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Carlos Gomes Júnior diz pretender processar autores de golpe

*O texto é escrito em português do Brasil

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau

Carlos Gomes Júnior, primeiro-ministro deposto da Guiné-Bissau

Nova Iorque – Em entrevista exclusiva à Rádio ONU, Carlos Gomes Júnior disse que ainda se considera o chefe de governo do país lusófono: “Fui eleito. O poder conquista-se nas urnas, não na Secretaria.”

O primeiro-ministro da Guiné-Bissau, Carlos Gomes Júnior, deposto no golpe militar de 12 de Abril, falou à Rádio ONU que irá processar os responsáveis pela intervenção.

“Assim que as coisas se assentarem, naturalmente que vou constituir um coletivo de advogados para exigir responsabilidades.

Responsabilidades pela forma como a nossa família foi tratada e como os nossos bens foram saqueados, dilapidados…não se é normal que num Estado de direito possa passar-se uma situação como esta.”

Nesta entrevista exclusiva, em Nova York, onde está para uma reunião no Conselho de Segurança, Gomes Júnior afirmou que ainda é o chefe do governo.

“Considero-me primeiro-ministro legítimo da República da Guiné-Bissau porque fui eleito. O poder conquista-se na urna. O poder não conquista-se na Secretaria. Ai de África se continuar a seguir este exemplo que a Cedeao quer nos impor que nós não aceitaremos.”

Quando foi preso pelo golpe, Carlos Gomes Júnior estava a duas semanas de disputar o segundo turno das eleições presidenciais, onde ele era o primeiro colocado. Ele contou que a experiência foi traumática e que os militares mataram o cachorro da família na hora da invasão à residência dele.

Logo após o golpe, o Conselho de Segurança da ONU pediu a restauração da ordem no país africano, de língua portuguesa, do oeste da África. O órgão também exigiu que os militares retornassem às casernas.

No mês passado, uma resolução do Conselho de Segurança decretou embargo a viagens ao exterior de oficiais guineenses liderados pelo chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, António Indjai.

Mas para o premiê deposto, é preciso ir mais longe.

“Nós vamos encorajar a comunidade internacional. Só sancionar os militares não é suficiente. Pensamos que a Cedeao deve refletir no que pretende. Não pode estar acima das Nações Unidas.”

Carlos Gomes terminou a entrevista agradecendo a Angola pelo apoio que tem recebido desde o golpe de 12 de Abril.

 

Fonte: Rádio das Nações Unidas (Serviço Português)