Opinião: A IMPORTÂNCIA de Encararmos os Factos Como Realmente São

Por António Tavares*

António Tavares

António Tavares

Os recentes acontecimentos que voltaram a abalar a cidade de Bissau, certamente deixaram todos os Guineenses num grande estado de choque, nem que seja pela surpresa com que aconteceram. Porém, mais do que condenar mais este acto criminoso de meia dúzia de delinquentes que chamamos de Militares, há que reflectir e deixar algumas considerações sobre o que terá conduziu a toda essa barbaridade. Considero que o aconteceu, necessita de uma enorme reflexão da parte dos filhos da Guiné-Bissau, nem que seja numa tentativa de virar o jogo e transformar este péssimo momento numa oportunidade única de corrigir o histórico de introduzir analfabetos, sanguinários, mal-formados nas Forças Armadas, um erro que a luta pela independência e a guerra civil de 7 de Junho de 1998 nos obrigou.

A importância de encararmos os factos como realmente são, por mais que nos custe, é extremamente crucial para abordarmos quaisquer que sejam esses factos! Temos todos que deixar de ser utópicos, julgar que as coisas se resolvem por si, ou que da forma que estamos a proceder conseguiremos resolver os nossos problemas. Isso é simplesmente fantasioso!

A verdade dos factos é dura, mas aceitemo-la com realismo. No que diz respeito às constantes instabilidades na Guiné-Bissau, temos um problema gravíssimo que são os nossos inconsequentes militares! Embora incitados por múltiplos factores. Tais como, o problema do tráfico de droga, a falta de formação que reina na classe castrense, a imoral cumplicidade dos dirigentes que prezam somente os seus interesses pessoais. Enfim… os factores são inenarráveis.

Outra verdade menos dura é que o nosso país não se encontra minimamente preparado para resolver este profundo problema. E enquanto se vai adiando a sua resolução por interesse e teimosia, vai-se também comprometendo o futuro das gerações vindouras.

Cair nas fraudulentas declarações de personalidades que insistem em considerar os acontecimentos do dia 12 de Abril como um situação de auto defesa e de defesa da soberania nacional, é um erro no mínimo absurdo. Pois caso estes acontecimentos sejam tolerados, como tem acontecido, podemos ter a certeza que mais dia, menos dia, vamos voltar a assistir ao mesmo filme com outras personagens.

Tenho plena consciência de que uma suposta entrada de forças estrangeiras na Guiné-Bissau, seria a última coisa que qualquer Guineense poderia desejar, mas a verdade é que também já ultrapassamos todos os limites de condescendência. Os nossos antepassados não andaram a lutar anos e anos contra os colonizadores, para agora chegarmos ao ponto de admitirmos que necessitamos de uma força exterior para organizar uma parte da nossa sociedade. (E chegamos mesmo a essa necessidade!) Mas também não andaram a lutar para que o nosso povo continuasse a ser explorado e humilhado.

Quantos já morreram: Ansumane Mané, Veríssimo Correia Seabra, Tagme Na Waie, Nino Vieira, Baciro Dabó, Hélder Proença… isto só para citar algumas personalidades. Quantos mais terão de morrer para que aceitemos a realidade? Afinal quem tem o direito de tirar a vida a outrem?

Não é uma boa política de análise ir buscar somente as más prestações de forças estrangeiras em suas diversas intervenções. Temos bons exemplos e o caso de Timor, por enquanto, está a ser um deles. E pior do que estamos a passar, é difícil! O que está a acontecer é um facto irrefutável e o que pode vir a acontecer, com a entrar de uma força multinacional, é uma hipotética possibilidade.

Ao longo da história da nossa independência temos visto que o que tem desencadeado vários acontecimentos absurdos é justamente o facto de os militares não estarem submetidos a qualquer outros poder. Pensar que os militares admitirão tal ideia, é estar a fantasiar.

Quem não se lembra dos confrontos entre militares e polícias por causa das aeronaves que aterraram no aeroporto Osvaldo Vieira?

Quem não se lembra do caso em que os militares assaltaram uma esquadra da polícia, tiraram da cela um prisioneiro da Polícia Judiciaria e espancaram-no até à morte?

Quantas vezes os militares  impedindo que os polícias fizessem o seu trabalho?

O que acontece em Março ultimo junto ao sede da CNE aos policiais no exercicio das suas funções que a constituiçãos os reserve?

Todas as ideias quanto a esta questão são bem-vindas e devemos ponderar todas elas. Mas a minha continua a ser favorável ao envio de uma Força Multinacional para a Guiné-Bissau.

Vamos encarar os factos com realismo.

Vamos, pelo menos tentar, resolver os problemas e parar de adiar a resolução.

Vamos opinar e buscar soluções, pois é com argumentos e contra-argumentos que vamos encontrando formas de resolver os nossos problemas.

*Contabilista, Especialista em direito de estado

 

 


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2 Responses to Opinião: A IMPORTÂNCIA de Encararmos os Factos Como Realmente São

  1. Antonio Co diz:

    Eu estou com medo que caso nao haja uma intervencao que nos ajude a por um cobro a esta situacao, e rapidamente, possamos entrar numa situacao de confronto etnico na Guine-Bissau! Infelizmente os dados estao a ser lancados e estamos a falar, escrever demais e as coisas estao a acontecer na Guine-Bissau! Quando uma minoria esta a por todo um pais como refem, fazendo o que bem entendem, com recuos e avancos, qual podera ser a reaccao? Este e uma chamada de atencao muito seria para que nao se deixe que entremos nessa via do confronto etnico!
    Sinceramente estou muito apreensivo e com medo!
    Um observador em bissau

  2. Antonio Tavares ( ODJA ) diz:

    Irmão, Antonio Co acho que isso não vai acontecer temos que ter fé em Deus. Somos um povos misto embora composta por muitas etnias. Na Guine o tribalismo e fundamentado pelos políticos e militares de meia tigela e pessoas que não sabem estar.

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