Opinião: Se semearmos o vento, colheremos a tempestade

Se a Democracia é a voz de povo, por meio dela, se expressa a sua liberdade em escolher os seus representantes, porquê que no meu País a vontade do povo não é respeitada?

Por Fernando Siga, Estudante na UNILAB | nhassesulte@gmail.com

Tudo o que hoje estamos vivendo é fruto do que semeamos, por isso, se plantarmos o vento colheremos a tempestade, como dizem os mais velhos.

Meu povo sofreu com o colonialismo português e agora continua a sofrer por seus próprios filhos. É Guiné bu cansa na mom di bu fidjus. Nós é que votamos, cantamos viva, viva, viva – agora somos nós a sofrer. O meu povo esquece rápido demais, como cantou o falecido Aliu Barri  kuma kuta lesto ku disquici nde ku bu daba tapada bubim nlembra nunde ku bu kai.

Já sabíamos que esse governo não ia chegar seu fim, mas fingimos não saber o presidente da República e o Primeiro Ministro são de alas diferentes no partido. Na formação de governo, os que apoiaram o primeiro ministro no congresso de partido, realizada em Cacheu, norte do País, um número significante está no governo, enquanto que o Presidente da República também escolheu só os da sua “chapa” como conselheiros. Isso é uma brincadeira.

Sua excelência, Presidente da República, a sua decisão de demitir o governo é um ato constitucional, segundo os seus poderes previstos na constituição da República, no seu art.68°, alínea g – Nomear e exonerar o Primeiro-Ministro, tendo em conta os resultados eleitorais, e ouvidas as forças políticas representadas na Assembleia Nacional Popular; conjugado com o que preceitua o art. 69°, alínea b – Demitir o Governo, nos termos do n.º 2 do artigo 104° da Constituição. O senhor nos prometeu que não ia destituir o governo e nem pensou nisso, as pessoas só gostam de fofocas. Pense no seu povo. Está pondo a sua carreira política em causa a cada dia. O povo guineense não merece, nos dão só a vergonha. Sabem, mais de que ninguém, que o povo guineense não é respeitado por causa das vossas intrigas pessoas (os políticos).

A união faz força, precisam fazer isso para podermos sair dessas intriguinhas de todo dias. A segunda estrofe do nosso Hino fala por si “Ramos do mesmo tronco, Olhos na mesma luz: Esta é a força da nossa união! Cantem o mar e a terra, a madrugada e o sol que a nossa luta fecundou. ” Será que somos ramos do mesmo tronco como diz o hino? Será que vocês (os políticos) pensam no bem-estar do povo ou pensam só nas vossas famílias? O que é que esse povo vos fez?

Agora, a política na minha terra é uma “máquina de ganhar dinheiro”, parece uma brincadeira, mas são coisas sérias, só nos enganam com discursos bonitos, mas na verdade tudo que nos dizem são mentiras, por isso não nos dão boas escolas, bons hospitais, boa alimentação, (os serviços públicos de qualidade) porque nos dando o povo vai ser “revoltoso”, porque quem sabe tem poder e quem tem poder, ao ver que os seus direitos estão em causa, de qualquer jeito ele reclamará.

A sociedade não está parada, se ela é dinâmica, temos que adequar as leis como o mundo que temos não ficar no passado. Muitos falam que é o nosso sistema que permite a destituição de Governo, mas na minha humilde opinião penso que o nosso maior problema se encontra na nossa carta magna (a Constituição da República), tem que ser revista, como está no art. 127°, conjugado com o art.130° ambos da constituição da República.

Sua Excelência, o Primeiro Ministro não é o seu subordinado, ele é Chefe de governo órgão    executivo e administrativo supremo da República da Guiné-Bissau, como está no art.96° da Constituição da República. Não pretenda fazer o trabalho dele, porque estão explícitas as suas funções na nossa constituição. Sua Excelência, o senhor é árbitro quem vai controlar e acalmar as tensões segundo art. 62° da nossa constituição: 1 – O Presidente da República é o Chefe do Estado, símbolo da unidade, garante da independência nacional e da Constituição e comandante supremo das Forças Armadas. 2 — O Presidente da República representa a República da Guiné-Bissau. Não quem vai pretender fazer o papel do governo. Num estado de direito, temos que respeitar o seguinte: separação de poderes, (presidência da república, governo, assembleia nacional popular e os tribunais), tem que ter colaboração, mas não um querendo impor sobre o outro, porque todos são independentes (interdependência dos órgãos de soberania); respeito pelas leis etc. são coisas básicas sem isso, não é preciso avançarmos porque nada vai dar certo.

