Cateforia dos Arquivos: Entrevistas

Entrevistas: Ernesto Dabó fala da música, literatura, política e de activismo cultural

  • ERNESTO DABÓ, O ACTIVISTA CULTURAL – ENTREVISTA AO “PONTO FINAL” DE MACAU, 17 DE MARÇO DE 2016

Ernesto Dabó é um poeta, intelectual, cantor e compositor e uma voz crítica em relação ao actual estado das coisas na Guiné-Bissau. O autor é convidado do Festival Literário de Macau – Rota das Letras e falou no Edifício do Antigo Tribunal, sobre a evolução e as perspectivas da literatura guineense.

Grande Entrevista: Fernando Delfim da Silva ao Diário de Bissau

Para mim, esse acórdão do Supremo Tribunal da Justiça está completo, não carece de mais nada, não precisa de mais aditamentos. De maneira que, tentar arrastar mais ainda um processo judicial esgotado, parece-me ser algo exagerado e contraproducente, talvez mesmo politicamente perigoso. O Estado, do meu ponto de vista, precisa de se “renormalizar” no funcionamento das suas instituições, sem mais demoras, refutando, ao mesmo tempo, a tese das chamadas “eleições gerais”.

Dr. Fernando Delfim da Silva

Entrevista: Delfim da Silva defende Status quo ante e inclusão calibrada

“No passado, bateram palmas aos fuzilamentos acordados por um tribunal militar; hoje batem palmas à expulsão de camaradas decidida por acórdão de um tribunal partidário; ontem, ficaram todos caladinhos perante assassinatos de camaradas em nome (sempre) de uma estabilidade perversa. A nossa memória é mesmo muito curta” – Fernando Delfim da Silva

 

Diário de Bissau: O que pensa desta crise que grassa no PAIGC? 

Fernando Delfim da Silva: É mais uma desgraça política que se está a configurar. Só falta saber a dimensão das suas consequências – dentro e fora do PAIGC. Mas para quem realmente viveu a história do PAIGC, esta crise é apenas “mais uma” crise, mas não no sentido fraco do termo, como se fosse uma pequena constipação que “juridicamente” se vai curar, voltando tudo à normalidade como se, antes, nada tivesse acontecido. É mais uma crise, sim, mas não é propriamente uma crise passageira. Ela é cumulativa. 

Grande Entrevista com a Rádio ONU: Primeiro-ministro Domingos Simões Pereira

Nova Iorque (Rádio ONU, 5 de Agosto de 2014) – O novo primeiro-ministro da Guiné-Bissau conversou com a Rádio ONU sobre as prioridades do cargo e a cooperação com as Nações Unidas.

Simões Pereira falou ainda sobre a cooperação com Portugal para combater o ébola, a colaboração com o Brasil no setor de segurança e agricultura e os fortes laços da Guiné-Bissau com Cabo Verde, Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, e Timor-Leste.

Grande Entrevista: Petróleo – Guiné-Bissau prepara abrir novos furos no próximo ano

Bissau (Jornal Nô Pintcha, Maio de 2014) – O director-geral da Companhia Petrolífera da Guiné-Bissau, PETROGUIN, disse, em entrevista ao Nô Pintcha, dia 5 do mês em curso, que o país irá abrir novos furos para a prospecção petrolífera nas zonas que apresentam indícios da existência de hidrocarbonetos. Nesta perspectiva, António Serifo Embaló avisa aos guineenses para que não façam desta perfuração a máxima esperança e que nem a assumam como o maior desespero, em caso do fiasco. Este responsável explicou que nem todos os estudos técnicos são revelados, devido à estratégia das empresas, pelo que a Petroguin, na qualidade do responsável da área, tem que manter no mesmo nível do segredo. Acrescentou que de forma geral a Guiné-Bissau chegou de descobrir o petróleo, só que, em suas palavras, a quantidade descoberta não é comerciável.

Por Seco Baldé Vieira, em Bissau

Pedro Pires defende novas gerações de políticos e militares 

Bissau (ANG/Lusa, 28 de Abril de 2014) – O ex-presidente cabo-verdiano Pedro Pires afirmou hoje à agência Lusa ser “crucial” que o regime político guineense deixe de estar sob tutela militar e se transforme num civil, abrindo-se portas a novos ciclos liderados por novas gerações. Em declarações à Lusa, Pedro Pires, antigo comandante do Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), lembrou que os novos dirigentes políticos saídos das legislativas de 13 deste mês “não está implicada” em conflitos ou em assassínios políticos do passado.

