Opinião: Guiné-Bissau, acima de tudo!

“A Guiné-Bissau é a única coisa que temos, o único lugar onde ninguém nos expulsa, e é a única herança duradoira e eterna para os nossos filhos”.

Respeitáveis conterrâneos, vivemos de novo um período de noites mal dormidas. Venho, por isso, humildemente apelar o bom senso.

Por Guilherme Embaló | cumpanhor@gmail.com

A Sua excelência o Presidente da República e a sua excelência o primeiro-ministro fizeram uma agradável campanha eleitoral, elegendo a Guiné-Bissau como uma prioridade e acima de qualquer outro interesse pessoal.

A esperança renascia, constatava-se o brilho a alegria, o povo cantava com emoção e euforia: “JOMAV/DSP Guiné consigui homis pa tirrano na cansera”.

Hoje, os dois amigos/irmãos (pelo menos é o que a campanha eleitoral deixava transparecer) estão de costas voltadas. Mas, a política é assim. Ela é como a própria vida: há momentos em que os conselhos se extinguem, as luzes se apagam e os caminhos ficam completamente escuros.

A crise actual é passageira, como passageira têm sido outras crises análogas através da história.  Só das graves crises têm surgido grandes soluções. E não haverá mudanças nem nunca as houve, que não estivessem precedidas de graves crises. O importante e o que se apela a todo o Guineense é o bom senso e o maior controle das emoções.

Toda a gente quer a verdade e que se defenda a verdade, mas se andarmos a defender a verdade usando processos indignos, não estaremos a espalhar os germes do mal no próprio coração da verdade?

Quando as palavras divergem dos factos, cria-se um terreno propício para a educação formal e a dualidade de atitudes: uma autêntica e a outra fingida. Estas pessoas vivem conforme o credo pequeno-burguês de uma personagem de Moliere, tartufo: “Quem peca às escondidas, não comete pecado nenhum”.

Devemos fortalecer a verdade e é preciso fazê-lo dia-a-dia e hora a hora. Não basta crer na verdade, precisamos defende-la contra todas as investiduras abertas ou disfarçadas do mal. Só quando os homens começam a duvidar da verdade é que perdem a fé neles próprios. E perdendo a fé, perde-se todas conquistas alcançadas.

Os Guineenses devem estar preparados para enfrentar as campanhas malévolas com que os inimigos da paz e tranquilidade procuram abalar o crédito do nosso país e combater todas as guerras psicológicas, não deixando que a boa-fé se iluda.

Vou contar uma pequena história:
No século II uma princesa fenícia fundou na costa norte de África uma capital para desafiar o império de Roma. Roma não só representava o esplendor do conhecimento da sabedoria da ciência dos Romanos que dominavam o pensamento dos Europeus, senão do mundo, mas era a fonte da sabedoria. E era um orgulho ir-se à Roma.

Mas, os fenícios, através dessa Princesa, criaram na costa norte de África a cidade de Cartago.

Cartago foi primeira atacada e destruída parcialmente por Cipião Africano. Depois por Cipião Emiliano que a destruiu completamente.

E havia um grande orador na Assembleia de Roma, Catão, o antigo, que terminava todos os seus discursos pela expressão “Delenda Cartago” (é preciso destruir Cartago). Era um orador temível e mobilizava todo o seu povo em Roma, terminando sempre com a frase “Delenda Cartago” para não permitir que um outro centro irradiasse pensamento político e outras novas ideias.

Se a Roma não destrói o Cartago, a Roma deixa de ser Roma.

Se os inimigos da Guiné-Bissau, inclusive os seus próprios filhos, não destruírem a nossa terra, deixarão de ser o que são e como são desconfiados.

Dito isto, quero dizer aos meus conterrâneos Guineenses aos quais amo e amarei até o meu último suspiro, não deixemos que as campanhas malévolas dos inimigos da nossa terra abalem o nosso crédito e o nosso patriotismo.

A Guiné-Bissau é a única coisa que temos, o único lugar onde ninguém nos expulsa, e é a única herança duradoira e eterna para os nossos filhos.

Que Deus abençoe a Guiné-Bissau, o seu povo e a todos os que assumiram o compromisso de representar o povo.

5 Responses to Opinião: Guiné-Bissau, acima de tudo!

  1. madiu djalo diz:

    Ess i mindjor bardade

  2. Amarildo Geraldo pires diz:

    E preciso ter a calma
    Sei que os dois vai se entender
    Em nome da nacao e do povo

  3. Nadine Dominicus diz:

    Devem procurar modo de entender-se se querem aguardar a confiança internacional e captar investidores. A confiança internacional é demasiado recentemente adquirida para tomar o riesgo de perder esta confiança. Ha a penas alguns meses que a Guiné Bissau foi capaz convencerem os doadores. Naõ sabemos o que vai acontecer se eles començarem a duvidar.

  4. VOZ DO POVO diz:

    Gracias mais velho, o presente artigo é mais um motivo para reiterar a admiração que nutro por si – desde criança.

    Que o bom senso reine nos corações dos guineenses e que a bondade como seres humanos (e sociais acima de tudo) fale mais alto nas decisões estão por vir.

    Que os idicados para servirem os interesses do povo saibam a cada minuto que a missão a eles confida nunca pode relegar as aspirações e a vontade do povo para uma plano inferior (não podem e nem devem ser suplantadas pela vontade ou arrogância pessoal nosso dirigentes).

    Também gostaria de aproveitar este meio para questionar a bondade do desfecho da já ultrapassada crise caboverdiana que comportou carácteristicas quase semelhantes com a nossa actual… Em que o Presidente da República e o Pimeiro-Ministro tiveram vários pontos de discórdia e o diálogo falou mais alto e serviu de chave para ter como ponto de partida e de chegada os interesses nacionais.

    Qual foi a diferença?

    Foi o elevado sentido de estado, a capacidade de ponderação dos líderes daquele país e a capacidade de saber situar que os interesses pessoaias estão de longe abaixo dos interesses nacionais.

    O Espiríto “Nacionalista falou mais alto”.

  5. VOZ DO POVO diz:

    Gracias mais velho, é mais um motivo para reiterar a admiração que nutro por si desde criança.

    Que o bom senso reine nos corações dos guineenses e que a bondade como seres humanos (e sociais acima de tudo) fale mais alto nas decisões que estão por vir.

    Que os idicados para servir os interesses do povo saibam a cada minuto que a missão a eles confida nunca pode relegar as aspirações e a vontade do povo para um plano inferior (não podem e nem devem ser suplantadas pela vontade ou arrogância pessoal dos nossos dirigentes).

    Também gostaria de aproveitar este meio para questionar a bondade do desfecho da já ultrapassada crise caboverdiana que comporta carácteristicas quase semelhantes com a nossa actual… Em que o Presidente da República e o Pimeiro-Ministro tiveram vários pontos de discórdia e o diálogo falou mais alto e serviu de chave para ter como ponto de partida e de chegada – os interesses nacionais

    Qual foi a diferença?

    Foi o elevado sentido de estado, a capacidade de ponderação dos líderes daquele país e a capacidade de saber situar que os interesses pessoaias estão de longe abaixo dos interesses nacionais.

    O Espiríto “Nacionalista falou mais alto”.

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