Guiné-Bissau: Mais detenções no caso de Roberto Ferreira Cacheu

Deputado Roberto Ferreira Cacheu | Foto Arquivo

Deputado Roberto Ferreira Cacheu | Foto Arquivo

 

(GBissau.com) Bissau – O caso do desaparecimento e do eventual assassinato do Deputado de PAIGC Roberto Ferreira Cacheu, está a fazer correr muita tinta na Guiné-Bissau, durante os últimos dois dias.

Acusado de envolvimento numa suposta tentativa de golpe de estado, conhecido pelo caso 26 de Dezembro de 2011, o deputado do PAIGC – a maior força política na Guiné-Bissau — esteve detido na sequência desses acontecimentos.

Um outro acusado nesse caso foi o contra-almirante José Américo Bubo Natchuto, entretanto libertado, há já algumas semanas.

De acordo com uma fonte próxima ao Ministério do Interior, a questão Roberto Ferreira Cacheu está ainda na sua fase inicial da investigação, mas já está a abalar novamente o país.

A GBissau.com confirma as detenções no Ministério do Interior, de oficiais dos Serviços de Informação de Segurança (SIS), como por exemplo, o Tenente Coronel Lino Lopes (ex-DG), o Tenente Coronel Marcos Aliu Candé, o Tenente Coronel Serafim Braima Embaló e o Major Cristóvão Rodrigues, todos suspeitos.

Face às alegadas circunstâncias do assassinato de Roberto Ferreira Cacheu (ainda por confirmar), a Guiné-Bissau e os guineenses encontram-se “profundamente abalados” com esta trágica notícia.

A confirmar o assassinato desse deputado do PAIGC, será mais uma caso a juntar-se aos assassinatos ocorridos em 2009, aos do Tenente Coronel Samba Djaló, morto no mesmo dia das eleições de 18 de Março e do Major Iaia Dabó, ocorrido na sequência do caso 26 de Dezembro.

Entretanto, ontem em Bissau, um grupo de cidadãos guineenses — na sua maioria políticos opositores ao então regime de Carlos Gomes Júnior – subscreveram-se à uma carta aberta à CPLP, numa altura em que decorre em Maputo, a cimeira desta organização Lusófona.

Na carta o grupo denuncia a forma como terá sido assassinado o deputado do PAIGC. Os subscritores da carta acusam o primeiro-ministro deposto Carlos Gomes Júnior de ser o presumível “autor” do assassinato de Roberto Cacheu.

Há pouco dias atrás, também o Partido República da Independência e Desenvolvimento (PRID) fez a mesma acusação contra Carlos Gomes Júnior.

Entretanto, os apoiantes de Carlos Gomes Júnior acreditam que estas acusações sejam mais uma tentativa para impedir o regresso do antigo governante ao país e, consequentemente da “normalidade constitucional”.

Desde finais de 2011 que Roberto Ferreira Cacheu não foi visto em público tendo, na altura, alguns amigos e colegas admitido a possibilidade de se encontrar em França ou na Alemanha.

Mas, as últimas notícias parecem ter posto de lado esta possibilidade.

 

Oiçam a reportagem do Jornalista Califa Soares Cassamá sobre o abaixo-assinado enviado à CPLP.

 


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2 Responses to Guiné-Bissau: Mais detenções no caso de Roberto Ferreira Cacheu

  1. Guiné Terra sem Lei diz:

    Lembrei-me agora e fiz uma pequena visita ao blog do AAS retrospectivando os acontecimento do tal 26 de Dezembro; Intentona ou Inventona.
    Ficava bem lembrar também o Sr. Vladimir Lenine, o polícia de intervenção assassinado supostamente pelo Sr. Iaia Dabó; mais de 50 detenções de militares entre eles Bubo Na Ntchuto, Watna na Lai, Augusto Mário(capacete de ferro), etc., etc.
    Também vi e revi a exibição de armamentos e pessoas detidas feita pelo Sr. António Indjai. Em tudo isso a minha perplexidade é apenas uma: Afinal de contas quem comandou e quem executou a operação 26 de Dezembro?
    Alguém por acaso já reparou que a política na Guiné-Bissau só gira à volta de quem matou quem; quem não matou?
    E porque sentimos hoje filhos dos ex-comandos fuzilados a exigirem justiça, não será a justiça um cancro da sociedade Guineense?

  2. Dartanha Na Bantaba diz:

    Mas que raio de pais e’ a Guine-Bissau? matansas atras das matansas! Matansas a serem usadas de armas de aremessos para justificar o absurdo para logo asseguir proceguir com mais matansas e tudo ficar em aguas de bacalhaus!

    Ora, pela cronologia da decapitassao do pais, nos primordios da descolonizassao seguiu-se fuzilamentos em massa dos ex-comandos africanos (guineenses) que combateram ao lado dos portugueses e mais pessoas civis inclusive assassinadas por calunias. Tudo isso na Guine-Bissau presidido por um presidente de origem cabo-verdiano, na tal unidade entre os dois paises, o que nao se verificava curiosamente em cabo-verde! E foi um numero ainda nao conhecido de milhares dos guineenses fuzilados. Deu-se 14 de Novembro de 1980 liderado por Nino Vieira, que sempre ocupou lugar de destaque do regime deposto, mas que nao se esitou de atribuir toda responsabilidades do fuzilamento ao presidente deposto, mas mesmo assim, o consedeu azilo para nunca mais permitir o seu regresso ao pais para ser julgado e se esclarecer das pesadas acusassoes de que era apontado! E assim ficamos (nos povo), para nunca mais saber-mos dos verdadeiros motivos de tamanha babaridade!

    E era a universidade das mentiras e intrigas trasida da luta de libertassao a consolidar-se! E o regime liderado por Nino Vieira que se justificava por cobro aos fuzilamentos sumarios e intrigas, cotinou a matar e a intrigar, ate a eclosao da guerra de 7 de Junho de 1998.

    Substituido por Kumba Yala com o seu PRS. Surtiu com este novo regime algo ate entao desconhecido na sociedade guineense: tribalisacao! A somar a continuidade das matansas e intrigas, golpes e contra golpes.

    Hoje, continuamos matarmo-nos macabramente ao sabor de golpes e contra-golpes,ensaiados no inigma mesquinho der ser chefizinho bonito par elas, tendo as matansas sempre como arma de arremeso, acusando o acusado desde que estejamos seguro de que este nunca mais estara em condicoes de se defender perante um juiz insuspeito.

    O mais caricato, e’ que os assissinos (responsaveis materiais), os verdadeiros carascos, proveem de um grupo de delinquentes que muitos teimam em considera-lo de forca armada revolucionaria do povo (farp) e nunca sao conhecidos como reu e circulam livremente entre as pessoas como verdadeiros senhores do poder a espera de um novo fretador!

    Em fim, a historia da guine nunca muda e nao sei se e’ por teimosia que nunca aprendemos com os nossos, burice, nao creio! E’ chegada a ora de pormos o dedo na ferida, e dizer a verdade: Os militares na guine-bissau sao o nosso verdadeiro problema.

    Mudadando um pouco do assunto, gostava que alguem me dissesse como irao ser organizadas futuras eleicoes e por quem? Porque, nao me parece que os guineenses irao cair no erro grave de deixar que elas fossem organizadas por golpistas suspeitos! Tudo para evitar mais problemas. Que tal confia-las a uma organizacao isenta, a Uniao africana por exemplo?

    Humildemente,

    Dartanha Na Bantaba

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