“Da História pela História” – Resposta de Historiador Mário Cissoko

Sou Historiador, Combatente e um curioso, mas não sou parcial. Quem quiser algum debate sério sobre a História da Guiné, por exemplo da sua nascença [1885] a 1980, ou mais do que isso, que venha a Bissau com calmantes na sua bagagem, porque terá muitas surpresas vergonhosas no caso dos seus heróis cujo perfil macabro ele pretendeu branquear com insultos reveladores da sua falta de argumentos sequer inconsistentes.

Não  me preocupa a histeria doutrinal dos nostálgicos de uma causa já julgada pela sua própria natura. Serão verdadeiros combatentes esses conspiradores da sombra e torcionários voluntários que mutilaram e assassinaram presos políticos e Comandantes da Luta no pós-luta?Os insultos entre outras palavras deslocadas contra a minha pessoa não merecem uma réplica igual, pois os seus autores e comanditários, energúmenos da pior espécie humana, demonstraram não só a sua baixeza da qual se nutre a sua pobreza mental, mas o seu baixo nível científico gerado pela cultura da estupidez tendo vigorado na ex-Polícia Política do Clã de Cabral desde a luta armada de libertação nacional na Guiné.

O meu perfil, herdado das minhas ascendências paterna e materna, não me permite ligeiridades, porque a nossa família não é uma família de petite vertu como as outras que desviam a coisa pública. Tão-pouco mentimos para sobreviver. Por isso, debaixo de muitos trabalhos meus, escrevo essas palavras: lux mea culpa. Assim sou desde a luta armada de libertação nacional.

É provável que eu devesse ser silenciado antes da Independência do país por ter sido o Encarregado do Arquivo Morto do Secretariado-Geral do PAIGC em Conakry (1966-20/08/1968) e Historiador, antes da Frente Sul onde servi como Comissário Político do Comandante Yafay Camará à testa do 3º Corpo de Exército A/70.

No referido Arquivo fui substituído pelo poeta Mário Fonseca, o irmão do actual Presidente da República de Cabo Verde. Contudo fui, mais tarde, alvo de pesadas acusações na luta e no pós-luta:

  1. Alguém foi mandatado em 1973 para me acusar de ter queimado a bandeira do PAIGC na sua presença, três meses antes da morte de Amílcar Cabral. O PAIGC mandou uma Comissão de Inquérito a Moscovo sobre o caso. Os Camaradas Timóteo, de Cabo Verde, e o Comandante Pascoal Alves, da Guiné, compuseram a dita Comissão;
  2. Em 1978 fui acusado de ter vendido o Museu da Guiné;
  3. No mesmo ano [1978] fui meramente suspenso das minhas funções de [primeiro] Director do Instituto Nacional de Investigação Científica (INIC) durante 27 meses [até golpe de estado militar de 1980]  e sem julgamento, apesar do relatório de Investigação dos Serviços de Inteligência militar e paramilitar que me absolveu no “Caso Museu Nacional”. A verdadeira causa policial foi a minha réplica por escrito ao desvio de procedimento do meu superior hierárquico no Conselho Nacional da Cultura, o Angolano Mário Pinto [Lopes?] de Andrade, o inventor do MPLA, que, com o seu casal francês de  assessores, desviava o Património do Museu aquando das minhas missões no exterior. A famosa mensagem escrita em francês a Mário de Andrade foi essa: Confondez-vous le pouvoir et la responsabilité ?
  4. A outra acusação, a mais decisiva, aliás a mais facilitadora do meu premeditado fuzilamento pelo regime do Clã político caboverdeano de Amílcar Cabral, foi a minha oração nos respectivos seminários organizados pelo INIC, em Bissau, sobre:
  • a problemática da eleboração da História da Guiné e Cabo Verde;
  • os povos e as línguas da Guiné;
  • a concepção de uma política linguística e sobre a problemática da adopção “musculada” do estatuto de língua nacional unicamente para o Crioulo, que substituira o Português como língua primeira no âmbito do projecto forçado de fundição de Cabo Verde e Guiné-Bissau num Estado único: um procedimento  em vigor na altura a bem de Cabo Verde e em detrimento da Guiné-Bissau, cujo povo, ao contrário do caso caboverdeano, é multiétnico, com um rico  e invejável património cultural.

Coisas medonhas para justificar o meu fuzilamento pelos inimigos da liberdade, da estabilidade política, da coesão do Povo guineense, da modernização do Estado e da Economia da Guiné!

