Opinião: Fim do Casamento entre a Economia e “Empresários-Politizados”

Filomeno Pina

Há que ser frontal na escolha entre estar na politica e ou na coisa pública. Exige coerência para com o Povo nesta decisão, é uma questão de ética e moral pública perante um eleitorado que o elegeu, para cargo de responsabilidade, com expectativa de ver cumprida a sua missão de serviço ao País e, não se servir em primeiro lugar, abusando ou a explorar o tesouro publico para fins pessoais e de grupinhos (elite).

Por Filomeno Pina | filompina@hotmail.com

Haja transparência ao assumirmos a nossa verdadeira inclinação pessoal, como politico ou como empresário – DUAS FACES NA MESMA MOEDA, É QUE NÃO! – será puro oportunismo e aproveitamento tácito em desigualdade de condições, perante outros empresários, que aguardam por migalhas, porque não são políticos e sentem-se descriminados e afastados do “bolo”.

Recordo que Políticos são eleitos para representar e defender os interesses do Povo, do seu eleitorado, que assim desejam vê-los ocupados com a politica do País e não como “djylás” atrás de negócios escuros (empresários-politizados).

Camaradas, quem não quiser parecer “lobo”, não lhe veste a pele!

Somos livres de fazer escolhas e, uma vez escolhido – SOMOS EMPRESÁRIOS OU POLITICOS – as duas coisas é que não, contrário disto é enganar o zé-povinho, oportunismo politico mais reacionário perante o Povo, ter o descaramento de mentir sem dó nem piedade dos que sofrem para manter com dignidade uma família humilde e não conseguem, quando outros eleitos e com tudo pago pelo Estado, com vencimentos de luxo num País onde quadros técnicos e superiores ganham mal e resistem impotentes no dia a dia, com vencimentos em atraso, mas, esperançados num dia melhor.

Haja vergonha Camaradas e espirito revolucionário para com os conterrâneos – se é politico, faça o melhor que souber, para o seu Povo – BASTA!

QUEM QUISER SER EMPRESÁRIO, DEVE ABANDONAR A POLÍTICA JÁ – QUEM ESCOLHER SER POLÍTICO, DEVE PURA E SIMPLESMENTE PENSAR EM SERVIR A GUINÉ-BISSAU E NÃO SE SERVIR DO PAÍS, PARA DESVIAR A SUA RIQUEZA NACIONAL!!!

A promiscuidade e corrupção subjacente é de uma dimensão preocupante no País, um problema transversal na sociedade Guineense, este diagnóstico da febre do dinheiro, é crónico, com décadas no País, afecta um número preocupante de políticos Guineenses, actores mascarados na política, de noite vestem a farda de empresários, durante a manhã, são “políticos” ou vice-versa!

Políticos com vida fácil e luxosa ao longo destes quarenta e dois anos de independência, temos o País que temos, é preocupante tudo isto, crescem em numero empresas do ramo comercial, conotados com imagem politica de alguns lideres políticos parlamentares, são reconhecidos na praça como “empresários-politizados”!

Vivemos esta realidade absurda e viciante, vista no meio como uma garantia de segurança das negociatas paralelas, entre a relação empresarial e o exercício da liderança enquanto politico, i. é, dando a entender que, para se prosperar no terreno empresarial, és um politico ou tens de ter um “padrinho-politico”, que recebe prendas e dinheiro como comissão! É uma tristeza como conduta num político, desonestos, eles dizem no parlamento uma coisa e cá fora em privado, são do pior que se pode imaginar. Políticos são alguns, a sua maioria tem de comer muito sal e aprender depressa outras posturas mais democráticas no assento parlamentar, o tempo é de mudança, uma mudança se espera nesta conduta fraca de “empresário-politizado”, por exemplo (…)

Daí que, temos corrupção visível nesta área, tem sido recorrente, vista como remedio santo, para abrir e fechar negocio na Guiné-Bissau. Também há negócio fantasma, que nunca tem lucro controlado pelo Serviço do Ministério das Finanças no País, por exemplo; há empresas sem sede própria ou ainda, ausentes na verificação de actividade empresarial e movimento de contas, empresas sem contabilidade identificada pela Autoridade Tributária e Aduaneira, como é que podemos desejar ou querer prosperidade? Assim nunca mais somos um País a sério, pense nisto.

