Opinião: A Inverdade e “Telhados de Vidro”

Filomeno Pina

Quem tem rabo-de-palha, não salta a fogueira, quando muito simula ter coragem para tal, mas nunca salta, com medo de se queimar, e ainda, quem tem “telhados de vidro”, também não tem a melhor sorte, porque vive sob pressão causada pela mentira ocultada, escondendo com receio de ser despido na praça pública, vive fugindo do “fogo” ou da manipulação à distância de “padrinhos”.

Por Filomeno Pina | filompina@hotmail.com

Serão estas duas situações impróprias em destaque na conduta dum líder com responsabilidade superior no País, que não se devem tolerar. Sabemos que comprometimento desta natureza, provocam pressão psicológica estranha no individuo, porque infelizmente condiciona sua liberdade e a dignidade como Líder, sobretudo aquele que por inerência do cargo de liderança política, com o destino do País na ponta do lápis, i. é, para tomada de decisões determinantes, estes autores políticos principalmente, devem ser apenas ou só, os Guineenses com conduta transparente e exemplar, os Camaradas dignos de respeito e admiração do Povo!

Uma “verdade-fatal” nem sempre é tolerada ou é bem-vinda, por vezes provoca choques múltiplos na relação humana, modifica o meio ambiente físico e relacional, pode assumir contornos radicais ao estabelecer novo limite num contexto social, combate estruturas da inverdade e muda muita coisa! Chamemos a isto, uma provocação da “verdade-fatal”, aquela verdade que oprime, aprisiona e dói, certamente são o conjunto de premissas verdadeiras, que obrigam a recuar quando mal-encaradas, é o exemplo de cada vez que reunimos para levantar do chão a nossa Guiné-Bissau, aparece obstáculo do género a deitar por terra organizações sem alicerce seguro, será?

Perguntamos nós, que verdades têm sido evitadas nos sucessivos processos políticos e porque falham constantemente há duas ou três gerações de líderes políticos, desde a Independência nacional à actualidade, e porquê este fenómeno gigantesco de frustrações acumuladas! Como um facto preocupante e repetitivo, temos esta CEGUEIRA no cruzamento de quatro caminhos, onde mais uma vez na encruzilhada exigente da vida política do País, escolhemos novamente mal, chegando a parecer puro masoquismo, vermos os líderes políticos “preferir” obstáculos cada vez mais difíceis, em vez de soluções facilitadores. Porque deixamos influenciar por emoções fortes, e não por racionalidade experimentada nas questões de natureza politica e económica, sendo uma realidade cruel que a vida tem reservado ao Povo Guineense há décadas!?

Tudo isto acontece porque custa ao sistema político vigente, encarrar com verdade e frontalidade as mudanças necessárias e urgentes no País. Corrigir os erros do passado, optar por nova política activa, promover mudança de mentalidade e de atitude, evitar a impunidade da Justiça e seus efeitos negativos no sistema, travar o que continua a minar a relação política institucional e o desenvolvimento do País. 

Verdade ocultada acaba por se transformar numa prenda envenenada, realidade que os líderes actuais já são herdeiros (infelizmente) desta versão amputada, desde à nascença e aqui – falamos de corrupção e da impunidade – que tantas vezes repetida, passou a ser vista como – normal – porque há medo no ar, não se fala por enquanto livremente sobre este tema na sociedade Guineense, esta realidade teima em resistir, alastrando suas raízes, pense nisto Camarada.

Cuidamos duma cultura de crime como imagem de fundo, mas com estranha passividade quando são afinal – inverdades perigosas – que destroem uma cultura de paz e o progresso da sociedade, afinal, como qualquer premissa falsa que aparece só com pele de – verdade – torna-se difícil de ostentar, hastear como bandeira, senão mesmo, impossível. Temos memória de maus tratos causados ao longo de décadas, resultado de má politica cometida contra o interesse de Estado. Política tendenciosa, escondida debaixo do tapete ou encima da mesa do poder, que o próprio Estado finge não ver!

Esta verdade fatal é simplesmente um facto e factor das dificuldades vividas ao longo de anos nas sucessivas governações falhadas no nosso País desde a independência! E por isso mesmo, ela está intrinsecamente ligada/associada aos golpes de Estado, traições e politiquice, que até aqui têm bloqueado o desenvolvimento da nossa Guiné-Bissau.