Há o fim de um ciclo político. Saem dessas eleições direcções encabeçadas por uma outra geração de políticos, que não está implicada nem nos conflitos, grandes ou pequenos, nem nos assassinatos políticos. É uma nova direcção, uma nova oportunidade“, sustentou Pedro Pires, presidente de Cabo Verde entre 2001 e 2011.

Grande Entrevista: “é preciso manter um espaço de diálogo permanente” – Ovídio Pequeno, da União Africana

Bissau (GBissau, 28 de Abril de 2014) – Chama-se Ovídio Manuel Barbosa Pequeno e é o Representante Especial da União Africana (UA) na Guiné-Bissau, desde Maio de 2012.

Da nacionalidade são-tomense, Ovídio Pequeno já ocupou vários cargos governamentais e diplomáticos. E foi ele quem o Presidente da Comissão da União Africana, Jean Ping, incumbiu a tarefa de interagir com as autoridades da Guiné-Bissau, com os partidos políticos e outras organizações internacionais, com o objectivo de coordenar e harmonizar os esforços para resolver a crise político-militar guineense e permitir o retorno à ordem constitucional.

Grande Entrevista: Balanço sucinto do período de transição – Porta-voz do governo de transição

  • Governo de Transição reconhece efeitos provocados pelo afastamento de doadores internacionais – admite o porta-voz do Executivo

Bissau (Jornal Nô Pintcha, Fevereiro de 2014) – O ministro de Estado, da Presidência de Conselho de Ministros, Assuntos Parlamentares e Porta-voz do Governo reconheceu, na semana passada, num balanço antecipado do período transitório, que o Governo de Transição foi vítima de quase todos os parceiros de desenvolvimento da Guiné-Bissau, mas mesmo assim, segundo o governante, conseguiu cumprir com a sua missão prioritária.

Fernando Vaz defendeu que se este país tem tido Governos que em dois anos de vigência faz aquilo que este Executivo fez, a Guiné-Bissau seria outra, contra marés de sanções impostas pela comunidade internacional.

Entrevista: A data de eleições para o dia 16 março de 2014 é imutável e inadiável” – Ramos-Horta

Bissau (Expresso de Bissau) – O Representante Especial do Secretário-geral da ONU na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, afirmou que a nova data marcada pelo Presidente da República de Transição para a realização das eleições é inadiável. Em entrevista exclusiva ao Expresso Bissau, o Nobel da Paz disse que se isso vier a acontecer, será um desaire para o povo guineense. Sublinhou que os guineenses devem trabalhar 24/24 horas para que a data seja cumprida, mesmo esquecendo as festividades do Natal.

Entrevista: “Não pode haver um exército em pleno século XXI que seja temido pelo povo” – José Ramos-Horta

“O povo da Guiné-Bissau tem receios, tem medo dos militares. Não pode haver um exército em pleno século XXI que seja temido pelo povo. Esse exército deve ser respeitado. Esse exército cuida da constituição e a constituição diz a defesa da independência, soberania e da integridade territorial do país. Deve ser um exército respeitado e não temido”.

Bissau (GBissau.com, 30 de Novembro de 2013) – Numa entrevista recente com a GBissau.com e a Rádio Gumbe.com, o Representante Especial das Nações Unidas na Guiné-Bissau teceu fortes críticas contra as Forças Armadas do país.

Para José Ramos-Horta, não pode haver um exército em pleno século XXI que seja temido pelo seu próprio povo. Mas, mais do que criticismo, Ramos-Horta gostaria que ele fosse ouvido pela chefia militar guineense.

Entrevista: “Será preciso a refundação do Estado guineense” – José Ramos-Horta

“…Eu não vejo que seja necessária uma força de paz. Uma intervenção militar não é necessária. A situação na Guine-Bissau não exige. O Conselho de Segurança não faria isso, mas é possível uma força policial maior para apoiar a força policial nacional. Pode ser que seja possível uma ECOMIB maior para ajudar na estabilização.”

Bissau (GBissau.com, 26 de Novembro) – Numa entrevista recente com a GBissau.com, o Representante Especial das Nações Unidas na Guiné-Bissau defendeu aquilo que considera de refundação do Estado guineense. Eis as palavras de José Ramos-Horta, transcritas da entrevista com a GBissau.com e com a Rádio Gumbe.com:

Esta missão é ainda só política e os bureaus regionais e os escritores regionais são meramente políticos e através da missão aqui e dos escritores regionais, vamos monitorando melhor a situação no país. Podemos ajudar em mediação dos conflitos regionais, conflitos locais e, ao mesmo tempo, tentar mobilizar recursos para apoiar as zonas rurais.

