Opinião: O Novo Reposicionamento Mundial

A emersão da China relegou a Rússia numa posição longe daquela que fazia face aos EUA. A China preferiu apostar no desenvolvimento industrial e não na conquista bélica e de novos territórios. A Rússia longe de ser aquela potência de outrora que coordenava o bloco de Leste denominado “Pacto de Varsóvia”, encontra-se minimizada, embora dispondo de um arsenal bélico impressionante, que anualmente lhe custa milhões de rublos só de manutenção. O embargo imposto pela União Europeia se resultou eficaz e criou lacunas na economia russa.

Por Plinio Borges |goplinio@hotmail.fr

Em 1884, na conferência de Berlim, os Europeus decidiram dividir e partilhar a África. Com a abolição de escravatura, uma outra fonte de receitas se fazia necessária. Nessa altura, o continente africano, em certas regiões, prometia benefícios diversos. Nessa partilha que pouco satisfez alguns países, como por exemplo, a Alemanha e a Itália, deu origem a primeira grande guerra.

Hoje, o mundo encontra-se em ebulição porque uma crise sem precedente assola as grandes potências e há um interesse em solucionar o problema. Mais uma vez, há o interesse em partilhar os recursos para tirar dividendos e não perder a face. Os ditos países emergentes dispõem, hoje, das tecnologias que outrora apenas dispunham os países desenvolvidos.

A parte do benefício dos países ricos foi imputada e fortemente. Uma grande guerra não resolveria o problema. Dispondo, quase todos, os grandes, de armas estratégicas e nucleares, nenhum deles ousa atacar o outro. Conhecendo as consequências nefastas da guerra nas sociedades ocidentais, denotou-se que mais valia uma guerra diferente e inteligente.

Tudo orquestraram para que se faça uma guerra lá onde há o petróleo, que seja ela em África ou no Médio-Oriente. As guerras nessas regiões deveriam influenciar o aumento do custo do barril de petróleo. consequências do escassez do ouro negro, mas não aconteceu porque os EUA se posicionam como o número um no ranking mundial dos exportadores.

Aproveitando-se dessa conjuntura provocada, os EUA ditam os seus preços enquanto se preparam para a segunda fase das operações, que consiste em diminuir o consumo dos carburantes fósseis. Hoje, mais do que nunca, apostaram no desenvolvimento dos motores elétricos e no bio-etanol, para marginalizar o petróleo, escondendo-se atrás de um argumento de peso, que é a proteção ambiental do Planeta.

Como sempre acontece, um país saiu descontente nessa nova partilha do mundo, porque foi marginalizado e ignorado, a Rússia. Invadindo a Geórgia para anexar a região de Crimé, a Rússia tentou como sempre fez, para se fazer notar no concerto das grandes nações.

A emersão da China relegou a Rússia numa posição longe daquela que fazia face aos EUA. A China preferiu apostar no desenvolvimento industrial e não na conquista bélica e de novos territórios. A Rússia longe de ser aquela potência de outrora que coordenava o bloco de Leste denominado “Pacto de Varsóvia”, encontra-se minimizada, embora dispondo de um arsenal bélico impressionante, que anualmente lhe custa milhões de rublos só de manutenção. O embargo imposto pela União Europeia se resultou eficaz e criou lacunas na economia russa.

O apoio de Vlademir Putin ao Bachar na Síria só tem como surto o descontentamento dos EUA e os seus aliados. Não por causa do petróleo da Síria, mas também para a hegemonia geopolítica na região. Consequência direta de apoio ao Bachar alegadamente resultou na explosão de um aparelho de transportes civis, causando centenas de mortes, obrigando Putin a tirar as suas garras. Hoje a Rússia encontra-se, mais uma vez, numa guerra que risca de durar e com os homens no solo, como aconteceu no Afeganistão.

A nova estratégia de guerra usada pelo ocidente, o chamado “ataques cirúrgicos” feitos por aviões e drones de combates, evitando a todo o custo a perda de homens, no teatro das hostilidades. Com o desmantelamento do Iraque, a Rússia ficou impassível, deixando os EUA fazer a tempestade no deserto e o bom tempo que nunca chegou.

O “basta” de Putin risca de lhe custar caro, porque os árabes encontram-se divididos de tal forma que, ajudando um árabe, você se posiciona como o inimigo do inimigo do árabe que ajudaste. Por enquanto a América do Sul foi esquecida nesse nova guerra estratégica e pouco se sabe dos motivos.  Por outro lado, a África se envenena sozinha sem que outras potências se interfiram diretamente. Os focos de instabilidade são intra-africanos como sempre e, de vez em quando, lá vai a França como bombeiro, quando não é acusada de piromania.

Aos países exportadores de petróleo um aviso a ter em conta: investir massivamente noutras energias porque este século será o de motor elétrico. Penso que os africanos devem rever a cópia dos seus projetos de desenvolvimento.

O mundo está cada vez mais egoísta e, por isso, nenhum país africano deve esperar a solidariedade dos outros, mas sim meter as mãos às obras para que o desenvolvimento não seja apenas uma miragem.

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One Response to Opinião: O Novo Reposicionamento Mundial

  1. Carlos Hebo Mayunga Quimo diz:

    Este artigo de opinião peca por ser muito simplista. O autor não se deu ao trabalho de aprofundar as questões por ele levantadas.
    por outro lado há erros gramaticais e de ortografia. Meu Deus era suposto que um indivíduo com presença frequente num órgão de informação soubesse escrever na língua de Camões que é a que nos une, enquanto povos com línguas africanas diferentes. E como dizia Cabral a “Língua Portuguesa foi o maior bem que os Tugas nos deixaram” por isso, há que cultiva-la. por ser o nosso meio de contacto com os outros povos, que falam línguas diferentes.

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