É PRECISO MORALIZAR O ESTADO DA REPÚBLICA DA GUINÉ-BISSAU, A FUNÇÃO PÚBLICA É MUITO IMPORTANTE NUM PAÍS, NÃO SE PODE IGNORAR ESTA MÁQUINA PODEROSA DE CONTROLE NAS NÃOS DO ESTADO, É URGENTE POR ISSO MESMO, E DEVE SER A PRIORIDADE NA AGENDA POLÍTICA NACIONAL DO ESTADO, PENSE NISTO CAMARADA!

A começar pelos Serviços administrativos na função pública, este aparelho de Estado merece o respeito e a dignidade de outrora. A função publica tem de retomar em força o seu destino com isenção total, merecendo atenção redobrada do sistema político que se pretende sério, há que proteger este processo através do exercício laboral durante a carreira profissional no funcionalismo público, só assim promovemos motivação e qualidade nos serviços prestados ao cidadão.

Quem pode e manda tem de saber controlar um serviço na área que chefia, o saber avaliar e saber persistir nos objectivos traçados, é factor de progresso num País desenvolvido ou em vias de desenvolvimento, penso.

O ser humano é corruptível, sabemos, mas, não é menos verdade, que isto não significa uma “norma” ou que se corrompe qualquer um facilmente, isso nunca!

No entanto isto merece um alerta aqui, porque temos necessidade de um sistema complexo e bom no aparelho de Estado, queremos um “Estado-controlador”, para controlar actividades através da administração estatal capaz, com leis justas, sem permitir dois pesos e duas medidas na sua aplicação, conseguido tudo isto, já é meio caminho andado rumo ao sucesso nesta batalha, acredite se quiser.

O divórcio pretendido entre a economia e “empresários-politizados” na Guiné-Bissau, dependerá da profundidade com que se moralizar o sistema politico no País!

Só um sistema controlador é capaz de promover eficácia e qualidade de serviço prestado na administração pública, daí a preocupação de demonstrar, que isto não se resolve com a varinha mágica, mas, com gente capaz, especializada na actividade, mantendo formação contínua na carreira profissional de funcionário público/Estado e outros.

Temos de acabar com este casamento perverso entre a politica e a economia no País, uma actividade controlada por corruptos do País – NÃO ADMIRA O NÚMERO CRESCENTE DE PARTIDOS POLÍTICOS NO PAÍS – sempre a crescer, e cada vez mais surgem políticos talhados à pressa, formatados na medida dos seus interesses pessoais de exploração do homem pelo homem.

Os falsos políticos já perceberam, que se tornou fácil chegar a ribalta, formando eles próprios um partido politico em vez de militância num dos já existentes com assento parlamentar.

Inventam divergências politicas para justificar necessidade de mais um “partido”, só que, quando lemos o seu projecto político partidário em vigor – parece plágio – algo retirado dos partidos políticos mais antigos com assento parlamentar, i. é, porque ideias políticas ou ideologia diferente, quase não têm.

Falando de diferença qualitativa, portanto nada justifica um crescente aumento de partidos políticos inscritos no País, uma autentica “salada de fruta”, mas com frutos iguais e nomes diferentes.

Perguntamos, para quê tanta invenção descabida num País pequeno como o nosso, isto dá vontade de rir (sem ofensa), devemos parar para pensar melhor antes de AGIR por imitação, pense nisto (…)

Na ausência de uma politica de emprego e de desenvolvimento sustentado, vemos um Estado praticamente como o único empregador, com muita pena acontece, o mercado de trabalho é fraco!