“Guiné-Bissau deixou de ser um ponto de trânsito importante na rota de tráfico de droga” – José Ramos-Horta

Bissau (GBissau.com, 23 de Novembro de 2013) – Nos últimos doze (12) meses, a Guiné-Bissau deixou de ser um dos pontos importantes de trânsito de droga de América Latina para a Europa. As afirmações são do Representante Especial das Nações Unidas na Guiné-Bissau, numa entrevista exclusiva à GBissau.com.

Também de acordo com José Ramos-Horta, o movimento de traficantes de droga dentro da Guiné-Bissau baixou muito significativamente nos últimos nove (9) meses. “Todas as nossas informações apontam para a redução drástica no tráfico de droga na Guiné-Bissau. O ponto de trânsito mudou para outros países da sub-região”, revelou o chefe da missão da ONU na Guiné-Bissau.

Carreguem no link para ouvir a parte da entrevista com José Ramos-Horta sobre o tráfico de droga, o caso de almirante Bubo Na Tchuto, e do General António Indjai.

“Espancamento de Ministro de Estado Orlando Viegas teve razões partidárias” – José Ramos-Horta

 “…quando algum político directamente se envolva em actos de brutalidade e de violência física ou mesmo da violência verbal, deixa perguntas no ar, dúvidas no ar, em relação à sua idoneidade, à sua competência, à sua serenidade em governar o país”. 

Bissau (GBissau.com, 21 de Novembro de 2013) – O ministro de Estado do governo de transição guineense encontra-se internado num dos hospitais em Portugal, revelou o Representante Especial das Nações Unidas na Guiné-Bissau, José Ramos-Horta, numa entrevista exclusiva com a GBissau.com.

É “prematuro afirmar que vai haver uma alteração da data” de eleições – Representante da União Africana

Bissau (GBissau.com, 4 de Outubro de 2013) – O Representante Especial da União Africana na Guiné-Bissau disse hoje, numa entrevista à GBissau.com, não ter indicações precisas por parte das autoridades de transição, sobre o possível adiamento das eleições legislativas e presidenciais.

Para Ovídeo Pequeno, é “prematuro afirmar que vai haver uma alteração da data” inicialmente marcada para 24 de Novembro do ano em curso, enquanto não tiveram lugar “consultas internas que envolvam tanto o Presidente da Republica de Transição, como a própria CEDEAO”.

“Pedro Pires não sabe o que diz e não diz o que sabe” – porta-voz das Forças Armadas da Guiné-Bissau

Bissau (GBissau.com, 16 de Setembro de 2013) – O porta-voz das Forças Armadas da Guiné-Bissau, Daba Naualna, insurgiu-se contra as críticas do antigo Presidente de Cabo Verde, Pedro Pires, numa entrevista exclusiva com a GBissau.com. (Ouvir aqui a entrevista de Daba Naualna)

Esta semana, o Comandante Pedro Pires, que é também um antigo guerrilheiro pela luta da independência da Guiné e de Cabo Verde, teceu duras críticas contra os militares guineenses que, na sua opinião, transfiguraram-se “em instrumento de tirania e de delinquência”. A entrevista de Pedro Pires, um dos principais comandantes militares do PAIGC, foi concedida ao jornal Expresso de Portugal, a propósito dos 40 anos da independência da Guiné-Bissau.

Entrevista: Flora Gomes, Quatro décadas de cinema

Entrevista Flora Gomes, realizador cinematográfico guineense

O mais famoso cineasta da Guiné-Bissau, com cerca de 40 anos de carreira, continua cheio de projetos e histórias para contar. Lamenta apenas a ausência de uma política nacional de apoio financeiro e de incentivo à produção cinematográfica, o que penaliza os realizadores do seu país.

Eleições em si não garantem estabilidade na Guiné-Bissau, diz analista

(Deutsche Welle, 6 de Março de 2013)  –  Eleições “livres, justas e transparentes” na Guiné-Bissau até ao final de 2013 é a exigência da CEDEAO. A organização exigiu um rumo político e governativo para o país que se encontra há quase um ano sem Governo formado.

