugares), passando por levantamento popular (Burkina-Faso) ou de ajustes de contas sangrentos que terminam com a morte de um dos protagonistas. Todas essas derivas anti-democráticas são organizadas, mantidas, planificadas por dirigentes cuja única motivação é de se eternizar no poder ao preço de violência. O nosso país, Guiné-Bissau, com o qual Cabo Verde (seu primo) formara a mesma entidade durante a guerra de libertação nacional envolveu-se numa instabilidade política crónica por causa das divisões dos seus dirigentes pelo poder. Para confortar a minha análise, não podia deixar de evocar o constitucionalista Montesquieu que descobri nos meus estudos de Ciência politica diplomatica estrategica e Relação Internacional em Paris, il faut que par la disposition des choses, le pouvoir arrête le pouvoir”.

Alguns de entre nós se levantam com veemência contra o regime constitucional presente, como uma patologia e sugerem, a urgência de repensar a organização bicefal do Executivo Guineense. Outros com pressa de agarrar o Hiper-poder total indivisível, propõem para já o regime presidencialista de modo a obter um Homem forte e poderoso nas nossas Instituições…

Para evitarmo-nos de errar, devemos fazer um esforço de passar em revista os diversos regimes políticos no mundo (em termos das nossas realidades nacionais) e que são fundadas no Estado do Direito, não devemos fazer o que alguns Juristas Constitucionalistas chamam de “Mimetismo Constitucional”. Mas a minha abordagem é filosófica e psicoterapêutica, uma vez que ela deve nos levar a reflectir sobre a Via Constitucional que permite que o nosso país saia fora do marasmo económico, político e social, onde se encontra a mais de 20 anos, perguntando constantemente sobre a tripla questão filosófica do Kant.

  • Quem somos nós guineenses?
  • O que devemos fazer guineenses para recuperar a paz, a Justiça e o desenvolvimento?
  • O que poderemos esperar numa Nova Guiné-Bissau transformada?

II – DEFINIÇÕES COMPARATIVOS DOS REGIMES POLÍTICOS

De acordo com o léxico da Ciência Política, de Diplomacia e Relações Internacionais, um regime político “é o modo de organização do poder político, a um dado momento. Ele reenvia as instituições políticas seus fundamentos constitucionais”.
“Qualquer sociedade em que a garantia do direito não é assegurada, nem a separação dos poderes determinado não tem Constituição” preconiza o Artigo 16 da Declaração Universal dos Direitos Humanos e dos Cidadãos. Quando se trata do estado do direito nós encontramos dois grandes tipos de regime político. O primeiro, baseado no modelo do regime constitucional dos Estados Unidos de América do tipo presidencial, o segundo, baseado no modelo do regime constitucional britânico de tipo parlamentar.

De acordo com o Professor de Direito, Jean Philippe Felman, das Universidades em França, Mestre de conferência em Sciences Po Paris “Quando falamos do regime presidencial, queremos dizer que a função do executivo pertence a uma só pessoa que enfrenta um Parlamento encarregue de votar a Lei, onde ele não é responsável politicamente. Estamos a falar de estrita separação de poderes.

No entanto, “Quando falamos do Regime Parlamentar, isso implica que o Chefe de Governo é responsável pela sua política perante o Parlamento. Hoje, a doutrina é quase unânime em considerar que o Regime Parlamentar se define pela responsabilidade do governo perante o Parlamento”.

Há mais de 50 anos, os países africanos vegetam nos regimes presidencialistas que dão o poder absoluto a um homem “Hiper presidente da República”. A democracia se limita a um simples boletim na Urna e a sociedade civil em seguida não tem nenhuma forma do controlo de acções dos dirigentes, o que permite todas as derivas. Pelo AUDACE INSTITUT AFRIQUE, o regime parlamentar é uma forma de enquadrar o poder, travando as derivas e dando aos cidadãos um certo controlo sobre a boa governação e a utilização dos fundos públicos.

III – EXCEPÇÃO CONSTITUCIONAL DA GUINÉ-BISSAU, UMA FORÇA PARA O DESENVOLVIMENTO E A DEMOCRACIA
Estamos nós em crise de liderança ao mais Alto Nível do Estado (Presidente da República, Primeiro-Ministro, Presidente da Assembleia)?