Esta verdade tem um nome – “TELHADOS DE VIDRO“ – continua um verdadeiro problema para certos líderes políticos Guineenses, neste e noutros momentos da vida política nacional (basta pensarmos nos que governam/governaram há décadas), os vários governos que tomaram os destinos do País nas mãos, todos eles carregaram este obstáculo/fardo crónico, muito difícil de contornar na prática, numa tentativa para formar um Governo Credível, com lideres honestos e sérios à frente dos destinos do Povo!

Porque no universo nacional de políticos, descobrir 20% que reúnam condições de perfil politico e competência inerente ao cargo, que sejam HONESTOS E SÉRIOS, sem participação na corrupção activa ou passiva, meus caros, é a mesma coisa que procurar por uma agulha no palheiro, não digo que não haja, mas nunca se diga que não!

Dito isto sem complexos nenhuns, atrevo-me a pedir o mais difícil ainda, que haja tolerância racional e flexível ao analisarem neste momento – “quem é quem” – quem pagou ou irá pagar, pelas histórias de corrupção e desonestidade cometidas ao longo de décadas contra o Estado, que afinal minaram gerações de políticos até hoje, tornando quase improvável esta escolha de 20% (talvez), que não tenham “culpas” no currículo/cartório!?

Será pedir demais, se pedirmos que a partir desta última crise política no País, determinássemos então por tolerância zero! Penso que não, era bom, a partir deste novo ciclo politico avançarmos para um “virar” de página daqui para o futuro no nosso País e, simultaneamente abríssemos os olhos, ao mesmo tempo que pensamos como fazer melhor na escolha de líderes, sem repetir o mesmo erro na escolha do perfil de liderança!?

O próprio Estado tem culpas no cartório, porque permitiu o clima de impunidade da Justiça durante décadas, por ausência de um sistema capaz de controlar a “coisa pública” (permitiu-se roubar, parecendo até que reconhece “afinidade” ao ladrão), aconteceu infelizmente na aparente conivência/passividade, uma implantação desta corrupção familiarizada com o Partido no poder, aqui temos nomes/lideres repetidos muitas vezes, ocupando lugares de liderança (onde o Estado confunde-se com Partido do Governo) e, eis a grande questão Camaradas!

Talvez por isso haja necessidade de usarmos alguma “benevolência” consciente no tratamento tardio à corrupção instalada no País, pois só agora o Tribunal acordou dum sono profundo (e ainda bem), pretendendo condenar de forma exemplar, com duro golpe, os últimos “arguidos” ou, os ainda em fase de processo/investigação! Pois devemos evitar que estes últimos, sejam os  – ÚNICOS – no tempo conotados com a corrupção, a pagarem pela imagem de impunidade da Justiça ao longo de anos no País (e como forma de moralizar), pagando subjectivamente pelo peso da moral ou pelo que terá sido lesado o Estado da República da Guiné- Bissau a vida inteira! Embora sabendo, que cada qual deve pagar pelos seus erros, penso, que devemos ainda ter consciente esta variável do “impulso” negativo a controlar, tentando aqui, evitar o que na linguagem popular chamamos de “condenação exemplar” e, neste caso sem controlo, como se os últimos arguidos, fossem os únicos culpados dum subdesenvolvimento global a que chegou o País no seu todo, só.

Daí que seja bom talvez reflectirmos juntos e unidos numa partilha de opiniões, usando a força conjunta para um – Virar de Página – mais inteligente, é possível de executar sem radicalismos, porque senão, ainda ficamos com uma minoria das minorias, para liderar, neste universo de políticos Guineenses que temos na actualidade como executivo, pense nisto Camarada!

Aquele que no futuro sentar no banco dos réus, num Tribunal Guineense, pelos motivos que se prendem à corrupção e gestão/comportamento danoso, será visto como “rei”, não pelos seus lindos olhos, mas pelos olhos do Tribunal, que finalmente elegeu um mister ou miss, para ser julgado no Estado de Direito. Desta vez como uma pessoa real, o que significa que os tempos mudaram, porque antigamente dizíamos que a “serpente” engolia somas avultadas, hoje não! Procuramos saber tudo, para investigar pessoas concretas e não fantasmas, são outros tempos sem dúvida Camaradas.

