Antigo PM guineense diz que país está capturado por empresários

Bissau, 09 Março de 2018 (Lusa) – O antigo primeiro-ministro da Guiné-Bissau Baciro Djá afirmou que o país está capturado por empresários que se fazem de políticos sem se preocuparem com os problemas da população.

As declarações de Baciro Djá foram transmitidas hoje na rádio nacional da Guiné-Bissau e foram feitas na quinta-feira num comício popular organizado por um grupo de mulheres de alguns bairros de Bissau.

“O país está com esta crise, por causa dos empresários que estão na política. É aquela gente que, a todo momento, amarra, captura o Estado da Guiné-Bissau por causa dos seus interesses pessoais”, defendeu Baciro Djá.

Baciro Dja, de 45 anos, foi primeiro-ministro durante duas ocasiões, proposto pelo Presidente guineense, José Mário Vaz. Da primeira vez, foi empossado no cargo no dia 07 de setembro de 2015 e no dia 09 de setembro demitiu-se depois de o Supremo Tribunal de Justiça considerar ilegal a sua nomeação.

Voltou a ser nomeado por José Mário Vaz no dia 27 de maio de 2016 até 18 de novembro do mesmo ano quando foi exonerado.

É a primeira vez que Baciro Dja fala em público desde que foi exonerado.

No comício, pediu aos guineenses para que “tomem cuidado” com os empresários que estão na política e não votarem neles nas próximas eleições legislativas, que devem realizar-se este ano.

“O Estado da Guiné-Bissau está capturado por empresários. Vou pedir-vos que nas próximas eleições não votem em nenhum político que é empresário porque este não pensa em vocês”, afirmou Baciro Djá.

Explicou que a sua demissão se deveu às intenções daqueles que “querem capturar o Estado para si” e prometeu preparar “uma ampla frente republicana” para resgatar a Guiné-Bissau já nas próximas eleições legislativas.

Questionado sobre se pensa criar um partido político, o antigo primeiro-ministro disse que ainda está a refletir.

Sobre um cheque de 500 milhões de francos CFA (cerca de 700 mil euros) que o Presidente do país lhe deu, enquanto primeiro-ministro, para mandar construir uma avenida em homenagem ao falecido chefe do Estado, João Bernardo ‘Nino’ Vieira, Baciro Dja disse que o devolveu ao Presidente.

O antigo primeiro-ministro guineense disse ter devolvido o cheque ao Presidente porque o dinheiro não era suficiente para construir a avenida.

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