Não me pertence de responder esta questão, nem de formular as críticas infundadas ou menos ainda de fazer um julgamento sobre este ou aquela Alta Figura do Estado entre os quais tenho imensas considerações e sobre quais depositamos todas as nossas esperanças do desenvolvimento, da justiça e da paz nacional. No entanto, à luz do filósofo Platão, na sua Alegoria mais célebre do mito das Cavernas, temos o dever de esclarecer as memórias ainda traumatizadas, de “purificar” os corações para permitir a transformação de pensamento em actos agindo em interesse da nação. O filósofo nos convida todos os dias a passar da Caverna das Ilusões ao caminho da verdade concreta e pragmática no qual cada Guineense é confrontado. Cada Guineense deve ser a título individual um Actor agindo pela Democracia, um defensor dos Direitos dos Cidadãos, um actor do Progresso, um catalisador do Desenvolvimento Económico, Social e Cultural para o nosso país.

Para melhor “confortar” a minha análise, contento-me de ter como exemplo a situação política do Senegal dos anos da Independência em 1960, que hoje oferece as semelhanças inquietantes com o nosso contexto. Hoje parceiro incontornável da Guiné-Bissau, o Senegal na sua Constituição de 16 Agosto de 1960 havia brevemente experimentado o regime parlamentar através da implementação de um executivo bicefalo composta de:

  • Um Presidente da República, Chefe de Estado, Leopold Sedar Senghor;
  • Um primeiro-ministro, chefe de Governo e responsável perante Assembleia, Mamadou Dia.

As rivalidades Persistentes tinham gerado clãs a volta dos dois líderes do executivo, tanto a nível do partido maioritário como a nível dos respectivos conselheiros do governo e da assembleia nacional. Esta nova democracia nascente se paralisa pela luta de clãs, de interesses políticos e do poder, dando assim a má governação e a imaturidade psicológica do Senegal na altura. Esta situação se transforma em confrontação que culmina com o seu desenlace no plano constitucional de 14/12/1962, pondo em causa a responsabilidade política do governo de Mamadou DIA. A moção de censura, único meio previsto pela constituição para demitir o chefe do governo das suas funções, votado por 41 deputados acusando o governo de entraves à livre exercício parlamentar e com a introdução da Lei sobre o Estado de emergência como um instrumento de repressão. O Governo do Mamadou DIA posta em minoria, o Presidente da República SENGHOR sai vencedor da crise com poderes reforçados pela revisão Constitucional de 18 de Dezembro de 1962, que o consagra como Chefe de Estado e Chefe do Executivo. É assim que foi instaurado em dor, mas sem banho sangue o regime presidencialista no Senegal em Maio de 1963. Apesar da falha na Instauração do regime parlamentar o presidente Senghor não punha um ponto final no interesse pelo regime parlamentar.

O Presidente Senghor mais tarde admitiu que cometeu um erro, em Instaurar em 1960 um regime parlamentar ainda que as mentalidades não eram suficientemente preparadas a assumir os princípios democráticos, da separação dos poderes e das responsabilidades. Foi um erro político e psicológico porque os povos flutuam a efectividade vulcânica e as reacções imediatas, é preciso um só poder, ou seja, um Executivo forte e não separado. No entanto, não é uma questão de incompatibilidade do regime, mas sim, da incompatibilidade dos homens, das suas falta de adesão aos valores democráticos, das suas visões muito limitada do senso das responsabilidades nacionais. “Estranho! Estranho! Que ironia! Que semelhança entre as situações políticas, ontem no Senegal e hoje na Guiné-Bissau, 54 anos depois! Estranho!

Se os líderes históricos africanos procuraram evitar o regime parlamentar, é para evitar a partilha do poder, as responsabilidades entre um chefe de Estado e um Primeiro-ministro que não pode ser nada mais nada menos que concorrentes. A história está sempre em constante repetição “Nada de novo debaixo do Sol!” como bem disse o químico francês Lavosier “Nada se perde, nada se cria, tudo se transforma”. Quer dizer que os cidadãos e dirigentes da Guiné-Bissau deveriam se inspirar das experiências políticas para acentuar enfim uma estabilidade política, económica e social.

