PAIGC e a arte de manipulação – Editorial do Jornal O Democrata

Bissau, 30 de Maio de 2018 (O Democrata & RFI) – A infeliz polémica em torno da organização do recenseamento eleitoral e consequente cumprimento do calendário eleitoral, conforme estipulado no entendimento de Lomé, é uma mera tática de manipulação da opinião pública nacional e internacional.

Aliás, uma velha estória de esperteza de lebre para com os lobos. A verdade é que o PAIGC, por razões do índole político, não quer as eleições em Novembro próximo.  Os discursos vindos do partido libertador deixam transparecer um esquema de adiamento das eleições e, para a materialização desse desiderato, recorre ao GETAPE (Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral) como instrumento de legitimação do plano do adiamento do pleito eleitoral.

Os argumentos que norteiam os ditos ‘cenários’ estão longe de convencer um cidadão avisado, muito menos um observador atento. Em primeiro, a premissa para calendarização reside na Lei eleitoral, guia de todo processo eleitoral, e nada deve substituir-se à imposição legal. O recenseamento eleitoral é a coluna vertebral de todo o processo de eleições e exige uma elevada dose de transparência e confiança de todos os atores.

Admitir um cenário de produção de cartões de eleitores no estrangeiro é, não só, contrário à Lei em vigor sobre a matéria como também carece de fundamento técnico e financeiro. Tecnicamente, a Guiné-Bissau já acumulou experiência confirmada na organização, desde que aderiu ao clube do multipartidarismo, há mais de vinte anos. Prova disso, em todos os recenseamentos eleitorais, os cartões foram produzidos aqui, nunca no estrangeiro.

Uma notícia da RFI aponta que, apesar das eleições legislativas estarem marcadas para 18 de novembro, alguns partidos já levantam dúvidas sobre a fiabilidade do processo, nomeadamente o registo dos eleitores.

A União Patriótica Guineense e o Partido da Renovação Social, por exemplo, já vieram ao público denunciar o que chamam de tentativas de fraude antecipada.

E isto por parte do PAIGC em conluio, dizem, com o primeiro-ministro, Aristides Gomes.

A questão prende-se com a possibilidade de os cartões dos eleitores serem impressos fora da Guiné-Bissau, segundo peritos internacionais para poupar tempo e dinheiro e realizar as eleições a 18 de novembro.

Victor Pereira, porta-voz do PRS diz que tudo isso é a preparação de uma fraude eleitoral.

 

One Response to PAIGC e a arte de manipulação – Editorial do Jornal O Democrata

  1. joaquim cardoso Pereira diz:

    Mas qual é o problema de os cartões de eleitor serem feitos no estrangeiro? Porque não há transparência? Quem manda os dados?Parece-me que o problema é sempre o mesmo, quem não é do meu partido não tem razão. Senhores deixem-se dessas coisas.

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