A acontecer, não nos podemos gabar no seu todo, a não ser pela iniciativa inédita no nosso País, de vermos o Tribunal interessar-se pela pontuação correcta há muito desejado pelo Povo, e desta, também o Tribunal de Contas estar “acordado” e no conjunto poderem influenciar os corruptos, a passarem a agir com maior cuidado e com isso talvez, minorarmos o fluxo de actividade criminosa centrado na coisa pública do Estado e outros!?

Vamos tentar acabar com o fluxo desta “Elite Mata-borrão“ os chupa-tudo e com ganhos secundários em comissões chorudas, que acabam por provocar rivalidades, guerras internas no ambiente dos líderes Guineenses. Uma radiografia deste aparelho mental de líderes neste contexto, assusta, sobretudo quando está em causa a hipótese de ganho ou contrapartida material, lembra uma mente com dois pesos e duas medidas no mesmo indivíduo, dando a ideia de dupla percepção na mesma pessoa, que de manhã é água, à noite parece vinho, de madrugada será tudo menos uma constante no que quer que seja, passando a fase seguinte, está mergulhado na sua “dúvida abstrata” crónica, em nada parecido com aquela pessoa (antes e depois do poder) que conhecemos antes, individuo que dias antes, parecia transportar um ideal promissor dentro da cabeça, mas, que simplesmente contrapõe, havendo outro fora da cabeça e, não se percebendo qual dos dois é a pior “receita” para o Povo!?

Andamos a assistir um teatro de rua inconstante, e feito em Casa, uma peça da actualidade onde ouvimos pensamentos de incompatibilidade inter-pessoal à luz do dia, inspirados nos desejos ocultos de cada, estando subjacente o perfil exibicionista das ideias feitas, trazendo dentro deste “armário/cabeça” um gato escondido com o rabo de fora, mas que não caça nada, muito menos ratos, pois cada um usa e abusa, enquanto o Povo espera serenamente pelo dia seguinte, atentos, como a Guiné-Bissau de todos nós, um País-Margóz!

Lideres com telhados de vidro, acabam por influenciar negativamente o ritmo de desenvolvimento, motivo porque o País não avança, amarrados estão os projectos conduzidos por certos Camaradas corruptos e manipulados constantemente pelos padrinhos, alguns lideres com comportamentos patéticos, uns contra os outros, desesperados ou frustrados, fazem tudo por tudo, para não sair do barco do poder, querem “mamar” na idade adulta e não só, por isso andam furiosos e não se acalmam tão cedo, o que é perigoso, porque escolhem para amigo, até o pior inimigo do País, só para se “defenderem” do irmão de Casa que tem os olhos abertos.

Estes grupos rivais de lideres, só eles não sabem que usam pernas de barro, impróprios para atravessar o “rio” Geba a nado ou fugir em passo-corrida, por isso camaradas, todo o cuidado é pouco, convém sossegar a ganancia material, e procurarem dormir um sono reparador nesta fase de mudança, do que ter de enfrentar uma insónia de três dias ou mais, a fugir de um lado para o outro sem nada, com uma mão à frente e outra atrás, para no fim acabar como nascemos, nus e sem nada!

O pré-conceito bloqueou os líderes do PAIGC, não permitiu reflexão profunda, transparente e frontal o suficiente, para por em prática melhores ideias, não obstante pertencerem ao mesmo partido político, agiram como rivais, desconfiados uns dos outros este tempo todo! De costas voltadas as birras agudizaram, ouvindo-se numa distância intercontinental, inédito no País e no PAIGC, parar o motor no alto mar, preferindo enfrentar a tempestade de grandes dimensões a “remo”, para chegarmos a bom Porto (Pymdjyguyty).

Desperdiçados a oportunidade de fazerem história e reanimar o PAIGC, o País e seu Povo, mas não, esta força politica partidária mais responsável pelo atraso de desenvolvimento económico, social e cultural do País, preferiu através de alguns líderes e militantes do mesmo Partido, em menos de um ano de mandato, os chefes passaram para campos opostos, como autênticos rivais políticos, embora provenientes duma maioria absoluta do mesmo Partido, nada os demoveu, lutaram até ferir de “morte”, sem compreensão entre eles terminaram como começaram, e o Povo não percebeu nada até hoje, é caso para se dizer que assistimos uma briga de chineses (sem ofensa). Uma realidade que pode mudar radicalmente a vida do PAIGC hoje, este barulho ressuscitou dinossauros que até agora tinham arrumado as botas, mas acabam de ganhar terreno e possibilidade de afastar certos líderes da actualidade, que poderão perder sua continuidade à frente dos destinos do País, julgo estarmos a assistir já a uma nova era no PAIGC, acredito.