Todo isto é mau porque fragiliza o sistema e aumenta a corrupção, isto tem acontecido de forma tendenciosa, vermos como alguns Guineenses que traçaram seu percurso curto, para chegar a condição de milionário ou de empresário bem-sucedido, aparentemente fácil, bastou entrar na politica ou servir (engraxar) um “político” bem-sucedido no País, uma vez aceite neste movimento de corrupção instalada, logo, tem garantia de sobrevivência do seu negócio montado…

Importa realçar aqui, que quem for honesto e sério como empresário no País, corre o risco de ver sua empresa a fechar ou ser maltratado pelos senhores do poder oculto, mafiosos da politica nacional, perguntamos porquê tudo isto se queremos afinal ver o desenvolvimento da nossa Terra em igualdade de condições e de circunstancias entre os cidadãos no mesmo País!?

Nem todos os Guineenses querem o bem da Guiné-Bissau, alguns lideres centrados no seu umbigo, têm o consciente reduzido, na ideia têm um País atrofiado ou, do tamanho da sua ambição pessoal, uma visão frequente nos corruptos do País, sabemos, que não vêm os meios, para atingir os fins…

O Pais não se vê livre destes “chupões” instalados no lugar onde todos mamam e ninguém se queixa do “leite” desviado.

Basta lembrar – que o Tribunal de contas no País, nunca julgou ninguém em quarenta e dois anos – a Guiné-Bissau parece um mito de lealdade na administração territorial, parece o anjo de colo grande, País de santinhos onde ninguém roubou nada ao Estado, nunca, boa Terra, rica em tudo, que até filhos da outra é capaz de parir e não se queixar, quando é desgraçada pelos mesmos de sempre, a não ser quando matam uns aos outros, aí choramos os mortos, e quanto mais não seja por hipocrisia e fingimento…

… que Deus abençoe a Guiné-Bissau, eternamente…

 

Djarama. Filomeno Pina

4 Responses to Opinião: Fim do Casamento entre a Economia e “Empresários-Politizados”

  1. A Guiné-Bissau nesta situação de emergência, queremos os melhores cumprimentos de um bom trabalho para que possamos nos encontrar na próxima aula de governação, para o bem estar do nosso povo humilde, já sofremos muito, por falta de coerências nas instituições públicas e privadas, queremos uma rede social controlador da coisa pública, isso sim,é um novo anúncio profissional de governação para o próximo rumo ao desenvolvimento.

  2. Munira jauad diz:

    Parabéns pela frontalidade e lucidez da sua reflexão

  3. Duarte Luis Emidio Costa diz:

    Mais uma vez , vens chamar atenção dos Guineenses para a promiscuidade existente na política e na economia onde proliferam abutres oportunos em desgraça do país. Fala se de corrupção sem se ver ninguém preso para ser julgado enfim é a máfia. Se me denunciar também tenhos os teus podres. Triste realidade num país onde se precisa de tudo a nível da saúde pública,educação .Bo Tem pacensa bo tene dur des Pobo.

  4. klofetche diz:

    Ricos textos do Dr Filomeno Pina, para não dizer a totalidade do dito é verdade, mas, mais de 95% do dito é verdadíssima. Os actos contínuos dos sucessivos governantes tendem a agravar a promiscuidade referenciado no texto, compromissos políticos descarregados na função publica através de injecção de mão de obra desqualificada, ao invés da sua reforma e redimensionamento.

    O estado sente-se incapaz de consumir tanta podridão que lhe é preparada pelos seus medíocres servidores, passageiros dos cargos públicos, políticos e politizados. Mas a recorrente instabilidade até um certo ponto, cria condições objectivas para dificultar qualquer formula de controlo e organização.

    No entanto, desde antes sou pessimista e continuo isto, porque, quando o sector empresarial não cresce, para substituir o estado em certos momentos, não há perspectivas de industrialização, para criar postos de emprego, pouco provável parece ser as possibilidades de mudança desta tendência. Ainda bem, os empresários se refugiam na politica, para acederem aos cargos públicos e assim puderem também roer o possível, agrava ainda mais o meu pessimismo.

    Quando o quadro politico não favorece, remete-se tudo para um tempo por vir, quando não se sabe, ficamos pendurados na esperança que não morre, aliás, que morre quando cada um tiver morrido.

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