Quem defende  o famigerado regime do clã político caboverdeano de Amílcar Cabral que fuzilou milhares de Guineenses, enterrando vivos centenas doutros indefesos e amarrados por terem a culpa de serem considerados como um eventual Exército nativo capaz de travar o processo da subtituição do colonialismo português pelo colonialismo caboverdeano na Guiné nos anos 1973-1980.

No mundo actual, bem como na nossa periferia africana,  o relevo histórico do pensamento universal ensina que a felicidade do saber é a fertilidade manifesta da sua liberdade de expressão e de evolução fora dos parâmetros do passado colonial e do clã político caboverdeano de Amílcar Cabral. Este desafio epistemológico não se consegue se o Homem e o seu meio se mantiverem agarrados como carpatos àquilo que perpetua, a todos os níveis sociais, o subdesenvolvimento humano e arcaísmos ainda persistentes de vária consonância, a saber os esquemas de abordagem em desuso e grandiosamente salvaguardados para não proliferar ideias e histórias contrárias aos desígnios de interesse singular do Clã de Cabral, mas favoráveis para sustentar o culto da personalidade de Amílcar Cabral realmente infértil na Guiné; consolidar as ditaduras  desarticuladas entre outros viveiros do subdesenvolvimento opostos à “proletarização” da Historiografia Universal, Africana, Bissau guineense e da Luta armada pela Independência da Guiné [1961-1974], assim como à alteração e à alternância dos códigos de pensamento…

Para essa classe de pessoas não estruturadas, lutando para ressuscitar o passado, branquear os inimigos do desenvolvimento da Guiné ao silenciar os  crimes contra a humanidade que grassaram na Guiné-Bissau, de 1962 a 1980, impera-se a “reformatação” da investigação e da leitura históricas da Guiné-Bissau, da África e d’Além, para descobrirmos a inconsistência de muitas categorias de fontes históricas e estratégicas, hoje politizadas e globalizadas num cenário de traições não faladas desde Amílcar Cabral (1962).

Assim para melhor aprendermos a nós conhecer, a conhecer as novas entralhas das religiões políticas opostas a Deus e seus Profetas, a compreender os problemas evitando, deste modo, criar outros problemas no tratamento dos problemas da Guiné-Bissau, d’África e d’Além. Sobretudo da União Europeia em crise grave de escolha de perfil face à si mesma e em vias de desintegração a bem dos artesãos internos da sua recolonização falhada pela invasão da URSS.

Enfim, para não sermos perpétuas vítimas do desconhecimento e da interpretação errada dos factos, bem como dos temperos rituais da História, herdados de geração em geração à maneira dos carneiros de Panurge (Vitor Hugo).

Sou Historiador, Combatente e um curioso, mas não sou parcial. Quem quiser algum debate sério sobre a História da Guiné, por exemplo da sua nascença [1885] a 1980, ou mais do que isso, que venha a Bissau com calmantes na sua bagagem, porque terá muitas surpresas vergonhosas no caso dos seus heróis cujo perfil macabro ele pretendeu branquear com insultos reveladores da sua falta de argumentos sequer inconsistentes.

Quanto aos outros casos de histeria doutrinal dos descontentes que pensem que a Guiné-Bissau ignore a sua história real, eu já respondí nos meus três tomos ainda à espera da sua publicação salutar para a Guiné-Bissau. Nessas obras há tudo para dissipar a escuridão e regenar a mentalidade da gente desvirtuada, perdida, não esclarecida, repescando igualmente as vítimas das teorias entupidas no solo guineense. Grosso modo, os três tomos libertarão a Guiné da ignorância e dos novos desígnios geopolíticos exóticos…

LUX MEA CULPA A BEM DA MINHA GUINÉ

Mario Cissoko, Historiador e Combatente da Liberdade da Pátria

Bissau, 23 de Outubro de 2016.

NB: Quem quiser o meu CV, pode pedi-lo por via internet.

 

15 Responses to “Da História pela História” – Resposta de Historiador Mário Cissoko

  1. Quecuto SANE diz:

    Um heroi, um pai, um herdeiro, um mensageiro, um lider civico em fim um grande conhecidor e historiador Guineense. A sua obra um dia vencera ee vai permanecer.joventude de hoje ja tem ciencia em mente, dai os factos realistas ja estao a ser investigadas. Ideais dos herois vao ser descoberto e vai permacer e contribuir no desenvolvimento socioeconomico da Guine Bissau.