Entrevista: “Hoje, há poucas dúvidas. Foram guineenses do PAIGC que assassinaram Amílcar Cabral” – Jose Pedro Castanheira

Escrito por Jorge Montezinho, Expresso das Ilhas, Cabo Verde

José Pedro Castanheira, jornalista português do semanário Expresso e autor de uma das primeiras obras sobre o assassinato do fundador do PAIGC – “Quem Mandou Matar Amílcar Cabral?”, em 1995 – diz, nesta entrevista exclusiva ao Expresso das Ilhas, que sempre sentiu um grande “desconforto” por parte das autoridades guineenses enquanto recolhia os dados para o seu trabalho de investigação. Curiosamente, ou talvez não, o livro foi apresentado em Cabo Verde, junto das comunidades cabo-verdianas de Portugal, Estados Unidos da América e Itália, mas o autor nunca conseguiu fazer o mesmo na Guiné-Bissau.

“Não vamos suspender a Guiné-Bissau” – Secretário-Executivo da CPLP

  • “Não vamos suspender a Guiné-Bissau. Estamos a trabalhar para que a situação no país se estabilize. Quando há um problema, nós temos de contribuir para solucionar esse problema”.
Murade Murargy, Secretário Executivo da CPLP

Murade Murargy, Secretário Executivo da CPLP

Maputo  (Ponto Final, 16 de Outubro de 2012) – A instabilidade política na Guiné-Bissau é só um dos desafios que a CPLP tem pela frente, garante o novo secretário-executivo da organização. Àbeira de completar o primeiro mês no cargo, o diplomata moçambicano Murade Murargy acredita que a principal missão que terá pela frente passa por promover plataformas de promoção de investimento entre os estados-membros e atingir o objectivo de sempre: a consciencialização de uma cidadania lusófona.

Entrevista com CEMGFA: Será Guiné-Bissau um Narcoestado?

  • António Indjai não se arrepende e continua intransigente quanto ao golpe que derrubou o governo anterior
António Indjai, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau

António Indjai, chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau

Bissau (TIME | Tradução de Umaro Djau, GBissau.com) – General António Indjai, de 57 anos de idade, é o chefe do Estado Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau que em 12 de Abril derrubou o governo anterior num golpe de Estado, citando como motivo a presença de militares angolanos.

Os cerca de 270 soldados de Angola tinham originalmente enviados para a Guiné-Bissau para ajudar na reforma das forças armadas guineenses. Os acontecimentos de 12 de Abril, dizem os militares guineenses, foram precipitados pelas acusações de que os angolanos estavam a conspirar para destruir as forças armadas da Guiné-Bissau. Umas forças armadas acusadas de envolvimento no comércio de cocaína e, no processo, cerca de 30 toneladas da substância ilegal acabam terminando anualmente na Europa.

O Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime disse ter observado um aumento no tráfico de drogas desde o golpe.

Em resposta ao golpe, muitas organizações e países cortaram as suas ajudas para o governo interino. O bloco regional da África Ocidental, a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), desde então tem implantada uma força estabilizadora dentro da Guiné-Bissau.

A Jornalista do TIME Jessica Hatcher encontrou-se em Bissau, no dia 2 de Outubro com o General António Indjai, para uma entrevista.

Domigos Simões Pereira deixa a CPLP sem compreender posição da UA na crise da Guiné-Bissau

Domigos Simões Pereira

Domigos Simões Pereira

Deutsche Welle (16 de Julho de 2012) – O guineense Domingos Simões Pereira está no fim do mandato como secretário executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, CPLP. Vai passar o testemunho ao seu sucessor na cimeira de Maputo, a 20 de julho.

Em vésperas da nona cimeira dos chefes de Estado e de governo da CPLP, que tem no centro da sua agenda a delicada situação na Guiné-Bissau, a DW África entrevistou o engenheiro que geriu a organização integrada por oito Estados-membros, irmandada pela língua comum, o português.

Engenheiro de formação, Domingos Simões Pereira cumpre, até à cimeira de Maputo, a missão de ter dirigido uma nova etapa na vida da CPLP, já com 16 anos de existência. A concertação político-diplomática e a afirmação da língua portuguesa no mundo estão entre as prioridades da organização, também preocupada com a consolidação da democracia nos Estados-membros.

Pode parecer paradoxal, mas é aqui que a CPLP se vê confrontada com mais obstáculos e desafios. Exemplo disso é a crise que se vive na Guiné-Bissau, despoletada pelo golpe militar de 12 de abril deste ano, cuja solução é problemática.