Para concluir a minha análise, gostaria de dizer que agora não é a hora de dizer que X tem razão e Y é culpado, mas sim, de apelar o diálogo no seio de PAIGC, porque o diálogo é base de tudo. Não nos disseram a verdade do que está acontecendo. Estou muito triste em ver algumas pessoas a correrem nas ruas pedindo destituição do governo, outros que estão insultando o presidente, acho que isso não é via de resolução de problema, como dissemos em nosso crioulo que ika tem kinti ku kata firia, então é a hora de apelar pela paz e tranquilidade, se não, podemos nos preparar para o pior. Enquanto os interesses pessoais estão acima dos nacionais, sempre continuaremos nesse vai e vem, o que não vai abonar em nada para o nosso País, no que diz respeito ao seu desenvolvimento sócio-político, econômico e em todas as esferas da nossa sociedade. Já é a hora de deixar das querelas partidárias, de cultura di madjundadi, só eu posso, sei e devo fazer, quando digo tem que ser obedecida. Vamos conversar e chegaremos a um consenso.

GUINÉ I PA TUDO SI FIDJUS”.

Por: Fernando Siga, Graduado em Ciências Humanas pela Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNILAB) licenciando em sociologia pela mesma universidade.

UNILAB/BRASIL-CE.

 

 

2 Responses to Opinião: Se semearmos o vento, colheremos a tempestade

  1. Alimo Duarte Pinto diz:

    A nossa querida nação Guiné Bissau e de todo o povo guineense precisa ser governado pelos homens temente a Deus, “Bem-aventurado é a nação cujo Deus é o Senhor”, precisa assim ser compreendidos pelos homens que ama o seu povo e que trabalham em prol do seu povo e tem amor pela pátria guineense.

    Hora, a expectativa e a esperança do povo guineense precisa e deve ser atendida pelos homens idôneos e comprometida em prol da causa na nação, através da formatação de um plano estratégico de modelo de projeto politico que viabiliza a maximização do desenvolvimento econômico, social e bem estar social do seu povo, cujo o beneficio da nação é para todos os filhos guineenses, sendo que para construir um projeto modelo de modelo de desenvolvimento é necessário aprimorar o dialogo entre as classes polícias da nação guineense, criar mecanismos de convergência entre toda as classes e representantes pública da nossa nação.

    O nosso país tem Homens de nobre capacidade ainda para governar o nosso país Sim em prol do desenvolvimento do país e do seu povo como um todo “Guiné terra ki nó Djunta”, acredito que, esse sentimento é uma questão de principio e convicção que está norteado nos corações de todos os guineenses, afinal, acreditamos na capacidade dos seus filhos para melhor governabilidade a partir de um projeto colossal que sirva de modelo de credibilidade a partir dos planos de investimentos e desenvolvimento do país e desenvolvimento do seu povo, ou seja o crescimento econômico e desenvolvimento social da nação guineense, nisso será necessário construir o plano administrativo que viabiliza a autonomia administrativa das suas regiões e todos os setores do país para maior abrangência do desenvolvimento tanto nos setores públicos e privados que operam no país como um todo em busca do maior abrangência do desenvolvimento.

    Acredito eu que, ainda podemos unir a forças juntamente com o povo guineense na reconstrução e construção de um futuro melhor que melhor atende os anseios da nosso povo guineense e de toda a sua nação em geral.

    A todos os guineenses, a unidade e a esperança e os princípios idôneos devem nortear os nossos passos que precisamos trilhar e pelo caminho da humildade que a cada dia precisamos e devem ser brotado e cultivos em nossos corações como uma questão de princípios para que através dela todo o povo guineense possa ver uma luz de esperança e sustentabilidade em prol de todos os guineenses em todos o país.

    Desde já, agradeço pela atenção e pela disponibilidade desse canal informativo como o meio de poder contribuir com a esta síntese sugestão para todos os Guineenses em geral. “Só Deus Pudi Djuda Guiné Bissau”.

    Um grande abraço e obrigado a todos.

    Do vosso irmão e amigo.
    Att:Alimo Duarte Pinto.

  2. Gomis Menthès Marcel diz:

    Muito obrigado pela sua analise da situaçao do pais.É só na Guiné-Bissau que se vê esta problemática.E o senhor tem razâo:é uma vergonha, porque já nâo é no interesso do povo,mas pessoais.No isso temos que sensibilizar a sociedade civil, sobretudo os intelectuais como o Sr:os políticos falharam.

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