A causa do desequilíbrio não é forçosamente a Constituição nem o regime parlamentar. A Guiné-Bissau vive uma excepção constitucional em África Subsaariana por causa do seu regime parlamentar simplificado, onde o Presidente da República, José Mário VAZ é um árbitro permanente entre os poderes executivo, legislativo e judicial. Homem de experiência política e económica, o presidente tem uma função extremamente importante por amar o seu País e se preocupa realmente com o seu desenvolvimento e a reconciliação nacional. O Presidente VAZ é responsável do destino do país na qual ele preside com maior solenidade, no respeito da democracia e de multipartidarismo.

O Primeiro-Ministro define e conduz a política da nação. Ele é responsável perante o Parlamento, que tem a possibilidade de lhe destituir por uma moção de censura assim como o Presidente da República, em caso da alta traição do seu juramento. Além disso, uma das particularidades é que o primeiro-ministro é eleito quando das legislativas, o presidente do partido maioritário, o PAIGC. Esta configuração promove uma separação dos poderes e uma unicidade funcional do Executivo. Os destinos do Executivo são inseparáveis e indivisíveis de forma irreversível por causa das suas responsabilidades funcionais supremas. Estas especificidades do regime político na Guiné-Bissau constituem factores favoráveis para o desenvolvimento económico e social do País.

Por isso, convém evitar o que os especialistas constitucionais chamam de “deformação do regime parlamentar sob a forma do regime dito da Assembleia” que são regimes a imagem da Quarta República Francesa ou Italiana caracterizadas pela subordinação política do governo após a 2ª Guerra. O Parlamento e o seu Presidente foram descritos como todo-poderoso. Quer dizer, um super poder negativo, destrutivo que impede o Governo de governar e de agir no interesse do povo. Em tais situações, não estamos longe do regime anárquico nem da ditadura”, o que nenhum Guineense poderá tolerar. Isso significa que o nosso Presidente do Parlamento tem igualmente as enormes responsabilidades na estabilização democrática das nossas instituições e contamos com a sua integridade. Todos os três poderes do Estado devem permitir e favorizar a emergência do 3º poder do Estado, o poder Judiciário, que também pode ser um elemento de equilíbrio das nossas instituições. A independência do poder Judicial e a força dos poderes executivo e legislativo são uma garantia para a nossa soberania territorial que deve se exercer quando vemos as massas das populações da origem estrangeira se instalar no nosso país sem nenhum controlo de gestão dos fluxos migratórios. Ninguém precisa de ser um Vidente ou menos ainda Marabu para saber que dentro de 10 anos, a nossa população será multiplicada por 10, ou seja, 16 milhões de habitantes. Conforme o artº 9 da nossa constituição, a nossa soberania territorial e nacional deve ser protegida com grande vigilância. “Mais vale prevenir do que remediar”, as mesmas situações políticas e sociais se passam bem perto das nossas fronteiras, “GERIR, É PREVINIR O MELHOR DO PIOR”.

Melhor! Outros Estados, como Cabo Verde, Ilhas Maurícias, Etiópia e Índia conseguem manter um regime parlamentar com bons resultados económicos e sociais, provando assim o seu carácter universal, a sua capacidade de transcender as particularidades e relativizar a psicologia do poder. Podemos afirmar que as novas exigências da separação de poderes inerentes ao processo de democratização e das influências nacionais favorizam um retorno ao parlamentarismo. Este retorno põe inevitavelmente fim ao super poder dos Chefes de Estados Africanos, fonte de todos os abusos de poder. Ninguém precisa ir a escola para saber que “todo o Homem com poder arrisca de se abusar”. Tudo estaria perdido se o mesmo homem ou o mesmo corpo do Estado exercesse funções do executivo, legislativo e judicial; é necessário “circundar o poder” antes de os separar, como preconiza o constitucionalista Benjamin Constant.
IV – O IMPACTO DOS REGIMES POLÍTICO NA ECONOMIA E NO SOCIAL
Na verdade, a melhor forma de conhecer um regime político em relação ao outro, consiste em comparar os resultados no plano económico e social a fim de confrontar a teoria à verdade. Esta análise faz-se em quatro países: Senegal e Camarões (regime presidencialista) Cabo Verde e as ilhas Maurícias (regime parlamentar) entre os anos de 2002, 2009 e 2014.