Ministro Fernando Vaz: “respeitamos todos os acordos assumidos pelo governo da Guiné-Bissau”

Fernando Vaz, ministro da presidência do conselho de ministros, de assuntos parlamentares e porta-voz do governo

Fernando Vaz, ministro da presidência do conselho de ministros, de assuntos parlamentares e porta-voz do governo

Bissau – O ministro da presidência do conselho de ministros, de assuntos parlamentares e porta-voz do governo, disse quinta-feira em Bissau, que a carta de transição em vigor no país, respeita todos os acordos assumidos pelo governo da Guiné-Bissau.

Fernando Vaz fez esta afirmação numa clara alusão à suspensão do acordo da cooperação militar entre a Guiné-Bissau e Angola, que pode estar na origem da paralisação de várias ações em curso no país.

De acordo com o ministro, a suspensão do acordo de cooperação com a Angola não abrange aquilo que está no acordo rubricado entre as partes.

“Eu não sei se a suspensão do acordo de cooperação entre a Guiné-Bissau e Angola abrange o que está em curso. Nós, governo de transição, carta de transição, respeitamos todos os acordos assumidos pelo governo da Guiné-Bissau. Portanto, damos continuidade a tudo o que eram compromissos do estado da Guiné-Bissau”, afirmou.

“Nós entendemos que a Angola nessa linha deverá também dar continuidade aos compromissos que assumiu com a Guiné-Bissau”, acrescentou.

Pergunta: “Caso não fôr assim?”
Resposta: “Nós analisaremos na altura o posicionamento angolano e a Guiné-Bissau irá posicionar-se também”.

Fernando Vaz disse que o atual governo herdou do executivo deposto as dívidas em atraso dos professores contratados, de novo ingresso, reintegrados e doentes, e que o assunto está a ser tratado pelo ministro das finanças.

“A questão dos professores contratados e de novo ingresso está a ser tratada pelo ministro das finanças. Encontraremos, com certeza, uma solução o mais rapidamente possível”, apontou.

Fonte: RSM

Gen. António Indjai: “O PAIGC actual é dos portugueses”

PAIGC

PAIGC

BissauA Secretaria de Estado dos Combatentes da Liberdade da Pátria promove quarta-feira no Palácio Colinas de Boé, parlamento guineense, um encontro com os veteranos da luta de libertação nacional.

O encontro, realizado à pedido do EMGFA, visou esclarecer aos Combatentes da Liberdade da Pátria sobre os acontecimentos de 12 de abril último e a situação em que se encontram.

O titular desta pasta, coronel Mussa Djata, abriu a reunião e disse que os acontecimentos de 12 de abril não agradaram aos guineenses tendo em conta as ocorrências cíclicas que têm marcado a curta história do país, as quais nunca foram resolvidas.

O CEMGFA, António Indjai, que esteve presente no encontro, apontou os combatentes da liberdade da pátria – que são atuais dirigentes do PAIGC, como os principais responsáveis pelo golpe de estado de 12 de abril.

“Este golpe de estado é o seguinte: ele veio dos nossos anciãos que dirigem agora o PAIGC. Eles é que originaram o golpe de estado”.

“Depois da chegada dos angolanos, eles vieram com o caráter de nos ajudarem a reabilitar os quartéis e nos ajudarem na formação e na reforma no tempo do falecido Malam Bacai. Com a morte de Malam Bacai Sanhá eles mudaram de caráter e naquilo que foi acordado. Em vez de eles reabilitarem os quartéis e ajudarem na reforma, eles nos trazeram armas em quantidade superior à nossa”, adiantou.

Como se quisésse provar suas afirmações, António Indjai apontou: “Talvez as pessoas vão ter a oportunidade de ver essas armas hoje. Nós nunca tivemos as armas que vamos poder ver a sair hoje (do país). Algumas delas foram embarcadas no navio, mas ainda não é tudo”.

“Então, eram armas que nós haviamos pedido ou era a ajuda para o setor da reforma? Esta é que é a origem do golpe de estado”, contou.

António Indjai foi ainda mais longe acusando os atuais responsáveis do PAIGC de se terem vendido a Portugal e que ele-mesmo pertence a esse partido.

“Esta Pátria é nossa, o PAIGC de Cabral é nosso. è possível que haja quem duvide que nós não queremos o PAIGC; o PAIGC é nosso, porque, se fugirmos dele não teremos história nós todos aqui sentados”.

