Saúde: Aprovada nova vacina experimental contra Paludismo

Bissau (ANG, 24 de Julho de 2015) – A Agência Europeia do Medicamento (EMA), segundo a agência Lusa, aprovou hoje a vacina experimental mais avançada do mundo contra o paludismo, batizada “RTS,S” ou “Mosquirix”, do gigante farmacêutico “GlaxoSmithKline” (GSK).

A vacina, destinada às crianças entre as seis semanas e os 17 meses, ultrapassa uma das últimas etapas antes da comercialização, mas será ainda necessário a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) antes de uma eventual difusão, nomeadamente em África.
De acordo com um estudo realizado ao longo de vários anos, publicado em abril, a “RTS,S” tem uma eficácia modesta e baixa ao longo do tempo, mas é atualmente a vacina experimental mais promissora contra o paludismo, que mata, em média e todos os dias, 1.200 crianças na África subsaariana.

A vacina destina-se “a imunizar as crianças com idades entre as seis semanas e os 17 meses contra o paludismo e a hepatite B. Após décadas de investigação sobre a vacinação contra o paludismo, a ‘Mosquirix’ é a primeira vacina contra a doença a ser avaliada por uma autoridade de regulação”, indicou a EMA, com sede em Londres.

“Com base nos resultados do estudo realizado, o CHMP (Comissão dos medicamentos para uso humano da EMA) concluiu que, apesar da eficácia limitada, a relação benefício-risco da ‘Mosquirix’ é favorável nos dois grupos de idade estudados”, acrescentou.

O estudo foi efetuado num grupo de bebés, de seis a 12 semanas, e num outro, de cinco a 17 meses, numa amostra total de perto de 15.500 crianças de sete países africanos (Burkina-Faso, Gabão, Gana, Malaui, Moçambique, Quénia, e Tanzânia).

Alguns bebés receberam uma injeção de reforço 18 meses após a última dose da vacina inicial, que foi administrada em três doses durante os três primeiros meses de vida.

Nos lactentes cuja vacinação inicial foi seguida por uma dose de reforço, a redução das crises palúdicas foi de 26% nos três anos de monitorização, mas não se registou uma proteção significativa contra os ataques graves de malária.

Nas crianças que receberam uma dose de reforço, o número de episódios clínicos simples de paludismo depois de quatro anos baixou um pouco mais de um terço (36%). Sem dose de reforço, a vacina não demonstrou eficácia significativa contra o paludismo grave neste grupo etário.

“Temos finalmente uma vacina contra o paludismo que funciona, mas não tão bem quanto esperávamos ao princípio”, reagiu Nick White, professor de medicina tropical na Universidade Mahidol em Banguecoque e em Oxford (Reino Unido).

Na quarta-feira, o médico Ripley Ballou, responsável pela investigação de vacinas na GSK, considerou ter sido dado “um passo significativo”: “Trabalhei 30 anos nesta vacina e é um sonho tornado realidade”.

O paludismo, devido ao parasita ‘Plasmodium’ transmitido pelos mosquitos, matou 584 mil pessoas em todo o mundo em 2013, sobretudo em África, de acordo com a OMS.

As crianças com menos de cinco anos de idade representam pelo menos três quartos destas mortes.

ANG/Lusa

 

  • Testes para a malária reduzem a prescrição excessiva em mais de 70%
  • A introdução de testes de diagnóstico rápido em farmácias ugandesas melhora o tratamento dos doentes com malária

Comunicado (ACT, Londres, 22 de Julho de 2015) – O uso de testes de diagnóstico rápido para a malária (RDT em inglês) em farmácias licenciadas numa região altamente endémica no Uganda reduziu substancialmente os diagnósticos errados de malária, melhorando o uso de medicamentos contra a malária valiosos, de acordo com um novo estudo publicado na revista PLOS ONE.