Os Países Ano 2002 Ano 2009 Ano 2014
  População Esperança Média de Vida População Esperança Média de Vida População Esperança Média de Vida
Senegal 9,7 52 12,5 55 13,6 63
Camarões 15,8 55 18,9 51 23,1 57,3
Costa de Marfim 16,4 46 15,3 52 22,8 58,1
Níger 10,4 41 21,4 51 17,5 57,9
Cabo Verde 0,4 68 0,5 70 0,54 71,57
Ilhas Maurícias 1,2 70 1,3 72 1,4 74

Fontes: Banco mondial (Le Monde : bilan économique) Abdoul Aziz Diagne est enseignant- analyste politique et B & Kenny Consulting Paris

Os Países Ano 2002 Ano 2009 Ano 2014
  PIB em mil milhões PIB em Dólares

/habitante

PIB em mil milhões PIB em Dólares

/habitante

PIB em mil milhões PIB em Dólares

/habitante

Senegal 4,6 500 12,6 984 14,8 1130
Camarões 8,7 600 21,8 1095 25,8 2400
Costa de Marfim 10,3 670 22,9 1071 23,8 1800
Níger 1,9 190 5,3 375 7 370
Cabo Verde 0,5 1330 1,8 3419 8,3 4900
Ilhas Maurícias 4,1 3540 9,2 7146 12,7 8732

fontes  : BIT  (Le monde Bilan économique) Abdoul Aziz Diagne est enseignant- analyste politique et B & Kenny Consulting Paris

 

V – RESUMO E CONCLUSÃO


Hoje, além do Senegal, dos Camarões, de Cabo Verde e das Ilhas Maurícias examinadas no artigo acima citado, incluímos desta a Costa do Marfim e Níger. Mantivemos Cabo Verde e as Ilhas Maurícias no estudo, porque eles fazem parte dos raros países com regime parlamentar em África. Enquanto os países ditos francófonos têm importantes recursos agrícolas e minerais (Cacau, Café, Amendoim, Milho, Arroz, Petróleo, Fosfatos, Diamantes, Ferro Urânio etc.), ambos países, lusófonos e anglófonos são desfavorecidos pela natureza, mas se desenvolveram muito ao ponto de estarem classificados hoje entre os países emergentes do mundo. Eles se dependem exclusivamente da pesca, do turismo, sobre tudo das remessas das suas Diásporas. A boa governação das autoridades e das instituições que os colocam entre os primeiros em África, a sua estabilidade política e constitucional, a liberdade em criação de empresas, a disciplina institucional. Todo o mundo não pode ser presidente no mesmo país, uma outra definição da separação dos poderes, compartilham de um desejo comum de reformar, de progressar no caminho de emergência.

Vejamos, neste artigo, o que Pierre Biarnes, que foi correspondente do jornal Le Monde em África Ocidental durante um longo período e que residia em Dakar, declarara, em 1980, cinco anos após a Independência de Cabo Verde: “Apesar da inteligência dos seus dirigentes e do trabalho dos seus habitantes, as Ilhas de Cabo Verde (antigo nome do país) permanece mais do que nunca, um país dependente, cuja sobrevivência está intimamente dependente da ajuda internacional significativa e das remessas dos seus emigrantes. Apenas três toneladas de milho e 50 toneladas de feijão foram recolhidas. “Hoje, a situação de Cabo Verde, primo irmão da Guiné-Bissau, é excelente e faríamos melhor em inspirarmo-nos de muitas maneiras.