  2. Malam Gomes diz:

    O país tem muita gente boas, profissionais em Todas as áreas, muitas formados (as) – Quer nível académicos, profissionais e militares – O mal dos guineenses é rebaixar as pessoas, cada um acha é só Ele . mais inteligente, mais formado, mais capaz e acha tudo o que está feita ou o que foram feitas está tudo mal. Podemos criticar, apresentar cominhos limpos e certos, sem chuvas de pedras – ao fim ao cabe Mário Cissoko é o quadro supeior é um militar. Fiquei satisfeito por o conhecer

  3. Matias Serafim da Góia diz:

    Ainda bem que tenha pessoas que possa contar toda a história da luta de libertação.Porque alguns que podiam contar toda a farsa da luta já não estão entre nós.E veste senhor é um arquivo vivo quem sabe um dia posso-lhe conhecer.Já estou a mais de 38 anos fora na Guiné.Muito obrigado e um dos homens que podia contar muita coisa o falecido Sr. Domingos Araújo que residia em Kolda a muitos anos.Satisfeito por conhecer mais uma história da chamada Luta de Libertação.O meu muito obrigado.

  4. Mario Djedjo diz:

    Falta uma coisa neste web. Botão de compartilhar, espero que seja criado em breve.

  5. Vensam Gomes diz:

    O historiador perdeu o rumo da historia! Mais o sr estava a onde? Já há tantos da anos que já la vão e minguem ouviu falar do seu nome como o fundador da nação da Guiné-Bissau. O senhor anda a dormir e a sonhar com a historia inventada. Por a caso eu desconheço categoricamente a sua historia sobre a Guiné Bissau. Neste momento não temos pessoas capazes de enfrentar o senhor com essas historias inventadas sobre o aparecimento da Guiné-Bissau no mondo. como sendo estado, reconhecido internacional pelas nações unidas. Ainda estão à frequentar as aulas nos institutos superiores de calunias! E não sei quando é que eles vão concluir os seus estúdios superiores nessa escola.
    Do meu ponto da vista penso que Sr esta confundir as funções que desempenhavas na era colonial como sendo PIDI ao serviço das grandes envergadura fascista do regime Salazaristas! O Sr, eu ajo que ainda te falta muitas coisas à aprender ou voltas a escola de modo à poder aprender mas, alguns alego na vida!

  6. Bacar Queta diz:

    Que pena, ainda existem muitos tolos neste mundo, nem sabem escrever e querem criticar o Mário Cissoko.

    Fazer o quê? Eles tb têm direito.

    • Quemo Djassi diz:

      Não disse que concordo com o historiador,mas , sim há muitas coisas escondidas na Guiné-Bissau. por isso vamos continuar a viver nas duvidas. exemplo, Quem matou Amílcar?Quem matou Presidente Nino?

  7. Augusto Mendes diz:

    Pfo.DR. Mario CIssoko. Li o artigo e como cidadão nacional, fiquei arrepiado com tanto desperdício
    que a não publicação atempada faz sentir, desta materia cientifica ao serviço da humanidade e em especial a Guiné~Bissau, que por sinal, não deve ter muito nesta área especifica. Mas mesmo que tivesse, diz o ditado popular: <<o que abunda não prejudica<<.Sempre será uma mais valia para os utentes, que a disposição terão mais elementos de referencias históricas próprias do autor. É pena que a publicação tarda a acontecer..Uma coisa é certa. Leve o tempo que possa levar a publicação da obra, os guineenses ficarão gratos ao Professor Dr.Mario Cissoko.

  8. Zeca Cá diz:

    Primeiramente sou daqueles que foi orientado por esse grande Historiador Africano, e isso me orgulha muito, de poder passar noites e dias, viajar com ele para conhecer sítios históricos, locais esses que poderão contribuir na revisão da historia universal. O Prof.DR. Mário Cissoko, é uma pessoa humilde mas por infelicidade está no frigorífico politico, só na Guiné ora ku bu sta um bras dianti di djintis eta kastigau, é tchomau di nomis pabu pudi distranha di bida. Mas, Mario Cissoko, tem muito para dar a nova geração, se na verdade querem aprender o ABCdarismo da Historia do Homem Guineus.

    Ele pode nao ser reconhecido na Guiné-Bissau, como Grande Historiador, mas a Africa já o reconheceu por lhe ter dado o premio do Melhor Historiador Africano em 1984.
    fez parte dos 6 intelectuais selecionados para fazer a transcriçao do Alfabeto Standar das linguas africanas.
    em fim… por hoje chega! é importante reconhecer as pessoas quando estao entre nós, nao depois da morte.

    Um Obrigado a todos pela contribuiçao seja ela di bom gustu ou di malgosadura di fel.