Desta vez e, repito, este conflito de comportamento de incompatibilidade, gerou incompatibilidade total como seria de esperar, tanto de feitio como de ideias “políticas”, embora se fale tanto em “feitios”- há aqui a ocultar e propositadamente, um desentendimento também nas partilhas materiais de projectos de desenvolvimento – uma realidade subliminar, que não tem sido afrontada em público, mas perigosa se tornou, que abriu brechas nas paredes do “palácio”, para reentrada de antigos camaradas (vamos aguardar), que vêm ao ataque, para tentar ocupar lugares na vida politica nacional, uma opção de vida só para alguns, contudo, isto podia acontecer só daqui a cinco anos, mas surpreendentemente acontece mais cedo, pois o pote de mel está novamente a descoberto e todos sabemos, que onde houver mel, mete-se o dedo e, chupa-se!

São danos causados pelo pré-conceito no interior do PAIGC, uma bomba que estoirou na cabeça do PAIGC, deixou rombo gigante a meter água há alguns meses na casa das máquinas, e distraidamente discute-se o sexo dos anjos, vimos questões de natureza Constitucional serem comentadas por indivíduos nada experimentados, estes são infelizmente os políticos, que deveriam tirar suas dúvidas com ilustres Juristas reconhecidos, não o fizeram atempadamente, por deficit cultural, transferiram levianamente suas dúvidas para um campo dramático que chegou onde estamos “parados” neste momento. Pergunto, será que somos poucos e maus, penso que não! Mas os há péssimos entre os bons, os maus, e são frios, calculistas, não vêm meios para atingir o fim, têm os mesmos objectivos numa – elite Mata-borrão – eles comem tudo, por isso queremos isolar este património humano doentio em alguns políticos nacionais, especialmente os que têm o destino do Povo nas mãos, tratarmos esta “Verdade-Fatal” atempadamente, enquanto dói ao aplicarmos o dedo na ferida nacional!

Lideres calculistas e maus camaradas, eles pensam e planeiam os golpes ao poder, traçam os seus objectivos em paralelo com outros interesses superior do Estado, são ágeis a manipular, frios e bons actores, tudo fazem para impressionar os incautos, são ainda perigosos, com alterações comportamentais severas, um autentico camaleão, perigosos no meio ambiente politico e social, agem como tendenciosos, frios, destroem tudo que é contra as suas ideias, pessoalizam em politica e fazem-se de vitimas, para desviar as atenções, são odiosos na relação politica/humana, normalmente com pouco sentido de Estado, não hesitam em massacrar os adversários, para retirá-los do caminho física e psicologicamente. Revelam paranoia e egocentrismo, são excessivamente desconfiados na relação (influencia de telhados de vidro), não demonstram sentimentos de compaixão, esmagam com frieza e passam, sentem-se donos do que é de todos, confundem Ser e o Ter, julgam-se donos da verdade, mas, também duma mentira que querem ver “transformada”, aí fazem tudo para falsear e pôr o mais parecido à verdade real uma mentira, são eles esta  “ELITE MATA-BORÃO”, que prolifera no sistema corrupto implantado no território nacional!

Agora estamos num momento sensível e perigoso, os “inimigos” roçam nas arestas uns dos outros, ninguém quer limar a sua ponta ou o excesso, este ambiente é hostil (basta olhar as caras), é proporcional à revolta, uma luta renhida na entrada do funil, onde os pingos se contam um de cada vez neste momento, toda a proveniência de grupos estão identificados, fazem parte do sistema desta – elite mata-borrão  – que costuma mover influências, um lobby a caminho de ocupar tudo, e por isso, há que tentar acabar com estes grupos, eles chupam tudo que é “tinta”, nos dólares, fcfa, euros, e se houvesse “pesos” lá iriam kkkkkkkk, e talvez tenham saudades da antiga moeda, vão comendo quase tudo como até hoje, não lhes acontece/eu nada, até quando, também ninguém sabe, certo é que a Instituição de Justiça acordou e está no controle, acredita ou não?

Que ninguém pense escapar eternamente como corrupto na nossa Guiné-Bissau, acreditamos no Povo, pois a luta continua…

Djarama. Filomeno Pina.