A maior parte dos 15 mil doentes que procuraram farmácias por terem febre optaram por comprar um RDT quando um lhes foi proposto por um dos vendedores treinados que fizeram parte do estudo. Uma vez realizado o teste, os resultados mostraram que menos de 60% dos pacientes tinham, de facto, malária. Os vendedores geralmente agiram de acordo com os resultados do teste, reduzindo a prescrição excessiva de medicamentos contra a malária em 73%.

Os investigadores do Consórcio para as Terapias Combinadas à base de Artemisinina (ACT Consortium em inglês) (http://www.actconsortium.org) no Ministério da Saúde do Uganda e na Escola de Londres de Higiene & Medicina Tropical (London School of Hygiene & Tropical Medicine em inglês) no Reino Unido levaram a cabo este estudo porque até 80% dos casos de malária no Uganda são tratados no setor privado.

O setor privado é um recurso comum de tratamentos em muitas outras áreas onde a malária é endémica, particularmente onde há pouco acesso a serviços de saúde públicos. Os pacientes compram medicamentos contra a malária em lojas ou farmácias para se automedicarem, apesar de a causa da febre nem sempre ser malária, portanto, o tratamento inapropriado é muito comum.

O Prof. Anthony Mbonye do Ministério da Saúde do Uganda e autor principal do estudo, disse: “As nossas conclusões mostram que é exequível colaborar com o setor da saúde privado e introduzir RDTs para a malária nas farmácias. O próximo passo é refinar a estratégia e perceber as implicações quanto ao custo associado ao seu alargamento pelo país. O nosso objetivo a longo prazo é fornecer provas para ajudar a Organização Mundial de Saúde a desenvolver orientações para melhorar o tratamento da malária no setor privado.”

A Dr. Sian Clarke da Escola de Londres de Higiene e Medicine Tropical, igualmente uma das investigadoras principais na pesquisa, disse: “Este estudo mostra que os RDTs podem melhorar o uso das ACTs – o tratamento mais eficaz para a malária – nas farmácias, mas não vem sem as suas dificuldades. Estes testes por si só não melhorarão o tratamento de outras doenças. Precisamos agora de continuar a trabalhar com o Ministério da Saúde para investigar como melhorar a nossa abordagem e alargá-la a outras doenças comuns.”

Atualmente, os vendedores nas farmácias geralmente tratam os doentes com base nos sinais e sintomas que apresentam, sem realizar testes sanguíneos para a deteção de parasitas da malária, como recomendado pela Organização Mundial de Saúde. Isto pode resultar em doentes com febre serem erradamente diagnosticados com malária e serem levados a comprar uma ACT de que não precisam.

A microscopia é um método que requer equipamento laboratorial e pessoal qualificado, enquanto os RDTs são ferramentas alternativas e simples que requerem uma formação mínima para diagnosticar a malária. Estes testes rápidos podem ajudar os trabalhadores e vendedores da área da saúde em locais remotos a fornecer o tratamento antipalúdico correto.

Uma investigação conduzida em paralelo com este estudo, publicada na Critical Public Health, descobriu que apesar da sua popularidade, os testes da malária não são uma solução simples no setor privado. Os doentes saudaram os RDTs, assim como o envolvimento do governo em melhorar as farmácias, e os vendedores sentiram-se “importantes” e mais próximos de serem trabalhadores qualificados no setor público de saúde, por lhes ser permitido fazerem testes ao sangue. No entanto, os investigadores alertam que isto pode dar uma falsa impressão acerca das restantes competências e serviços dos vendedores, sendo necessária uma regulamentação por parte das autoridades.

A equipa recebeu recentemente uma nova bolsa para investigar a viabilidade de formar e equipar farmácias licenciadas para gerir três doenças-chave na infância: malária, pneumonia e diarreia.

O ACT Consortium é financiado através de uma bolsa da Fundação Bill e Melinda Gates à Escola de Londres de Higiene e Medicina Tropical.

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