  9. Gabú Sara diz:

    Caro Dr. Mário Sissoko,
    Eu não sou “Doutorado”, mas para mim o Senhor está a querer confundir a Opinião Pública Guineense não sei à troco de(o) Quê(?)!!! De alguns “Trocos” dados pelos Colonialistas (ou Reacionários)? Repito, para mim, pelo que li neste seu artigo, o Senhor não passa de um “Vende Pátria”!
    Porque razão se cinze (foca) só numa parte da História da Guiné-Bissau? Isto é, só no período 1885( Conferência de Berlim, Alemanha- Divisão da África pelas Potências Coloniais)à 1980? E depois de 1980 já não pertence à História da Guiné-Bissau? Porque só fala dos crimes cometidos pelo P.A.I.G.C. e não dos que foram cometidos pelos colonialistas e os seus “lacaios”?
    Eu era criança, mas vi e assisti muitas cenas de ambas as partes! Só que para sermos um bom Juiz, temos que ser imparciais e sabermos interpretar o Contexto dos Acontecimentos! Entendermos o(s) Fundamento(s) dos tais Atos!
    Caros leitores, nada de alarmismos! Cada um é livre dar ou escrever a sua opinião! É um direito que assiste à todos! Só que, muitas vezes, as pessoas para Ganharem Notoriedade escrevem ou falam, na Mídias,de coisas “Bombásticas”!
    Repito, este Senhor só fala de uma parte (PAIGC e os Caboverdianos) no período de 1885 à 1980 e não fala daquilo que passou ou passava no outro lado da “Barricada” (do lado em que mandavam os Tugas)!
    Com todos os erros (crimes) que este senhor apontou ao Governo de 1974 à 1980, a Guiné-Bissau estava mais limpa, organizada e com maior número de Indústrias! A Educação e a Saúde eram muito melhores!… Depois foi um Descalabro Total! A cidade de Gabú que o Diga!
    Uma última pergunta à este Senhor, quem foi que o Mandou para Moscovo (Rússia) estudar? Não seja ingrato Homem!

    O Amílcar Cabral, como qualquer ser humano, pode não ter sido perfeito. É normal e natural, mas reconheçamos o valor de uma pessoa que abdicou de tudo e deu a sua Vida para nos Libertar do Analfabetismo e Obscurantismo, para nos dar a liberdade que temos hoje de expressar e saber escrever aquilo que queremos na Língua de Camões e não só! Organizou a luta armada de uma forma exemplar (melhor que em Angola e Moçambique) que todo o mundo reconheceu!

    Fico por aqui. É muita História dentro desta História Cissoko (Sissoko)!

    Obs. Não sou Caboverdiano (Cabo-Verdiano)!!!

    Que Deus Abençoe a Guiné-Bissau!
    Paz, União, Solidariedade, Fraternidade e Progresso!
    Gabú Sara

  10. Joe Bissil diz:

    Nao entendo nada.JB

  11. Joe Bissil diz:

    Este senhor quer reescrever a história do nosso País ? Estava a onde estes Anos todos ? Ah estou a ver, tinha medo dos matadores. “di quilis matadoris i tchutchiduris di nô terra”. Mas na realidade ele é um deles. Que deixe de enganar o Povo.Que haja paz na Guiné pelo menos. JB

    • Luis Lopes diz:

      Este senhor é um frustrado,falhado e invejoso do reconhecimento internacional da obra de Amilcar Cabral.Nunca ninguem disse que Cabral era perfeito mas de todos herois africanos foi dos mais perfeito.
      Quem é o senhor para contrariar personalidades como Nelson Mandela,Che Guevara,Mario Soares e muitas outras altas figuras que afirmaram que Cabral foi o maior lider africano.

  12. Alberto Jaura diz:

    Eu, felizmente tenho o privilégio de conhecer Mário Cissokó e puder ler algumas escritas dele. Não julgo absoluto verdade tudo que ele disse, mas estou de plena consciência de que falou muita coisa com provas.(eu vi algumas)…
    Neste momento em que o nosso país se encontra numa Sequeira social,seria importante que as pessoas entrem na discussão com verdades palpáveis para que possamos reflectir de melhor maneira a nossa Guiné.
    Se alguem precisar de alguns trabalhos desse Dr. podem me contactar pelo Facebook Alberto Jaura Da) ( daalberto96@gmail.com)
    Fortes abraços para todos os opinantes!!!

  13. Braima Jamanca diz:

    Interessante. Infelizmente ninguem parece responder o pedido de debate.

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