“Mas o PAIGC atual é um PAIGC de portugueses, ele foi comprado através dos combatentes que estão aqui presentes. É a fome que levou à compra do partido pelo CADOGO, ele o comprou em conluio com portugueses. Então, nós dissemos basta, não queremos isso”, acusou ele.

“Ei-los, eles estão muitos aqui nesta sala. É chegada a hora para sejam chamados macaquinhos, macacos. Denominar macacos, matemática de Boé, matemática de mata, mas, se o Manel (Manuel Saturnino da Costa, primeiro vice-presidente do PAIGC) chama as pessoas de macacos e milícias, a quem ele está a ofender?  Eu pergunto. Se ele chama as pessoas sabendo que ainda colegas seus nos quartéis, que ele saiba que há pessoas que o haviam protegido. Ora, se ele chama a esses de macacos, milícias, a quem ele está a ofender? É a ele próprio”, vincou António Indjai.

O CEMGFA anunciou, por outro lado, que daqui a três anos, ele irá para a reforma, após o que integrará o PAIGC – partido de Cabral, para fazer a política.

Fonte: Bombolom-FM

Carlos Gomes Júnior diz pretender processar autores de golpe

*O texto é escrito em português do Brasil

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau

Nova Iorque – Em entrevista exclusiva à Rádio ONU, Carlos Gomes Júnior disse que ainda se considera o chefe de governo do país lusófono: “Fui eleito. O poder conquista-se nas urnas, não na Secretaria.”

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, deposto no golpe militar de 12 de Abril, falou à Rádio ONU que irá processar os responsáveis pela intervenção.

“Assim que as coisas se assentarem, naturalmente que vou constituir um coletivo de advogados para exigir responsabilidades.

Responsabilidades pela forma como a nossa família foi tratada e como os nossos bens foram saqueados, dilapidados…não se é normal que num Estado de direito possa passar-se uma situação como esta.”

Nesta entrevista exclusiva, em Nova York, onde está para uma reunião no Conselho de Segurança, Gomes Júnior afirmou que ainda é o chefe do governo.

“Considero-me primeiro-ministro legítimo da República da Guiné-Bissau porque fui eleito. O poder conquista-se na urna. O poder não conquista-se na Secretaria. Ai de África se continuar a seguir este exemplo que a Cedeao quer nos impor que nós não aceitaremos.”

Quando foi preso pelo golpe, Carlos Gomes Júnior estava a duas semanas de disputar o segundo turno das eleições presidenciais, onde ele era o primeiro colocado. Ele contou que a experiência foi traumática e que os militares mataram o cachorro da família na hora da invasão à residência dele.

Logo após o golpe, o Conselho de Segurança da ONU pediu a restauração da ordem no país africano, de língua portuguesa, do oeste da África. O órgão também exigiu que os militares retornassem às casernas.

No mês passado, uma resolução do Conselho de Segurança decretou embargo a viagens ao exterior de oficiais guineenses liderados pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai.

Mas para o premiê deposto, é preciso ir mais longe.

“Nós vamos encorajar a comunidade internacional. Só sancionar os militares não é suficiente. Pensamos que a Cedeao deve refletir no que pretende. Não pode estar acima das Nações Unidas.”

Carlos Gomes terminou a entrevista agradecendo a Angola pelo apoio que tem recebido desde o golpe de 12 de Abril.

 

Fonte: Rádio das Nações Unidas (Serviço Português)

 

 

Carlos Gomes Júnior sem medo de voltar à Guiné-Bissau

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau

Lisboa – O primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, afastado pelo golpe militar de 12 de abril, assegura não ter “medo nenhum” de voltar ao seu país, segundo avançou o próprio em entrevista à TSF e ao “Diário de Notícias”, em Portugal.

Carlos Gomes Júnior fala, nessa mesma entrevista de 20 de Maio de 2012, da solidariedade demonstrada pelos governantes e do povo português, dizendo que esta crise tornou visível a importância da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

O primeiro-ministro deposto pede sanções para os golpistas e recusa a hipótese de um governo no exílio, ao defender que é o chefe de um Governo legitimamente eleito e que não está disponível para abdicar da sua conquista.

Sobre a situação atual na Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior admite que o país tem meios insuficientes para combater o narcotráfico e apela ao cumprimento dos acordos internacionais, que implementem medidas para erradicar este flagelo.

Leia a entrevista em formato PDF:

Entrevista de Carlos Gomes Júnior com o Diário de Notícias & TSF | 20 de Maio de 2012