Podemos afirmar, na base destes resultados concretos que o regime presidencialista falhou em todos os países da ex-AOF (África Ocidental Francesa). O nível de vida das populações teve um fraco aumento. Em certos momentos, ele até regrediu.
Ao contrário, nos países que escolheram o regime parlamentar, Ilhas Maurícias e Cabo Verde, o nível de vida duplicou em menos de dez anos. São os países portanto desfavoráveis pela natureza. Mas os seus índices do desenvolvimento humano são claramente superior aos outros países do regime presidencialista, com homens fortes e poderosos na direcção das suas instituições.

A Guiné-Bissau está cheia de riquezas consideráveis, tão abundantes ​​que são suas terras, a sua história, seus filhos, a riqueza das mulheres sempre disponíveis para as iniciativas de solidariedade e de cidadania que mantém a paz no tecido económico e social. As forças culturais, económicas, sociais e institucionais são consideráveis ​​e suficiente para enfrentar os desafios da emergência que estão a nossa frente. No entanto, como em qualquer empresa “unidade económica e social” onde se combinam muitos factores de produção para obtenção da máxima riqueza, é preciso a disciplina, as estratégias organizacionais, os métodos, de planificação, de gestão e do desenvolvimento. Os “Poderes”, as responsabilidades são repartidos em relação às competências dos homens e das mulheres que trabalham para o sucesso da empresa e não para o seu sucesso pessoal. Todo o mundo não pode ser PDG (Presidente Director Geral) na mesma empresa, a não ser que queira ir a falência, a anarquia, as divisões, as concorrências negativas particularmente destrutiva para todos…

Sem estratégias, nenhuma empresa no mundo pode se desenvolver criando riquezas, benefícios económicos, financeiras e sociais tão indispensável à sua expansão e para a sociedade. É a mesma coisa para o nosso país Guiné-Bissau, que mais do que nunca precisa de disciplina, de organização, de método, de planificação, de senso das responsabilidades institucionais, particularmente nas estratégias de gestão e do desenvolvimento. Aqui está a verdadeira emergência dos Guineenses para alcançar os resultados económicos concretos que prometem melhorar a vida quotidiana como preconiza a nossa constituição na sua introdução. No entanto, depois da visão lúcida de interpretação Cientifica das realidades da nossa época e do espaço geográfico de onde vivemos, o nosso visionário Amílcar Cabral deixou ao partido as orientações e os métodos de acção bem definidas e capazes de conduzir a realização do modelo de sociedade na qual o nosso povo inspira: Uma sociedade sem exploração do homem pelo homem, libertada definitivamente da miséria, da ignorância, do medo e da doença. Muitos jovens diplomados Guineenses voltam cada vez mais para o país, sem real solução de integração económica. Após um ano da tomada de posse dos novos dirigentes, hoje a urgência é o desenvolvimento, a estabilidade económica do país e a soberania nacional. Este é o caminho irreversível escolhido pelo par do executivo com pragmatismo, competência, coragem e determinação pelo nosso Primeiro-Ministro e o seu governo.

 

Durante os primeiros meses da governação, as duas personalidades do executivo, Presidente da República e o Primeiro-Ministro declararam: “podem nos fazer confiança! Verão a transformação do país dentro de quatro anos.” Figuras do Estado, visionários capazes de transformar um país ruinado por anos de conflitos, de lutas de poder, da pobreza num país Novo onde reina a Paz, a Justiça, a Igualdade dos Direitos, da Estabilidade Económica e Social e da Iniciativa Privada. Em fim! Uma Nova Guiné-Bissau onde todos o sonhos se tornam em realidades e onde o grito do povo se transformam em Esperança!

 

Yes, We can Together!

Melhores Sucessos ao Presidente da República!

Melhores Sucessos para o nosso Primeiro-Ministro e o seu Governo!

Melhores Sucessos ao nosso Presidente do Parlamento e a todos os Deputados!

Melhores Sucessos a todas as Cidadãs e Cidadãos guineenses!

2 Responses to Opinião: A Tribuna Política – “Grito do Povo”

  1. rejane dias gomes diz:

    tribuna politica o grito do povo

  2. rejane dias gomes diz:

    O problema do nosso país como bem disseste não é só da Constituição mas sim da incompatibilidade dos homens políticos para com a Democracia.

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